Rabeca

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José Oliveira, tocador de Rabeca de Juazeiro do Norte, Ceará, Brasil.

A rabeca é um instrumento musical, classificado como instrumento de cordas friccionadas.

História[editar | editar código-fonte]

A palavra rabeca é usada tradicionalmente em Portugal e no Brasil para designar os instrumentos de corda friccionada com arco. Na Península Ibérica, desde a Idade Média à atualidade, que palavras de influência árabe como rebab, rebec ou rabil designam esses instrumentos importados do Norte da África. Em Portugal, até ao século XIX, nos conservatórios (como o Conservatório Real de Lisboa), o instrumento era chamado 'rabeca'. A denominação foi substituída por 'violino' somente em 1903.

Portugal[editar | editar código-fonte]

Rabeca é a designação vulgar do violino. O Rabecão é a designação vulgar do contrabaixo.

Rabeca Chuleira. No Norte de Portugal e no Baixo Douro (aprox.), juntamente com as violas braguesa ou amarantina, o violão e o canto usa-se a rabeca chuleira para as chulas das festadas. Este é um violino mais agudo que o comum, produzido, em especial, para acompanhar os cantos agudos das mulheres.

Brasil[editar | editar código-fonte]

Rabeca Chuleira, réplica segundo modelo de Guilherme Sarmento 1872. Construída por Bruno Godinho, Portugal.

De tom mais baixo que o do violino, tem um timbre fanhoso e percebido, geralmente, como tristonho. Existem rabecas de três, quatro, e mais raramente, de cinco cordas. As cordas podem ser de tripa ou aproveitadas de outros instrumentos como o cavaquinho, bandolim ou violão. Suas afinações variam de acordo com o rabequeiro. Podem ser afinadas em quartas (ré, sol, do, fá -D,G,C,F) ou afinadas, por quintas, em sol---mi, como o violino e o bandolim.

O tocador encosta a rabeca no braço e no peito, friccionando suas cordas com arco de crina, untado no breu. Juntamente com a viola, é um instrumento tradicional dos cantadores nordestinos. Muitas pessoas confundem a rabeca com o violino, apesar de não terem o mesmo som e timbre.

No litoral de São Paulo e do Paraná a rabeca caiçara é usada no fandango, na folia-do-divino etc. No interior de São Paulo e em Minas Gerais, a rabeca é tocada no moçambique, nas congadas, na dança-de-são-gonçalo e na folia-de-reis.

No Nordeste foi popularizada por bandas locais, onde também é fabricada por artesões do interior de Alagoas, como Nelson da Rabeca. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensam, a rabeca foi o primeiro instrumento melódico utilizado no forró. Só posteriormente, com a imigração dos alemães, é que a sanfona foi difundida por todo o Brasil e introduzida na música nordestina. E por ser um instrumento com mais recursos musicais, pois é um instrumento melódico e harmônico (ao contrário da rabeca que é apenas melódico), a sanfona teve maior aceitação.

No estado de Pernambuco e em algumas regiões da Paraíba a rabeca também foi muito utilizada em bailes de forró, e ainda o é, ainda que diferentemente de como foi no passado. Na Zona da Mata Norte de Pernambuco, o folguedo do Cavalo-Marinho é o bastião da tradição de rabeca na região, e nesse brinquedo (como os que realizam o Cavalo-Marinho o chamam), circulam ótimos tocadores, ótimos construtores do instrumento (ainda que hoje tal presença tenha diminuído em relação a como foi há poucas décadas atrás) e que não são só de Pernambuco, mas também de outros estados, que visitam a região para aprender com mestres desses saberes que envolvem a rabeca como é feita por lá.

A tradição de rabeca em Pernambuco é bastante singular, tanto no que se refere ao fazer do instrumento como do tocar do mesmo. E guarda, pra além das semelhanças, bastante diferenças com as tradições como as do litoral de São Paulo/Paraná (rabeca caiçara) e as da região norte do país, por exemplo. Grandes referências na construção do instrumento na região da zona da mata de Pernambuco, no passado e/ou hoje em dia, são: Mané Pitunga (já falecido), Dinda Salu, Wilfred Amaral, Zé de Nininha, dentre outros. Grandes tocadores formados nessa região, no passado e/ou hoje em dia, são: Siba (do grupo Mestre Ambrósio), Renata Rosa, Totó da Rabeca, Mestre Antônio Teles (já falecido), Mestre Luiz Paixão, Mestre Salustiano (já falecido), Maciel Salú, Zé Aives (já falecido), dentre outros.

Na região Norte, a rabeca é usada nas festividades de São Benedito. Na cidade de Bragança, onde destaca-se como o principal instrumento da festa, é tocada desde 1978 pelo mestre Zito no período de 18 a 31 de dezembro. Músicas como retumbão, chorado, xote, mazurca e contra-dança fazem parte do repertorio da festa, mais conhecida com o nome de Marujada.

Aurimar Monteiro de Araújo, mestre Ari, é um dos mais renomados artesãos do instrumento na Região Amazônica, utilizando madeiras e fibras vegetais da floresta ele confecciona instrumentos de sons inigualáveis. O mestre foi responsável pela criação da Orquestra de Rabecas da Amazônia, além de uma escola de música e de uma oficina escola que capacitam profissionalmente crianças e adolescentes, preservando assim a memória do instrumento na região.

Outros usos[editar | editar código-fonte]

Também é usada na música da Romênia e conhecida como rebeca em algumas regiões do Brasil.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Rabeca.org: Um mapa e banco de dados da rabeca brasileira, portuguesa e o ravé (ou rawé) guarani


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