Movimento Armorial

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Movimento Armorial foi uma iniciativa artística cujo objetivo seria criar uma arte erudita[1] a partir de elementos da cultura popular do Nordeste Brasileiro. Um dos fundadores e diretores foi o escritor Ariano Suassuna.[1] Tal movimento procura orientar todas as formas de expressões artísticas: música, dança, literatura, artes plásticas, teatro, cinema, arquitetura, dentre outras expressões.

Uma conceituação pelo próprio Suassuna[editar | editar código-fonte]

Origem[editar | editar código-fonte]

Antônio Nóbrega, um dos integrantes do Quinteto Armorial.

O escritor Raimundo Carrero, que participou da fundação do Movimento junto a Ariano, entende que o momento fundador do Movimento Armorial foi a publicação do Romance da Pedra do Reino, de Ariano Suassuna, em 1971.[2] Houve uma grande repercussão no meio literário brasileiro com a publicação do romance, e isso teria servido para popularizar todo o restante do trabalho coordenado por Ariano.

O Movimento Armorial surgiu, portanto, sob a inspiração e direção de Ariano Suassuna, com a colaboração de diversos artistas e escritores da região Nordeste do Brasil e o apoio do Departamento de Extensão Cultural da Pró-Reitoria para Assuntos Comunitários da Universidade Federal de Pernambuco.

Teve início no âmbito universitário, mas ganhou apoio oficial da Prefeitura do Recife e da Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco.

Foi lançado oficialmente, no Recife, com a realização de um concerto e uma exposição de artes plásticas realizadas no Pátio de São Pedro, no centro da cidade.[3]

O Instituto Brincante, espaço cultural criado pelo artista Antônio Nóbrega na capital paulista, era chamado por Ariano de “consulado do Movimento Armorial” [4]. O Brincante buscava difundir uma espécie de corpo popular brasileiro, forjado nas andanças de Nóbrega pelo Nordeste.

Características e atuação[editar | editar código-fonte]

O Movimento Armorial tinha a pretensão de realizar uma arte nacional erudita baseada nos elementos dos contextos populares e assim sendo, convergir diversas artes para este fim. Seu objetivo era o de valorizar a cultura popular do Nordeste brasileiro, pretendendo realizar uma arte brasileira erudita a partir das raízes populares da cultura do País.

Segundo Suassuna, sendo "armorial" o conjunto de insígnias, brasões, estandartes e bandeiras de um povo, a heráldica é uma arte muito mais popular do que qualquer coisa. Desse modo o nome adotado significou o desejo de ligação com essas heráldicas raízes culturais brasileiras.

Literatura de Cordel, exemplo de inspiração para o Movimento Armorial.

O Movimento tem interesse pela pintura, música, literatura, cerâmica, dança, escultura, tapeçaria, arquitetura, teatro, gravura e cinema.

Uma grande importância é dada aos folhetos do romanceiro popular nordestino, a chamada literatura de cordel, por achar que neles se encontra a fonte de uma arte e uma literatura que expressa as aspirações e o espírito do povo brasileiro, além de reunir três formas de arte: as narrativas de sua poesia, a xilogravura, que ilustra suas capas — da qual o principal representante no movimento é o artista Gilvan Samico[5] — e a música, através do canto dos seus versos, acompanhada por viola ou rabeca.

São também importantes para o Movimento Armorial, os espetáculos populares do Nordeste, encenados ao ar livre, com personagens míticas, cantos, roupagens principescas feitas a partir de farrapos, músicas, animais misteriosos como o boi e o cavalo-marinho do bumba-meu-boi.

O mamulengo ou teatro de bonecos nordestino também é uma fonte de inspiração para o Movimento, que procura além da dramaturgia, um modo brasileiro de encenação e representação.[3]

Congrega nomes importantes da cultura nordestina. Além do próprio Ariano Suassuna, Guerra-Peixe, Antonio Madureira, Francisco Brennand, Raimundo Carrero, Gilvan Samico, Maximiano Campos entre outros, além de grupos como o Balé Armorial do Nordeste, a Orquestra Romançal e o Quinteto Armorial.

Grupos[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «Movimento Armorial». Fundação Joaquim Nabuco. Consultado em 7 de novembro de 2018. Cópia arquivada em 30 de setembro de 2007 
  2. «Cinquenta anos de um movimento que une cultura popular e arte erudita». Consultado em 8 de março de 2021 
  3. a b «Movimento Armorial». basilio.fundaj.gov.br. Consultado em 8 de março de 2021 
  4. Oliveira, Beatriz Jucá, Joana (18 de outubro de 2020). «Movimento Armorial, 50 anos do convite para que o Brasil mire as suas entranhas». EL PAÍS. Consultado em 8 de março de 2021 
  5. http://www.samico.art.br/sobresamico