Livros deuterocanônicos

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Deuterocanônico (português brasileiro) ou deuterocanónico (português europeu), chamados apócrifos ou pseudo-canônico por protestantes, refere-se a alguns livros que estão presentes na Septuaginta, e por isso tidos como inspirados pelos primeiros cristãos, e que foram reafirmados como inspirados por Deus no Concílio de Roma em 382 d.C., de Hipona em 393 d.C., III Concílio de Cartago em 397, e no Concílio de Trento no ano de 1546, deste último não participou a Igreja Ortodoxa, sendo, porém contestados pelos protestantes, sucessores de Lutero e Calvino[carece de fontes?], e ao fim do século XVIII retirados da maioria das denominações[carece de fontes?].

Durante algum tempo os deuterocanônicos não se restringiam apenas ao Antigo Testamento, alguns dos primeiros reformadores protestantes teria considerado apócrifos também livros (Hebreus, Tiago, Judas, 2 Pedro, 2 e 3 João e Apocalipse) e o trecho final do livro do Evangelho de Marcos, mas que logo veio o reconhecimento[carece de fontes?]. No Brasil, na tradução de Almeida do ano de 1681, já constavam os livros de Hebreus, Tiago, Judas, 2 Pedro, 2 e 3 João e Apocalipse, o que evidencia que antes de 1681, as bíblias protestantes europeias já consideravam os livros supracitados como inspirados. Outra referencia dos livros citados acima nas bíblias protestantes é a bíblia King James do ano 1769.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O termo "deuterocanônico" é formado pela raiz grega deutero (segundo) e canônico (que faz parte do Cânon, isto é do conjunto de livros considerados inspirados por Deus e normativos por uma religião ou igreja). Assim, o termo é aplicado a livros e partes de livros bíblicos que só num segundo tempo foram considerados como canônicos.

Utilização teológica[editar | editar código-fonte]

O adjetivo "deuterocanônico" é originalmente aplicado a estes textos pelos cristãos, por considerarem que foram adicionados num segundo momento da História do Cristianismo como inspirados e fazendo parte integral somente da Bíblia Católica, mas não da dos Protestantes (Evangélicos). Sendo também a terminologia teológica correta aplicada a esse conjunto de livros. Somente a Igreja Católica Apostólica, utiliza-se dos livros deuterocanônicos em suas Bíblias como sendo inspiradas (canônicas). Esses livros são considerados patrimônios históricos, tendo portanto algum valor literário e religioso. Martinho Lutero, reconhecendo a importância de se conhecer os mesmo, incluiu na sua tradução da Bíblia para o alemão estes livros em apêndice.[1]

Além da Igreja Católica Apostólica, outras igrejas utilizam-se dos livros Deuterocanônicos em suas Bíblias,como exemplo temos:

  • A Igreja Anglicana
  • Igrejas Ortodoxas: Copta, Siríacas (ou Siriana, ou Síria), Grega e Russa;
  • A Igreja Maronita.

O assunto da autenticidade e do valor teológico desses livros foi tratado em vários concílios e documentos papais, sobretudo em 1545-1563dC. - Concílio de Trento, Ecumênico - Declara definitivamente o cânon de 46 livros no at e fere de anátema quem os rejeitar.

Lista dos livros deuterocanônicos do Antigo testamento e Novo testamento[editar | editar código-fonte]

São deuterocanônicos (ou apócrifos pelos Protestantes) do Antigo Testamento e do Novo Testamento os seguintes livros bíblicos:

Antigo Testamento

Fora os livros deuterocanônicos podemos também encontrar fragmentos deuterocanônicas dentro de livros canônicos como:

Origem dos deuterocanônicos do Antigo Testamento[editar | editar código-fonte]

Os livros deuterocanônicos foram escritos entre Malaquias e Mateus, ou seja, numa época em que segundo o historiador judeu Flávio Josefo, cessara por completo a revelação divina.

Os textos deuterocanônicos, atrás referidos, chegaram até nós apenas em grego (alguns escritos originalmente nessa língua, outros traduzidos duma versão hebraica, que se perdeu), fazendo parte da chamada Bíblia dos Setenta, ou Septuaginta, a tradução da Bíblia em grego, feita por volta do séc. III a.C, para uso dos judeus da Diáspora, e adotada pelos cristãos desde o início como seu texto bíblico de referência. Tais textos não se encontram, pois, na Bíblia Hebraica ou Tanakh.

Num famoso encontro de rabinos judeus, o chamado Concílio de Jâmnia, realizado nos finais do séc. I d.C, destinado a procurar um rumo para o judaísmo, após a destruição do Templo de Jerusalém, no ano 70 d.C, os participantes decidiram considerar como textos canônicos do judaísmo apenas os que existiam em língua hebraica e que remontassem ao tempo do profeta Esdras.

Apesar da crítica moderna afirmar que vários livros que constam no Cânon Hebraico são posteriores ao tempo de Esdras (como é o caso do Livro de Daniel), os estudiosos explicam que os Fariseus não dispunham do método científico que existe hoje para se datar uma obra, ou mesmo para se atribuir a ela um autor. De qualquer forma, os critérios por eles adotados excluíram os livros deuterocanônicos do Cânon Hebraico (ou Judaico).

Os Deuterocanônicos do Novo Testamento[editar | editar código-fonte]

Houve livros e trechos do Novo Testamento considerados deuterocanônicos pelos católicos e apócrifos por muitos grupos protestantes, os livros de Tiago, Judas, Hebreus, Apocalipse, 2 Pedro e 2 e 3 João, assim como trechos do Novo Testamento.

Lutero chegou até mesmo a duvidar da canonicidade das epístolas aos Hebreus, Tiago, Judas e Apocalipse, que na sua tradução da Bíblia para o Alemão deixou-os num apêndice sem numeração de páginas e considerados como apócrifos.

Em 1545, o catolicismo romano convoca o Concílio de Trento, que definitivamente reafirma em caráter canônico do Cânon Alexandrino do século III a.C.

No início não houve consenso entre os Protestantes sobre o Cânon do AT e do NT. O Rei Jaime I da Inglaterra, responsável pela famosa tradução KJV (King James Version), defendia que os Deuterocanônicos, bem como os protestantes da Inglaterra também concordavam, deveriam continuar constando nas Bíblias Protestantes. No Brasil, na tradução de Almeida do ano de 1681, já constavam os livros de Hebreus, Tiago, Judas, 2 Pedro, 2 e 3 João e Apocalipse,

Os deuterocanônicos e a Igreja da Idade Contemporânea[editar | editar código-fonte]

Os cristãos protestantes têm denominado esses livros do AT como "apócrifos" por que neles existem incoerências e falta de concretização de fatos narrados nesses livros, e não admitem a utilização dos mesmos nas suas listas, não os considerando divinamente inspirados.

Outro argumento apontado é de que foram escritos no período intertestamentário (período de 400 anos compreendidos entre o Novo e o Velho testamento), ou seja em um período que segundo os teólogos reformadores Deus não teria levantado nenhum profeta (também conhecido como "silêncio profético").

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BITTENCOURT, Benedito P. O Novo Testamento – Cânon – Língua – Texto. São Paulo: Aste, 1965.
  • PASQUERO, Fedele. O Mundo da Bíblia, Autores Vários. São Paulo: Paulinas, 1986.
  • ROST, Leonard. Introdução aos Livros Apócrifos e Pseudo-Epígrafos do Antigo Testamento. São Paulo: Paulinas, 1980.
  • SHELLEY, Bruce L. História do Cristianismo ao alcance de todos: uma narrativa do desenvolvimento da Igreja Cristã através dos séculos. São Paulo: Shedd, 2004.
  • ALMEIDA, João F. TRADUÇÃO DA BÍBLIA EM PORTUGUÊS - ANO 1681.
  • A Bíblia King James em um único arquivo (Oxford Standard Text, 1769)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. http://www.ewtn.com/vexperts/showmessage.asp?number=438095&Pg=Forum9&Pgnu=1&recnu=5 (php) (em inglês). Ewtn.com. Página visitada em 26/02/11.