Almeida Revista e Corrigida

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Almeida Revista e Corrigida
Primeira Edição em 1681
Nome: Edição Revista e Corrigida
Abreviação: ARC
Publicação da Bíblia completa: 1750
Tipo de tradução: Equivalência Formal (em Linguagem Erudita)
Revisão: SBB 1949, 1969, 1995, 2009.
IBB-JUERP 1944, 1997.
SBP 1968, 2001
Editora: Sociedade Bíblica do Brasil, Imprensa Bíblica Brasileira/JUERP e Sociedade Bíblica de Portugal
Afiliação religiosa: Protestante
Gênesis 1:1-3
No princípio criou Deus os céus e a terra. Era a terra sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. E disse Deus: Haja luz. E houve luz.
João 3:16
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.
Texto Recebido (Textus Receptus) do Novo Testamento, compilado por Erasmo de Rotterdam e utilizado na tradução Almeida.
Texto Massorético do Antigo Testamento utilizado na tradução Almeida.

A Bíblia Sagrada Almeida em sua edição Revista e Corrigida é considerada a King James em língua portuguesa, pois é a mais conhecida, usada, dístribuída, respeitada e amada versão das Escrituras Sagradas nos países de fala portuguesa, foi traduzida pelo pastor protestante João Ferreira de Almeida, e impressa em 1681 pelas Companhias da Batávia, editada em 1750, 1819, 1860, e reeditada e corrigida pela Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira em Londres no ano de 1898, como resultado da compilação de duas versões anteriores em português: Revista e Correcta (1873) e Revista (1894).

A publicação do Novo Testamento português[editar | editar código-fonte]

Em 1681, a primeira edição do Novo Testamento de Almeida finalmente saiu da gráfica. A impressão foi feita em Amsterdã, na Holanda, na tipografia da viúva J. V. Zomeren. O título era este: “O Novo Testamento Isto he o Novo Concerto de Nosso Fiel Senhor e Redemptor Iesu Christo traduzido na Língua Portuguesa”. Um ano depois, essa edição do Novo Testamento chegou a Batávia, mas apresentava erros de tradução e revisão. O fato foi comunicado às autoridades da Holanda e todos os exemplares que ainda não haviam saído de lá foram destruídos, por ordem da Companhia das Índias Orientais. As autoridades Holandesas determinaram que se fizesse o mesmo com os volumes que já estavam em Batávia. Pediram também que se começasse, o mais rápido possível, uma nova e cuidadosa revisão do texto.[1]

Apesar das ordens recebidas da Holanda, nem todos os exemplares recebidos em Batávia foram destruídos. Alguns deles foram corrigidos à mão e enviados às congregações da região (um desses volumes pode ser visto hoje no Museu Britânico, em Londres). O trabalho de revisão e correção do Novo Testamento foi iniciado e demorou dez longos anos para ser terminado. Somente após a morte de Almeida, em 1693, é que essa segunda versão foi impressa, na própria Batávia, onde também foi distribuída. A terceira edição viria a ser publicada em 1712.[2]

A tradução do Antigo Testamento[editar | editar código-fonte]

Enquanto progredia a revisão do Novo Testamento, Almeida começou a traduzir o Antigo Testamento. Em 1683, ele completou a tradução do Pentateuco. Iniciou-se, então, a revisão desse texto, e a situação que havia acontecido na época da revisão do Novo Testamento, com muita demora e discussão, acabou se repetindo. Já com a saúde prejudicada—pelo menos desde 1670, segundo os registros —, Almeida teve sua carga de trabalho na congregação diminuída e pôde dedicar mais tempo à tradução. Mesmo assim, não conseguiu acabar a obra à qual havia dedicado a vida inteira. Em 1691, no mês de outubro, Almeida veio a falecer. Nessa ocasião, ele havia chegado até Ezequiel 48.21. A tradução do Antigo Testamento foi completada em 1694 por Jacobus op den Akker, pastor holandês. O texto do Antigo Testamento completo só viria a ser impresso em 1751. A Bíblia completa em um único volume só foi publicada em 1819.[3]

O processo de tradução[editar | editar código-fonte]

Pouco ou nada se sabe a respeito de como João Ferreira de Almeida traduziu a Bíblia Sagrada para o Português. As atas da Igreja Reformada em Batávia dão atenção a problemas administrativos como impressão, distribuição e discussão com autoridades, mas pouco ou nada informam sobre a tradução ou outras questões relacionadas com o texto. Para o Novo Testamento, o único texto disponível naquele momento era o assim chamado “textus receptus”. A edição mais recente desse texto era a segunda edição publicada pelos irmãos Elzevir, em 1633, o que não significa que Almeida se valeu exatamente desta edição. Além de algumas cópias manuscritas, Almeida teve acesso a outras traduções, como a espanhola, a francesa e a italiana. No Prefácio da obra “Diferença da Cristandade”, traduzida por Almeida do espanhol para o português, em 1684, diante da falta de uma Bíblia Portuguesa completa, Almeida remete o leitor à versão espanhola da Sagrada Escritura Reina-Valera. Sua intenção era, como ele mesmo diz:

Cquote1.svg “Almejo dar-vos assim em breve toda a Escritura Sagrada em vossa própria língua. Que é a maior dádiva, e o mais precioso tesouro, que nunca ninguém, que eu saiba, até o presente vos tenha dado”.[4] Cquote2.svg

Como o texto de Almeida chegou pela primeira vez ao Brazil[editar | editar código-fonte]

Almeida (Revista e Correcta de 1898)

Ao que tudo indica, o texto da Bíblia de Almeida chegou ao Brasil pela primeira vez em 1712, ainda que de forma acidental. Uma remessa de 150 exemplares do Evangelho de Mateus (edições com mais de mil exemplares eram raras naquele tempo!), impressa em Amsterdã e destinada ao povo de fala portuguesa das Índias Ocidentais, acabou aportando no Brasil. Acontece que o navio foi interceptado pelos franceses e conduzido a um porto brasileiro, no Rio de Janeiro ou em Salvador. Não se sabe quem ficou com as cópias do Evangelho de Mateus. Posteriormente, a Bíblia de Almeida passou a ser distribuída no Brasil pela Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira.[5]

As revisões do texto de Almeida[editar | editar código-fonte]

A tradução do Novo Testamento feita por Almeida foi revisada antes de ser publicada em 1681 e, quando o texto foi publicado, já necessitava de imediata revisão. Depois, em meados do século XVIII, ainda na ilha de Java, foi feita uma revisão do texto de toda a Bíblia. A segunda grande revisão, chamada de “revisão de Londres”, foi feita cem anos mais tarde, entre 1869 e 1875. Vinte anos depois, em 1894, ainda em Londres, o mesmo texto foi corrigido quanto à ortografia e alguns termos obsoletos foram substituídos. A edição de 1898, feita em Lisboa, viria a ser conhecida como Almeida Revista e Corrigida. Ao longo dos anos, essa edição vem sofrendo atualização gráfica e pequenos retoques no que diz respeito a termos arcaicos e palavras que mudaram de significado. A mais recente dessas revisões foi feita, no Brasil, em 1995, e 2009.[6]

Características das Edições[editar | editar código-fonte]

A versão (Revista e Corrigida) reproduz a tendência da versão de 1898 (foto) (Almeida Revista e Correcta) quanto ao Tetragrama YHVH de traduzi-lo no Antigo Testamento em alguns lugares por (JEHOVAH) ou JEOVÁ.[7] .O Novo Testamento na edição de 2009, vem com algumas mudanças a fim de trazer clareza. Por exemplo o termo "caridade" em 1 CORÍNTIOS 13, foi substituído pelo termo "Amor"[8]

Atualmente existem três versões diferentes com o mesmo nome "Almeida", duas produzidas pela Sociedade Bíblica do Brasil, uma pela Imprensa Bíblica Brasileira, e outra pela Sociedade Bíblica de Portugal, sendo as três muitos semelhantes entre si.

No caso da versão da Sociedade Bíblica do Brasil, leves modificações ao longo dos anos têm sido feitas, passando por revisões em 1949, 1969, 1995 e 2009. A Versão da Imprensa Bíblica Brasileira foi revista em 1997.[9]

Em geral, a ARC segue o Textus Receptus, porém em alguns trechos, versões mais recentes do texto divergem do Textus Receptus e seguem o Texto Minoritário ou Crítico.[10]

A ARC em suas primeiras edições serviu como base para diversas outras traduções, como a Almeida Revista e Atualizada, Almeida Revisada Segundo os Melhores Textos, Almeida Edição Contemporânea, e a Almeida Corrigida Fiel.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. http://www.sbb.org.br/interna.asp?areaID=59
  2. http://www.sbb.org.br/interna.asp?areaID=59
  3. http://www.sbb.org.br/interna.asp?areaID=59
  4. http://www.sbb.org.br/interna.asp?areaID=59
  5. http://www.sbb.org.br/interna.asp?areaID=59
  6. http://www.sbb.org.br/interna.asp?areaID=59
  7. A saber: GÊNESIS 15.2,8,SALMOS 68.4,20 SALMO 83.18, e ISAÍAS 12.2
  8. Termo esse já há muito presente em passagens como MATEUS 24.12, ROMANOS 12.9 e EFÉSIOS 5.2. O termo Caridade passou a ser leitura alternativa, constando na nota de rodapé ou nota final.
  9. A LONGA HISTÓRIA DA BÍBLIA DE JOÃO FERREIRA DE ALMEIDA, Luiz Sayão.
  10. Porque há diferença entre a ARC e a ACF, Biblioteca Batista Independente Online



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