Haredi

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Membros da Neturei Karta em manifestação de apoio ao Líbano e à Palestina, Trafalgar Square, 2006.

O termo Haredi vem do hebraico e quer dizer "temente" ou "temeroso". Este se refere ao judeu praticante do judaísmo ultraortodoxo. O termo Haredi pode ser considerado pejorativo dependendo do contexto em que esteja e por quem seja utilizado.

O judaísmo ultraortodoxo haredi é resistente à mudança e abrandamento das leis judaicas, e mantém o embelezamento das leis (hidur mitzvá) com sua diferenciação de outros povos como vestimentas e costumes fortes. Em algumas de suas correntes pode-se encontrar a argumentação contra a existência do Estado de Israel e contra o sionismo porque para estes grupos um Estado Judeu deveria seguir as leis do Judaísmo. Porém somente uma pequena porcentagem hoje em dia realmente age de forma antissionista, estes são normalmente pertencentes aos grupos de Neturei Karta.

Diferentes ramos[editar | editar código-fonte]

O judaísmo haredi não tem uma única corrente, sendo muito diversificado quanto à liderança, costumes, hábitos, vestimentas, pronúncia do hebraico e do iídiche, padrões de relacionamento interno e com outras correntes do judaísmo. Os grandes grupos nos quais podem ser divididos são:

Litaiim ou Mitnagdim[editar | editar código-fonte]

Este é o grupo maior e o mais homogêneo entre os haredim. O termo litaí significa literalmente "nascido na Lituânia" e é usado pelos próprios como autodefinição, enquanto que o termo mitnagdim significa "aqueles que vão contra" e normalmente é usado pelos hassidim para definir os litaiim como aqueles que foram contra o hassidismo. Porém eles se referem em geral a todo haredi ashkenazi que adere a forma de estudo, hierarquia rabínica e organização comunitária anterior a criação do hassidismo na Europa.

Esta linha teve a Lituânia como seu grande foco inicial, mas existia em toda a Europa. As Yeshivot desta corrente são caracterizadas pelo estudo metódico do Talmud durante quase todo o dia, o Talmud trata de todos os temas judaicos inclusive da ética judaica. Aqueles que estão no curso de formação rabínica estudam Halachá (a lei judaica) e suas fontes desde o Talmud.

Os grandes rabinos desta linha chegam a "altos postos" da hierarquia por se destacarem no estudo desde a juventude. O povo escolhe os rabinos, diferentemente de outras religiões. Somente em idade avançada passam a ocupar um lugar de importância na sociedade, uma vez que o domínio da lei judaica leva pelo menos 40 anos. Até lá estudam e aprendem com os grandes rabinos. Não necessariamente têm laços familiares com líderes anteriores, embora quase sempre tenham sido alunos desses líderes.

Hoje em dia pode-se reconhecê-los por sua vestimenta. Eles normalmente usam terno escuro com blusa branca, kipá preta e, sobre ela, chapéu de aba reta. Diferentemente dos hassidim, que usam capota, chapéus diferentes, alguns de pele, etc...

Hassidim[editar | editar código-fonte]

O hassidismo surgiu na Europa, no século XVIII, e sua filosofia foi formulada pelo rabino místico Israel ben Eliezer, mais conhecido como o Baal Shem Tov (o Mestre do Bom Nome). Baal Shem Tov atuou principalmente junto a camponeses judeus, no vilarejo de Medzhybizh, na Comunidade Polaco-Lituana (atualmente, Ucrânia), após anos de retiro e estudo, tendo formado um grande grupo de discípulos por toda a Europa.

Este é talvez o maior grupo dentre os haredim ashkenazi. Trata-se, porém, de uma corrente muito heterogênea, dividida em diversos subgrupos, cada uma delas com seu rabino chefe (rebbe), ao qual todos os membros seguem com devoção, sem discordar ou questionar e, por isso, acabam sendo muito mais conservadores, mesmo de tradições que não têm base no Talmud.

Sua vestimenta normalmente chama atenção e através de pequenos detalhes identifica-se a hassidut (subgrupo) ao qual o indivíduo pertence. Alguns deles usam chapéu de pele (shtreimel), cujo tamanho ou largura identifica os diferentes subgrupos. Da mesma forma, o capote que vestem e suas cores, as meias e a forma de usá-las também podem ser elementos de identificação do subgrupo. A exceção as demais hassiduiot é a hassidut de Chabad, cujos integrantes vestem-se de forma semelhante à dos litaiim, normalmente sem gravata.

O estudo em suas yeshivot dá grande ênfase a livros escritos por rebbes de suas correntes, e o estudo do Talmud é mais superficial que o dos litaiim, porém aqueles que se destacam no estudo do Talmud acabam estudando tão profundamente quanto os outros grupos. Neste grupo é muito grande a influência da cabala no estudo e, consequentemente, também quando se fixa a halachá (lei judaica).

Seus líderes são nomeados quase sempre hereditariamente (um filho ou um genro toma o lugar do rebbe falecido).

Haredim sefaradim[editar | editar código-fonte]

Dentre os sefaradim, não existia o conceito de haredi até seu contato mais direto com os ashkenazim, após as primeiras aliá e a formação do Estado de Israel. Por isso, normalmente sua abertura é maior que a maior parte dos haredim ashkenazim. Eles se subdividem em basicamente três subgrupos:

  • Os que estudaram junto com os ashkenazim (Edá Hacharedit sefaradit), que são os mais ortodoxos.
  • Os que sofreram influências das yeshivot ashkenaziot, mas seguiram em yeshivot sefaradiot. São menos radicais e mais numerosos que o primeiro grupo.
  • Os que estudaram e foram totalmente formados pelas yeshivot tradicionais sefaradiot, como a Porat Yossef ou os seguidores do Rabino Ovadia Yossef. Este grupo é o mais numeroso. Não se autodefine sionista mas normalmente não é contra o movimento sionista.

Haeda Hacharedit e Neturei Karta[editar | editar código-fonte]

Estes grupos, juntamente com a hassidut de Satmer, são os mais radicalmente contra o sionismo. Não aceitam nada vinculado ao Estado de Israel , nem recebem verbas do estado, financiando sua educação por conta própria. São minoria entre os Haredim.

Haredi Moderno[editar | editar código-fonte]

É um pequeno grupo entre os haredim, mas tem crescido muito, principalmente nos Estados Unidos. Seus integrantes não se vêem vinculados ao sionismo, mas não discursam contra ele e eventualmente até simpatizam com o movimento. Normalmente estudam em yeshivot, mas por um tempo determinado (alguns anos) e depois entram no mercado de trabalho comum. Mantêm um modo de vida religioso, porém não se abstêm de luxos e hobbies que a maior parte dos haredim não admite.

Em Israel, este grupo não tem uma presença forte na comunidade haredi. Em sua maior parte são imigrantes da América do Norte e preferem estar em contato com representantes do sionismo religioso apesar de não se declararem sionistas.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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