Baal

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Baal (desambiguação).
Baal
Deus do clima, fertilidade, chuva, vento, raio, mar e guerra
Baal thunderbolt Louvre AO15775.jpg
Estela representando à Baal com um raio encontrando nas ruínas de Ugarite.
Outro(s) nome(s) Ba'al
Morada Canaã
Ugarite
Cônjuge(s) Anate, Astarote, Aserá, Arsai, Talai e Pidrai
Pais Dagom ou El
Irmão(s) Anate (irmã)
Romano equivalente Júpiter
Grego equivalente Zeus
Mesopotâmico equivalente Adade

Baal ou Ba'al (em hebraico: בַּעַל) é um teônimo e título honorífico que significa senhor nos idiomas semíticos do Noroeste falados no Levante durante a Idade Antiga.[1] Baal, com o artigo definido, o Baal,[2] era o nome do principal deus masculino dos fenícios[1][2] e cartagineses além de uma deidade maior entre outros povos da Palestina,[2] e aparece na Bíblia no plural, como baalim.[1] Pelo seu uso comum, Baal é referência a vários deuses do Levante como, por exemplo, Moloque.[1][2] Os eruditos anteriormente associaram o teônimo com cultos ao Sol e com uma variedade de divindades patronais não relacionadas, mas inscrições mostraram que o nome Ba'al estava particularmente associado com o deus da tempestade e da fertilidade Adade e suas manifestações locais.[3][4]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O termo em grego Báal ( Βάαλ ) aparece no Novo Testamento (Romanos 11:4) e na Septuaginta[5] e sua forma latinizada Baal, aparece na Vulgata.[5] Essas formas, por sua vez, derivam da forma semítica do noroeste sem vogais BʿL (fenício e púnico: 𐤁𐤏𐤋)[6] O sentido bíblico da palavra como denotando uma divindade fenícia e falsos deuses em geral foi estendido durante a Reforma Protestante para denotar quaisquer ídolos, ícones dos santos ou da Igreja Católica em geral.[7]  

Nas línguas semíticas do noroeste, ugarítico, fenício, hebraico, amorreu e aramaico, a palavra baʿal significava "proprietário" e, por extensão, "senhor",[8] "mestre" ou "marido".[4][9][10] Cognatos incluem o Bēlu (𒂗) acádio,[a] bal amárico ( ባል ),[11] e baʿl árabe (بَعْل). Baal (בַּעַל) e baʿl ainda servem como palavras para "marido" em hebraico moderno e árabe, respectivamente. Eles também aparecem em alguns contextos relativos à propriedade de coisas ou posse de características.

A forma feminina é ba'alah (em hebraico: בַּעֲלָה;[12] em árabe: بَعْلَة), significa "senhora" no sentido de uma dona ou dona da casa[12] e ainda serve como uma palavra rara para "esposa".[13]

Culto[editar | editar código-fonte]

As estátuas erguidas a Baal eram chamadas de Baalim, ou B'alim. Seus templos e altares eram construídos no alto dos morros sob árvores, ou no teto das casas.[2]

Havia uma grande quantidade de sacerdotes, que queimavam incenso, sacrificavam crianças, dançavam em torno do altar, e, caso suas preces não fossem atendidas, cortavam-se até o sangue jorrar, de forma a conseguir a compaixão de Baal.[2]

Possivelmente, na origem Baal era o verdadeiro senhor do Universo, degenerado depois para a adoração de um ser poderoso que existia no mundo material. Segundo Sanconíaton, os fenícios adoravam o Sol como o único senhor dos céus, e que este Beelsamen era idêntico a Zeus. Na Septuaginta, Baal é transcrito como Héracles.[2]

Segundo alguns mitologistas, Baal era o planeta Saturno ou Júpiter.[2]

Fenícios e cartagineses[editar | editar código-fonte]

Ver também: Ba'al Hammon

O nome do deus parece constar de uma inscrição encontrada em Malta, como Malkereth Baal Tuor, ou Rei da Cidade, Senhor de Tiro. O nome Malkereth é uma contração de Rei da Cidade, sugerindo que Baal e Moloque eram o mesmo ídolo.[2]

Assim como entre os germânicos e gregos, os fenícios e cartagineses compuseram vários nomes usando o equivalente de Deus: Ethbaal, com ele Baal, Jerubaal, Baal vai sustentá-lo, Aníbal, graça de Baal, Asdrúbal, ajuda de Baal.[2]

Israelitas[editar | editar código-fonte]

Os israelitas o adoravam como Baal-Peor, até o tempo de Samuel, e foi o deus oficial das dez tribos na época de Acabe. Ele foi adorado também em Judá, e seu culto só terminou, conforme a Bíblia, com os rigores do cativeiro na Babilônia. Havia vários sacerdotes de Baal, de várias classes. Seu culto é descrito em I Reis 18:28.[1]

Várias cidades de Israel tem o nome de Baal em sua formação: Baal-Gade, Baal-Hammon, Baal-Tamar, etc.[2]

Cananeus[editar | editar código-fonte]

Estátua de bronze de Baal, datada dos séculos XIV–XII a.C., encontrada em Ras Shamra (antiga Ugarite), perto da costa da Fenícia. Museu do Louvre.

O deus-sol, com o título genérico de Baal, era o principal deus dos cananeus. Cada local tinha o seu Baal, e todos eles eram chamados de Baalim, ou senhores. Cada Baal tinha sua esposa.[1]

O Ciclo de Baal é um conjunto de textos a respeito do Baal canaanita, datado de cerca de 1500–1370 a.C. e encontrado em placas de argila nos anos 1920, em Ugarit.[14]

Moabitas[editar | editar código-fonte]

Em Moabe, no Monte Peor, Baal era adorado como Baal-Peor, identificado como Príapo.[2]

Egípcios[editar | editar código-fonte]

Segundo A. H. Sayce, Amenófis IV havia sido influenciado pelas religiões semitas, por sua ligação com Mitani, e o deus que ele tentou forçar sobre seus súditos, o disco solar alado, era Baal.[15]

Cristãos[editar | editar código-fonte]

Segundo os escritores judeus medievais, cultuar Baal era a expressão usada para designar os rituais da religião cristã. Segundo o rabino Joseph ben Josua ben Meir, Clóvis havia renegado seu deus e passado a adorar Baal, e construiu um lugar alto para adorá-lo em Paris como Baal-Dionísio, ou seja, a Basílica de Saint-Denis.[16] O rabino José também cita Vicente, da seita do Baal Dominie, ou seja, um frei dominicano, que foi um Satanás para os judeus da Espanha, por volta de 1430.[2]

Baal bíblico[editar | editar código-fonte]

Relato bíblico[editar | editar código-fonte]

Em Canaã, os Hebreus lutaram em várias épocas contra a adoração do deus Baal. No Livro dos Juízes (da Bíblia Hebraica), o hebreu Gideão destrói os altares de Baal e a árvore de Aserá pertencente aos Midianitas.[17]

Mais tarde, o profeta Elias, no século IX a.C., condenou o Rei Acabe por adorar Baal.[18]

Outros homônimos[editar | editar código-fonte]

Mica, seu filho; Reaías, seu filho; Baal, seu filho;[19]

Referências bíblicas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Este cuneiforme é idêntico ao Predefinição:Colchete angular que é interpretado como EN em textos Sumerian. Lá, ele tem o significado "sumo sacerdote" ou "senhor" e aparece nos nomes dos deuses Enqui e Enlil.

Referências

  1. a b c d e f Easton's Bible Dictionary, Baal [em linha]
  2. a b c d e f g h i j k l m George Long, The Penny Cyclopædia of the Society for the Diffusion of Useful Knowledge: v. 1-27, Volume 3 (1835), Baal p.220 [em linha]
  3. FREEDMAN, David Noel (1992). The Anchor Yale Bible Dictionary. 1. Nova York: Doubleday. ISBN 978-0300140019 
  4. a b Lendering, Jona. «Ba'al - Livius». www.livius.org. Consultado em 3 de janeiro de 2021 
  5. a b Toorn, Karel van der; Becking, Bob; Horst, Pieter Willem van der (1999). Dictionary of Deities and Demons in the Bible (em inglês). [S.l.]: Wm. B. Eerdmans Publishing 
  6. Huss (1985), p. 561.
  7. Oxford English Dictionary (1885), "Baalist, n."
  8. Herrmann (1999a), p. 132.
  9. Skolnik, Fred,; Berenbaum, Michael, 1945- (2007). Encyclopaedia Judaica (em inglês) 2nd ed ed. Detroit: Macmillan Reference USA in association with the Keter Pub. House. OCLC 70174939 
  10. Olmo Lete, Gregorio del,; Sanmartín, Joaquín,; Watson, Wilfred G. E.,. A dictionary of the Ugaritic language in the alphabetic tradition. Part One, Aʼ/Iʼ/Uʼ (em inglês) Third revised edition ed. Leiden: [s.n.] OCLC 903858723 
  11. Kane, Thomas Leiper (1990). Amharic-English dictionary (em inglês). [S.l.]: Otto Harrassowitz Verlag 
  12. a b Strong, James (1890). Strong's Exhaustive Concordance of the Bible [Concordância de Strong🔗 (em inglês). [S.l.: s.n.] 
  13. Hans, Wehr (1976). A dictionary of modern written Arabic 3ª ed. Ithaca, New York: Thomas Leiper Kane Collection (Library of Congress. Hebraic Section). p. 67. OCLC 2392664 
  14. Pinto, P. M. (2010). Baal, ADN de Deus: a génese do conceito de Deus Único, no mundo da Bíblia, à luz do Ciclo de Baal. Série Monográfica de Ciência das Religiões, v. 4 / Lusitania Biblica, série Estudos, v. 1, Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, [1].
  15. Archibald Henry Sayce, Records of the Past, 2nd series, Vol. III (1890), Letters to Egypt from Babylonia, Assyria and Syria, in the Fifteenth Century B.C. [em linha]
  16. Yôsēf (hak-Kohēn.) (1836). The Chronicles of Rabbi Joseph Ben Joshua Ben Meir, the Sphardi (em inglês). [S.l.]: Oriental Translation Fund 
  17. Juízes 6:32
  18. 1 Reis 18:21
  19. 1 Crónicas 5:5