Críticas à Rede Globo

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Bandeira criticando a emissora durante manifestação em 2014.

As críticas à Rede Globo referem-se ao extenso histórico de controvérsias nas relações desta rede de televisão brasileira com a sociedade do país.[1] A emissora possui uma capacidade sem paralelo de influenciar a cultura e a opinião pública.[2]

A principal polêmica histórica da estação televisiva e das Organizações Globo (hoje Grupo Globo) está ligada ao apoio dado à ditadura militar e a censura dos movimentos pró-democracia nos noticiários do canal. O regime, segundo os opostos à emissora, teria rendido benefícios ao grupo midiático da família Marinho, em especial para o canal de televisão que, em 1984, fez uma cobertura omissa das Diretas Já.[3] A própria Globo reconheceu em editorial lido no Jornal Nacional, 49 anos depois e pressionada pelas manifestações de junho de 2013,[4][5][6] que o apoio ao golpe militar de 1964 e ao regime subsequente foi um "erro".[7]

No final da década de 1980, a emissora novamente foi alvo de críticas devido à edição que promoveu do último debate entre os candidatos a presidente na eleição de 1989, o que teria favorecido Fernando Collor de Mello.[8] No final da década de 1990, as Organizações Globo enfrentaram diversos problemas financeiros que teriam sido aliviados pelo Estado, apesar de se tratar de uma empresa privada.[2] Durante o período, a emissora utilizou-se de sua influência entre os políticos para conseguir mudar um artigo da Constituição Federal, no qual permitia a entrada de 30% de capital estrangeiro nas empresas de mídia.[2]

Em 2002, o governo federal ofereceu ajuda de 280 milhões de reais à Globocabo através de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).[2] A emissora voltou novamente a ser alvo de críticas pela cobertura supostamente tendenciosa das eleições de 2006 e 2010.

Influência política[editar | editar código-fonte]

Apoio ao regime militar[editar | editar código-fonte]

"Participamos da Revolução de 1964, identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada. Quando a nossa redação foi invadida por tropas antirrevolucionárias, mantivemo-nos firmes em nossa posição. Prosseguimos apoiando o movimento vitorioso desde os primeiros momentos de correção de rumos até o atual processo de abertura, que se deverá consolidar com a posse do novo presidente."
Roberto Marinho, no jornal O Globo, edição n° 1.596, 7 de outubro de 1984.[9]

A Rede Globo foi fundada em 1965, um ano após o golpe de estado de 1964 e se consolidou como maior rede de televisão do país durante a década de 1970. Neste período, o regime militar implementou uma política de modernização das telecomunicações. Em 1965, criou a Embratel, ao passo em que o Brasil se associou à Intelsat.[10] Em 1968, foi criado o Ministério das Comunicações e, no mesmo ano, surgiram as primeiras emissoras de rádio FM e foi criada a AERP (Assessoria Especial de Relações Públicas), que reforçava a necessidade de propagar ideais ufanistas e nacionalistas. Em 1969, o país se integra ao sistema mundial de comunicação por satélite.[10] A intenção do regime era se opôr à hegemonia cultural caracteristicamente de esquerda da época.[10] Uma de suas armas para isso teria sido a televisão, tendo o regime feito vistas grossas à parceria, vetada por lei, entre Roberto Marinho e a multinacional Time-Life, o que contribuiu para o salto tecnológico da Rede Globo.[10]

Segundo as Organizações Globo, O Globo apoiou o golpe militar de 1964 fazendo parte de um "posicionamento amplamente majoritário" contra o governo do presidente João Goulart.[11] Afirma também que Roberto Marinho acreditava na vocação democrática do presidente Castello Branco e na eficácia da política econômica desenvolvida por Roberto Campos e Octavio Gouvêa de Bulhões.[11] Em 2013, o Globo reconheceu, através de um texto publicado em seu site, que o apoio ao golpe de 1964 foi um erro. O texto acompanhou a publicação do projeto "Memória" que recuperou os 88 anos de história do Jornal O Globo. Nele, a instituição afirmou que o apoio à intervenção dos militares se deu pelo temor de um outro golpe, a ser desfechado pelo presidente João Goulart com apoio dos sindicatos.[12][13]

O grupo nega que o crescimento da Rede Globo se deu graças à estreita ligação de Roberto Marinho com o regime implantado em março de 1964, citando como exemplos disso a dificuldade em obter concessões para canais de televisão em João Pessoa e Curitiba em 1978, alguns casos de censura a sua programação, além do fato de que alguns de seus profissionais eram membros do Partido Comunista Brasileiro.[11] No entanto, como apontou Renato Ortiz, a censura não era generalizada, uma vez que "sua principal função era impedir a emergência de determinadas ideias, notícias, publicações que estivessem contrárias à lógica ditatorial de difundir ideais de progresso, harmonia e desenvolvimento".[10]

Em sua autobiografia, no entanto, Walter Clark, diretor-geral da Rede Globo, confessou ter cancelado os programas de Carlos Heitor Cony e Roberto Campos para satisfazer o coronel Gustavo Borges, chefe de polícia no estado do Rio de Janeiro. Além disso, Clark afirmou ter contratado um ex-diretor da censura para "ler tudo que ia para o ar" e uma "assessoria especial" formada pelo general Paiva Chaves, pelo civil linha-dura Edgardo Manoel Erickson ("pelego dos milicos", conforme disse) e mais "uns cinco ou seis funcionários". Além disso, relatou receber o presidente Emílio Garrastazu Médici em seu gabinete na Globo, onde assistiam aos jogos de futebol exibidos pela emissora aos domingos. Segundo ele, o denominado "padrão Globo de qualidade" acabou "passando por vitrine de um regime com o qual os profissionais da TV Globo jamais concordaram". [14]

Em entrevista ao documentário britânico Beyond Citizen Kane, o ex-ministro da Justiça (1974-1979) Armando Falcão afirmou que "o doutor Roberto Marinho nunca me criou qualquer tipo de dificuldade. Eu, ministro-censor, ele diretor do Globo, da televisão Globo, da Rede Globo, da Rádio Globo, da Rádio Mundial, da Rádio Eldorado, ele nunca me criou dificuldade".[15] O próprio Médici chegou a afirmar, sobre o Jornal Nacional, em entrevista: "Sinto-me feliz todas as noites quando ligo a televisão para assistir ao jornal. Enquanto as notícias dão conta de greves, agitações, atentados e conflitos em várias partes do mundo, o Brasil marcha em paz, rumo ao desenvolvimento. É como se eu tomasse um tranquilizante após um dia de trabalho".[15] Em 2012, um ex-delegado do Dops relatou a proximidade entre o regime e a Globo.[16]

Em 2013, o Grupo Globo reconheceram e desculparam-se publicamente, através de um editorial publicado no jornal O Globo e que também foi lido por William Bonner durante o Jornal Nacional, por terem apoiado a ditadura militar instaurada no país depois do golpe militar de 1964. No texto do editorial, o jornal afirma:

À luz da História, contudo, não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio [ao golpe de 1964] foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original. A democracia é um valor absoluto. E, quando em risco, ela só pode ser salva por si mesma.

Grupo Globo[7]

Diretas Já[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Diretas Já
Comício das Diretas Já em 16 de abril de 1984 em São Paulo.

No dia 25 de janeiro de 1984, foi ao ar, pela primeira vez em rede, aquele que é considerado o primeiro grande comício das Diretas Já, realizado na praça da Sé, em São Paulo. Naquele dia, o telejornal exibiu reportagem de dois minutos e dezessete segundos sobre o tema. No entanto, ocorreu um equívoco durante a escalada do Jornal Nacional; 25 de janeiro é também o dia do aniversário da cidade de São Paulo, e por conta de um suposto erro técnico, o apresentador do telejornal acabou anunciando o comício como parte das comemorações dos 430 anos da cidade. A emissora recebeu críticas que diziam que não havia sido uma falha técnica, mas sim uma manipulação de dados.[3]

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, ex-vice-presidente das Organizações Globo afirmou, em entrevista a Roberto D'Ávila em 2005, que foi Roberto Marinho quem determinou a censura do primeiro grande comício das Diretas Já.[3] Segundo Boni, "o doutor Roberto não queria que se falasse em Diretas Já" e decidiu que o evento da praça da Sé fosse transmitido "sem nenhuma participação de nenhum dos discursantes".[3] O que teria ocorrido no episódio, ainda de acordo com ele, foi uma "censura dupla" (por parte do regime e da emissora).[3] A versão oficial da Globo, relatada no livro Jornal Nacional - A Notícia Faz História, porém, é de que a emissora não omitiu que o comício fizesse parte das Diretas e que é falsa a versão de que emissora noticiou o evento como parte das comemorações pelo aniversário da cidade de São Paulo.[3]

A Rede Globo, no entanto, assumiu publicamente o erro na cobertura do movimento pelas eleições diretas no site "Memória Globo" e afirmou que foi ameaçada e coagida pelo regime naquele momento:

Se por um lado segmentos da sociedade pressionavam a Rede Globo para se engajar nas manifestações pelas Diretas, por outro a emissora vinha sendo pressionada pelos militares a não cobrir os eventos. Woile Guimarães, então diretor dos telejornais de rede, diz que ministros e generais ligavam para Roberto Marinho, ameaçando até mesmo retirar a concessão para o funcionamento da emissora. [...] Naquele momento, a pressão dos militares sobre a Rede Globo atingiu o seu ápice. Naquele dia, chegou mesmo a adquirir a forma de intimidação pessoal. Antes de o Jornal Nacional ir ao ar, um helicóptero do Exército sobrevoou de maneira ameaçadora a sede da emissora, no Rio de Janeiro, postando-se na altura da janela da sala do então vice-presidente executivo, Roberto Irineu Marinho.

Site "Memória Globo"[17]

Em 21 de janeiro de 2015, na série especial do Jornal Nacional sobre os 50 anos do jornalismo da emissora, William Bonner relembrou o comício de 25 de janeiro de 1984:

"Essa reportagem provocou muita polêmica ao longo de muitos anos porque, embora ela falasse do comício das Diretas, o texto que introduzia a reportagem, lido pelo apresentador na época, não falava em comício pelas Diretas. [...] Isso aí foi visto durante muitos anos como uma tentativa da Globo de esconder as Diretas e, obviamente, depois de muitos anos também, foi reconhecido como um erro."

William Bonner[18]

Caso Proconsult[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Caso Proconsult

Em 1982, a Globo foi acusada de participação no chamado caso Proconsult A empresa Proconsult, contratada pela Justiça Eleitoral para apurar os votos das eleições para o governo do Rio de Janeiro desenvolveu um sistema informatizado de apuração dos votos que apresentou resultados diferentes dos publicados no Jornal do Brasil. O noticiário da TV Globo foi pautado pela divulgação official divulgada pelo Proconsult.[19]

Segundo o jornalista Hélio Fernandes, da Tribuna da Imprensa, a fraude só não se concretizou devido à participação do delegado da Polícia Civil Manoel Vidal, escalado para fiscalizar a apuração.[20] Vidal percebeu que havia algo de errado na apuração tendo, em seguida, contatado o também delegado Arnaldo Campana, ligado a Brizola.[20] O candidato do PDT, censurado nos veículos das Organizações Globo, concedeu uma entrevista aos correspondentes estrangeiros explicando a situação que ocorria.[20] A fraude foi exposta e os jornalistas do conglomerado foram hostilizados nas ruas do Rio de Janeiro.[20] Por outro lado, a emissora respondeu que "nunca contratou a Proconsult" e "se baseava nos números de O Globo, responsável por uma totalização própria, realizada a partir dos mapas oficiais apurados pelo TRE".[19]

Caso NEC[editar | editar código-fonte]

Durante o regime militar, a NEC Brasil foi obrigada a nacionalizar seu capital. Por isso, cedeu o controle acionário da empresa ao grupo Brasilinvest de Mário Garnero. À época da redemocratização, a NEC Brasil havia se tornado a maior fornecedora de equipamentos de telecomunicação para o governo brasileiro.[21] Em 1986, o então ministro das Comunicações Antônio Carlos Magalhães criou dificuldades econômicas para a NEC Brasil ao suspender os contratos do governo com a empresa, cujo principal cliente era o governo federal.[21] Com o grupo em crise, a NEC do Japão recomprou as ações da NEC Brasil e as vendeu para as Organizações Globo por um milhão de dólares.[21] Logo em seguida, ACM restabeleceu os contratos e a empresa passou a valer 350 milhões de dólares.[21]

Em dezembro de 1986, depois de ACM ter ajudado as Organizações Globo a comprar as ações da NEC Brasil, a Globo concedeu a ACM o direito de tornar sua emissora de televisão na Bahia uma afiliada da Globo, o que ocorreu em janeiro de 1987, um mês após o acordo NEC-Globo. O acordo NEC-Globo foi noticiado na época pela imprensa brasileira (até na própria Globo e na TV Bahia) inicialmente como legal.[22] Porém o acordo ficou sob suspeita quando a TV Bahia deixou inesperadamente de retransmitir o sinal da Rede Manchete para retransmitir o da Globo em janeiro de 1987. A situação gerou um processo dos proprietários da TV Aratu, retransmissora da Globo na Bahia por 18 anos,[21] contra os donos da TV Bahia, mas a contenda judicial terminou três dias depois, quando ficou acordado que a TV Bahia retransmitiria a Globo e, a TV Aratu, a Manchete. A quebra de contrato unilateral por Roberto Marinho ocasionou uma queda de 80% na arrecadação da TV Aratu.[21]

As suspeitas contra o acordo NEC-Globo só vieram a tona nacionalmente com as primeiras denúncias de corrupção do Governo Collor em 1992. Com o fim das empresas do Grupo Telebrás, as Organizações Globo venderam suas ações na NEC Brasil, que teve seu apogeu durante o monopólio estatal das telecomunicações.[23] As operadoras europeias e norte-americanas que compraram as empresas telefônicas estatais optaram por manter seus parceiros ocidentais na área de tecnologia, e a NEC teve sua presença no mercado reduzida.[23]

Eleições de 1989 e impeachment[editar | editar código-fonte]

Fernando Collor de Mello teria sido favorecido pela Rede Globo em detrimento de Luiz Inácio Lula da Silva.

A emissora é acusada de ter ajudado a eleger o candidato a presidente Fernando Collor de Mello (dono da TV Gazeta, afiliada da Globo em Alagoas)[24] nas eleições de 1989, através da manipulação de trechos do último debate entre Collor e o candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva.[25][26] Na época do debate, já no segundo turno, as pesquisas apontavam um empate técnico entre os dois candidatos; logo, o confronto na televisão seria decisivo para definir a disputa.[26] Lula se saiu mal no debate, fato reconhecido pelo seu próprio partido.[26]

De acordo com seus críticos, a Rede Globo teria procurado isenção na cobertura do processo eleitoral, mas teria assumido um lado na reta final da disputa quando os candidatos estavam neste estado de empate técnico.[26] Os proponentes desta hipótese argumentam que foram exibidas duas reportagens sobre o debate no dia 15 de dezembro de 1989, antevéspera do segundo turno das eleições.[20] Uma delas foi ao ar no Jornal Hoje e, a outra, no Jornal Nacional, sendo essa a mais polêmica. A primeira reportagem mostrou as melhores intervenções de cada candidato e a segunda teria favorecido Collor, pois teria mostrado os melhores momentos dele e os piores de Lula.[20][25][26] O PT moveu uma ação no Supremo Tribunal Federal contra a Globo. O partido queria que novos trechos do debate fossem exibidos, a título de direito de resposta, mas o pedido foi negado.[25]

A Globo sempre negou que agiu de má-fé no episódio, mas admite que a edição não foi equilibrada.[26] Segundo Boni, a Central Globo de Jornalismo fez uma edição favorável a Collor, não seguindo a orientação da direção da empresa para que o tratamento fosse imparcial.[26] Já Roberto Marinho, diante da declaração de Boni, afirmou que o então vice-presidente de operações da Globo não entendia de eleições e que o Jornal Nacional tinha sintetizado de maneira correta o debate, visto que Collor havia se saído melhor.[26] Em 2009, Collor admitiu que foi favorecido pela Globo na disputa.[27]

Grande parte da mídia apoiou abertamente a campanha de Collor à presidência. No entanto, de acordo com o historiador Gilberto Maringoni, doutor em História pela USP, por incapacidade de manter maioria no Congresso e por entrar em confronto com uma parte expressiva do empresariado nacional, Collor acabou por influenciar por si só a mudança de postura da imprensa. A crise econômica com a volta da inflação, o confisco da poupança, e a intensa cobertura investigativa da imprensa ajudaram a impulsionar as manifestações sociais que culminaram no impeachment.[28][29][30]

Direito de resposta de Leonel Brizola[editar | editar código-fonte]

Leonel Brizola recebeu direito de resposta a ser veiculado pelo Jornal Nacional após dois anos de disputa judicial.

Em 15 de março de 1994, a Rede Globo colocou no ar, durante o Jornal Nacional, o direito de resposta obtido pelo então governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, após dois anos de disputa judicial.[31] Brizola havia entrado na justiça pedindo direito de resposta em 1992, em função da matéria ofensiva referente a uma carta que ele enviou ao então prefeito Marcello Alencar.[32]

Na resposta que foi ao ar, lida pelo locutor Cid Moreira, Brizola dizia não reconhecer na Globo "autoridade em matéria de liberdade de imprensa" e que a emissora teve "longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura de 20 anos que dominou nosso país". Brizola dizia ter sido "apontado como alguém de mente senil". Na sequência, argumentava: "Ora, tenho 70 anos, 16 a menos que meu difamador, Roberto Marinho, que tem 86 anos. Se é este o conceito que tem sobre os homens de cabelos brancos, que os use para si".[33] Em um artigo de retrospectiva em 2009 acerca da emersão do direito de resposta no ordenamento jurídico brasileiro, o portal Observatório da Imprensa avaliou que "(...) esse célebre episódio foi uma espécie de divisor de águas no capítulo da liberdade de imprensa. Soou como uma senha para a multiplicação de ações e para a escalada de condenações de jornais e jornalistas que se seguiu".[32]

Eleições de 2006[editar | editar código-fonte]

De acordo com a revista CartaCapital, o Jornal Nacional não informou sobre a tragédia do Voo Gol 1907, mas focou toda a sua edição no Escândalo do Dossiê.[34][35]

Houve várias críticas à forma como a Globo fez a cobertura das eleições gerais de 2006. A emissora teria atuado para prejudicar a campanha do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição,[36] dando atenção exagerada a fatos negativos envolvendo o PT. Luiz Carlos Azenha, o repórter destacado para cobrir a campanha presidencial do candidato tucano Geraldo Alckmin, confirma que houve a intenção de prejudicar o PT na cobertura.[37] Segundo ele, "tinha sido determinado desde o Rio que as reportagens de economia deveriam ser esquecidas porque supostamente poderiam beneficiar a reeleição de Lula".[37] Além disso, Azenha afirma que uma reportagem de sua autoria potencialmente danosa para o então candidato a governador de São Paulo, José Serra, foi censurada pela Globo.[37] As críticas à forma como estava cobrindo as eleições levaram a emissora a fazer, internamente, um frustrado abaixo-assinado em apoio a sua linha editorial.[34][38]

O evento mais comentado pelos críticos foi quando, na véspera da votação do primeiro turno, a Rede Globo deu enorme destaque à imagem do dinheiro que havia sido apreendido no contexto do Escândalo do Dossiê.[34][35] Hoje é sabido que o delegado da PF que havia comandado a operação convidou quatro jornalistas para uma conversa reservada e repassou os CDs com as fotos. A conversa foi inteiramente gravada e nela se pode ouvir os apelos do delegado para que as imagens fossem parar na edição do Jornal Nacional do mesmo dia, 29 de setembro.[34][35] No caso da Rede Globo, ressalta-se que, na mesma noite em que exibiu as fotos, o telejornal se absteve de informar sobre a tragédia do Voo Gol 1907, em que morreram 154 pessoas. Assim, ao mesmo tempo em que a notícia já repercutia no mundo inteiro, a edição ao vivo do jornal se dedicava somente a dar destaque à divulgação do escândalo político.[34][35] Por outro lado, segundo publicado pela emissora no Memória Globo, era "impossível dar a notícia durante a exibição do jornal, já que não havia informações concretas sobre o acidente".[39]

Algumas semanas após o fim das eleições, Rodrigo Vianna, repórter que estava se desligando da emissora, divulgou uma carta aberta onde critica várias das posturas da emissora durante o período eleitoral, dando sua visão de como os processos se davam internamente.[40] Na carta, Vianna diz, assim como Azenha, que a direção da emissora barrou reportagens e investigações que envolvessem o PSDB e o então candidato ao governo de São Paulo, José Serra.[36] Segundo ele, alguns jornalistas questionaram as opções editoriais da Globo, mas não receberam respostas convincentes de seus superiores.[36] Logo após as eleições, Vianna foi afastado da cobertura política e destacado para atuar nos jornais locais.[36] O comentarista político Franklin Martins, que mais tarde se tornaria Secretário de Comunicação Social de Lula, também foi afastado.[36] Segundo Vianna, "Do Bom dia Brasil ao Jornal da Globo, temos um desfile de gente que está do mesmo lado".[36]

Eleições de 2010[editar | editar código-fonte]

Jingle de aniversário[editar | editar código-fonte]

Em 19 de abril de 2010 a emissora tirou do ar, logo após o primeiro dia de veiculação, a campanha de comemoração de aniversário dos 45 anos da rede por ter sido acusada de estar fazendo campanha subliminar a José Serra, candidato a presidente pelo PSDB.[41]

A emissora afirma que o filme foi criado em novembro de 2009, quando "não existiam nem candidaturas muito menos slogans, mas a Rede Globo não pretende dar pretexto para ser acusada de ser tendenciosa e está suspendendo a veiculação do filme."[41] O colunista Luís Nassif, no entanto, contestou a justificativa da emissora,[42] afirmando que a campanha teria sido gravada em 14 de abril, três dias depois que Serra lançou sua pré-candidatura, apontando para isso notícias do próprio portal da Globo.com.[43]

Agressão a José Serra[editar | editar código-fonte]

Uma reportagem apresentada pela Globo no segundo turno da campanha apontava que José Serra havia sido agredido com um rolo de fita por militantes petistas durante um ato da campanha no Rio de Janeiro, passando mal em seguida e dirigindo-se a um hospital onde foi examinado. Ele teria cancelado os demais compromissos do dia por ordem médica.[44] Entretanto, uma reportagem do SBT mostrou que Serra havia sido atingido por uma bolinha de papel, continuou caminhando até receber um telefonema, e então, 20 minutos depois,[45] é que levou a mão à cabeça para se queixar do "golpe".[44] Serra teria, então, feito uma tomografia, mas não foi encontrado nenhum ferimento.[45] O ocorrido gerou uma onda de críticas no Twitter à cobertura promovida pela Rede Globo do episódio, fazendo com que as hashtags #serrarojas (uma referência ao jogador de futebol chileno Roberto Rojas, que bolou uma suposta agressão para cancelar uma partida das eliminatórias da Copa do Mundo de 1990 e evitar que a seleção brasileira vencesse a chilena) e #BolinhadePapelFacts se popularizassem.[44]

No dia 21 de outubro de 2010, a Folha de S. Paulo publicou uma reportagem na qual revelava que Serra havia sido atingido por um rolo de fita adesiva depois da bola de papel.[46] No mesmo dia, o Jornal Nacional levou ao ar uma reportagem completa sobre o assunto. Em 22 de outubro, ambos Folha e O Estado de S. Paulo confirmaram que Serra fora atingido em dois momentos: primeiro por uma bola de papel, e dois por um rolo de fita. O SBT também confirmou em seu telejornal SBT Brasil que as imagens da bolinha de papel eram anteriores ao ataque com o rolo.[47] Cinco dias depois, a revista Veja publicou uma reportagem intitulada "Pau na democracia", cuja possuía trechos na qual o jornalista Fábio Portela acusava o SBT de omitir o rolo de fita que fora jogado à cabeça de Serra.[48] O canal, por sua vez, respondeu que "o telejornal SBT Brasil veiculado no dia do episódio, quarta-feira 20, exibiu apenas as imagens captadas por nossas câmeras, que registraram o incidente com a bolinha de papel. Até aquele momento não tínhamos conhecimento de outro vídeo captado por um jornalista da Folha de S. Paulo, por celular, que mostrava o episódio posterior, em que um rolo de fita crepe atinge a cabeça do candidato Serra. Quando tomou conhecimento desse novo fato, o SBT tratou de registrá-lo no mesmo dia em seu telejornal da meia-noite. No SBT Brasil do dia seguinte, quinta-feira, o apresentador Carlos Nascimento voltou ao assunto, ressaltando que o segundo incidente não fora captado por nossa equipe, mas frisou que o candidato José Serra fora atingido duas vezes em um intervalo de poucos minutos."[49]

Eleição de 2012[editar | editar código-fonte]

Houve várias críticas à forma como a Rede Globo fez a cobertura do julgamento do caso conhecido como Mensalão, que coincidiu com as eleições municipais no Brasil em 2012. No mês de outubro de 2012, às vésperas do segundo turno das eleições municipais, o Jornal Nacional dedicou 18 dos seus 32 minutos de duração para abordar o julgamento, tendo ainda como agravante o fato da matéria ter ido ao ar imediatamente após o fim do horário eleitoral, que, em São Paulo, foi encerrado com o programa de Fernando Haddad, candidato do PT. Durante todo o segundo turno o noticiário do mensalão foi apresentado pelo telejornal sempre logo após ao fim do horário eleitoral.[50]

Manifestações de 2013 e impeachment de Dilma[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Manifestações no Brasil em 2013

Durante a série de manifestações populares que ocorreram em várias cidades brasileiras em 2013, protestos em frente às sedes da emissora aconteceram por todo o país. A sede da empresa em São Paulo teve estrume lançado sobre a sua fachada, além dos muros terem sido pichados.[51][52] No protesto na sede da emissora no Rio de Janeiro, os manifestantes entraram em confronto com a polícia.[53]

Em comentário feito no dia 12 de junho, o jornalista Arnaldo Jabor, no Jornal da Globo, afirmou que a grande maioria dos manifestantes seria composta por jovens de classe média e que a manifestação seria decorrente de ignorância política e do estímulo dos protestos na Turquia. Em tom provocador, Jabor questionou por que não lutam contra a PEC 37 que, em sua opinião, seria um motivo mais legítimo. Por fim, finaliza dizendo que os manifestantes talvez nem sequer saibam o que é a PEC 37 e que não valham sequer os R$0,20 do aumento das passagens.[54] No dia 17, em sua seção na Rádio CBN, se desculpou por suas declarações, afirmando que temia que a energia fosse gasta com uma reivindicação boba, mas que viu que o problema era muito maior.[55][56]

No processo de impeachment de Dilma Rousseff, a Globo foi acusada pela revista CartaCapital de parcialidade.[57]

Eleição municipal do Rio de Janeiro em 2016[editar | editar código-fonte]

Durante o segundo turno das eleições municipais do Rio de Janeiro de 2016, o prefeito eleito no Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, classificou a Rede Globo como "inimiga jurada" de sua campanha contra Marcelo Freixo. Crivella ainda disse que "Roberto (Marinho), lá do céu, deve estar triste"[58] e se negou a participar de sabatinas no RJTV, alegando que a emissora é responsável por uma “cobertura manipuladora e tendenciosa”.[59] O candidato entrou ainda com uma representação contra a emissora no Tribunal Regional Eleitoral. No entanto, seus pedidos por direito de resposta foram rejeitados pelo tribunal.[60]

Religião[editar | editar código-fonte]

Minissérie e Igreja Universal[editar | editar código-fonte]

Em 1995 a Rede Globo colocou ao ar a minissérie "Decadência" de Dias Gomes inspirada nas palavras do empresário e televangelista Edir Macedo. Na opinião de Edir essa minissérie foi um ataque direto aos valores dos protestantes.[61][62]

Em 2009 o programa protestante Fala Que Eu Te Escuto, mostrou imagens de templos em várias capitais do Brasil, lotados para uma vigília nomeada de "Protesto Contra a Rede Globo". Transmissões ao vivo mostrou testemunhos de pessoas que diziam nunca mais sintonizar a Globo.[63]

Fantástico e Mulheres no mundo árabe[editar | editar código-fonte]

O programa Fantástico exibiu uma matéria no dia 29 de junho de 2014, intitulada "Mulheres são vistas como propriedade dos homens no Líbano", falando sobre a violência contra a mulher nos países árabes, em especial, no Líbano, e mostrando como as mulheres viram posse dos homens após o casamento e são vítimas de estupro, violência doméstica e assassinato. A reportagem gerou comoção de entidades árabes, que enviaram cartas de repúdio acusando a Rede Globo de mostrar uma visão preconceituosa da mulher libanesa.[64]

A Federação das Entidades Americano-Árabes disse em nota: "É imperativo enfrentar este problema, que adquire contornos dramáticos em todo o mundo. Mas é nosso dever alertar para o fato de que, dependendo de como a informação é veiculada, ela distorce completamente os fatos, e contribui sobremaneira para criar preconceito, estereótipos e representações sociais negativas de um país inteiro, por exemplo".[65] No dia 9 de julho de 2014, membros da comunidade árabe e libanesa de São Paulo se reuniram em frente à sede da TV Globo São Paulo e protestaram contra a reportagem. Os manifestantes exigiram direito de resposta e retratação por parte da Rede Globo.[66]

Zorra Total e Igreja Adventista do Sétimo Dia[editar | editar código-fonte]

Em 2014, um quadro do programa humorístico Zorra Total mostrou um falso pastor fez uma sessão de descarrego onde induzia os fiéis a pagarem dízimos mais altos. O mestre em Teologia Michelson Borges considera o que a Globo fez como blasfêmia e desrespeito contra os adventistas. "Usaram dezenas de vezes as palavras 'aleluia' e 'glória', em meio ao puro deboche, pronunciadas por personagens ridículos", disse o acadêmico.[67]

Tá no Ar: a TV na TV e Evangélicos[editar | editar código-fonte]

Em 2015, o programa Tá no Ar: a TV na TV fez mostrou crianças evangélicas assistindo a um comercial sobre o boneco da "Galinha Convertidinha", alusão ao personagem infantil Galinha Pintadinha. O personagem então canta o jingle: "Ir pro inferno é fogo/ A Verdade é Universal/ Cuidado com a Hora/ do Juízo Final", diz o jingle do "comercial" infantil. "Ela vai cantar bem alto no seu ouvido". Surgia então um pastor alemão pregando sob o tema do pintinho amarelinho. "Meu pastor é animadinho/ Canta e Dança de Montão/ De Montão/ Quando quer mais dinheirinho/ Compra um horário na televisão". Pelo tom incisivo do deboche, o quadro foi criticado por fiéis e por parte da mídia.[68]

Candidatos evangélicos[editar | editar código-fonte]

Durante a campanha das eleições municipais do Rio de Janeiro de 2016, a Rede Globo foi acusada de apoiar o candidato do PSOL, Marcelo Freixo.[60][59][58] O então senador declarou a emissora como parte da mídia inimiga jurada de candidatos evangélicos.[69]

Esportes[editar | editar código-fonte]

Luta do UFC gravada[editar | editar código-fonte]

Em 27 de maio de 2012, houve uma luta do UFC transmitida pela Globo, que dizia ser "ao vivo", mas o Combate, pertencente à Globosat, exibiu a luta 30 minutos antes da Globo.[70] Ou seja, a Globo gravou a luta, mas pôs "ao vivo" em cima do seu logotipo na marca d'água, o que gerou críticas contra a emissora, principalmente nas redes sociais.[71]

Transmissão de eventos esportivos[editar | editar código-fonte]

Críticas à Rede Globo Acho que a CBF não tem uma interferência dentro do futebol tão grande. A CBF cuida apenas da Seleção Brasileira. Quem realmente cuida do futebol brasileiro é a Globo. A gente sabe que a Globo trabalha na dependência da novela. A gente brinca aqui no Coritiba que os jogos de quarta-feira só rolam depois do último beijo da novela. Críticas à Rede Globo

Alexsandro de Souza, jogador do Coritiba[72]

A Rede Globo é frequentemente acusada de deter o monopólio das transmissões esportivas, principalmente do Campeonato Brasileiro de Futebol, a Rede Record acusou a emissora de manter a divisão da transmissão do campeonato brasileiro apenas com a Bandeirantes por ela não incomodar.[73] A parceria com a Bandeirantes chegou ao fim em 2016 quando a Band anunciou sua saída em função da crise econômica. Em um comunicado, a emissora divulgou que "Durante as últimas dez temporadas, Band e Globo caminharam lado a lado na exibição do Campeonato Brasileiro de Futebol da Série A, com mútuos benefícios e em perfeita sintonia. Contudo, em que pese o enorme esforço de ambas as empresas para viabilizarem a continuidade da exposição conjunta dessa competição, o agravamento da crise econômica impediu a Band de prosseguir com esse licenciamento, a partir da temporada 2016."[74]

Em 20 de outubro de 2010, depois de 10 anos de tentativas, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) emitiu orientação ao Clube dos 13 (grupo que reúne 20 grandes times do futebol brasileiro, mas é chamado Clube dos 13) para que o direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro fosse dado a partir de um leilão.[75] Apesar disso, o Clube dos 13 desrespeitou a orientação do CADE e firmou contrato com a Rede Globo para todas as mídias.[76] Dessa maneira, a Globo manterá seu monopólio sobre a transmissão do Campeonato Brasileiro, pelo menos até 2015.[76]

Segundo matéria do Esporte Fantástico da Rede Record, exibida em 17 de agosto de 2013, a Globo seria a principal responsável pelo baixo público presente nas partidas do Campeonato Brasileiro de Futebol daquele ano.[73] Segundo a reportagem, a prática da emissora carioca de forçar a exibição das partidas após o final da novela das nove, com início por volta das 22 horas, inibe a presença do público nos estádios.[73] Poucos dias antes, em entrevista ao portal LanceNet, Alexsandro de Souza, artilheiro do Coritiba, declarou que a prática da emissora é desumana para com os torcedores.[carece de fontes?] A Record conseguiu adquirir os direitos de transmissão de eventos esportivos como Olimpíadas de Inverno de 2010, Jogos Pan-americanos de 2011, Olimpíadas de 2012, Olimpíadas de Inverno de 2014, Jogos Pan-americanos de 2015 e Olimpíadas de 2016 (essa última em parceria com a Globo e a Band). Apesar disso, a Globo manteve o direito de transmissão da Copa do Mundo FIFA de 2018 e de 2022, num processo de concorrência criticado pela Record por sua "falta de transparência".[77]

Em dezembro de 2015, o Grupo Globo assinou parceria com o Comitê Olímpico Brasileiro, que assegura a exclusividade de transmissão em TV aberta para o Brasil dos Jogos Olímpicos entre as edições de 2020 e 2032. O acordo abrange também os Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang, em 2018, e em Pequim, em 2022, além de todos eventos do COI até 2032 ainda sem sedes definidas.[78]

Jornalistas holandeses do jornal diário, Trouw, demonstraram que a TV Globo foi mencionada no Panama Papers "várias vezes" em uma investigação de lavagem de dinheiro do banco De Nederlandsche, que divulgou que a Globo, durante anos, fez muitas "transações financeiras irregulares" usando paraísos fiscais, supostamente com a finalidade de pagar os direitos de transmissão da Copa Libertadores.[79]

Outros[editar | editar código-fonte]

Receita Federal e Criança Esperança[editar | editar código-fonte]

Entre 2010 e 2012, o conglomerado foi notificado por sonegação fiscal. A maior parte das autuações envolve a apreensão de equipamentos, sem o recolhimento de impostos, no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Segundo a Receita Federal, a empresa negociou as dívidas com o banco JP Morgan.[80]

Um documento de setembro de 2006 vazado pelo WikiLeaks afirma que a Globo repassou à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) somente 10% do valor arrecadado com o projeto filantrópico Criança Esperança. Numa nota ao portal R7, a emissora respondeu: "A Globo desconhece os documentos citados. (...) [No] acordo, não existe qualquer cláusula prevendo pagamento de taxa de administração. Todos os custos referentes à gestão e administração do fundo Criança Esperança, a cargo da Unesco, são integralmente pagos pela TV Globo com recursos próprios."[81]

Em 2011, a UNESCO divulgou comunicado em que esclarecia os boatos sobre a suposta sonegação. Segundo o órgão, “por se tratar de uma agência das Nações Unidas, doações para a Unesco não são dedutíveis no Imposto de Renda, que veta supressão de contribuições feitas a organismos internacionais.[82]

Beyond Citizen Kane[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Beyond Citizen Kane
Chico Buarque participou de Beyond Citizen Kane, concedendo um depoimento para a equipe de produção.

Em 1993, o Channel Four, uma grande cadeia de TV britânica, exibiu um filme, criado por Simon Hartog e intitulado Beyond Citizen Kane, que conta a história da Rede Globo de Televisão e suas "ações sombrias" no país até o ano de 1990.[83][84] O documentário foi proibido no Brasil desde 1994, graças a uma ação judicial movida por Roberto Marinho. Existem poucas cópias em circulação no Brasil, além de versões piratas circulando pela internet, como no YouTube.[84] O filme conta com a participação de alguns artistas, políticos, como Luiz Inácio Lula da Silva, Chico Buarque, Leonel Brizola e Washington Olivetto. O documentário jamais esteve no circuito de cinemas brasileiros e a exibição que ocorreria no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro foi proibida pelo então presidente da República, Itamar Franco.[84]

No país, o documentário recebeu o título de Muito Além do Cidadão Kane. O título teve origem no personagem Charles Foster Kane, criado em 1941 por Orson Welles para o filme Citizen Kane, que por sua vez, tratava-se de um drama de ficção baseado na trajetória de William Randolph Hearst, magnata da comunicação nos Estados Unidos. Segundo o documentário, a Globo empregaria a mesma manipulação grosseira de notícias para influenciar a opinião pública como fazia Kane no filme.[84] De acordo com matéria veiculada na Folha Online em 28 de agosto de 2009, a produtora que montou a filmagem é independente e a televisão pública britânica não teve qualquer relação com seu desenvolvimento. Já a Record sustenta que a BBC, outra emissora pública do Reino Unido, estaria relacionada com sua produção.[85]

O documentário é dividido em 4 partes:

  • na primeira parte é mostrada a relação entre a Rede Globo de Televisão e o período militar, em que se veem fatos sociais que ocorreram no país em decorrência do governo;
  • na segunda parte apresenta-se o acordo firmado entre a Globo e o grupo Time-Life;[85]
  • na terceira parte evidencia-se o poder do proprietário da emissora, Roberto Marinho. Mostra-se também o suposto apoio da mesma à saída dos militares do poder, na figura do candidato à presidência da República Tancredo Neves;[86]
  • na quarta parte, tida como a mais importante e reveladora do filme, mostram-se às claras "os envolvimentos ilegais e mecanismos manipulativos utilizados pelo o Grupo Globo em suas obscuras parcerias para com o poder em Brasília". Contudo, o documentário não apresenta fontes primárias, apenas entrevistas.[84]

A Globo tentou comprar os direitos de exibição do filme.[85] Entretanto, antes de morrer, Hartog formou um acordo com organizações brasileiras para que os direitos de exibição do documentário não caíssem nas mãos da emissora, a fim de que este pudesse ser amplamente conhecido tanto por organizações políticas quanto culturais. O canal perdeu o interesse em comprar o filme quando os advogados da emissora descobriram tal acordo, mas até hoje uma decisão judicial proíbe a exibição de Beyond Citizen Kane no Brasil.[84] De acordo com a Folha de S. Paulo, na década de 1990, a direção da Record havia tentado comprar os direitos de exibição do documentário, mas "percebeu que haveria uma disputa judicial com a TV Globo a respeito das muitas imagens retiradas da programação deles. Então decidiu não comprá-lo".[86] No entanto, em agosto de 2009, no auge de uma troca de acusações mútuas entre as emissoras, provocadas por acusações de lavagem de dinheiro da Igreja Universal do Reino de Deus, a Record comprou os direitos de transmissão do documentário por aproximadamente 20 mil dólares, e espera a autorização da justiça para transmiti-lo.[85]

Escândalo do Papa-Tudo[editar | editar código-fonte]

"E assim, usando uma grande rede de televisão, [...] uma grande vendedora agindo diretamente junto ao público infantil induzindo a que crianças pedissem aos pais para comprarem, [...] associados ao insuspeito 'titio' Artur Falk, foi dado um dos maiores golpes – conto do vigário – na população tola, que acredita na Rede Globo, que compra os produtos que ela anuncia que doa para as "instituições de caridade", abençoadas pela Globo. Pobre população ludibriada que se comove com os trambiques glamourizados da televisão".

—Antônio Paiva Rodrigues, Observatório da Imprensa.[87]

No início da década de 1990, com a finalidade de concorrer com a Tele Sena, pertencente a Silvio Santos e seu conglomerado,[88] a Globo lançou em parceria com a Interunion Capitalização, pertencente ao banqueiro Artur Falk, um título de capitalização intitulado Papa-Tudo, que tinha César Filho e Fausto Silva como apresentadores e Xuxa Meneghel como garota-propaganda.[89] A venda era semelhante à da concorrente supracitada: o título era adquirido em casas lotéricas e unidades da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, e, caso o comprador não fosse contemplado, poderia resgatar metade do valor pago após um ano ou comprar um novo título pela metade do preço.[87] Antes mesmo do lançamento, o jornalista Hélio Fernandes, da Tribuna da Imprensa, disse que "aquilo cheirava a um grande golpe e que não tinha uma chance em um milhão de dar certo um empreendimento entre Artur Falk e Roberto Marinho".[87]

Consoante o Observatório da Imprensa, "prometiam que, além da recompra garantida, os futuros compradores ainda concorreriam a grandes prêmios milionários e parte da arrecadação ainda seria destinada a instituições de caridade. E numa colossal e obscena 'pirâmide', infestaram o Brasil inteiro com promessas milagrosas de enriquecimento fácil, sempre tendo à frente a exclusividade da Globo, a insuspeita Xuxa e a benemerência de instituições de caridade. Embalado pelos heróis da Globo e pelos "embaixadores" da Unicef, o país inteiro comprou, muitas e muitas vezes, os bilhetinhos do 'titio' Artur Falk, veiculados pela Rede Globo e apresentado pela irrepreensível Xuxa".[87] Entretanto, chegou uma época que a ECT e as lotéricas pararam de resgatar os bilhetes, pois não recebiam os prêmios do Papa-Tudo. O título anunciou que indenizaria os compradores, mas tal ato não ocorreu. Todo o escândalo culminou na prisão de Artur sob a acusação de estelionato. Por outro lado, ninguém da emissora foi responsabilizado.[87][89]

Compra da TV Paulista[editar | editar código-fonte]

Em 1955, Oswaldo Ortiz Monteiro decidiu vender a TV Paulista, a qual era proprietário, às Organizações Victor Costa, devido às dificuldades enfrentadas pela emissora. 55% do capital da concessão, formada por 15.099 ações, foi entregue ao conglomerado. Victor Costa morreu enquanto aguardava a transferência da TV Paulista para seu nome ser aprovada pelo então Departamento Nacional de Telecomunicações (DENTEL). O filho de Costa ficou no comando, embora as ações de controle ainda ficassem em nome dos ex-acionistas. Nove anos depois, ele vendeu o canal a Roberto Marinho, mesmo sem os documentos de transferência, mas as ações originais de controle continuaram em nome da família Ortiz Monteiro por mais 13 anos. Em 1977, o Dentel aprovou a transferência das ações dos Ortiz Monteiro para Roberto Marinho, com base nos recibos e procurações apresentados pela Globo. Então, a emissora foi transformada em TV Globo São Paulo.[90]

Após a morte de Monteiro, em 1990, sua família começou a investigar uma possível fraude na compra da TV Paulista pela Rede Globo. Uma perícia realizada no ano de 2003 pelo instituto paulista Del Picchia revelou que as assinaturas foram falsificadas e incluíram desde nomes de pessoas falecidas antes da transferência até o uso de máquinas de escrever que ainda não existiam na época do ato.[91] Os advogados da cadeia carioca, por outro lado, apresentaram parecer técnico do perito Antonio Nunes da Silva atestando que os recibos e procurações em poder da família Marinho eram autênticos.[92] Em 2010, foi confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça que os documentos eram verdadeiros.[93] Em contrapartida, quatro anos depois, o senador Roberto Requião, do PMDB do Paraná, protocolou no Senado um requerimento ao Ministério das Comunicações com informações sobre os supostos atos administrativos irregulares que aprovaram a transferência da concessão do canal 5 a Marinho.[94]

TV Diário fora das parabólicas[editar | editar código-fonte]

Logotipo da TV Diário.

No dia 25 de fevereiro de 2009, a TV Diário, emissora pertencente ao Sistema Verdes Mares, também proprietário da TV Verdes Mares, afiliada da Globo em Fortaleza, deixou de ser transmitida pelo satélite de antenas parabólicas, pela qual alcançava toda a América do Sul e parte do Caribe, e pelas afiliadas que possuía pelo território brasileiro, deixando os telespectadores surpresos. Os que tentaram assistir à programação da Diário pelas afiliadas passaram a acompanhar outras redes a partir daquele dia.[95] Consoante informações anteriores e posteriores à saída da rede, a saída da programação da TV Diário do satélite deveu-se a pressões das Organizações Globo ao Sistema Verdes Mares, que era responsável pela TV Verdes Mares, "por conta do excessivo crescimento da audiência da TV Diário em muitos locais do país, inclusive no eixo Rio-São Paulo, o que ameaçava os nichos de mercado da Rede Globo".[96]

Ao sair do satélite, a emissora passou a restringir sua cobertura apenas ao estado do Ceará, além dos estados vizinhos e algumas cidades do interior do estado de São Paulo pela TV aberta e sistemas de televisão por assinatura, entre elas a Você TV, através da DTHi, a partir de agosto de 2009.[97] Com a saída da Diário do satélite, a Rede União tornou-se a única rede instalada no Ceará exibir satélite em todo o Brasil e todas as Américas (do Sul, Central, Norte e ilhas do Caribe) partes da Europa e África.[98] A Rede Globo respondeu que "a TV Globo, como cabeça da Rede Globo, formada por 121 emissoras, procura harmonizar os sinais de VHF e UHF de forma que estes fiquem circunscritos a seus territórios de cobertura. Desta forma, em busca de uma harmonia entre todos e pelo respeito recíproco aos interesses, a atuação da TV Diário estará restrita a seu território de cobertura, não sendo mais captada em territórios de outras afiliadas. Seu sinal permanecerá no satélite, cobrindo o estado do Ceará, porém, codificado".[99] A atitude da Globo foi amplamente criticada; moradores da região Nordeste promoveram um boicote ao canal de TV no dia 13 de março de 2009, mas o movimento não repercutiu.[100] Um acontecimento semelhante ocorreu com a Amazon Sat, de propriedade da Rede Amazônica, que entre os anos de 1998 e 2004 podia ser assistida pelas parabólicas, entretanto a partir daí o sinal foi codificado e somente pode ser captado por parabólicas com receptor digital através da aquisição de cartão com o código para decodificação.[96] A partir de 2014, a emissora voltou a ser transmitida nacionalmente, através do satélite SES-6, utilizado pela Oi TV.[101]

Discriminação[editar | editar código-fonte]

No dia 16 de setembro de 2008, o humorístico Casseta & Planeta, Urgente! levou ao ar um quadro chamado Otário Eleitoral Gratuito, onde um dos candidatos, o personagem "Tinoco, o homem toco", que não tinha braços nem pernas, declarava: "Você me conhece: eu sou o Tinoco, o homem toco. Vote em mim, que eu não vou meter a mão; e se eu roubar não vou conseguir fugir", de modo a "debochar genericamente dos políticos e dos deficientes físicos". Tal conteúdo levou o Grupo de Ação pela Cidadania de Lésbicas, Gays, Travestis e Transexuais a abrir um processo na Procuradoria Regional dos Diretos dos Cidadãos de São Paulo contra a TV Globo de São Paulo por discriminação às pessoas deficientes.[102][103]

Troca de nomes[editar | editar código-fonte]

Em 2011, a rede foi processada pelo bartender Igor Pachi, que teve sua imagem confundida com a do BBB Igor Gramani. De acordo com sua advogada, Shirley Klouri, "a Globo, sites do Grupo e o canal Multishow exibiram fotos e vídeos de seu cliente na divulgação do programa e causaram problemas a ele". O rapaz conseguiu uma liminar pedindo a retratação da cadeia e indenização mínima de 150 salários mínimos.[104]

Edições na Wikipédia[editar | editar código-fonte]

Em 8 de agosto de 2014, uma matéria do portal de O Globo[105] afirmou que um dispositivo conectado à internet através da rede sem fio do Palácio do Planalto alterou, em maio de 2013, informações das páginas de Miriam e Carlos Alberto Sardenberg na Wikipédia, com o objetivo de difamá-los. As informações inseridas no artigo de Miriam qualificavam suas análises e previsões econômicas como "desastrosas", além de acusá-la de ter defendido "apaixonadamente" o banqueiro Daniel Dantas quando este foi preso pela Polícia Federal.[106] Esta última acusação ocorreu em razão de comentário de Miriam na Rádio CBN onde ela defendia a inocência de Dantas.[107]

O Palácio do Planalto, em nota, explicou que o endereço IP usado na alteração era utilizado tanto pela sua rede interna quanto pela rede sem fio do Palácio. Isso possibilitaria a qualquer visitante do Planalto realizar tal alteração.[108] No entanto, o Planalto identificou o autor das alterações como sendo um servidor da Secretaria de Relações Institucionais e o funcionário foi exonerado.[109]

O Grupo Globo foi criticado por divulgar alterações das biografias de seus contratados na Wikipédia, ferramenta de caráter colaborativo e aberta à edição de todos e que, segundo seu próprio criador, Jimmy Wales, não deve ser usada como fonte primária de informação.[106] Também foram criticadas por só terem noticiado as alterações em plena campanha eleitoral de 2014.[106] O jornalista Miguel do Rosário divulgou que um usuário que navegava através da rede da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo inseriu uma calúnia na biografia do músico Raul Seixas.[carece de fontes?] Ele também relatou que já visitou o Palácio do Planalto e que teve acesso à senha da rede sem fio do gabinete presidencial.[carece de fontes?]

Reportagem sobre o Ciência sem Fronteiras[editar | editar código-fonte]

Em 11 de maio de 2015, uma reportagem veiculada no Bom Dia Brasil afirmava que o dinheiro do Ciência sem Fronteiras não havia sido repassado pelo governo, fazendo com que diversos estudantes tivessem de retornar dos Estados Unidos, país para onde viajaram. Uma delas, a estudante de medicina Amanda Oliveira, afirmou em seu Facebook que tudo não passava de uma mentira, adjetivando a Globo de "sensacionalista" e dizendo que sua experiência com o Ciência sem Fronteiras "não poderia ter sido melhor". Segundo a própria, ela retornou ao Brasil pois as aulas de sua universidade estavam para começar. "A Globo, além de sensacionalista, ainda não é capaz de pesquisar as coisas direito antes de falar. Eu não voltei antes do prazo. Eu tinha a opção de retornar em maio e a opção de retornar em agosto. Eu optei pela primeira", finalizou. Dias após a reportagem, a emissora divulgou um pedido de desculpas.[110]

Tiradentes[editar | editar código-fonte]

A prefeitura da cidade de Tiradentes controlada pelo PSDB em 1997 concedeu uma autorização para que a emissora usasse a cidade para gravações, violando normas de patrimônio histórico como por exemplo usar iluminação forte e flashes de câmeras em gravações dentro da igreja-matriz da cidade. Segundo a emissora, a intenção é de elevar as rendas de turismo na cidade.[111]

Referências

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Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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