Livro de Esdras

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O Livro de Esdras é um dos livros históricos do antigo testamento da Bíblia, vem depois de II Crônicas e antes de Livro de Neemias.[1] [2] Possui dez capítulos. Conta a história repatriados, desde o retorno do exílio até o ano 400 AC [3] tendo por foco a vida de Esdras, copista das Escrituras Hebraicas, a saída do retorno do exílio (cativeiro) de Babilônia.

Origem[editar | editar código-fonte]

Os livros de Esdras e Neemias formavam apenas um único Livro de Esdras[4] , composto antes de I Crônicas e II Crônicas[5] , como se verifica na Bíblia Hebraica e na Bíblia dos Setenta, sendo que a Igreja Ortodoxa Grega) também conta com um livro denominado Esdras I[6] , inexistente na Bíblia adotada pela Igreja Católica, que costuma referir-se a este outro livro como Esdras III (apócrifo), enquanto que os livros de Esdras e de Neemias são reunidos, na Bíblia dos Setenta, em um único livro chamado de Esdras II[7] .

A Tradução Ecumênica da Bíblia sustenta que haveria um único autor para I Crônicas, II Crônicas, Esdras e Neemias[4] , que seria provavelmente um levita[8] , e que sua redação não teria ocorrido antes de 350 AC nem depois de 250 AC, mas haveria adições posteriores a 200 AC[9] .

Perspectiva panorâmica (sumário)[4] [editar | editar código-fonte]

  • Lista dos deportados repatriados - Esdras 2

Perspectiva teológica[editar | editar código-fonte]

Duas grandes mensagens emergem de Esdras: a fidelidade de Deus e a infidelidade do homem.

Deus havia prometido através do Profeta Jeremias (25.12) que o Cativeiro babilônico teria duração limitada. No momento apropriado, cumpriu fielmente a sua promessa e induziu o espírito do rei Ciro II a publicar um édito para o retorno dos exilados (1.1-4).

Fielmente, concedeu a liderança a Zorobabel e Esdras, e os exilados são enviados com despojos, incluindo itens que haviam sido saqueados do templo de Salomão (1.5-10)

Quando o povo desanimou por causa da zombaria dos inimigos, Deus fielmente levantou Ageu e Zacarias para encorajar o povo a completar a obra. O estímulo dos profetas trouxe resultados (5.1,2).

Finalmente, quando o povo se desviou das verdades da sua palavra, Deus fielmente enviou um sacerdote dedicado que habilidosamente instruiu o povo na verdade, chamando-o à confissão de pecado e ao arrependimento dos seus caminhos perversos (caps. 9-10).

A fidelidade de Deus é contrastada com a infidelidade do povo. Apesar do seu retorno e das promessas divinas, o povo se deixou influenciar pelos seus inimigos e desistiu temporariamente (4.24).

Posteriormente, depois de completada a obra, de forma que pudesse adora a Deus em seu próprio templo (6.16.18), o povo se tornou desobediente aos mandamentos de Deus; desenvolve-se uma geração inteira cujas “iniqüidades se multiplicaram sobre as vossas cabeças” (9.6). Contudo, como foi dito acima, a fidelidade de Deus triunfa em cada situação.

Perspectiva histórica[10] [editar | editar código-fonte]

  • 539 AC: Ciro II derrota a Babilônia
  • 538 AC: Edito de Ciro II, permitindo a repatriação dos exilados Esd 1
  • 536 AC: Preparativos para a reconstrução do Templo; obstáculos internos e externos Esd 4-Esd 5
  • 518 AC: Obras do Templo interrompidas e retomadas Esd 5-Esd 6
  • 515 AC: Dedicação do Templo Esd 6
  • 448 AC: Uma colônia de judeus muda para Jerusalém Esd 4,8-22

Perspectiva política[editar | editar código-fonte]

A obra procura mostrar a reconstrução da comunidade judaica, reunida em Jerusalém e centrada no culto e na lei. Sob o domínio persa, foi concedida aos judeus uma oportunidade para recuperar e preservar a sua identidade como povo: a tradição religiosa dos antepassados, que agora se transforma em lei. No contexto pós-exílico, o Templo passa a ser o centro da vida da comunidade, como lugar de culto e da transmissão da lei, que fornecem a estrutura social da comunidade[3] .

A obra não se resume a uma narrativa, pois pretende discutir e abrir perspectivas sobre a estrutura da própria comunidade judaica, sendo que a questão central é determinar qual a liderança que vai governar, nesse contexto, quando se propõe reestruturar a sociedade a partir da religião, a primeira conclusão é que os sacerdotes devem liderar o povo, no entanto, resta determinar o sacerdócio legítimo[3] .

No exílio, os sacerdotes tinham elaborado complicadas genealogias para ligar Sadoc a Aarão, o que indicava a legitimidade dos descendentes de Sadoc, no entanto, restava resolver a questão da legitimidade dos levitas, que também seriam descendentes diretos de Aarão[3] .

Desde o tempo de Salomão, os levitas tinham sido expulsos do Reino de Judá 1Rs 2,26-27 e passaram a exercer suas atividades entre as tribos do Norte, que formaram o Reino de Israel Setentrional. Ligados aos profetas, eles preservaram e produziram tradições que formaram o Livro do Deuteronômio, o qual influenciou grandes reformas no Reino de Judá, entretanto, depois do exílio, esses levitas se viram reduzidos a meros empregados dos sacerdotes[3] .

O autor dessa obra, que provavelmente era um levita, busca reabilitar historicamente a figura do levita e, assim, reivindicar sua importância ao lado do sacerdócio para o governo da comunidade, mas seu objetivo não se resume a defender o interesse dos levitas, o que se pretende é resgatar a tradição profética, conservada pelos levitas, a fim de que a comunidade judaica não fique reduzida ao culto formal, mas seja capaz de se organizar socialmente, segundo o projeto de Javé, dentro da legítima tradição do Livro do Êxodo[3] .

Essa tradição fora transmitida pelos levitas, que procuravam atualizá-la e aplicá-la às situações concretas, visando sempre em primeiro lugar à causa do povo e à defesa de uma sociedade justa e igualitária, pode-se, portanto, dizer que essa obra histórica é uma grande reivindicação para a reabilitação daqueles que se colocam como defensores dos interesses do povo, protegendo-o de possíveis arbitrariedades, tanto internas como externas[3] .

Referências

  1. Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português). 2 ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. 1133 p. 2 vol. ISBN 978-85-276-0347-8
  2. Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português). 23 ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. 439 p. ISBN 978-85-7367-134-6
  3. a b c d e f g A História desde de Adão até a Fundação do Judaísmo, acessado em 24 de julho de 2010
  4. a b c Tradução Ecumênica da Bíblia, Ed. Loyola, São Paulo, 1994, pp 1.399
  5. Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 548
  6. Qual a verdadeira Bíblia?, acessado em 25 de julho de 2010
  7. Bíblia de Jerusalém, cit., p 547
  8. Tradução Ecumênica da Bíblia, cit., p 1.442
  9. Tradução Ecumênica da Bíblia, cit., pp 1.439-1.440
  10. Esdras e Neemias, acessado em 24 de julho de 2010

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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