Tanakh

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O Tanakh, em hebraico: תַּנַ"ךְ; ( /tɑːˈnɑːx/, pronunciado taˈnaχ ou təˈnax;[1] ou TN"K, Tanak, Tenakh, Tenak, Tanach, Tanac e conhecido também em hebraico: מקרא;Mikra, Miqra e ainda como Bíblia Hebraica que é a Coleção canônica dos textos Israelita, que é a fonte do cânone Cristão do Antigo Testamento. Esta coleção é composta de textos no Hebraico Bíblico, com exceção de dois livros, o de Daniel e o de Esdras, que contêm trechos no Aramaico Bíblico. O texto tradicional usado é chamado de texto Massorético. No TN"K consta 24 livros.

Um "Heder" uma escola judaica.

Terminologia[editar | editar código-fonte]

Tn"k é um acrônimo são as 3 primeiras letras das divisões tradicionais no texto massorético: Torá, Nevi'im e Ketuvim (Ensinamento-profetas e escritos)—que resulta em TaNaK. O Tanak é passado de geração em geração em forma escrita, conforme a tradição rabínica de transmitir a totalidade apenas de boca a boca e face a face, essa tradição ficou conhecida como a Torá oral. O corpo da escritura judaica o acrônimo "TaNaK" é documentada na literatura Rabbínica [ /rəˈbinikra/] ou na sua variante Rabbinical [ /rəˈbinikəlra/].[2]

Durante este período o termo "Tanak" não foi usado. Em vez disso, foi preferido o termo Mikra ou Miqra,[Notas 1] isso por que os textos do Tanak eram "lidos" em público. Foi por isso devido a este costume que até hoje usa-se o termo Mikra, pois logo, subintendente-se como se referindo a praticar a leitura, estudo e comentários acerca dele, no hebraico moderno, o uso dos termos é intercambiável.[Notas 2]

Desenvolvimento e codificação[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Cânon bíblico

Não há um consenso acadêmico de quando o cânone dos Israelitas foi fixado: alguns acadêmicos argumentam ter sido fixido pela dinastia Hashmonayim,[3] enquanto outros argumentam que só foi consertado no século e.C.; até mesmo mais tarde.[Notas 3]

Tevir - um exemplo de cantilação

De acordo com o Talmude, a maior parte do Tanak foi compilado pelos homens da Anshei K'nesset HaGedolah, e que a tarefa foi concluída em 450 a.C. e desde então permanece inalterada.[Notas 4]

O cânon de 24 livros é mencionado no Midrash Qoheleth 12:12: Quem reúne em sua casa mais de vinte e quatro livros traz confusão.[4]

Um exemplo de texto massorético (Salmos 1: 1-2)

Idioma e pronúncia[editar | editar código-fonte]

O sistema original de escrita dos textos está em abjad: em escrita consonantal sendo algumas dessas letras ("matres lectionis").[5] Foi na Idade Média que eruditos conhecidos como Massoretas criaram um sistema que padronizou a vocalização. Que se deu principalmente por Aaron ben Moses ben Asher, da escola de Tveryá, baseado na tradição oral da leitura do Tanak, dai o nome de Vocalização tiberiana. Com inclusões inovadoras de Ben Naftali e os exilados Babilônicos.[6]

Apesar desse processo tardio, os mais tradicionais as fontes e ortodoxos mantêm a pronúncia e cantilação para manter um laço com a revelação do Sinai, pois, uma vez sem estes recursos de pausas e cantilação tornaria-se tarefa impossível a leitura do texto na sua forma original.[7] A combinação de um texto (מקרא - mikra), a sua pronunciação (ניקוד - niqqud) com a cantilação (טעמים - te`amim) abre ao leitor um entendimento significativo, percebendo as nuances no seu fluxo nas sentenças textuais.

A coleção - Tanakh[editar | editar código-fonte]

Coleção de pergaminhos, que juntos constituem o Tanakh.

Sua subdivisão consiste de 24 livros; sendo que no Tanak: não há I e II Samuel, nem I e II Reis e nem em I e II Crônicas e Azariel e Neemias contam como sendo um só livro e também os Doze profetas menores (תרי עשר) considerados um só livro. Em hebraico como se fosse um padrão, o livro leva o nome da primeira palavra proeminente.

Torá[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Torá

Torá (Literalmente תּוֹרָה "ensino"), comumente conhecido por Pentateuco ou "Cinco livros de Moisés". Na versão impressa (não em rolos) é frequentemente chamada de Amishá Humshi Torá (חמישה חומשי תורה e informalmente Humash.

  1. Bereshit (בְּרֵאשִׁית, literalmente "No inicio")
  2. Shemot (שִׁמוֹת, literalmente "Nomes")
  3. Vayikra (וַיִּקְרָא, literalmente "E ele disse")
  4. Bamidbar (בְּמִדְבַּר, literalmente "No deserto")
  5. Devarim (דְּבָרִים, literalmente "Palavras")

Nevi'im[editar | editar código-fonte]

Nevi'im (נְבִיאִים, "Profetas") é a segunda parte do Tanak, fica entre Torá e Ketuvim. Contendo dois subgrupos, Profetas pioneiros (נביאים ראשונים Nevi'im Rishonim, as narrativas de Josué, Juízes, Samuel e de Reis) e dos Últimos Profetas (נביאים אחרונים Nevi'im Aharonim, os livros de Isaías, Jeremias e Ezequiel e dos Doze profetas menores).[Notas 5] Está coleção incluem livros que vão desde a saída do Egito consecutivamente a entrada em Israel até o Cativeiro babilônico da última tribo de Israel (fechando assim o "período de profecia").

Sua distribuição não é cronológica, mas substantiva:

  1. (יְהוֹשֻעַ / Yĕhôshúa‘)— Josué
  2. (שֹׁפְטִים / Shophtim)—Juízes
  3. (שְׁמוּאֵל / Shmû’ēl)—Samuel
  4. (מְלָכִים / M'lakhim)—Reis
  5. (יְשַׁעְיָהוּ / Yĕsha‘ăyāhû)— Isaías
  6. (יִרְמְיָהוּ / Yirmyāhû)— Jeremias
  7. (יְחֶזְקֵאל / Yĕkhezqiēl)— Ezequiel

Os Doze profetas menores (תרי עשר, Trei Asar, "Os doze") são considerados apenas um livro:

  1. (הוֹשֵׁעַ / Hôshēa‘)—Oseias
  2. (יוֹאֵל / Yô’ēl)—Joel
  3. (עָמוֹס / ‘Āmôs)—Amós
  4. (עֹבַדְיָה / ‘Ōvadhyāh)—Obadias
  5. (יוֹנָה / Yônāh)—Jonas
  6. (מִיכָה / Mîkhāh)—Miqueias
  7. (נַחוּם / Nakḥûm)—Naum
  8. (חֲבַקּוּק /Khăvhakûk)—Habacuque
  9. (צְפַנְיָה / Tsĕphanyāh)—Sofonias
  10. (חַגַּי / Khaggai)—Livro de Ageu
  11. (זְכַרְיָה / Zkharyāh)—Zacarias
  12. (מַלְאָכִי / Mal’ākhî)—Malaquias

Ketuvim[editar | editar código-fonte]

Ketuvim (כְּתוּבִים, "Escritos") consiste em onze livros:

Livros poéticos[editar | editar código-fonte]

  1. Tehillim (Salmos) תְהִלִּים
  2. Mishlei (Provébios) מִשְׁלֵי
  3. Iyyôbh () אִיּוֹב

Nos manuscritos massoréticos (e em algumas edições impressas), Salmos, Provérbios e Jó são apresentadas em uma forma de duas colunas especiais que enfatiza as paralelas stich nos versos, que são uma função da sua poesia. Coletivamente, esses três livros são conhecidos como Sifrei Emet (um acrônimo dos títulos em hebraico: איוב, משלי, תהלים produzindo assim Emet (אמ"ת), que em hebraico significa "verdade").

Estes três livros são também os únicos no Tanak com um sistema especial de notas de cantilação que são projetadas para enfatizar pontos paralelos dentro dos versos. No entanto, o começo e o fim do livro de Jó estão no sistema normal de prosa.

Shir-Hashirim-Elihu-Shannon

Cinco pergaminhos (Hamesh Megillot)[editar | editar código-fonte]

Os Cinco Megillot (Hamesh Megillot) são lidos em voz alta na sinagoga em ocasiões especiais, como pode ver abaixo.

  1. Shīr Hashīrīm (Cântico dos Cânticos) שִׁיר הַשִׁירִים (Passover)
  2. Rūth (Rut) רוּת (Shavuot)
  3. Eikhah (Lamentações) אֵיכָה (Tisha B'Av) - Também chamado Kinnot em hebraico.
  4. Qōheleth (Eclesiastes) קֹהֶלֶת (Sukkot)
  5. Estēr (Ester) אֶסְתֵר (Purim)

Os cinco livros relativamente curtos: Cântico dos Cânticos, Rute, Lamentações, Eclesiastes e Ester são coletivamente conhecidos como Hamesh Megillot (Os cinco rolos). Estes são os livros mais recentes coletados e designados como "autoritativos" no cânone judaico, com as partes mais recentes tendo datas que vão até o segundo século a.C. Esses pergaminhos são tradicionalmente lidos ao longo do ano em muitas comunidades judaicas.

Além dos três livros poéticos e dos cinco rolos, os livros restantes em Ketuvim são Daniel , Esdras-Neemias e Crônicas. Embora não haja um agrupamento formal para esses livros na tradição judaica, eles, no entanto, compartilham uma série de características distintivas.

  1. Suas narrativas descrevem abertamente eventos relativamente tardios (isto é, o cativeiro babilônico e a subsequente restauração de Sião).
  2. A tradição talmúdica atribui autoria tardia a todos eles.
  3. Dois deles (Daniel e Esdras) são os únicos livros no Tanak com partes significativas em aramaico .

Os livros de relatos[editar | editar código-fonte]

  1. Dānî'ēl (Daniel) דָּנִיֵּאל
  2. ‘Ezrā (EsdrasNeemias) עֶזְרָא
  3. Divrei ha-Yamim (Crônicas) דִּבְרֵי הַיָּמִים

A tradição textual judaica nunca finalizou a ordem dos livros em Ketuvim. O Talmude Babilônico (Bava Batra 14b — 15a) dá sua ordem como Rut, Salmos, Jó, Provérbios, Eclesiastes, Cantares de Salomão, Lamentações, Jeremias, Daniel, Meguilá Ester, Esdras e Crônicas.

No códices Massorético Tiberiano, incluindo o Códice de Aleppo e o Códice de Leninegrado, dão sua ordem como Crônicas, Salmos, Jó, Provérbios, Rut, Cântico de Salomão,[Notas 6] Eclesiastes, Lamentações de Jeremias, Ester, Daniel, Esdras

Tanach Ram - Bereshit

Traduções[editar | editar código-fonte]

Comentários judaicos[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Comentaristas judeus da Torá

Existem duas abordagens principais para estudar e comentar o Tanak. Na comunidade judaica, a abordagem clássica é o estudo religioso da Torá, onde se supõe que a Torá é divinamente inspirada.

Outra abordagem é estudar a Torá como uma criação humana. Nesta abordagem, os estudos podem ser considerados como um sub-campo de estudos religiosos. A prática posterior, quando aplicada à Torá, é considerada heresia pela comunidade judaica ortodoxa. Como tal, muitos comentários bíblicos modernos escritos por autores não-ortodoxos são considerados proibidos pelos rabinos que ensinam em yeshivas ortodoxas.

Alguns comentadores rabínicos clássicos, como Abraham Ibn Ezra, Ralbag e Maimônides, usaram muitos elementos da crítica bíblica contemporânea, incluindo seu conhecimento de história, ciência e filologia. Seu uso da análise histórica e científica da Bíblia foi considerado aceitável pelo judaísmo histórico devido ao compromisso de fé do autor com a idéia de que Deus revelou a Torá a Moisés no Monte Sinai.

A comunidade judaica ortodoxa moderna permite que uma ampla gama de críticas bíblicas sejam usadas para livros bíblicos fora da Torá, e alguns comentários ortodoxos agora incorporam muitas das técnicas encontradas anteriormente no mundo acadêmico, por exemplo, a série Da'at Miqra. Judeus não ortodoxos, incluindo os afiliados ao judaísmo conservador e ao judaísmo reformista, aceitam abordagens tradicionais e seculares aos estudos bíblicos. "Comentários judaicos sobre a Bíblia", discute os comentários judaicos do Tanak e do Targum à literatura rabínica clássica, a literatura do Midrash, os comentaristas medievais clássicos e os comentários modernos.[Notas 7]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Concordância de Strong 4744.Miqra: é uma convocação, convocando, lendo. Palavra original: מִקְרָא Parte do discurso: Substantivo masculino. Transliteração: miqra - Ortografia fonética: (mik-raw') Definição abreviada: convocação
  2. ESTUDOS BÍBLICOS Mikra: Texto, Tradução, Leitura e Interpretação. Quarterly teológico irlandês de Norton.2007; 72: 305-306
  3. McDonald & Sanders, The Canon Debate, 2002, página 5, são citados Judaísmo de Neusner e Cristianismo na Era de Constantino, páginas 128–145, e Midrash em Contexto: Exegese no Judaísmo Formativo, páginas 1–22.
  4. (Bava Batra 14b-15a, Rashi para Megillah 3a, 14a)
  5. O termo "Menores" aqui empregado é referente ao tamanho dos texto e de forma alguma um nivelamento entre ambos.
  6. ou Cantares ou Cântico Superlativo. É o Shir HaShirim.
  7. Literatura rabínica clássica compreende todas as antigas compilações literárias dos judeus que transmitem as tradições dos tannaim (70-200 dC ) e amoraím (do século III a V e.C) rabinos na Palestina e Babilônia: a Mishná, a Tosefta, o Talmud Palestino e Babilônico, e vários midrashim. Consequentemente, a literatura rabbínica deve ser vista como uma literatura coletiva e não autoral, transmitindo uma ampla variedade de visões e ensinamentos parcialmente divergentes e contraditórios, em vez de fornecer um esboço sistemático linear do ponto de vista de um indivíduo em particular. O estudo crítico da literatura rabínica começou no século XIX com o chamado Wissenschaft des Judentums (Ciência do Judaísmo), cujos representantes começaram a aplicar aos textos rabbínicos com métodos históricos e filológicos que também eram usados em outros campos das humanidades. A aplicação de métodos e teorias de áreas afins, como a teoria literária, permite ver os textos de uma nova perspectiva. Literatura Rabínica Clássica Catherine Hezser O manual de Oxford de estudos judaicos Editado por Martin Goodman Imprimir data de publicação: Dez 2004 Sujeito: Religião, Judaísmo, Estudos Literários e Textuais, Teologia e Filosofia da Religião Data de Publicação Online: Set 2009 DOI: 10.1093 / oxfordhb / 9780199280322.013.0006

Referências

  1. "Tanach". Random House Webster's Unabridged Dictionary.
  2. «Mikra'ot Gedolot» 
  3. Davies, Philip R. (2001). «The Jewish Scriptural Canon in Cultural Perspective». In: McDonald, Lee Martin; Sanders, James A. The Canon Debate. [S.l.]: Baker Academic. p. PT66. ISBN 978-1-4412-4163-4  "With many other scholars, I conclude that the fixing of a canonical list was almost certainly the achievement of the Hasmonean dynasty."
  4. Midrash RabbáMidrash Qoheleth 12:12
  5. «mater lectionis | Definition of mater lectionis in English by Oxford Dictionaries». Oxford Dictionaries | English. Consultado em 13 de abril de 2018. 
  6. Kelley, Page H., The Masorah of Biblia Hebraica Stuttgartensia, Eerdmans, 1998, ISBN 0-8028-4363-8, p. 20
  7. John Gill (1767). A Dissertation Concerning the Antiquity of the Hebrew Language: Letters, Vowel-points, and Accents. [S.l.]: G. Keith. pp. 136–137  tabém pages 250–255
  • Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em inglês, cujo título é «Tanakh».
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Veja também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]