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Pífano

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Pífano da Guerra Civil Americana.

Pífaro, pífano, pife, pifre ou gaiteiro[1] é uma pequena flauta transversal, aguda, similar a um flautim, mas com um timbre mais intenso e estridente, devido ao seu diâmetro menor. Os pífanos são originários da Europa medieval e são frequentemente utilizados em bandas militares.

Tonalidade e extensão

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Uma convenção específica de parte do repertório de pífaro — e que contradiz o padrão geral — é a de que a notação para pífano é escrita na tonalidade de , independentemente da tonalidade real em que o instrumento efetivamente soa. O efeito geral dessa prática é definir as notas soadas em termos do grau da escala, como em um sistema de dó móvel, e então expressar qualquer altura que ocupe determinado grau da escala, no contexto de uma peça musical específica, por meio de uma nota escrita na pauta que corresponda àquele grau da escala, sem considerar seu valor absoluto. O efeito mais específico é tratar os diferentes tipos de pífano — que soam em tonalidades distintas — como se fossem equivalentes a instrumentos transpositores (como os vários tipos de clarinete). A única diferença é que a tônica da tonalidade em que determinado pífano soa é associada a Ré, e não a Dó. Assim, a armadura de clave escrita para música de pífano tocada em uma dada tonalidade de concerto terá duas sustenidos a menos (ou dois bemóis a mais) do que a armadura de clave que seria usada em partituras para outros instrumentos transpositores que soam na mesma tonalidade.[2]

No Brasil

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No Brasil, o pífano tradicional é um instrumento cilíndrico com sete orifícios circulares, sendo um destinado ao sopro e os restantes aos dedos. No geral, é um instrumento muito similar ao pífano de outras regiões do mundo. Pode ser construído com materiais diversos como: bambu, taboca, taquara, osso, caule de mamoneira ou, ainda, como é mais explorado hoje em dia, com cano de PVC, uma alternativa para a escassez de matéria-prima natural. É encontrado em três tamanhos: 65cm a 70cm, chamado "régua-inteiro", 50cm, chamado "três-quartos", e 40cm, chamado "régua-pequena". O som varia de acordo com o comprimento do pífano.[3]

O pífano é um instrumento tradicional do nordeste do Brasil. Seus tocadores, na maioria, são pessoas sem erudição que transmitem a cultura do pífano pela tradição oral – tanto a confecção quanto o repertório, que em geral dispensa partitura, sendo tocado de ouvido. No Nordeste, ainda se encontram as tradicionais "bandas de pífanos", "bandas de pife cabaçal", "esquenta-mulher" ou "terno de zabumba", sendo compostas por dois pífanos carros-chefe, acompanhados em geral por um surdo, um tarol e um bombo ou zabumba, além de outros pífanos.

Garoto toca um pífaro. Quadro de Édouard Manet

Na música militar

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Durante os séculos XVII e XVIII, os protocolos dos pífaros e tambores tornaram-se estreitamente associados apenas aos regimentos de infantaria.[4] Eles não eram usados como instrumentos de sinalização pela cavalaria ou pela artilharia, que empregavam trompetes, tímpanos ou ambos. Cada companhia de um regimento de infantaria tinha dois pífaros e dois tambores designados. Quando o batalhão (5 companhias) ou o regimento (10 companhias) se formava em parada ou para movimento em massa, esses músicos eram destacados de suas companhias para formar uma “banda”. Foi assim que o termo banda passou, pela primeira vez, a designar um grupo de músicos.[5]

Fabricantes norte-americanos modernos

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A era moderna do uso do pífaro nos Estados Unidos começou por volta de 1880, com a popularização dos corpos civis de pífaro e tambor, dentro de uma tradição musical que passou a ser conhecida como Ancient fife and drum (ou simplesmente Ancient). O crescimento desses grupos gerou uma demanda por pífaros com melhor afinação e mais adequados ao toque em conjunto do que aqueles usados durante a Guerra Civil. Essa demanda foi atendida pela Cloos Company, do Brooklyn, Nova York, com seu modelo Crosby. Esses pífaros eram instrumentos de uma só peça, com furo cilíndrico e seis orifícios de tamanhos e posições irregulares. Comparados aos pífaros fabricados anteriormente, os modelos da Cloos eram: mais fáceis de tocar, melhor afinados, e produziam um som muito mais forte.[6]

Ferrary, Model F e Peeler

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Paralelamente ao surgimento do fife McDonagh, um fabricante chamado Ed Ferrary assumiu o legado da agora extinta Cloos Company, produzindo pífaros tradicionais de 6 furos com furo cilíndrico. Para músicos que continuam a tocar pífaros tradicionais, o Ferrary tornou-se o instrumento preferido. Após a morte de Ferrary, suas ferramentas e equipamentos foram adquiridos por Ed Bednarz, de Warehouse Point, Connecticut, que comercializa seus pífaros por meio de vendedores independentes — entre eles Ed Boyle, da Filadélfia, membro do Lancraft, e o conhecido comerciante “Ancient” Leo Brennan, de Madison, Connecticut. Bednarz marca seus pífaros com o nome “Model F”.[7] Em outubro de 2000, outro fabricante de Connecticut, Ron Peeler, fundou a Peeler Fifes, em Moodus, Connecticut, produzindo um instrumento no estilo Ferrary, além de diversos outros modelos historicamente orientados, copiados de instrumentos antigos originais.[8]

Cooperman

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A Cooperman Fife and Drum foi fundada em 1961. Os pífaros Cooperman eram baseados na tradição da Cloos, com variações destinadas a melhorar a afinação. Em 1975, Patrick Cooperman abriu sua oficina em tempo integral em Centerbrook, Connecticut, fabricando pífaros tradicionais, tambores e baquetas. A empresa permaneceu ativa após sua morte em 1995, sob controle de outros membros da família, e em 2006 unificou suas operações de Connecticut e Vermont em Bellows Falls, Vermont. Agora conhecida como Cooperman Company, continua produzindo: pífaros estudantis de plástico e madeiras domésticas, e o modelo original Cooperman, de peça única, em madeiras exóticas.[9]

Sweet e Yamaha

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Outros fabricantes de pífaros Ancient incluem Ralph Sweet, da Sweetheart Flute Company (Enfield, Connecticut), cujos modelos baseados na Cloos são os que mais se aproximam do instrumento original. Após sua morte, sua oficina foi assumida por Joseph Morneault, passando a se chamar Musique Morneaux.[10] O filho de Ralph, Walt D. Sweet, também fundou sua própria oficina, a Walt Sweet Flutes.[11]

Ver também

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Referências

  1. «Pífaro». Michaelis 
  2. «Cooperman Fife and Drums » Basics: Key and Materials Choice». www.cooperman.com. Consultado em 13 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 21 de janeiro de 2021 
  3. GASPAR, Lúcia (21 de agosto de 2009). «Bandas de Pífano». Fundação Joaquim Nabuco. Consultado em 7 de dezembro de 2012 
  4. Carman, W. Y. (1977). A Dictionary of Military Uniform. Scribner. p. 57. ISBN 0-684-15130-8.
  5. «Search 'band' on etymonline». etymonline (em inglês). Consultado em 13 de novembro de 2025 
  6. «Cloos/Crosby Fife History». fifemuseum.com (em inglês). Consultado em 13 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 22 de janeiro de 2021 
  7. «Model F Fife». beafifer.com. Consultado em 13 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 23 de fevereiro de 2025 
  8. «About Ron Peeler | Peeler Fifes» (em inglês). Consultado em 13 de novembro de 2025 
  9. «ABOUT – Cooperman Fife and Drums». www.cooperman.com. Consultado em 13 de novembro de 2025 
  10. «About Us – Musique Morneaux». musiquemorneaux.com (em inglês). Consultado em 13 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 11 de outubro de 2025 
  11. Roberts, Al. «WD Sweetflutes | Enfield, CT | About Flutemaker Walt Sweet | Custom made instruments | Pennywhistles, Flutes, Fifes,». wdsweetflutes.com (em inglês). Consultado em 13 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 24 de janeiro de 2021 

Ligações externas

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