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Osteichthyes

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Osteichthyes
Intervalo temporal:
Siluriano InferiorPresente
447,1–0 Ma[1]
Exemplo de Osteichthyes: Peixe-pulmonado-australiano e Latimeria chalumnae (2 Sarcopterygii), Pangasianodon hypophthalmus e esturjão-atlântico (2 Actinopterygii)
Classificação científica e
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Clado: Eugnathostomata
Clado: Osteichthyes
Huxley, 1880
Subgroups

Os Osteichthyes, ou peixes ósseos, representam o maior grupo de vertebrados, tanto em número de espécies (mais de 23.600) como em número de indivíduos. Através a radiação adaptativa, eles desenvolveram uma enorme variação de formas e estruturas. Esses animais são abundantes em águas doces ou salgadas, em águas rasas ou profundas. Suas características mais marcantes são escamas dermais, opérculo cobrindo a câmara branquial em cada lado, esqueleto ósseo, boca terminal, vesícula gasosa, nadadeira caudal homocerca e dois pares de nadadeiras medianas.[2]

Classificação

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De acordo com a classificação científica tradicional, a classe Osteichthyes (do grego osteos = osso, e ichthyos = peixe) agrupava os peixes ósseos, em contraposição com Chondrichthyes, os peixes cartilagíneos.

No entanto, de acordo com as descobertas mais recentes sobre a filogenia dos animais, o clado Osteichthyes agrupa todos os animais com tecido ósseo endocôndrico e com dentes implantados nas maxilas.

Este clado inclui os táxons:

Osteichthyes possui também gêneros extintos pré-históricos, como o Rhadinichthys, do Devoniano Superior e da época Cisuraliana.[3]

E talvês alguns do Silúrico inferior

  • Eosteus - escrito como o peixe ósseo articulado mais antigo do mundo, datando de aproximadamente 436 milhões de anos atrás (Idade Telychiana do Siluriano Inferior). Com apenas 3 cm de comprimento, ele já apresentava características como crânio, nadadeira dorsal única e escamas especializadas
  • Megamastax - Embora inicialmente conhecido por fragmentos, novos espécimes completos de cerca de 1 metro de comprimento também foram vinculados a esse período, tornando-o o maior vertebrado siluriano conhecido.

Antes dessas descobertas de corpos completos, o registro era composto principalmente por microfósseis (escamas e fragmentos de ossos) de gêneros como:

  • Andreolepis hedei - Frequentemente citado como um dos primeiros actinopterígios (peixes de nadadeiras raiadas), com cerca de 420 milhões de anos (Siluriano Superior).
  • Lophosteus superbus - Outro gênero primitivo cujos restos são encontrados em calcários do Siluriano Superior na região do Báltico.

História evolutiva

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Os primeiros fósseis de peixes ósseos (Osteichthyes) ocorrem no Siluriano Superior. Os Osteichthyes são bem representados a partir do Devoniano Inferior. Sua radiação se deu em uma grande explosão, no meio do Devoniano, com dois grandes grupos divergindo: os peixes com nadadeiras raiadas (Actinopterygii) e os peixes com nadadeiras lobadas (Sarcopterygii). Especialização dos mecanismos de alimentação é uma característica chave para a evolução destes grandes grupos de Vertebrata. Um aumento da mobilidade dos ossos do crânio e das maxilas permitiu aos peixes de nadadeiras raiadas explorar uma ampla gama de tipos de presas e de modos predatórios. Especializações na locomoção, habitats, comportamentos e hábitos de vida acompanharam as especializações dos mecanismos alimentares.[4]

cartilagíneos.

táxons:

  • terrestres;

Características Gerais

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A designação de peixes (lat. pisces) é extensiva a nada menos que 4 classes de vertebrados, cada qual possuindo características próprias.

Isso significa que os peixes possuem coluna vertebral, vivem na água e sua temperatura sanguínea se equilibra com o ambiente. A maioria dos peixes respira por brânquias ou guelras, se locomove por meio de nadadeiras, se reproduz pondo ovos e é coberta por escamas protetoras (peixes atuais). Certos grupos extintos foram dotados de um escudo ósseo protetor, além do esqueleto interno.

Sua pele possui duas camadas: por fora a epiderme e sob ela, a derme. As glândulas da epiderme secretam um muco protetor contra fungos e bactérias.

As escamas, que formam um escudo mais resistente, são feitas de ossos transparentes enraizados na derme. Como os anéis das árvores, elas registram a idade e o crescimento do peixe.

As nadadeiras são classificadas em ímpares (dorsal, caudal e retal) e pares (peitorais e pélvicas).

Osso endocôndrico

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Uma das inovações mais importantes dos Osteichthyes é o osso endocôndrico ou osso esponjoso, ou seja, tecido ossificado internamente por substituição da cartilagem. O sistema circulatório invade a matriz cartilaginosa, o que permite aos osteoblastos uma melhor alimentação e também o recrutamento de osteoblastos adicionais; outras células do sangue vão "comendo" a cartilagem resultando num órgão rígido mas pouco pesado, formado por tecido esponjoso no interior, rodeado por lamelas densas de tecido desenvolvido pelo periósteo - o osso pericôndrico.

As escamas são finas, arredondadas e implantadas em fileiras longitudinais e diagonais, imbricadas como as telhas de um telhado. As extremidades livres das escamas estão cobertas por uma fina camada de pele que protege de parasitas e doenças. Em algumas espécies, esta camada de pele ajuda a manter a umidade quando o animal está emerso.

Os principais tipos de escamas são:

Escamas placóides: ocorre nos peixes cartilaginosos e apresenta estrutura similar à dos dentes; são placas pequenas em geral rômbicas;

Escamas ganóides: são maiores; tem geralmente, forma rômbica ou arredondada; a superfície esposta é coberta por uma camada de esmalte (ganoína);

Escamas ciclóides: são delgadas, elásticas e de forma variável;

Escamas ctenóides: diferem em relação às ciclóides, apenas na ocorrência de denticulação na parte posterior.[5]

Sistema digestório

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O sistema digestório é completo, inicia-se na boca e finaliza-se no ânus. A boca localiza-se na região anterior do corpo, diferentemente dos cartilaginosos, que apresentam boca ventral. Nesse grupo, não há presença de cloaca.

Hábitos alimentares

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Tanto podem ser herbívoros como comedores de lamas. Sua resistência devido a sua estrutura é a maior entre todos os peixes.

Reprodução

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Nos peixes ósseos, os sexos são separados, ou seja, existem machos e fêmeas. A fecundação normalmente é externa com desenvolvimento indireto, ou seja, como formação de larvas. O estágio larval dos peixes é seguido de uma fase denominada alevino.

Referências

  1. Zhao, W.; Zhang, X.; Jia, G.; Shen, Y.; Zhu, M. (2021). «The Silurian-Devonian boundary in East Yunnan (South China) and the minimum constraint for the lungfish-tetrapod split». Science China Earth Sciences. 64 (10): 1784–1797. Bibcode:2021ScChD..64.1784Z. doi:10.1007/s11430-020-9794-8
  2. Portella, Portella. «Osteichthyes» (PDF). Departamento de Biologia UNESP
  3. Schultze, Hans-Peter; Mickle, Kathryn E.; Poplin, Cecile; Hilton, Eric J.; Grande, Lance (2021). Handbook of Paleoichthyology, 8A. Actinopterygii I. Palaeoniscimorpha, Stem Neopterygii, Chondrostei. [S.l.]: Dr. Friedrich Pfeil, München. 299 páginas. ISBN 978-3-89937-272-4
  4. Pough, F. H.; Heiser, J. B.; Janis, C. M. (2008). A vida dos vertebrados. São Paulo: Atheneu. 118 páginas
  5. «Figura 5. Tipos de escamas dos peixes: escamas ganóides de pirarucu...». ResearchGate (em inglês). Consultado em 10 de setembro de 2018

Ligações externas

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