Cavalo-marinho

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Como ler uma caixa taxonómicaHippocampus
cavalos-marinhos
Hippocampus sp.

Hippocampus sp.
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Osteichthyes
Subclasse: Actinopterygii
Ordem: Gasterosteiformes
Família: Syngnathidae
Género: Hippocampus
Cuvier, 1816
Espécies
47 espécies[1]

Hippocampus é um gênero de peixes ósseos, pertencente à família Syngnathidae, de águas marinhas temperadas e tropicais que engloba as espécies conhecidas pelo nome comum de cavalo-marinho[2] [3] [1] . Os cavalos-marinhos caracterizam-se por terem uma cabeça alongada, com filamentos que lembram a crina de um cavalo[2] , e por exibirem mimetismo semelhante ao do camaleão, podendo mudar de cor e mexer os olhos independentemente um do outro[2] [3] . Nadam com o corpo na vertical, movimentando rapidamente as suas barbatanas[2] . Algumas espécies podem ser confundidas com plantas marinhas, como corais ou anêmonas marinhas. Geralmente medem entre 15 e 18 centímetros[2] , mas podem medir desde 13 a 30 centímetros, dependendo da espécie[3] , com peso entre 50 e 100 gramas. Vivem em águas de regiões de clima temperado e tropical[4] [2] .

Todas as espécies de cavalos-marinhos estão em perigo de extinção[2] [3] . Uma das causas é pesca predatória e a destruição de hábitat[3] . Outra causa é o captura frequente deles para serem usados como peça de decoração ou simplesmente serem criados em um aquário[3] .

Existem duas espécies brasileiras de cavalos-marinhos, o Hippocampus erectus e o Hippocampus reidi[2] [3] .

Nome científico[editar | editar código-fonte]

Um hipocampo em um mosaico romano.

Os hipocampos eram seres fictícios da mitologia grega[5] , filhos de Poseidon. As partes superiores de seus corpos eram a de um cavalo, com crina membranosa, guelras e membranas interdigitais nos supostos cascos, e suas partes inferiores eram a de um peixe ou golfinho[6] . Os hipocampos eram empregados pelo Deus dos Mares em sua maioria na espionagem e na patrulha por seu reino oceânico em busca de empecilhos que também eram conhecidos como cavalo marinho.

Hábitos alimentares[editar | editar código-fonte]

As espécies desse gênero são carnívoras[4] [2] . Alimentam-se de pequenos crustáceos[4] [1] , moluscos, vermes, [2] e plâncton[4] , que são sugados através de seus focinhos tubulares[2] [4] . Como eles não tem o costume de irem atrás de alimento, eles comem o que estiver passando por eles. As caudas deles são longas e preênsies, o que permite que eles se agarrem às plantas submarinas enquanto se alimentam[4] [2] .

Reprodução[editar | editar código-fonte]

A reprodução dos cavalos-marinhos geralmente ocorre na primavera[2] . Para se reproduzirem, as fêmeas dos cavalos-marinhos dão preferência ao macho de maior tamanho corporal e que tenha mais ornamentos em seu corpo[7] . Para que os machos consigam uma fêmea para se reproduzirem, eles também precisam atrair ela fazendo uma dança do acasalamento[7] .

A reprodução se inicia quando os ovos da espécie são transferidos da bolsa incubadora da fêmea para a do macho, no momento do acasalamento[1] [4] . Os ovos, já na bolsa incubadora do macho, que se localiza na base de sua cauda, são fertilizados por esperma que o próprio macho libera lá dentro[2] [4] . Dois meses mais tarde, os ovos se eclodem e o macho realiza violentas contorções para expelir os filhotes, que estão dentro da bolsa incubadora dele[2] .

Os filhotes, quando nascem, são transparentes e medem menos de um centímetro, mas com variações, dependendo da espécie. Eles sobem logo à superfície para encherem suas bexigas natatórias de ar, para poderem se equilibrar na água ao nadarem. Após nascerem, já são totalmente independentes de seus pais, mesmo sendo frágeis. Um cavalo-marinho macho geralmente gera 100 a 500 filhotes por gestação, dependendo da espécie. Geralmente, quase 97% dos filhotes de cavalos-marinhos são mortos por predadores naturais, que são, geralmente, peixes maiores.[2] [1] [3]

Espécies[editar | editar código-fonte]

Localização[editar | editar código-fonte]

Os cavalos-marinhos são encontrados principalmente em águas rasas tropicais e temperadas em todo o mundo, e preferem viver em áreas abrigadas, tais como leitos de algas marinhas, estuários, recifes de corais ou mangues. Nas águas do Pacífico, da América do Norte à América do Sul, há cerca de quatro espécies. No oceano Atlântico, o H. erectus varia de Nova Escócia para o Uruguai. H. zosterae, conhecido como o cavalo-marinho anão, é encontrado nas Bahamas. Colônias foram encontrados nas águas europeias como o estuário do Tamisa. Três espécies vivem no mar Mediterrâneo: H. guttulatus (o cavalo-marinho de focinho longo), o cavalo-marinho de focinho curto e H. fuscus (o pônei do mar). Nessas áreas, os machos ficam dentro de 1 metro quadrado em seu território, enquanto fêmeas variam de cerca de cem vezes isso.

Lista de espécies[editar | editar código-fonte]

Cavalos-marinhos pigmeus[editar | editar código-fonte]

Cavalos-marinhos pigmeus tem menos do que 15 milímetros (0,59 in) de altura e 17 milímetros (0,67 in) de largura. Anteriormente, o termo foi aplicado exclusivamente para a espécie H. bargibanti. Mas, desde 1997, as descobertas fizeram este termo obsoleto. As espécies H. minotauro, H. denise, H. colemani, H. pontohi, H. severnsi e H. satomiae têm sido descritas assim. Outras espécies, que ainda não foram classificadas, também têm sido relatadas em livros, revistas de mergulho e na internet. Eles podem ser distinguidos de outras espécies de cavalos-marinhos pelos seus anéis de tronco 12, baixo número de anéis de cauda em comparação com os cavalos-marinhos normais (26-29), a localização na qual jovens são postos na região do tronco dos machos e seu tamanho extremamente pequeno. A análise molecular (de RNA ribossômico) de 32 espécies Hippocampus descobriram que H. bargibanti pertence a um clado separado de outros membros do gênero e, portanto, que as espécies divergiram das outras espécies em um passado "antigo". Cavalos-marinhos pigmeus são melhor camuflados e vivem em estreita associação com outros organismos, incluindo hidrozoários coloniais (Lytocarpus e Antennellopsis), algas coralíneas (Halimeda) fãs do mar (Muricella, Annella, Acanthogorgia). Isto, combinado com seu pequeno porte, explica por que a maioria das espécies só foram notadas e classificadas a partir de 2001.

Na medicina tradicional[editar | editar código-fonte]

As populações de cavalos-marinhos estão sendo ameaçada nos últimos anos pela pesca excessiva e a destruição de hábitat. As espécies de cavalos-marinhos são usadas na medicina tradicional chinesa, e, aproximadamente, 20 milhões são capturados a cada ano e vendidos para esta finalidade. Cavalos-marinhos não são facilmente criados em cativeiro pois são muito suscetíveis à doença, e acredita-se que os "selvagens" têm melhores propriedades medicinais comparadas a cavalos-marinhos de aquário. Os cavalos-marinhos são também utilizados como medicamentos pelos indonésios, filipinos e muitos outros grupos étnicos. Importação e exportação de cavalos-marinhos tem sido controlada pela CITES desde 15 de maio de 2004. No entanto, Indonésia, Japão, [[[Noruega]] e Coréia do Sul decidiram optar por sair das regras comerciais estabelecidos pela CITES. O problema pode ser exacerbado pelo crescimento de comprimidos e cápsulas como o método preferido de ingerir a medicação à base de cavalos-marinhos. Elas são mais baratas e acessíveis do que os tradicionais, e o conteúdo é mais difícil de rastrear. Os cavalos-marinhos devem ter de um certo tamanho e qualidade antes de serem aceitas pelos praticantes da medicina tradicional chinesa (MTC) e consumidores. O declínio da disponibilidade e da preferência aos de grande porte torna possível para os comerciantes da MTC vender os mais jovens, o que não era comum anteriormente. Hoje, quase um terço dos cavalos-marinhos vendidos na China são pré-embalados, aumentando a pressão sobre as espécies.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e «Seahorses - Hippocampus - Overview - Encyclopedia of Life». EoL.org. Consultado em 27 de fevereiro de 2016. 
  2. a b c d e f g h i j k l m n o p Thais Pacievitch. «Cavalo Marinho - InfoEscola». InfoEscola.com. Consultado em 27 de fevereiro de 2016. 
  3. a b c d e f g h Vanessa dos Santos. «Cavalo-marinho. Curiosidades sobre o cavalo-marinho - Escola Kids». EscolaKids.uol.com.br. Consultado em 27 de fevereiro de 2016. 
  4. a b c d e f g h «Seahorses, Seahorse Pictures, Seahorse Facts - National Geographic (em inglês)». Animals.NationalGeographic.com. Consultado em 08 de Março de 2016. 
  5. «Yizre'el Valley silver hoard - Israel Antiquities Authority». Antiquities.org.il. Consultado em 27 de fevereiro de 2016. 
  6. «Hippocampus - Define Hippocampus at Dictionary.com». Consultado em 27 de fevereiro de 2016. 
  7. a b Melissa Hogenboom (07/09/2015). «Cavalo-marinho ‘grávido’ se comporta como gestante humana, diz estudo - BBC Brasil». BBC.com. Consultado em 27 de fevereiro de 2016.