Traduções da Bíblia em língua portuguesa

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Ainda que os temas bíblicos tenham sido substância formativa essencial da cultura portuguesa, é tardia a composição nesse idioma de uma tradução integral da Bíblia, em comparação com as demais línguas europeias. Os primórdios da transmissão escrita do texto sagrado em português, paralelamente ao seu uso litúrgico tradicional em latim, relacionam-se à progressiva aceitação social do vernáculo como língua de cultura, no período baixo-medieval. E mesmo que a oficialização da língua vulgar pela monarquia portuguesa remonte a fins do século XIII, durante o reinado de D. Dinis, a escritora Carolina Michaëlis de Vasconcelos (1851-1925), por exemplo, pôde sentenciar categoricamente que, no período medieval, “a literatura portuguesa, em matéria de traduções bíblicas, é de uma pobreza desesperadora” – juízo que continua válido, segundo os especialistas.

A primeira tradução completa da Bíblia em língua portuguesa foi composta a partir de meados do século XVII, em regiões específicas do sudeste asiático sob o domínio da Companhia Holandesa das Índias Orientais. O principal responsável por seu processo de elaboração foi João Ferreira A. d’Almeida (c. 1628-1691), natural do Reino de Portugal, mas residente entre os holandeses desde a juventude. A primeira edição de sua tradução do Novo Testamento foi impressa em Amsterdam, no ano de 1681, ao passo que os livros do Antigo Testamento foram publicados somente a partir do século XVIII, em Tranquebar e Batávia.[1]

Idade Média[editar | editar código-fonte]

A primeira tradução parcial da Bíblia que se tem notícia é a do rei Dinis de Portugal, conhecida como Bíblia de D. Dinis, que teve grande tiragem durante o seu reinado. É uma tradução dos 20 primeiros capítulos de Gênesis, a partir da Vulgata. Houve também traduções realizadas pelos monges do Mosteiro de Alcobaça, mais especificamente o livro de Atos dos Apóstolos.

Durante o reinado de D. João I de Portugal, este ordenou que fosse traduzida novamente a Bíblia no vernáculo. Foi publicada grande parte do Novo Testamento e os Salmos, traduzidos pelo próprio rei. A sua neta, D. Filipa, traduziu os evangelhos do francês. Bernardo de Alcobaça traduziu Mateus e Gonçalo Garcia de Santa Maria traduziu partes do Novo Testamento.

Em 1491 é imprimido o Comentários sobre o Pentateuco que, além do Pentateuco, tinha os Targumim sírios e o grego de Onquelos. O tipógrafo Valentim Fernandes imprime De Vita Christi, uma harmonia dos Evangelhos. Os "Evangelhos e Epístolas", compilados por Guilherme de Paris e dirigidos ao clero, são imprimidos pelo tipógrafo Rodrigo Álvares. Numa pintura de Nuno Gonçalves, aparece um rabino segurando uma Torá aberta.

Em 1505, a rainha Leonor ordena a tradução de Atos dos Apóstolos e as Epístolas de Tiago, Pedro, João e Judas. O padre Antonio Ribeiro dos Santos é responsável por traduções dos Evangelhos de Mateus e Marcos. Em 1529, é publicada em Lisboa uma tradução dos Salmos feita por Gómez de Santofímia, que teve uma 2ª edição em 1535. É bem possível, devido à proximidade com a Espanha, traduções em espanhol fossem conhecidas, como as de João Pérez de Piñeda, João de Valdés e Francisco de Enzinas. O padre jesuíta Luiz Brandão traduziu os quatro Evangelhos.

Durante a Inquisição houve uma grande diminuição das traduções da Bíblia para o português. A Inquisição, desde 1547 proibia a posse de Bíblias em línguas vernaculares, permitindo apenas a Vulgata latina, e com sérias restrições.

Por volta de 1530, António Pereira Marramaque, de uma família ilustre de Cabeceiras de Basto, escreve sobre a utilidade de verter a Bíblia em vernáculo. Poucos anos depois, é denunciado à Inquisição por possuir uma Bíblia na lingua vulgar.

Uma tradução do Pentateuco é publicada em Constantinopla em 1547, feita por judeus expulsos de Portugal e Castela. Abraão Usque, judeu português, traduziu e publicou uma tradução conhecida como a Bíblia de Ferrara, em espanhol. Teve que publicar em Ferrara, por causa de perseguição.

Tradução de João Ferreira de Almeida[editar | editar código-fonte]

A tradução feita por João Ferreira de Almeida é considerada um marco na história da Bíblia em português porque foi a primeira tradução do Novo Testamento a partir das línguas originais. Anteriormente supõe-se que havia versões do Pentateuco traduzidas do hebraico. De acordo com esses registros, em 1642, aos 14 anos, João Ferreira de Almeida teria deixado Portugal para viver em Málaca (Malásia). Ele havia ingressado no protestantismo, vindo do catolicismo, e transferia-se com o objetivo de trabalhar na Igreja Reformada Holandesa local. A sua conversão ao protestantismo ocorreu a partir da leitura de um panfleto espanhol intitulado "Diferença da Cristandade".[2]

Ele já conhecia a Vulgata, já que seu tio era padre. Após converter-se ao protestantismo aos 14 anos, Almeida partiu para a Batávia. Aos 16 anos traduziu um resumo dos evangelhos do espanhol para o português, que nunca chegou a ser publicado. Em Malaca traduziu partes do Novo Testamento também do espanhol.

Aos 17, traduziu o Novo Testamento do latim, da versão de Theodore Beza, além de ter se apoiado nas versões italiana, francesa e espanhola.

Aos 35 anos, iniciou a tradução a partir de obras escritas no idioma original. Não existe informações sobre como e onde ele aprendeu os idiomas do original. Usou como base o Texto Massorético para o Antigo Testamento e uma edição de 1633 (pelos irmãos Elzevir) do Textus Receptus. Utilizou também traduções da época, como a castelhana Reina-Valera. A tradução do Novo Testamento ficou pronta em 1676.

O texto foi enviado para a Holanda para revisão. O processo de revisão durou 5 anos, sendo publicado em 1681, após terem sido feitas mais de mil modificações[carece de fontes?]. A razão é que os revisores holandeses queriam harmonizar a tradução com a versão holandesa publicada em 1637. A Companhia das Índias Orientais ordenou que se recolhesse e destruísse os exemplares defeituosos. Os que foram salvos foram corrigidos e utilizados em igrejas protestantes no Oriente, sendo que um deles está exposto no Museu Britânico.

O próprio Almeida revisou o texto durante dez anos, sendo publicado após a sua morte, em 1693. Enquanto revisava, trabalhava também no Antigo Testamento. O Pentateuco ficou pronto em 1683. Há uma tradução dos Salmos que foi publicada em 1695, anexo ao Livro de Oração Comum, anônima, mas atribuída a Almeida. Almeida conseguiu traduzir até Ezequiel 48:12 em 1691, ano de sua morte, tendo Jacobus op den Akker completado a tradução em 1694.

A tradução completa, após muitas revisões, foi publicada em dois volumes, um 1748, revisto pelo próprio den Akker e por Cristóvão Teodósio Walther, e outro em 1753. Em 1819, a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira publica uma 3ª edição da Bíblia completa, em um volume.

Há também as edições impressas em na colônia dinamarquesa de Tranquebar, que datam de 1719 a 1765. São edições parciais da Bíblia, que foram obtidas à medida que os revisores terminavam seu trabalho.

Resumindo, foram impressas:

Pelo Presbitério da Igreja Reformada da Holanda em Jakarta:

  • O Novo Testamento (1ª edição); Amsterdã: Viúva de Joannes van Someren, 1681
  • O Novo Testamento (2ª edição); Batávia: Jan de Vries, 1693 [1]
  • O Novo Testamento (3ª edição); Amsterdã: Jan Crellius, 1712 [2]
  • O Pentateuco; Batávia: Oficina do Seminário, 1747
  • O Antigo Testamento, de Gênesis a Ester (vol. 1); Batávia: Oficina do Seminário (por M. Mulder), 1748 [3]
  • O Antigo Testamento, de Jó a Malaquias (vol. 2); Batávia: Oficina do Seminário (por G. H. Heusler e M. Mulder), 1753 [4]
  • O Novo Testamento, (4ª edição); Batávia: Egbert Heemen, 1773

Pela Real Missão da Igreja Evangélica Luterana da Dinamarca em Taraṅkampāṭi (= Impressões de Tranquebar):

  • O Pentateuco (Gênesis a Deuteronômio); Tranquebar: Oficina da Real Missão da Dinamarca, 1719
  • Os 12 Profetas Menores (Oséias a Malaquias); Tranquebar: Oficina da Real Missão da Dinamarca, 1732
  • Os Livros Históricos (Josué a Ester); Tranquebar: Oficina da Real Missão da Dinamarca, 1738
  • Os Salmos (1ª edição); Tranquebar: Oficina da Real Missão da Dinamarca, 1740
  • Os Salmos (reimpressão da 1ª edição); Tranquebar: Oficina da Real Missão da Dinamarca, 1742
  • Os Livros Dogmáticos (Jó aos Cânticos); Tranquebar: Oficina da Real Missão da Dinamarca, 1744
  • Os 4 Profetas Maiores (Isaías a Daniel); Tranquebar: Oficina da Real Missão da Dinamarca, 1751
  • O Pentateuco (Gênesis a Deuteronômio; reimpressão de 1719 ou, mais provavelmente, 2ª edição), Tranquebar: Oficina da Real Missão da Dinamarca, 1757
  • Os Evangelhos (Mateus a João); Tranquebar: Oficina da Real Missão da Dinamarca, 1760
  • O Novo Testamento; Tranquebar: Oficina da Real Missão da Dinamarca, 1765
  • Os Salmos (2ª edição); Tranquebar: Oficina da Real Missão da Dinamarca, 1810

O trabalho de João Ferreira de Almeida é para a língua portuguesa o que a Bíblia de Lutero é para a alemã, a Geneva Version - segundo Shakespeare - e a King James Version para a inglesa, a de Olivétan e as diversas edições e revisões de Genebra entre 1540 e 1686 para a francesa, a Statenvertaling para a holandesa, a de Diodati para a italiana e a Reina-Valera para a espanhola. No entanto, a única tradução moderna em Português, que utiliza os mesmos textos-base em grego e hebraico que foram utilizados por João Ferreira de Almeida, é a versão Almeida Corrigida Fiel, da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil. As demais traduções modernas, embora utilizem o nome "Almeida", como a Almeida Revista e Atualizada e Almeida Revista e Corrigida baseiam-se em maior ou menor grau nos manuscritos do chamado Texto Crítico, que passou a ser utilizado somente a partir do século XIX. Teófilo Braga, ao comentar sobre a versão original de Almeida, disse: "É esta tradução o maior e mais importante documento para se estudar o estado da língua portuguesa no século XVIII."

Tradução de António Pereira de Figueiredo[editar | editar código-fonte]

O Novo Testamento foi publicado entre 1778 e 1781, em seis volumes. O Antigo Testamento foi publicado entre 1782 e 1790, em 17 volumes. Após essa publicação, Figueiredo se pôs imediatamente à revisão de sua tradução. Entre 1791 e 1805 a Versão de Figueiredo revisada foi publicada, novamente em 23 volumes, e declarada pela gráfica, ou editora, como "Segunda Impressão revista, e Retocada pelo mesmo Author". A sigla FRR - Figueiredo Revista e Retocada se aplicaria.

Figueiredo iniciou o seu trabalho de revisão pelo Antigo Testamento cuja sua segunda edição foi publicado entre 1791 e 1804, de novo em 17 volumes, sob os títulos:

Testamento Velho, Traduzido em Portuguez segundo a Vulgata Latina, Illustrado de Prefações, Notas e Lições Variantes, por Antonio Pereira de Figueiredo, Deputado da Real Meza da Comissam Geral sobre o Exame, e Censura dos Livros (vols. 01 a 04),

Testamento Velho, Traduzido em Portuguez segundo a Vulgata Latina, Illustrado de Prefações, Notas e Lições Variantes, por Antonio Pereira de Figueiredo, Deputado Ordinario da Real Meza Censoria dos Livros (vols. 09 e 10), e

Testamento Velho, Traduzido em Portuguez segundo a Vulgata Latina, Illustrado de Prefações, Notas e Lições Variantes, por Antonio Pereira de Figueiredo (vols. 05 a 08 e 11 a 17):

  • Vol. 01: O Gênesis; Lisboa: Régia Oficina Tipográfica, 1791
  • Vol. 02: O Êxodo e Levítico; Lisboa: Régia Oficina Tipográfica, 1791
  • Vol. 03: Os Números e Deuteronômio; Lisboa: Régia Oficina Tipográfica, 1792
  • Vol. 04: Os Livros de Josué, Juízes e Ruth; Lisboa: Régia Oficina Tipográfica, 1793
  • Vol. 05: Os 2 Livros de Samuel, declarados segundo a tradição católica como Livros 1º e 2º dos Reis; Lisboa: Régia Oficina Tipográfica, 1795
  • Vol. 06: Os 2 Livros dos Reis, declarados segundo a tradição católica como Livros 3º e 4º dos Reis; Lisboa: Régia Oficina Tipográfica, 1796
  • Vol. 07: Os 2 Livros das Crônicas, declarados segundo a tradição católica como Livros 1º e 2º dos Paralipômenos; Lisboa: Régia Oficina Tipográfica, 1797
  • Vol. 08: Os Livros de Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester e Jó; Lisboa: Régia Oficina Tipográfica, 1798
  • Vol. 09: A primeira parte do Livro dos Salmos (Salmos 1 a 67 na contagem católica); Lisboa: Régia Oficina Tipográfica, 1782
  • Vol. 10: A segunda parte do Livro dos Salmos (Salmos 68 a 150 na contagem católica); Lisboa: Régia Oficina Tipográfica, 1782
  • Vol. 11: Os Livros dos Provérbios, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos; Lisboa: Régia Oficina Tipográfica, 1799
  • Vol. 12: Os Livros da Sabedoria e Eclesiástico; Lisboa: Oficina de Simão Tadeu Ferreira, 1799
  • Vol. 13: A Profecia de Isaías; Lisboa: Régia Oficina Tipográfica, 1800
  • Vol. 14: A Profecia de Jeremias e o Livro de Baruque; Lisboa: Régia Oficina Tipográfica, 1802
  • Vol. 15: A Profecia de Ezequiel; Lisboa: Régia Oficina Tipográfica, 1803
  • Vol. 16: A Profecia de Daniel e Os 12 Profetas Menores; Lisboa: Oficina de Simão Tadeu Ferreira, 1803
  • Vol. 17: Os 2 Livros dos Macabeus; Lisboa: Oficina de Simão Tadeu Ferreira, 1804

O Novo Testamento dessa mesma 2ª edição foi publicado, novamente em seis volumes entre 1801 e 1805, sob o título:

Novo Testamento, Traduzido em Portuguez segundo a Vulgata Latina, Illustrado de Prefações, Notas e Lições Variantes, por Antonio Pereira de Figueiredo

  • Vol. 1: Os Evangelhos de Mateus e Marcos; Lisboa: Oficina de Simão Tadeu Ferreira, 1805
  • Vol. 2: Os Evangelhos de Lucas e João; Lisboa: Oficina de Simão Tadeu Ferreira, 1805
  • Vol. 3: Os Atos dos Apóstolos e A Epístola de Paulo aos Romanos; Lisboa: Oficina de Simão Tadeu Ferreira, 1801
  • Vol. 4: As Epístolas de Paulo aos Coríntios, Gálatas e Efésios; Lisboa: Oficina de Simão Tadeu Ferreira, 1802
  • Vol. 5: As Epístolas de Paulo aos Filipenses, Colossenses, Tessalonicenses, Timóteo, Tito, Filémom, e aos Hebreus; Lisboa: Oficina de Simão Tadeu Ferreira, 1802
  • Vol. 6: As Epístolas de Tiago, Pedro, João, Judas, e o Livro do Apocalipse; Lisboa: Oficina de Simão Tadeu Ferreira, 1803

A versão em sete volumes, que é considerada padrão, foi publicada em 1819, sendo que a versão em volume único foi publicada em 1821 pela Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, sendo que os Livros Apócrifos/Deuterocanônicos inicialmente estavam incluídos na edição e só foram removidos da edição em 1828.

Por ser uma versão com português mais recente, foi considerada melhor que a de Almeida, apesar de não ter sido baseado nos idiomas originais. Nota-se que foi a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira que editou as revisões de 1821 (completa) e 1828 (sem os Apócrifos/deuterocanônicos). A Sociedade Bíblica de Portugal foi fundada em 1835 e distribuiu essa, além da versão de Almeida. Teve boa acolhida entre católicos e protestantes.

Traduções em Portugal, após Almeida e Figueiredo[editar | editar código-fonte]

Traduções parciais[editar | editar código-fonte]

Padre António Ribeiro dos Santos traduziu os Evangelhos de Mateus e Marcos no final do século XVIII ou começo do século XIX, baseado na Vulgata.

Traduções completas[editar | editar código-fonte]

O comerciante natural de Hamburgo, Pedro Rahmeyer é responsável por uma tradução completa da Bíblia em português. Ficou conhecida como "Bíblia de Rahmeyer" e está em exposição no Museu de Hamburgo. Supõe-se que, durante os 30 anos que ficou em Lisboa, tenha traduzido do alemão.

Como a interpretação pessoal das Sagradas Escrituras é condenada pela Igreja Católica e todos os sacerdotes de Rito Romano - ao qual pertence a Igreja em Portugal e suas colônias - eram fluentes em latim, o uso da Vulgata de São Jerônimo dispensou a necessidade de uma tradução para a língua vernácula. No ano de 1933, contudo, com apoio papal, o padre Manoel de Matos Soares publica sua tradução completa da Bíblia em português, traduzida a partir da mesma Vulgata. Ganhou a aprovação da Igreja Católica, sendo a mais popular no Brasil, desde que foi publicada em 1942.

A Tradução Interconfessional em Português Corrente foi fruto de um trabalho conjunto entre católicos e protestantes. Iniciada em 1972, é revista em 2002.

Traduções no Brasil[editar | editar código-fonte]

Traduções parciais[editar | editar código-fonte]

A primeira tradução realizada no Brasil foi feita pelo bispo Joaquim de Nossa Senhora de Nazaré. Era um Novo Testamento traduzido a partir da Vulgata. No prefácio, havia acusações contra os protestantes, chamando suas versões da Bíblia de "falsificadas". Foi publicada em São Luís, no Maranhão, em 1847, sendo impressa em Portugal em 1875.

Em 1879, a Sociedade de Literatura Religiosa e Moral publica uma revisão do Novo Testamento de Almeida. Foi revista por José Manoel Garcia, pelo pastor M. P. B. de Carvalhosa e pelo pastor Alexandre Latimer Blackford.

O imperador D. Pedro II era um profundo admirador da cultura judaica. Após aprender o hebraico, que era a sua língua favorita, traduziu partes da Bíblia, como o livro de Neemias, além de partes do Velho Testamento para o latim.

F. R. dos Santos Saraiva, autor de um dicionário latino-português, traduz os Salmos, com o título de Harpa de Israel, em 1898.

Duarte Leopoldo e Silva traduz e publica os Evangelhos em forma de harmonia. O Colégio da Imaculada Conceição, Botafogo, Rio de Janeiro, publica uma tradução dos Evangelhos e Atos, do francês, preparada por um padre, em 1904. Padres franciscanos iniciam um trabalho de tradução a partir da Vulgata, sendo concluído em 1909. No mesmo ano, o padre Santana traduz o Evangelho de Mateus diretamente do grego. É a primeira tradução parcial da Bíblia, em português, dos idiomas originais feita por um padre católico, embora tenha sido apoiado pelo latim.

J. L. Assunção traduz o Novo Testamento a partir da Vulgata em 1917. Surge, no mesmo ano, o livro de Amós, traduzido por Esteves Pereira. Foi traduzido do etíope. Em 1923, J. Basílio Pereira traduz o Novo Testamento e os Salmos a partir da Vulgata.

O então padre Huberto Rohden foi o autor de uma tradução do Novo Testamento. Começou a traduzir enquanto estudava na Leopold-Franzens-Universität Innsbruck, Áustria, completando em 1930. Foi publicado pela Cruzada da Boa Imprensa (atualmente é pela editora Martin Claret). Utilizou como base o Textus Receptus.

O rabino Meir Matzliah Melamed traduz a Torá, numa edição sem data, com o nome de A Lei de Moisés e as Haftarot. Foi publicada em 1962. A tradução foi revista e lançada, em 2001, com o nome de A Lei de Moisés. Está disponível pela Editora Sêfer.

Em 1993 é publicado o Novo Testamento da Nova Versão Internacional. Em 2005, o pastor batista Fridolin Janzen traduz o Novo Testamento em português, baseado no Textus Receptus. O texto está disponível no seu website, e está para ser imprimida.

Traduções completas[editar | editar código-fonte]

  • 1967 É publicada a tradução completa e literal da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, feita pela Sociedade Bíblica da Torre de Vigia das Testemunhas de Jeová sendo traduzida da versão inglesa de 1950. Recebeu revisão no texto em 1984 (em português em 1986), sendo publicada pela Sociedade Bíblica da Sentinela no mesmo ano a primeira Bíblia de Estudo, pois esta possuía a inclusão de notas marginais, referências cruzadas, mapas, índice, concordância, e quadros doutrinários.
  • 1988 É publicada a parafraseada A Bíblia na Linguagem de Hoje, caracterizada por ter uma linguagem popular e tradução flexível. Um exemplo é a tradução de Juízes 3:24: Aí os empregados chegaram e viram que as portas estavam trancadas. Então pensaram que o rei tinha ido ao banheiro. Muitos eruditos vêem uma excessiva utilização de linguagem popular, que pode comprometer a fidelidade com o texto original. Devido a esses problemas, essa tradução passou por um grande processo de revisão, que resultou na Nova Tradução na Linguagem de Hoje, em 2000.
  • 2001 A CNBB produziu uma tradução comemorativa dos 50 anos da CNBB, e já está na 3ª edição e envolveu cooperação entre sete editoras católicas.
  • 2002 É publicada a Bíblia do Peregrino, traduzida por Luís Alonso Schökel. É uma tradução da versão espanhola.
  • 2010 É publicada e impressa a Tradução Brasileira pela Sociedade Bíblica do Brasil, com grafia e Português atualizado de acordo com a reforma ortográfica de 2009.[4]
  • 2012 É lançada no Brasil pela Abba Press e pela Sociedade Bíblica Ibero-Americana a Bíblia King James sob sua edição de estudos comemorativa de 400 anos com o título "Bíblia King James Atualizada", distinguida pela excelente tradução das línguas originais conservada em um vocabulário rico, erudito, e compreensível. Edição já célebre nos países de língua inglesa, foi traduzida dos originais aramaico, hebraico e grego para a língua portuguesa por inúmeros exegetas, linguistas, filólogos, biblistas, arqueólogos, teólogos, e eruditos de diversas áreas do saber.
  • 2015 É publicada a parcialmente parafraseada Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada. A paráfrase é parcial, já que a tradução literal consta nos comentários ao pé da página permitindo a análise do texto como escrito originalmente. Além disso, não é o objetivo principal desta tradução a paráfrase, sendo tal recurso colocado em segundo plano em várias situações para que não haja sacrifício de expressões importantes ao entendimento profundo. A TNM é baseada na segunda grande revisão da versão inglesa da Sociedade Bíblica da Torre de Vigia em 2013 (em português em 2015), sendo considerada "revisada e atualizada" pela Sociedade Bíblica da Torre de Vigia passando a ser chamada "Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada".[5]

Traduções feitas em outros países[editar | editar código-fonte]

A Sociedade Bíblica Trinitariana, fundada no Reino Unido em 1831, também produziu uma versão para o português do Novo Testamento, em 1883. É baseada, no Textus Receptus, assim como todas as Bíblias da Sociedade Bíblica Trinitariana.

  1. «A literatura religiosa polemista nas Índias Orientais seiscentistas e a elaboração da primeira tradução regular da Bíblia em língua portuguesa (1642-1694)». Consultado em 2016-07-17. 
  2. «Differença d'a Christandade: João Ferreira de Almeida e a controvérsia católico-protestante nas Índias Orientais seiscentistas». Consultado em 2016-07-17. 
  3. «Introdução à Edição Almeida Corrigida Fiel (ACF)». Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil. Consultado em 1º de maio de 2015.. 
  4. http://www.sbb.org.br/interna.asp?areaID=255
  5. http://www.jw.org/pt/testemunhas-de-jeova/atividades/publicacoes/tnm-biblia-feita-para-durar/