Shofar

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religiosidade judaica
Nascimento

Brit milá | Zeved habat
Nome hebraico | Pidyon Haben

Maturidade

Upsherin | B'nai Mitzvá
Bençãos | 613 Mitzvot

Casamento

Shiduch | Nidá | Mikvá
Ketubá | Chupá
Tzeniut | Guet

Itens religiosos

Tzitzit | Talit | Tefilin | Quipá
Menorá | Peiot | Sidur
Mezuzá | Shofar

Morte

Chevra kadisha | Shivá
Kadish | Yizkor

Ver também
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Um shofar no estilo Iemenita

O shofar (do hebraico שופר)[1][2] ou, em sua forma aportuguesada, xofar[3] é considerado um dos instrumentos de sopro mais antigos. Somente a flauta do pastor – chamada ugav, na Bíblia – tem registro da mesma época, mas não tem função em serviços religiosos nos dias de hoje.

O shofar não produz sons delicados, como o clarim moderno, a trombeta ou outro instrumento de sopro e, para os judeus, não é apenas um instrumento "musical", mas sim um instrumento tradicionalmente sagrado.

Na tradição judaica, lembra o carneiro sacrificado por Avraham (Abraão) no lugar de Yitschac (Isaac) através da história da Akedá , lida no segundo dia de Rosh Hashaná.

Ocasiões em que era tocado[editar | editar código-fonte]

Homem tocando o Shofar

Nos tempos antigos, o shofar era usado em ocasiões solenes. A palavra shofar é mencionada pela primeira vez em conexão à Revelação Divina no Monte Sinai, quando "a voz do shofar era por demais forte e todo o povo do acampamento tremeu". Assim, o shofar em Rosh Hashaná (ano novo judaico) tem o dever de lembrar aos judeus suas obrigações para com seu serviços religiosos.

O shofar também era tocado durante as batalhas contra inimigos perigosos. Portanto, o shofar de Rosh Hashaná serve como um grito de guerra contra o inimigo interior, impulsos maus e paixões.

O shofar no Midrash[editar | editar código-fonte]

O shofar é feito de um chifre de animal casher (considerado limpo). Qualquer chifre pode ser usado para o shofar, exceto vaca ou touro, pois estes chifres são chamados em hebraico de "keren" e não shofar, e também porque seu chifre poderia remeter ao Bezerro de Ouro que os filhos de Israel fizeram no deserto, ao deixarem o Egito.

Geralmente, e de preferência, o shofar é feito de um chifre de carneiro, em memória do carneiro que foi oferecido em lugar de Yitzhak (Isaac), que permitiu-se ser atado e colocado sobre o altar como um sacrifício a Deus.

O shofar é tocado em Rosh Hashaná após a leitura da Torá, antes e durante a oração de mussaf. Embora uma mitzvá não deva ser adiada, havia uma boa razão para adiar o toque do shofar para depois da leitura da Torá. Isso aconteceu numa comunidade judaica cercada por inimigos, em que o shofar foi tocado de manhã bem cedo. Os inimigos pensaram que os judeus estivessem convocando para uma rebelião contra eles, então os cercaram e os mataram. A partir daí decidiu-se por tocar o shofar após a leitura da Torá, pois quando os inimigos viam que os judeus já haviam feito parte de suas preces pacificamente, percebiam que era uma reunião pacífica para a oração, e não uma rebelião contra eles.

Rashi explica que houve um tempo quando os judeus foram proibidos de tocar o shofar. Guardas eram postados para vigiá-los até que o serviço da prece de Shacharit estivesse concluído. Os judeus por isso tocavam o shofar mais tarde, durante o serviço Mussaf, e assim permaneceu esta regra, de tocar o shofar após o serviço de Shacharit. Existe ainda outra razão: naquela época, os judeus já eram coroados com os mitsvot, os preceitos entre os quais tzitzit, Shemá ("ouve, Israel"), e a leitura da Torá. Então vem o shofar e lhes traz o perdão.

As bênçãos que antecedem o toque[editar | editar código-fonte]

O toque do shofar em Rosh Hashaná é um mandamento da Torá. É um preceito como todos os outros da fé judaica e, portanto, deve ser feita uma bênção especial antes de cumpri-lo.

O propósito da bênção é agradecer a Elohim por nos ter santificado com Seus mandamentos e nos ter dado a oportunidade de cumprir a Sua vontade. Esta bênção, em geral, é um preparo para que nossos atos não sejam realizados apenas pela força do hábito e, sim, conscientemente, sabendo seu significado e perante Quem devemos agir. A bênção antes do toque do shofar tem a mesma finalidade.

Esta é a bênção: "Bendito és Tu, Eterno, nosso Elohim, Rei do Universo, que nos santificou com Seus mandamentos e nos ordenou ouvir a voz do shofar." A bênção começa na segunda pessoa – como se se estivesse diretamente perante o HaShem – mas termina na terceira pessoa – pois Elohim é Onipresente e Invisível, Santo e além da compreensão. Todas as bênçãos apresentam esta mesma estrutura.

Em hebraico, a palavra לְהַאֲזִין ("ouvir" ou "escutar"), da mesma raiz de Shemá, possui vários significados, entre eles, escutar ou ouvir com os nossos próprios ouvidos, além de entender e obedecer.

Deste modo, quando aquele que toca o shofar faz a bênção por todos, espera-se que não só o som do shofar seja ouvido, como também compreendido e obedecida sua mensagem.

Os toques e seus significados[editar | editar código-fonte]

O Shofar emite três sons característicos: Tekiá – um som contínuo, como um longo suspiro; Shevarim – três sons interrompidos, como soluços; Teruá – nove (ou mais) sons curtíssimos como suspiros entrecortados em prantos.

Estes sons do shofar evocam e expressam sentimentos de profundo pesar pelas más ações que se comete no passado. É também uma conclamação às armas, como um tambor de guerra. O shofar convoca a lutar contra tudo que impeça a pratica do judaísmo em sua plenitude: paixões, preguiça e negligência; contra a influência de maus amigos, etc., afirmando que todos os preceitos são dignos para que se lute por eles. E mesmo se no passado não se os tenha observado cuidadosamente, o shofar diz que nunca é demasiado tarde para começar e que Deus sempre perdoa o passado quando se toma boas decisões para o futuro.

Esta é a mensagem final do shofar, aquela do perdão Divino. Por isso, o último som do shofar é um toque longo, a Tekiá Guedolá (grande toque). Este som não representa soluço, nem suspiro ou lamento, mas um grito de triunfo e alegria; pois estamos confiantes de que Deus aceitou o nosso arrependimento.

Pode-se notar esta expressão de alegria na melodia dos versos recitados logo após os toques. Enquanto os versos recitados antes são solenes, os que os seguem falam da alegria, que brota após um arrependimento sincero. Este é o real significado de ouvir, compreender e obedecer a voz do shofar.

Esta é a ordem dos toques do shofar:

  1. Tekiá – Shevarim – Teruá – Tekiá
  2. Tekiá – Shevarim – Tekiá
  3. Tekiá – Teruá – Tekiá

O som de cada grupo é repetido três vezes, totalizando trinta toques. No total, durante o serviço matinal de Rosh Hashaná, o Shofar é tocado cem vezes (cada um dos sons acima mencionados é tocado três vezes e isto é repetido três vezes durante o serviço, somando noventa toques; no final, toca-se mais uma vez o grupo de dez, perfazendo os cem toques).

Os sons quebrados de Shevarim e Teruá lembram estes suspiros e gemidos abafados que penetram no coração, e servem para despertar a pessoa ao arrependimento e ao retorno. A Tekiá Guedolá – o último toque longo do shofar – soa como uma nota mais alegre e lembra o grande dia, quando o grande shofar será tocado para reunir do exílio todo o povo de Israel, com a chegada do Mashiach.

Ensinamentos[editar | editar código-fonte]

Acredita-se que o shofar chama para se despertar da letargia mental pelas coisas terrenas e clama para que se possa despertar e se envolver com as necessidades da alma, inspirando temor e lembrando o dia do julgamento final. O som do shofar é como o chamado de uma trombeta, despertando do sono. Se está tão atarefado com os interesses do dia a dia, que se tende a ficar indiferente ao verdadeiro objetivo na vida, como se se estivesse imerso em sono profundo. Rosh Hashaná desperta para que se planeje o cumprimento dos mitzvot e o estudo do Torá para o ano que se inicia.

Segundo Maimônides, a mensagem do shofar é: "Acordai de vosso sono e ponderai sobre os vossos feitos; lembrai-vos do Criador e voltai a Ele em penitência. Não sejais daqueles que perdem a realidade de vista ao perseguirem sombras ou esbanjam anos buscando coisas vãs que não lhes trazem proveito. Olhai bem vossas almas e considerai vossos atos; abandonai os caminhos errados e os maus pensamentos e voltai a Deus, para que Ele tenha misericórdia para convosco!"

Saadia Gaon ensina dez diferentes maneiras do shofar inspirar a viver uma vida melhor o ano inteiro:

  1. Quando um novo rei começa a governar, é expedida uma proclamação, acompanhada por toques de trombeta. A cada ano naquele dia, seu governo é novamente proclamado, também com o som da trombeta. A criação do mundo foi completada em Rosh Hashaná, e o reinado de Deus começou no mundo. A cada ano neste dia, proclama-se novamente Seu governo com o toque do shofar.
  2. Quando um rei emite um decreto, o chifre soa e um sinal de aviso é anunciado. Os Dez Dias de Teshuvá (Penitência) começam com Rosh Hashaná. "Aperfeiçoe-se!" – adverte, e quando este decreto é emitido, o shofar ecoa.
  3. Quando se recebe a Torá nas encostas do Monte Sinai, o som do shofar enche os ares. Este dia de Rosh Hashaná é dedicado à vida de Torá novamente, e o som do shofar enche o ar.
  4. As palavras dos antigos profetas soam como um toque do shofar. Lembra-se de suas palavras corretivas, quando se ouve o toque do shofar.
  5. Os inimigos tocaram suas trombetas quando destruíram o Sagrado Templo – o Bet Hamicdash. Quando se toca o shofar em Rosh Hashaná, reza-se para que o novo ano traga a reconstrução do Bet Hamicdash, para que os pecados sejam perdoados.
  6. Yitschac (Isaac), de boa vontade, se ofereceu em sacrifício, como Deus ordenou, mas no último instante foi substituído por um carneiro. Em Rosh Hashaná toca-se um chifre de carneiro para que se lembre de Deus e da devoção aos antepassados.
  7. "Poderá o shofar soar na cidade e o povo não tremer de medo?" O shofar faz estremecer no temor do julgamento de Deus.
  8. "Próximo está o dia do (julgamento) de Deus: perto, muito rápido, o dia do shofar." O shofar de Rosh Hashaná recorda o dia do Julgamento Final.
  9. "E será naquele dia, soará o Grande Shofar, e os desgarrados virão da Terra de Ashur, e os rejeitados da terra do Egito.". O toque do shofar faz lembrar do grande chifre de Mashiach – espera-se e reza-se para que soe este ano, para reunir todos os judeus dispersos pelo mundo afora.
  10. "Os habitantes do pó… quando o shofar será ouvido.". O shofar lembra do dia da Ressurreição dos Mortos, quando estes se levantarão de seu sono.

Rosh Hashaná chama-se também Yom Teruá (Dia do Toque). Neste dia, é obrigação de cada judeu ouvir o shofar. Por ser finalidade do shofar inspirar-nos humildade e sentimentos de arrependimento, pode-se compreender o porquê do shofar não ser ricamente decorado. Os ornamentos não o tornam inadequado, desde que fiquem apenas do lado externo sem que suas paredes sejam perfuradas. Isto serve como lição da importância da simplicidade e humildade. Como o shofar que se torna inadequado se qualquer ornamento de ouro ou prata atravessar o osso do qual é feito, assim também tornam-se seres humanos insignificantes ao se permitir que o ouro e prata sejam tão importantes na vida a ponto de "perfurar o osso" e se apossar da mente e da alma.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikcionário
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