Ariano Suassuna

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Ariano Suassuna Academia Brasileira de Letras
Nome completo Ariano Vilar Suassuna
Nascimento 16 de junho de 1927
Cidade da Parahyba, Paraíba
Morte 23 de julho de 2014 (87 anos)
Recife, Pernambuco
Nacionalidade brasileiro
Cônjuge Zélia Suassuna
Alma mater Faculdade de Direito do Recife
Ocupação Dramaturgo, romancista, ensaísta e poeta
Prémios Prémio Nacional de Ficção (1973)
Magnum opus Auto da Compadecida (1955)
Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971)
Religião Catolicismo
Causa da morte Parada Cardíaca
Assinatura
Ariano Suassuna signature.jpg

Ariano Vilar Suassuna (Cidade da Parahyba,[1] 16 de junho de 1927 — Recife, 23 de julho de 2014) foi um dramaturgo, romancista, ensaísta, poeta e professor brasileiro.[2][3]

Idealizador do Movimento Armorial e autor das obras Auto da Compadecida e O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, foi um preeminente defensor da cultura do Nordeste do Brasil.

Foi Secretário de Cultura de Pernambuco (1994-1998) e Secretário de Assessoria do governador Eduardo Campos até abril de 2014.[4]

Biografia

Ariano Vilar Suassuna nasceu na cidade de Parahyba, atual João Pessoa, no dia 16 de junho de 1927, filho de Rita de Cássia Vilar Suassuna e João Suassuna. Como seu pai era o presidente do estado, cargo que a partir da Constituição de 1937 passou a ser denominado pelo povo como "governador", Ariano nasceu nas dependências do Palácio da Redenção,[5] sede do Executivo paraibano. No ano seguinte, o pai deixa o governo da Paraíba, e a família passou a morar no sertão, na Fazenda Acauã, em Sousa[3].

Com a Revolução de 1930, João Suassuna foi assassinado por motivos políticos no Rio de Janeiro, e a família mudou-se para Taperoá, onde morou de 1933 a 1937. Nessa cidade, Ariano fez seus primeiros estudos e assistiu pela primeira vez a uma peça de mamulengos e a um desafio de viola, cujo caráter de “improvisação” seria uma das marcas registradas também da sua produção teatral.

O próprio Ariano Suassuna reconhecia que o assassinato de seu pai, ocupava posição marcante em sua inquietação criadora. No discurso de posse na Academia Brasileira de Letras, disse:

"Posso dizer que, como escritor, eu sou, de certa forma, aquele mesmo menino que, perdendo o pai assassinado no dia 9 de outubro de 1930, passou o resto da vida tentando protestar contra sua morte através do que faço e do que escrevo, oferecendo-lhe esta precária compensação e, ao mesmo tempo, buscando recuperar sua imagem, através da lembrança, dos depoimentos dos outros, das palavras que o pai deixou."[6]

O assassinato de João Suassuna ocorreu como desdobramento da comoção posterior ao assassinato de João Pessoa, governador da Paraíba e candidato a Vice-Presidente do Brasil na chapa de Getúlio Vargas. Ariano Suassuna atribuía à família Pessoa, a encomenda do assassinato de seu pai, contratando o pistoleiro Miguel Laves de Souza, que atirou na vítima pelas costas, no Rio de Janeiro.[7] Em razão disso, não concordava com a alteração do nome da cidade onde nasceu, de "Parahyba" para "João Pessoa", em homenagem ao governador assassinado.

Formação acadêmica

A partir de 1942 passou a viver em Recife, onde terminou, em 1945, os estudos secundários no Ginásio Pernambucano, no Colégio Americano Batista e no Colégio Osvaldo Cruz. No ano seguinte ingressou na Faculdade de Direito do Recife, onde formou-se em 1950.

De formação calvinista e posteriormente agnóstico, converteu-se ao catolicismo, o que viria a marcar definitivamente a sua obra.[8]

Carreira

Ariano Suassuna estreou seus dons literários precocemente no dia 7 de outubro de 1945, quando o seu poema "Noturno" foi publicado em destaque no Jornal do Commercio do Recife.

Na Faculdade de Direito do Recife, conheceu Hermilo Borba Filho, com quem fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco. Em 1947, escreveu sua primeira peça, Uma mulher vestida de Sol. Em 1948, sua peça Cantam as Harpas de Sião (ou O Desertor de Princesa) foi montada pelo Teatro do Estudante de Pernambuco. Seguiram-se Auto de João da Cruz, de 1950, que recebeu o Prêmio Martins Pena, o aclamado Auto da Compadecida, de 1955, O Santo e a Porca - O Casamento Suspeitoso, de 1957, A Pena e a Lei, de 1959, A Farsa da Boa Preguiça, de 1960, e A Caseira e a Catarina, de 1961.

Entre 1951 e 1952, volta a Sousa, para curar-se de uma doença pulmonar e lá escreveu e monta Torturas de um Coração. Em seguida, retorna a Recife, onde, até 1956, dedica-se à advocacia e ao teatro.

Em 1955, Auto da Compadecida o projetou em todo o país. Em 1962, o crítico teatral Sábato Magaldi diria que a peça é "o texto mais popular do moderno teatro brasileiro". Sua obra mais conhecida, já foi montada exaustivamente por grupos de todo o país, além de ter sido adaptada para a televisão e para o cinema.

Em 1956, afasta-se da advocacia e torna-se professor de Estética da Universidade Federal de Pernambuco, onde se aposentaria em 1994. Em 1976, defende sua tese de livre-docência, intitulada A Onça Castanha e a Ilha Brasil: Uma Reflexão Sobre a Cultura Brasileira. Ariano afirmava: "Você pode escrever sem erros ortográficos, mas ainda escrevendo com uma linguagem coloquial." No ano seguinte foi encenada a sua peça O Casamento Suspeitoso, em São Paulo, pela Cia. Sérgio Cardoso, e O Santo e a Porca; em 1958, foi encenada a sua peça O Homem da Vaca e o Poder da Fortuna; em 1959, A Pena e a Lei, premiada dez anos depois no Festival Latino-Americano de Teatro.

Em 1959, em companhia de Hermilo Borba Filho, fundou o Teatro Popular do Nordeste, que montou em seguida a Farsa da Boa Preguiça (1960) e A Caseira e a Catarina (1962). No início dos anos 60, interrompeu sua bem-sucedida carreira de dramaturgo para dedicar-se às aulas de Estética na UFPE. Ali, em 1976, defende a tese de livre-docência A Onça Castanha e a Ilha Brasil: Uma Reflexão sobre a Cultura Brasileira. Aposenta-se como professor em 1994.

Membro fundador do Conselho Federal de Cultura (1967); nomeado, pelo Reitor Murilo Guimarães, diretor do Departamento de Extensão Cultural da UFPE (1969). Ligado diretamente à cultura, iniciou em 1970, no Recife, o “Movimento Armorial”, interessado no desenvolvimento e no conhecimento das formas de expressão populares tradicionais. Convocou nomes expressivos da música para procurarem uma música erudita nordestina que viesse juntar-se ao movimento, lançado no Recife, em 18 de outubro de 1970, com o concerto “Três Séculos de Música Nordestina – do Barroco ao Armorial” e com uma exposição de gravura, pintura e escultura. Secretário de Cultura do Estado de Pernambuco, no Governo Miguel Arraes (1994-1998).

Entre 1958-79, dedicou-se também à prosa de ficção, publicando o Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971) e História d’O Rei Degolado nas Caatingas do Sertão / Ao Sol da Onça Caetana (1976), classificados por ele de “romance armorial-popular brasileiro”.

Ariano Suassuna construiu em São José do Belmonte, onde ocorre a cavalgada inspirada no Romance d’A Pedra do Reino, um santuário ao ar livre, constituído de 16 esculturas de pedra, com 3,50 m de altura cada, dispostas em círculo, representando o sagrado e o profano. As três primeiras são imagens de Jesus Cristo, Nossa Senhora e São José, o padroeiro do município.

Em dezembro de 2017, foi publicada sua obra inédita e póstuma A Ilumiara – Romance de Dom Pantero no Palco dos Pecadores. A organização do trabalho foi feita por sua família, reunindo os escritos que Suassuna levou seus últimos trinta anos de vida para escrever. A obra é dividida em dois volumes, O Jumento Sedutor e O Palhaço Tetrafônico e é considerada pela crítica seu "testamento literário", tendo sido finalizada pouco antes de sua morte.[9] O próprio Suassuna considerava a obra como "o livro da sua vida".

Estou acabando um romance que é o livro da minha vida. Ele é dedicado a três pessoas: Miguel Arraes, Luiz Inácio Lula da Silva e Eduardo Campos. Eu exercito três gêneros literários: romance, teatro e poesia. Mas sempre fiz isso separadamente. Nessa nova obra, estou tentando fundir o dramaturgo, o romancista e o poeta num só. Por isso a considero como minha obra definitiva.
 
Ariano Suassuna, em entrevista à revista Veja em 14 de julho de 2014, nove dias antes de sua morte.[10].

Movimento Armorial

Ver artigo principal: Movimento Armorial

Ariano foi o idealizador do Movimento Armorial, que tem como objetivo criar uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular do Nordeste Brasileiro. Tal movimento procura orientar para esse fim todas as formas de expressões artísticas: música, dança, literatura, artes plásticas, teatro, cinema, arquitetura, entre outras expressões.

Reconhecimento

Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2000); Universidade Federal da Paraíba (Resolução Nº 10/2001) tendo recebido a honraria no dia 29 de junho de 2002; Universidade Federal Rural de Pernambuco (2005), Universidade de Passo Fundo (2005) e Universidade Federal do Ceará (2006) tendo recebido a honraria em 10 de junho de 2010, às vésperas de completar 83 anos. "Podia até parecer que não queria receber a honraria, mas era problemas de agenda", afirmou Ariano, referindo-se ao tempo entre a concessão e o recebimento do título.[11]

Ariano Suassuna, durante evento pró-equidade de gênero e diversidade, em Brasília, 2007.

Em 2002, Ariano Suassuna foi tema de enredo no carnaval carioca na escola de samba Império Serrano; em 2008, foi novamente tema de enredo, desta vez da escola de samba Mancha Verde no carnaval paulista. Em 2013 sua mais famosa obra, o Auto da Compadecida foi o tema da escola de samba Pérola Negra em São Paulo.

Em 2004, com o apoio da ABL, a Trinca Filmes produziu um documentário intitulado O Sertão: Mundo de Ariano Suassuna, dirigido por Douglas Machado e que foi exibido na Sala José de Alencar.

Em 2007, em homenagem aos oitenta anos do autor, a Rede Globo produziu a minissérie A Pedra do Reino, com direção e roteiro de Luiz Fernando Carvalho a partir de O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta.[12][13][14]

As obras de Suassuna já foram traduzidas para o inglês, francês, espanhol, alemão, holandês, italiano e polonês.[15]

Em 2011, quando Eduardo Campos, então governador de Pernambuco, foi reeleito presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro - PSB, Ariano foi eleito presidente de honra do partido. Na oportunidade, declarou que era "um contador de história" e que encerraria sua "vida política neste cargo"[16]. Durante o mandato de Eduardo Campos no Governo de Pernambuco, Ariano Suassuna foi seu assessor especial até abril de 2014.[10][17]

Academia Pernambucana de Letras

Em 1993, foi eleito para a cadeira 18 da Academia Pernambucana de Letras, cujo patrono é o escritor Afonso Olindense.

Academia Brasileira de Letras

De 1990 até o ano de sua morte, ocupou a cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras, cujo patrono é Manuel José de Araújo Porto Alegre, o barão de Santo Ângelo. Foi sucedido por Zuenir Ventura.[18]

Academia Paraibana de Letras

Assumiu a cadeira 35 na Academia Paraibana de Letras em 9 de outubro de 2000, cujo patrono é Raul Campelo Machado, sendo recepcionado pelo acadêmico Joacil de Brito Pereira.

Morte

Ariano morreu no dia 23 de julho de 2014 no Real Hospital Português, no Recife, onde deu entrada na noite do dia 21, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC), passando por procedimento cirúrgico com colocação de dois drenos para controlar a pressão intracraniana. Ele ficou em coma e respirando por ajuda de aparelhos.[19] O corpo de Ariano foi sepultado no Cemitério Morada da Paz em Paulista, Região Metropolitana do Recife em Recife em 24 de julho de 2014.[20]

Ariano Suassuna era torcedor do Sport Club do Recife.[21] O clube o homenageou, dando o nome de Taça Ariano Suassuna a um torneio amistoso internacional de futebol que promove anualmente desde 2015, durante a sua pré-temporada.

Obras

Obras selecionadas

  • Uma mulher vestida de Sol (1947)
  • Cantam as harpas de Sião ou O desertor de Princesa (1948)
  • Os homens de barro (1949)
  • Auto de João da Cruz (1950)
  • Torturas de um coração (1951)
  • O arco desolado (1952)
  • O castigo da soberba (1953)
  • O Rico Avarento (1954)
  • Auto da Compadecida (1955)
  • O casamento suspeitoso (1957)
  • O santo e a porca (1957)
  • O homem da vaca e o poder da fortuna (1958)
  • A pena e a lei (1959)
  • Farsa da boa preguiça (1960)
  • A Caseira e a Catarina (1962)
  • As conchambranças de Quaderna (1987)
  • Fernando e Isaura (1956, inédito até 1994)

Romance

Poesia

  • O pasto incendiado (1945-1970)
  • Ode, (1955)
  • Sonetos com mote alheio (1980)
  • Sonetos de Albano Cervonegro (1985)
  • Poemas (antologia) (1999)
  • Os homens de barro (1949)

Ver também

Referências

  1. Portal da Cidade de João Pessoa
  2. Morre aos 87 anos o escritor Ariano Suassuna, o cavaleiro do sertão
  3. a b «Suassuna, Ariano. Enciclopédia da Itaú Cultural da Literatura Brasileira.» 
  4. "http://www.pe.gov.br/secretarias/secretaria-de-assessoria-ao-governador
  5. «Releituras - Ariano Suassuna» 
  6. «Academia Brasileira de Letras. Discurso de posse do imortal Ariano Suassuna.» 
  7. «ABL. Murilo Melo Filho. Textos escolhidos.» 
  8. Gilbraz Aragão (10 de maio de 2004). «Literatura e Religião na Obra de Ariano». Unicap. Consultado em 8 de dezembro de 2017. Arquivado do original em 30 de abril de 2010 
  9. Valentine Herold (5 de dezembro de 2017). «Livro inédito de Ariano Suassuna é lançado esta semana no Recife». JConLine. Consultado em 8 de dezembro de 2017. Cópia arquivada em 8 de dezembro de 2017 
  10. a b Kalleo Coura (23 de julho de 2014). «Ariano Suassuna estava escrevendo 'o livro da sua vida'». Revista Veja. Consultado em 8 de dezembro de 2017. Cópia arquivada em 8 de dezembro de 2017 
  11. Suassuna é ´Honoris Causa´
  12. «O Brasil de Quaderna para milhões». IstoÉ Gente 
  13. «Aula-espetáculo de Ariano Suassuna abre evento em sua homenagem» 
  14. Maurício Stycer (19 de junho de 2017). «Tributo de Bial a Suassuna chama atenção por ausência de ex-diretor da Globo». UOL. Consultado em 21 de junho de 2017 
  15. http://www.agecom.ba.gov.br/exibe_noticia.asp?cod_noticia=792
  16. Iolando Lourenço (3 de dezembro de 2011). «Eduardo Campos é reeleito presidente nacional do PSB». Agência Brasil. Consultado em 30 de agosto de 2017. Arquivado do original em 21 de agosto de 2014 
  17. «PSB relembra Ariano Suassuna». Portal PSB Notícias. 22 de julho de 2015. Consultado em 8 de dezembro de 2017. Cópia arquivada em 8 de dezembro de 2017 
  18. «Ferreira Gullar, Evaldo Mello e Zuenir Ventura ocupam as cadeiras vagas na ABL». ribuna do Norte. 1 de agosto de 2014. Consultado em 1 de abril de 2017 
  19. Ariano Suassuna está em coma e respira com ajuda de aparelhos
  20. Após 16 horas de velório e desfile em carro aberto, Ariano é enterrado
  21. Meu Jogo Inesquecível: o Timão na trilha do Sport de Ariano Suassuna

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