Oficleide

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Oficleide

Na música, o oficleide ou oficlide (do grego "óphis": serpente + "kleidós": chave, ophicleide; do grupo 423 do sistema Hornbostel-Sachs),[1] também conhecido popularmente como figle, é um instrumento musical de sopro da família dos metais do tipo aerofone de bocal, semelhante a tuba, supostamente inventado no século XIX, pelo luthier belga Antoine Joseph Sax.[1] Antecessor da família dos saxofones.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Seu nome se origina da junção dos termos gregos óphis,eós + kleís,kleidós, que significa serpente + chave, pois o instrumento apresenta uma forma semelhante à de uma cobra com chaves ao longo do corpo.

História[editar | editar código-fonte]

O instrumento foi utilizado pelo construtor de instrumentos Antoine Joseph Sax (Dinant, 6 de novembro de 1814 — Paris, 7 de fevereiro de 1894), mais conhecido como "Adolphe" Sax, como ponto de partida para criar o saxofone. No oficleide, Sax adaptou uma boquilha de clarinete no lugar do bocal, dando ao instrumento um timbre sonoro que se situa entre os metais e as madeiras. E assim nasceu o saxofone. O instrumento empolgou os eruditos da época. Berlioz, Wagner, Verdi, Rossini e Mendelssohn escreveram especialmente para o oficleide.

Este chegou ao Brasil por volta de 1850, com as primeiras bandas de música. Com sua sonoridade grave foi acolhido nas baixarias (contracanto na parte grave do instrumento[2]) dos grupos de choro inaugurais, no contraponto harmônico aos cavaquinhos e violões.[3]

A primeira aparição escrita desse instrumento em uma orquestração foi na ópera Olímpia, de Gaspare Spontini, em 1819. Outras célebres composições para o oficleide são Elias e Sonho de uma Noite de Verão, de Felix Mendelssohn, além da Sinfonia Fantástica, de Berlioz. Também Verdi e Wagner compuseram para oficleide.

Família de oficleides

No Brasil, durante a segunda metade do século XIX e as primeiras décadas do século XX, o oficleide foi muito utilizado pelos músicos de choro. Na fase de consolidação desse gênero musical, o oficleide só perdia em popularidade para a flauta, o violão e o cavaquinho[4]. Foi o instrumento em que se delineou uma das características mais marcantes do gênero - o contracanto denominado baixaria, hoje habitualmente realizado pelos violões de sete cordas.

Referências

  1. a b «Oficleide – Meloteca». Consultado em 23 de novembro de 2021 
  2. Variações sobre o maxixe. Por Guerra Peixe. Artigo originalmente publicado em O Tempo, São Paulo, 26 de setembro de 1954.
  3. Carta Capital, nº 906, 22 de junho de 2016, p. 51.
  4. O choro - Reminiscências dos chorões antigos, 1936, de Alexandre Gonçalves Pinto.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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