Carlos Frederico Bernardo de Caula

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Carlos Frederico Bernardo de Caula
Nome nativo Carlos Frederico Bernardo de Caula
Nascimento 1 de abril de 1766
Elvas
Morte 21 de setembro de 1835 (69 anos)
Portugal
Cidadania Portugal
Progenitores Pai:Bernardo de Caula
Filho(s) Carlos Maria de Caula
Alma mater Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho
Ocupação militar, político, engenheiro
Prêmios Cavaleiro da Ordem da Torre e Espada
Título visconde

Carlos Frederico Bernardo de Caula CvTE (Elvas, 1 de abril de 1766Portugal, 21 de setembro de 1835), 1º Visconde de Elvas, foi um Engenheiro Militar, Brigadeiro, General de Armas e Marechal de Campo do Exército português, além de Conselheiro de Estado do Império Brasileiro. Atuou em Portugal e no Brasil durante o reinado de D. João VI.[1][2][3][4][5][6]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Carreira em Portugal[editar | editar código-fonte]

Brigadeiro do Real Corpo de Engenheiros, foi colaborador nos estudos preparatórios para a elaboração da primeira Carta Geral do Reino e pela introdução da telegrafia visual terrestre em Portugal. Em 1788 participou da equipe responsável por formar a "Triangulação Geral do Reino". Eram estudos completamente novos em Portugal, que visavam a medição do grau de meridiano, na sequência dos importantes trabalhos que haviam começado em França para o estudo da forma da Terra.[7][8][9][10]

Promovido ao posto de ajudante de infantaria com exercício de engenheiro por Decreto de 18 de Setembro de 1789. Em 1790 saiu de Lisboa, juntamente com Francisco António Ciera, e o engenheiro militar de origem catalã Pedro Folque (pai de Filipe Folque) para com eles fazer o reconhecimento geral do território português, efetuando-se as primeiras observações no dia 18 de outubro na Nossa Senhora do Castelo, Aljustrel, continuando depois em várias províncias a escolha de pontos que deviam de servir de vértices aos triângulos. Conseguiram constituir uma carta de triangulações de Portugal, que, mais tarde, em 1837, foi mandada litografar por Manuel Passos.[11][12][13][14]

Em 3 de novembro de 1792 foi promovido a Capitão, durante reformulação no Corpo de Engenheiros.[15] Por Decreto de 19 de Outubro de 1798, D. Maria I nomeou-o para membro da Sociedade Real Marítima Militar e Geográfica.[16]

Durante os anos de Brigadeiro do Exército de Portugal, atuou fortemente na construção de pontes estradas e fortificações. Após a transferência da corte portuguesa para o Brasil, motivada pelos desdobramentos das guerras Napoleônicas, deu continuidade ao trabalho de defesa e triangulação do Reino, visto que após a retirada do general Junot, o terreno encontrava-se exposto, devastado e ainda não estava totalmente topografado. Nomeado tenente-coronel, foi designado[17] para chefiar nova equipe de engenheiros militares, desta vez composta pelo major José Maria das Neves Costa, o major Joaquim Norberto Xavier de Brito, e o então segundo tenente José Feliciano Farinha, tendo sido finalizados os trabalhos em 1809, e repassados ao Lord Wellington, que cuidava do governo e da defesa do Reino, adotando o sistema de defesa das linhas de torres vedras.[18][19][20][21][22]

Em 9 de fevereiro de 1809 foi nomeado Governador Militar da Vila Franca de Xira, uma vila portuguesa de importância estratégica.[23]

Em 1812, já nomeado coronel, foi designado à linha de defesa do Reino na cidade de Aldeatejada, estando o Real Corpo de Engenheiros designados para esta localidade, tendo o Exército Português sob ordens do Marechal Beresford, o qual designava os regimentos por localidade.[22]

Os Anos no Brasil[editar | editar código-fonte]

Sob ordens de Carta Régia expedida por D. João VI, para o Marquês de Angeja em 27 de abril de 1817, foi convocado a embarcar para o Brasil, juntamente com dois Regimentos de Infantaria e alguns oficiais do Exército Português.[24]

Foi laureado em 6 de Fevereiro de 1818, pelo Rei D. João VI, como Cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, uma ordem militar portuguesa fundada por D. Afonso V de Portugal em 1459, constituindo, desde o seu início, a mais alta Ordem de Cavalaria do Reino de Portugal. Esta Ordem foi extinta em 1834, estabelecendo-se em seu lugar a Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito. Foi promovido a marechal de campo em 20 de Março de 1821.[25][26][27][28][29]

Ainda no Brasil, Carlos Frederico esteve como Governador das Armas, e só então, foi Ministro da Guerra do então Príncipe Regente, D. Pedro I entre 24 de fevereiro de 1821 e 16 de janeiro de 1822, poucos dias depois do Dia do Fico.[30] Esta indicação foi feita por seu amigo, Silvestre Pinheiro Ferreira, que o precedeu, e foi aceita por D. João VI e pelas Cortes Gerais, que reunidas no Palácio das Necessidades em Portugal, exigiam a volta de El-Rei, que estava no Brasil desde 1808. Durante seu mandato ministerial, entre outras atribuições, acompanhou vários movimentos pela independência,[31] a exemplo de correspondências recebidas do brigadeiro Manuel Inácio de Sampaio, seu amigo e governador da capitania do Ceará (1812 a 1820) e da capitania de Goiás (1820 a 1822). Com a Proclamação de Independência, foi montado um novo ministério, o Ministério dos Negócios da Guerra, a partir daí, do Brasil Império.[32][33][34][35][36][37][38][39][40][41]

Regresso a Portugal[editar | editar código-fonte]

Deixou o Brasil em uma frota de navios que conduzia a divisão portuguesa, saindo do Rio de Janeiro e voltando a Portugal em 15 de fevereiro de 1822. Seu regresso a Portugal foi registrado na sessão 380 das cortes, de 29 de Maio, relatando a chegada da Nau D. João VI, tendo por comandante o Sr. José Marcelino Pereira, havendo durado 66 dias de viagem.[42][43]

O Gen. Carlos Frederico foi nomeado Governador de Elvas em maio de 1825. Foi nomeado comandante do Real Corpo de Engenheiros por Decreto de 28 de Dezembro de 1826. Em 29 de janeiro de 1827, às vésperas das Guerras liberais, foi nomeado Conselheiro de Estado por D. Maria II em meio a um turbilhão político. Com a morte de D. João VI, levantava-se um problema de sucessão. Após D. Pedro IV ter sido forçado a abdicar do trono de Portugal em favor do trono do Brasil, D. Maria II subia ao trono por legitimidade. Entretanto, D. Miguel, que já se revoltara pelo menos duas vezes e estava exilado em Viena, foi nomeado regente do reino. Em 1827, enfrenta os piores momentos da guerra civil portuguesa, entre liberais e miguelistas, sendo capturado e preso na Torre da Barra em 1828 juntamente com Silva Lopes, Manuel Leitão e do Conde e da condessa de subserra, entre outros 618 presos. Ao ser libertado, recebeu o título de 1º Visconde de Elvas em 1833.[1][44][45][46][47][48][49][50]

Família[editar | editar código-fonte]

Carlos Frederico era filho de Bernardo de Caula, de origem francesa, que ingressou no exército português, como primeiro-tenente da Companhia de Mineiros e Sapadores do Regimento de Artilharia de Lagos, em 7 de Novembro de 1763. Em 17 de Outubro de 1771, este foi promovido a capitão e em 26 de Março de 1789, passou à situação de reforma por motivo de doença (cf. Arq. Hist. Militar, Processo de Bernardo de Caula, Arq. Hist. Militar Cx. 363).

Foi pai de Carlos Maria de Caula (1809-1886), Futuro Marechal de Campo e 2º Visconde de Elvas (1865). Suas filhas, Carlota Maria de Araújo de Caula e Maria Carlota de Araújo de Caula, casaram com Manuel Duarte Leitão, Português influente, Ministro da Justiça e Secretário de Estado. Deste segundo casamento nasceram três filhos:

  • Eugénia de Caula Leitão;
  • Carlos Duarte de Caula Leitão (1827 - 6 de junho de 1865, Lapa (Lisboa);
  • Maria Carlota de Caula Leitão (1838 - 2 de outubro de 1851, Lapa (Lisboa).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Gazzetta di Genova (em italiano). [S.l.]: stamp. dell'Istituto e della Gazzetta Nazionale. 1827 
  2. Vista e Perspectiva da Barra Costa e Cidade de Lisboa, "Vista de Lisboa no Séc. XVIII" Site da Biblioteca Digital Luso-Brasileira, 8 de março de 2018.
  3. Mapa Topográfico da Ponta do Montijo, Alcochete e Três Pinheiros, "Planta de 1806 do Eng. Carlos Bernardo", Site da Biblioteca Digital Luso-Brasileira, 8 de março de 2018.
  4. Assis, José Luís (Outubro de 2006). «Ciência e Literatura na Revista Militar (1849-1910): Ciência, Cultura e Sociedade - discursos de saberes científicos.». "Revista militar". Consultado em 9 de março de 2018 
  5. Exército Brasileiro - Ministros Durante a Regência e Reinado, "Ministros da Regência e Reinado", Site do Exército Brasileiro, 8 de março de 2018.
  6. «Biblioteca Genealógica de Lisboa». www.biblioteca-genealogica-lisboa.org. Consultado em 17 de março de 2018 
  7. Dias, Maria Helena. «As Explorações Geográficas dos Finais dos Setecentos e a Grande Aventura da Carta Geral do Reino de Portugal.» (PDF) 
  8. Soares, Joaquim Pedro Celestino (1869). Additamentos aos quadros navaes e epopo̲ea naval portugueza. [S.l.]: Impr. Nacional 
  9. Memorias da Academia Real das Sciencias de Lisboa. [S.l.]: Typogr. da Academia. 1843 
  10. «Revista Militar - Março de 1918» (PDF) 
  11. Ribeiro, José Silvestre (1874). Historia dos estabelecimentos scientificos litterarios e artisticos de Portugal nos successivos reinados da Monarchia. [S.l.]: Academia Real das Sciencias 
  12. of), Arthur Wellesley Wellington (Duke (1838). The Dispatches During His Various Campaigns in India, Denmark, Portugal, Spain, the Low Countries and France from 1799 to 1818; Compiled from Official and Authentic Documents by ... John Gurwood. New Ed (em inglês). [S.l.]: Murray 
  13. Lopes), Mike (Aka Sérgio. «DocbWeb® - Pesquisa». biblioteca.exercito.pt. Consultado em 22 de março de 2018 
  14. Balbi, Adrien (1822). Essai Statistique sur le Royaume de Portugal et D'Algarve (em francês). [S.l.: s.n.] 
  15. Gazeta de Lisboa. [S.l.]: Na officina de Antonio Correa Lemos. 1792 
  16. Gazeta de Lisboa. [S.l.]: Na officina de Antonio Correa Lemos. 1798 
  17. Chartrand, René (20 de março de 2013). Fuentes de Oñoro 1811: Wellington’s liberation of Portugal (em inglês). [S.l.]: Bloomsbury Publishing. ISBN 9781846035548 
  18. Gazeta de Lisboa. [S.l.]: Na officina de Antonio Correa Lemos. 1818 
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  20. «Ciência em Portugal - Personagens». cvc.instituto-camoes.pt. Consultado em 28 de março de 2018 
  21. Geraldo, Coronel José Custódio Madaleno. «José Maria das Neves Costa e As Linhas de Torres Vedras». REVISTA MILITAR. Consultado em 28 de março de 2018 
  22. a b Exército, Portugal (1815). Compilação das Ordens do dia: do Quartel general do Exercito Portuguez, concernentes a organização, disciplina, e economia militares na campanha de 1810-[1815]. [S.l.: s.n.] 
  23. «Livro que há-de servir para os acórdãos da Câmara desta Vila que tem o seu princípio em 9 de Fevereiro corrente e todo vai numerado e rubricado por mim com o meu sinal de que uso abaixo declarado. Vila Franca de Xira, 9 de Fevereiro de 1809. O Juiz de Fora, José António Soares Pinto Mascarenhas CastelBranco.». arquivo.cm-mafra.pt. Consultado em 26 de julho de 2018 
  24. «Legislação Informatizada - CARTA RÉGIA DE 27 DE ABRIL DE 1817 - Publicação Original». www2.camara.leg.br. Consultado em 16 de março de 2019 
  25. Soriano, Simão José da Luz (1871). Historia da Guerra Civil e do estabelecimento do governo parlamentar em Portugal: comprehedendo a historia diplomatica, militar e politica d'este reino desde 1777 até 1834. [S.l.]: Impr. Nacional 
  26. Autores, Diversos (2009). Uma República contra o Império: A Coleção Varela – Documentos sobre a Revolução Farroupilha – 1835/1845 –. Porto Alegre: EDIPUCRS. pp. CV–7204, CV–7206, CV–7209, CV–7210 
  27. Moraes, Alexandre José Mello (1871). Historia do Brasil-reino e Brasil-imperio: comprehendendo a historia circumstanciada dos ministerios, pela ordem chronologica dos gabinetes ministeriaes, seus programmas, revoluções politicas que se derão, e cores com que apparacerão, desde a dia 10 março de 1808 até 1871 ... [S.l.]: Typ. de Pinheiro & c. 
  28. Miranda, José Antonio de (1821). Memoria constitucional e politica sobre o estado presente de Portugal, e do Brasil: dirigida a el Rey Nosso Senhor e offerecida a sua alteza o principe real do Reino Unido de Portugal Brasil e Algarves, e regente do Brasil,. [S.l.]: Na Typographia Nacional 
  29. Diário do governo: 1821. [S.l.]: Impressa Nacional. 1821 
  30. José Bonifacio e a independência: o homem do fico e o verdadeiro patriarca. [S.l.]: Martins. 1964 
  31. «Correio Braziliense : Ou Armazem Literario (Londres, ING) - 1808 a 1822 - DocReader Web». memoria.bn.br. Consultado em 24 de julho de 2018 
  32. «Anais da Biblioteca Nacional» (PDF). "Biblioteca Nacional". 1987. Consultado em 10 de março de 2018 
  33. «O Movimento de Independência». "Portugal No Mundo" 
  34. Murilo, Carvalho Jose (2 de setembro de 2015). Linguagens e fronteiras do poder. [S.l.]: Editora FGV. ISBN 9788522510306 
  35. Carvalho, Manuel Emílio Gomes de. «Os Deputados Brasileiros nas Cortes Gerais de 1821» (PDF). Senado Federal 
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  41. Rodrigues, José Honório (1975). Independência, revolução e contrarevolução. [S.l.]: Livraria F. Alves Editora 
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  44. Imparcial. [S.l.: s.n.] 1826 
  45. Gazeta de Lisboa. [S.l.]: Imprensa Nacional. 1826 
  46. Gazeta de Lisboa. [S.l.]: Imprensa Nacional. 1833 
  47. Lopes, João Baptista da Silva (1833). Istoria do cativeiro dos prezos d'estado na Torre de S. Julĩao da Barra de Lisboa durante a dezastroza epoca da uzurpasão do legitimo governo constitucional deste reino de Portugal. [S.l.]: Impr. nacional 
  48. Ensaio politico sobre as causas que prepararão a usurpação do infante D. Miguel no anno de 1828, e com ella a quéda da Carta Constitucional do anno 1826. 2a edição. [S.l.: s.n.] 1842 
  49. Samodães, Francisco d'Azeredo Teixeira d'Aguilar (1866). Apontamentos biographicos de Francisco de Paula d'Azeredo, Conde de Samodães. [S.l.]: Na typ. de M.J. Pereira 
  50. Exército, Portugal; Pereira, Vital Prudencio Alves (1861). Collecção systematica das ordens do exercito desde 1809 até 1858: seguida de um additamento com as ordens publicadas ao exercito desde o 1.̊ de janeiro de 1859 até ao fim da publicação e annotada com diversas portarias, officios, circulares e outras differentes peças officiaes não publicadas nas ordens do exercito. [S.l.]: F. X. de Souza 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Francisco José Vieira
Ministro da Guerra do Brasil
1821 — 1822
Sucedido por
Joaquim de Oliveira Álvares