Tartaruga

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaTestudines
Ocorrência: Triássico - Recente 215–0 Ma
Prancha extraída do Kunstformen der Natur (1904) de Ernest Haeckel.
Prancha extraída do Kunstformen der Natur (1904) de Ernest Haeckel.
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Testudines
Batsch, 1788
Distribuição geográfica
  Tartarugas marinhas   Tartarugas terrestres
  Tartarugas marinhas
  Tartarugas terrestres
Subordens
Sinónimos
  • Testudinata Klein, 1751 [inválido, pré-Linnaeus]
  • Testudines Linnaeus, 1758 [inválido, vernáculo]
  • Testudinata Klein, 1760
  • Testudinea Batsch, 1796
  • Cheloniens Brongniart, 1800 [inválido, vernáculo]
  • Chelonii Latreille, 1800
  • Chelonia Ross & Macartney, 1802
  • Cataphractae Link, 1807
  • Testudinata Oppel, 1811
  • Perostia Rafinesque, 1814
  • Cataphracta Hemprich, 1820
  • Chelonea Flemming, 1822
  • Fornicata Haworth, 1825
  • Chelynea Wagler, 1828
  • Sterrichrotes Ritgen, 1828
  • Chelonites Burmeister, 1837
  • Chelonites Swainson, 1839
  • Tylopoda Mayer, 1849
  • Testudina Fry, 1850
  • Chersemydes Strauch, 1862
  • Rhynchochelones Dollo, 1886
  • Cheloniae Hoffman, 1890
  • Testudoformes Chang, 1957
  • Chelonomorpha Kuhn, 1960
  • Casichelydia Gaffney, 1975
  • Testudinomorpha Laurin & Reisz, 1995
  • Pantestudines Joyce, Parham & Gauthier, 2004

Testudinata é um grupo de Diapsida (classicamente considerados Anapsida) caracterizado pela presença de um casco, cuja parte dorsal é chamada de carapaça (fundido às costelas achatadas e à coluna vertebral) e a parte ventral é chamada de plastrão (fundido às clavículas e à interclavícula). Sem sobreposição de posição e número, acima das placas dérmicas há placas epidérmicas queratinizadas. Além disso, a condição anapsida do crânio é decorrente da perda secundária de fenestras temporais de uma condição ancestral diapsida, não sendo considerados mais como parte do grupo Anapsida. Testudinata têm um bico córneo sem dentes e são o único grupo de Tetrapoda com cinturas internas à caixa torácica. Todos são ovíparos.

Existem 14 famílias que somam em torno de 356 espécies, ocorrendo em regiões tropicais e temperadas do globo, sendo algumas delas ameaçadas de extinção. Os termos populares cágado (água doce), jabuti (terrestres) e tartarugas (marinhas) não refletem classificação taxonômica. A ordem dos Testudines estão divididas filogeneticamente em dois grandes grupos: Cryptodira (retração do pescoço anteroposterior) e Pleurodira (retração do pescoço lateral). A posição filogenética dentre os Amniota permanece um enigma, sendo considerados por alguns autores como próximos de lepidossauros (evidenciado por dados morfológicos) ou arcossauros (evidenciado por dados moleculares).

Sistemática e classificação[editar | editar código-fonte]

Posição filogenética[editar | editar código-fonte]

O plano corporal de Testudinata possui modificações únicas associadas principalmente com a origem do casco.[2] Essa mudança profunda do plano corporal dos Testudines em relação aos outros Amniota torna difícil estabelecer a origem das tartarugas na história evolutiva dos vertebrados.[3]

As principais características de Testudinata são o casco completo, composto por carapaça com placas costais (fusionadas às costelas), neurais (fusionadas às vértebras torácicas) e periféricas, bem como o plastrão formado por interclavícula, clavícula, e três a cinco ossos pareados suturados; carapaça e plastrão articulados na margem lateral, enclausurando as cinturas escapular e pélvica.[4][5] Combinado à falta de consenso entre filogenias que se baseiam em dados morfológicos e moleculares, a posição filogenética das tartarugas dentre os Amniota permanece um mistério por mais de 150 anos.[6][7]

Três hipóteses para a posição filogenética de Testudines dentre os Amniota. Da esquerda para a direita: (I) Testudines em posição basal dentre os répteis, sendo parte de “Parareptilia” (hipótese clássica hoje menos corroborada hoje); (II) Testudines próximos dos Lepidosauromorpha (sustentado por dados morfológicos); (III) Testudines próximos dos Archosauromorpha (sustentado por dados moleculares). (Fonte: Hedges, 2012)

Classificações clássicas de Amniota consideram a região temporal do crânio como uma característica importante para inferência filogenética de grandes grupos.[8] A hipótese clássica coloca Testudines incluído no grupo “Parareptilia” (Gauthier et al, 1988) ou “Anapsida” (Laurin & Reisz, 1995), devido à ausência de fenestras temporais no crânio (condição anápsida). Contudo, devido (I) a diferenças no arranjo entre os ossos da região temporal das tartarugas e de Anapsida verdadeiros, (II) aos estudos ontogenéticos da musculatura adutora da mandíbula que revelaram características compartilhadas com Diapsida, e (III) novas interpretações do registro fóssil, novas hipóteses consideram que a condição original do crânio das tartarugas era diápsida, com perda secundária das fenestras temporais.[9][10] Neste cenário, muitos sistematas de Testudines estão atualmente divididos entre duas hipóteses:

  • (I) Testudines mais relacionados aos Lepidosauromorpha: baseado em dados morfológicos, tartarugas seriam mais relacionadas às tuataras e Squamata;
  • (II) Testudines mais relacionados aos Archosauromorpha: baseado em dados moleculares, tartarugas seriam mais relacionadas aos crocodilianos e aves.

Filogenia[editar | editar código-fonte]

Pan-Testudines é o nome dado ao clado total de tartarugas, incluindo grupos basais de não Testudinata que apresentam a expansão das costelas e redução do número de vértebras. Dentro desse grupo, Eunotosaurus africanus Seeley, 1892 (Neopermiano da África do Sul), é uma das espécies mais basais de Pan-Testudines não Testudinata, com costelas expandidas, mas sem um plastrão. Odontochelys semitestacea Li, 2008 (Neotriássico da China) é um importante registro fóssil que evidencia a provável origem do plastrão antes da carapaça.[5][7]

Testudinata é o nome dado ao clado das tartarugas com casco completo e ranfoteca, o que inclui Proganochelys quenstedti (estas apresentavam armadura dérmica no pescoço e cauda) e todos os Testudines.[7] Testudines é o nome dado ao grupo coronal de tartarugas, caracterizado pela perda de dentes no palato, costelas expandidas orientadas horizontalmente, expansão das cápsulas óticas e presença de músculos adutores da mandíbula que se estendem acima da cápsula ótica, passando sobre uma estrutura em forma de roldana, chamada processo troclear.[11] Pode ser dividido em 2 grandes grupos:

  • (I) Pleurodira: caracterizado pela retração lateral do pescoço, cintura pélvica fusionada ao plastrão e processo troclear pterigóideo; apresenta três grandes grupos atuais (Chelidae, Pelomedusidae e Podocnemididae) e três grupos extintos (Araripemydidae, Euraxemyidade e Bothremydidae);[12]
  • (II) Cryptodira: caracterizado pela retração antero-posterior do pescoço, cintura pélvica articulada ao plastrão e processo troclear ótico; engloba os Durocryptodira (inclui as linhagens de Testudinoidea e Americhelydia), e os Trionychia (um grupo de tartarugas de casco mole com posição incerta nas filogenias).[13]

Tartarugas podem ter tido uma origem terrestre, evidenciada por fósseis de Proganochelys do Triássico, cujos membros parecem adaptados à vida terrestre.[14] Contudo, ao longo da evolução, nota-se uma proliferação de grupos com hábitos aquáticos, de modo que o hábito exclusivamente terrestre se concentra hoje na família Testudinidae (e.g. jabutis e tartarugas de Galápagos) e alguns Emydidae.[15] A invasão marinha única em Cryptodira ocorreu no grupo Chelonioidea, composto pelos grupos atuais Cheloniidae (e.g. tartarugas-verdes) e Dermochelyidae (tartarugas-de-couro), e os extintos Toxochelyidae e Protostegidae. Alguns estudos apontam que algumas espécies extintas de Pleurodira eram marinhas ou estuarinas, como Stereogenyina.[16]

Filogenia de Pan-Testudines (Fonte: modificado de Lyson et al. 2013, por Ferreira 2014)

Classificação taxonômica[editar | editar código-fonte]

Em Systema Naturae, Linnaeus (1758) agrupou as tartarugas num único gênero: Testudo. Contudo, ele e outros autores por vezes referiam-se a elas no plural Testudines, o que causou confusão na nomenclatura das tartarugas. Ao longo das publicações, o termo Chelonia também passou a ser frequente. Recentemente, Joyce et al. (2004) propuseram o nome Testudines para o grupo coronal que inclui Pleurodira e Cryptodira, Testudinata para o grupo que incluí Testudines e Proganochelys (tartarugas com casco completo) e Pan-Testudines para o clado total.[5]

Jabuti e filhote na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, localizada em São Sebastião do Uatumã (AM).

A classificação taxonômica a seguir dos grupos atuais de tartarugas é baseada em Turtles of the World (2017), feita pelo Turtle Taxonomy Working Group da IUCN.

  • Subordem Cryptodira Cope, 1868 (11 famílias, 263 espécies)
    • Família Carettochelyidae Boulenger, 1887 (1 gênero, 1 espécie)
    • Família Cheloniidae Oppel, 1811 (5 gêneros, 6 espécies)
    • Família Chelydridae Gray, 1831 (2 gêneros, 5 espécies)
    • Família Dermatemydidae Gray, 1870 (1 gênero, 1 espécie)
    • Família Dermochelyidae Fitzinger, 1843 (1 gênero, 1 espécie)
    • Família Emydidae Rafinesque, 1815 (12 gêneros, 53 espécies)
    • Família Geoemydidae Theobald, 1868 (18 gêneros, 71 espécies)
    • Família Kinosternidae Agassiz, 1857 (5 gêneros, 27 espécies)
    • Família Platysternidae Gray, 1869 (1 gênero, 1 espécie)
    • Família Testudinidae Batsch, 1788 (18 gêneros, 65 espécies)
    • Família Trionychidae Gray, 1825 (13 gêneros, 32 espécies
  • Subordem Pleurodira Cope, 1864 (3 famílias, 93 espécies)
    • Família Chelidae Gray, 1825 (14 gêneros, 58 espécies)
    • Família Pelomedusidae Cope, 1868 (2 gêneros, 27 espécies)
    • Família Podocnemididae Cope, 1868 (3 gêneros, 8 espécies)

No Brasil, membros desta ordem podem ser denominados jabutis, cágados ou tartarugas. Os quelônios terrestres (que andam sobre a terra) são jabutis com patas grossas. Os aquáticos (tanto água salgada e água doce) são tartarugas; Os cágados são exclusivamente de água doce e possuem o casco mais achatado, o pescoço mais longo e suas patas possuem dedos com membranas. Quando precisam esconder a cabeça, ela é dobrada lateralmente para dentro do casco, diferente das tartarugas e jabutis que retraem o pescoço verticalmente.[17][18] Em Portugal, o termo cágado é exclusivamente utilizado para designar as duas espécies de tartarugas aquáticas nativas do país - a Emys orbicularis e a Mauremys leprosa, sendo o termo tartaruga utilizado para todas as espécies de quelónios. A designação sapo-concho é um termo mais abrangente, dado que pode denominar tanto os quelônios terrestres como os aquáticos, variando de região para região.

Anatomia e fisiologia[editar | editar código-fonte]

Crânio e retração do pescoço[editar | editar código-fonte]

Vista lateral de crânio e mandíbula de Chelonia mydas. Fonte: Hofling et al. (2019)

O crânio das tartarugas não apresenta fenestras temporais, ou seja, apresenta uma condição anapsida. Goodrich (1930),[19] Boulenger (1918) e Broom (1924)[20] enfatizaram que o arranjo de ossos da região temporal de tartarugas não se assemelha ao dos verdadeiros Anapsida. Além disso, estudos da ontogenia da musculatura adutora da mandíbula revelam semelhanças entre tartarugas e Diapsida. Assim, hoje sabe-se que Testudines são Diapsida com perda secundária das fenestras temporais.[9]

Ao longo da evolução, houve uma tendência à perda de alguns ossos dérmicos no crânio de tartarugas: lacrimal, epipterigoide e ectopterigoide são perdidos em muitos grupos; o nasal ocorre apenas na família Chelidae.[21] Na série circum-orbital, desaparece um elemento: segundo alguns autores, o pós-frontal, segundo outros, o pós-orbital.[9]

Todos os Testudines atuais possuem uma cápsula ótica expandida que reduz o espaço dentro da câmara adutora, diminuindo o volume de musculatura adutora da mandíbula. Isso, somado à condição anapsida, geraria um problema de baixa força na mordida. Assim, durante a evolução houve origem independente de diferentes soluções para aumentar a força de adução: em Pleurodira, o músculo adutor da mandíbula passa em cima de uma projeção em forma de roldana do pterigóide (processo troclear pterigóideo), enquanto em Cryptodira o processo troclear é formado pela própria cápsula ótica.[11]

Carapaça (esquerda) e plastrão (direita) de Testudines, acima esquema com placas epidérmicas queratinizadas e abaixo esquema com placas ósseas dérmicas. Fonte: Pough (2008)

As tartarugas atuais possuem um bico córneo sem dentes. O registro fóssil revela que a ranfoteca surgiu cedo na evolução de tartarugas,[22] embora alguns grupos basais ainda apresentassem dentes (como Odontochelys semitestacea).[23] O palato secundário está presente (constituído de placas horizontais da parte mediais de ossos como os pré-maxilares, maxilares, palatinos e pterigoides), porém pouco desenvolvido. Diferentemente do palato secundário de Crocodylia, no qual as coanas localizam-se na altura dos ossos pterigoides, em Testudines as coanas situam-se rostralmente na altura do vômer.[9]

A retração do pescoço ocorre lateralmente em Pleurodira e antero-posteriormente em Cryptodira. Em algumas espécies de Chelidae (Pleurodira), o pescoço pode ser mais longo do que o casco. Em algumas espécies de Trionychia e Kinosternidea (Cryptodira), há a capacidade de esticar a cabeça sobre a carapaça para defesa ou caça.[10] No caso de tartarugas-marinhas atuais, houve perda da capacidade de retração do pescoço.

Casco[editar | editar código-fonte]

O casco das tartarugas é formado pela carapaça (dorsal) e plastrão (ventral). Ambos possuem placas epidérmicas queratinizadas acima de placas de ossos dérmicos (sem sobreposição em posição e número). A carapaça é composta por placas neurais fusionadas às vértebras, placas costais fusionadas às costelas achatadas e placas periféricas. O plastrão é composto por pares de placas epidérmicas (como gular, umeral, peitoral, abdominal, femoral e anal); localizados subjacentemente pode haver as seguintes placas de ossos dérmicos: epiplastrões pareados derivados de clavículas; endoplastrão derivado da interclavícula; pares de hioplastrão, hipoplastrão e xifiplastrão.[11] As cinturas são internas à caixa torácica.

Áreas flexíveis (charneiras) podem estar presente nos cascos de muitos Testudines, como Kinosternon. Tartarugas-de-couro (Dermochelys coriacea) têm uma carapaça formada por cartilagem com milhares de pequenos ossos poligonais.[11]

Se as tartarugas evoluíram de um ancestral em comum marinho, a presença de pesadas costelas abdominais (gastrália) pode ter colaborado para o controle da flutuabilidade, resultando no surgimento do plastrão antes da carapaça (evidenciado pelo fóssil de Odontochelys).[24] A carapaça pode ter evoluído como uma estrutura de defesa, mas também há hipóteses recentes  de que os ancestrais das tartarugas eram fossoriais, nos quais a ossificação do casco pode ter sido uma maneira de lidar com a pressão do solo ao cavar.[25] Contudo, deve-se lembrar que outros vertebrados fossoriais apresentam uma redução de ossificação, formando um corpo relativamente mole, o que não corrobora com a hipótese.

Sistema digestivo[editar | editar código-fonte]

Quelônios têm bico córneo queratinizado sem dentes. As glândulas salivares são estruturas lóbulo-alveolares bem desenvolvidas. No caso de tartarugas que se alimentam de frutas, há um aumento de glândulas salivares secretoras de amilase. No estômago, a presença do alimento estimula a secreção ácida (mas o próprio estímulo visual e químico podem induzir a secreção do suco gástrico). Em meses mais quentes, a atividade proteolítica é mais rápida. Em tartarugas-de-Galápagos (Geochelone nigra), cascalhos de 1 cm de diâmetro são encontrados nas fezes, mas a função exata desses gastrólitos na digestão mecânica ainda é incerta. O trato intestinal de tartarugas herbívoras é maior do que de carnívoras para expandir a área de superfície de mutualismo com bactérias.[26]

O pâncreas das tartarugas também apresenta função exócrina e endócrina, mas, assim como em outros répteis, o pâncreas exócrino consiste em túbulos mais ramificados do que os ácinos e lóbulos de mamíferos. O fígado, por outro lado, é menos organizado em lóbulos do que em mamíferos.[26]

Sistema respiratório[editar | editar código-fonte]

Esquema representando a musculatura empregada para a respiração em Testudines (Fonte: Farrel, 2001)

Os amniotas primitivos usavam o movimento da caixa torácica para gerar uma pressão negativa, fazendo a ventilação, sendo esse modo de respiração retido como o mecanismo de ventilação primária dos lepidossauros e aves viventes.[27] Em Testudines isso não é possível devido à fusão das costelas ao casco rígido, em vez disso é empregado por musculaturas cranianas (peitoral e serrátil) e caudais (transverso abdominal e oblíquo abdominal) que, por contrações, movimentam a massa visceral, exercendo comprimento ou expandindo os pulmões que estão ligados ao casco na região dorsal e lateral, já na região ventral estão ligados a uma lâmina de tecido conjuntivo preso às vísceras.[11][28]

Para ocorrer a inspiração do ar, os músculos oblíquo abdominal, que liga o plastrão à membrana limitante caudal (um tecido conjuntivo em forma de cúpula localizada na região posterior), e o serrátil, que parte da carapaça e se insere na cintura peitoral, são contraídos. Ao contrair o oblíquo abdominal a membrana limitante é puxada ventralmente e contraindo o serrátil faz com que movimente a cintura peitoral para a região anterior, aumentando o volume da cavidade visceral, permitindo a expansão pulmonar. Já para a expiração do ar, são empregados o músculo transverso abdominal, que está inserido na carapaça e ligado à membrana limitante caudal, e o músculo peitoral, que conecta a cintura peitoral com o plastrão. Ao contrair o transverso abdominal ocorre a movimentação da membrana limitante caudal para o sentido dorsal e contraindo a musculatura peitoral há a movimentação da cintura escapular para dentro do casco, diminuindo o volume da cavidade visceral, exercendo uma pressão nos pulmões, causando a expiração.[11]

Em tartarugas aquáticas, tanto marinhas quanto de água doce, há diferentes mecanismos para realizar a respiração, como a utilização da própria pressão hidrostática da água para fazer o transporte do ar de dentro para fora dos pulmões.[11] Além disso, em alguns grupos ocorrem as difusões dos gases, absorção de O2 e liberação de CO2, nos epitélios da faringe ou cloaca. Esses epitélios são altamente irrigados, podendo até ter projeções que aumentam a superfície de contato, onde há um fluxo contínuo de água, ocorrendo as trocas gasosas.[11]

Sistema cardiovascular[editar | editar código-fonte]

O sistema circulatório em vertebrados é composto por uma bomba muscular (coração) que oferece pressão ao sistema, fazendo com o que o fluido percorra um sistema de vasos continuamente, nutrindo e oxigenando os diferentes tipos de tecidos e órgãos.[29] O sistema pode ser dividido em dois circuitos, o sistêmico, onde o sangue bombeado pelo coração transporta o sangue oxigenado para o corpo (cabeça, tronco e apêndices), e o circuito pulmonar, onde ocorre o bombeamento de sangue desoxigenado para os pulmões, oxigenando-o.[11][29]

O coração de Testudines possui os átrios direito e esquerdo completamente separado, e um único ventrículo grande dividido em três subcompartimentos interconectados, uma crista muscular, que é parcialmente fusionada à parede do ventrículo, o divide em cavum pulmonale, que faz comunicação com a artéria pulmonar, e cavum venosum, que se comunica com os arcos aórticos esquerdos e direito, o terceiro subcompartimento, cavum arteriosum, é situado dorsalmente aos outros e é conectado ao cavum venosum por meio de um canal intraventricular.[11][29]

O fluxo de sangue desoxigenado ocorre percorrendo o seio venoso para o átrio direito, que se esvazia na cavum venosum, já o sangue oxigenado esvazia-se no cavum arteriosum. Ambos os átrios são separados do ventrículo por válvulas em formas de abas que confinam o sangue nos subcompartimentos, contrações do átrio permite a abertura das válvulas e a contração do ventrículo possibilita o fechamento delas, esse arranjo permite que não ocorra a mistura entre os sangues oxigenado e desoxigenado, mesmo sem uma divisão morfológica permanente.

Sistema excretor[editar | editar código-fonte]

As tartarugas possuem dois rins ligados a uma vesícula extensível localizada próxima à cloaca para realizar a excreção de compostos nitrogenados, sendo esse composto a ureia para diversas espécies. Porém, o tipo de excreção depende do modo de vida, tartarugas que habitam regiões desérticas, com baixa disponibilidade hídrica, excretam ácido úrico e uratos, gastando mais energia para conservar mais água no corpo. Já tartarugas marinhas, por outro lado, excretam amônia (uma forma que há um gasto menor de energia, porém uma perda maior de água), além de realizarem osmorregulação pela secreção das glândulas de sal.

Sistema nervoso e sensorial[editar | editar código-fonte]

Esquema com regiões do cérebro de tartaruga-de-couro (Fonte: Wyneken, 2001)

O cérebro de tartarugas é arranjado na linha mediana do crânio, formado como um tubo durante o desenvolvimento e sofrendo posterior especialização de regiões, torções e expansões que caracterizam a forma adulta. Pode ser dividido em telencéfalo, diencéfalo, mesencéfalo, metencéfalo e mielencéfalo. Duas camadas de meninges cobrem o cérebro.[30]

Os órgãos sensoriais são os sistemas de detecção do ambiente a partir de fatores comportamentais de forrageamento, como predação e detecção de alimentos seguros.[31] As tartarugas possuem a visão bem desenvolvida, conseguindo responder à ampla faixa do espectro luminoso, além da presença de pequenas gotículas de óleo nas células cônicas, que possuem a propriedade de reduzir a sobreposição na sensibilidade dos comprimentos de ondas de luz entre cones adjacentes, podendo ser um indício de discriminação de cores.[32] A percepção de cores é de grande importância para a seleção de alimentos, onde uma cor pode ser muito atraente para uma espécie. Isso pode ser observado por meio de estudos comportamentais, como em quelônios das espécies Chelonoidis denticulata e Chelonoidis carbonaria, comuns da América do Sul, possuem preferência por alimentos de cores vermelho e amarelo do verde e azul.[33]

O olfato é outro sentido importante para a obtenção de diferentes informações do ambiente, auxiliando na busca e seleção de alimento, observando a presença de um parceiro ou inimigo, além do reconhecimento de seu território. As tartarugas possuem dois tipos diferentes de sistema quimiorreceptivo, o sistema olfativo e o sistema vomeronasal. As partículas de odor são capturadas pelas narinas, que passam pelo ducto faríngeo, até atingirem o epitélio olfativo. O órgão vomeronasal fica localizado na base da cavidade nasal,[34] esse órgão está intimamente ligado à percepção química utilizados para a comunicação. O olfato é de grande importância em espécies aquáticas, principalmente em regiões de alta turbidez, onde sinais químicos são orientadores espaciais dessas espécies.

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

Quelônios terrestres estão presentes em quase todo o mundo, exceto em regiões polares, ou alpinas, sendo muito comuns em florestas tropicais. Já as aquáticas, estão em todos os oceanos, exceto nos polares.[carece de fontes?]

Hábitos alimentares[editar | editar código-fonte]

Há inúmeras espécies de tartaruga (ver classificação) e há diferenças na dieta conforme a subordem. Muitas tartarugas são herbívoras[35] e algumas são onívoras (ou omnívoras),[36][37] ou seja, comem de tudo.

Alimento humano[editar | editar código-fonte]

Órgãos internos da uma tartaruga Cheloniidae.

Os ameríndios faziam grande uso das tartarugas, tracajás, jabutis e cágados como alimento.[38]

Era e é comum na Amazônia peixes, tartarugas e tracajás ficarem presos em lagos formados com a baixa das águas dos rios. As tartarugas saem e se dirigem para o rio mais próximo. Por alguma razão os tracajás nela permanecem e os índios, para capturá-los, batiam na água com pedaços de pau durante o dia. Os animais esperavam a noite para sair e eram facilmente capturados.[39]

Tartarugas eram facilmente capturadas após a desova por índios da Amazônia que simplesmente as viravam com o casco para baixo e depois as recolhiam e as levavam à aldeia, colocando-as em currais previamente preparados.[40][41]

Índios amazônicos montavam um palanque dentro da água e lá ficavam observando o movimento das tartarugas marinhas. Quando alguma se aproximava, mesmo estando bem no fundo, o índio mergulhava e a dominava com as mãos.[41] Os Otomaco da Venezuela também capturavam tartarugas mergulhando na água.[42]

Os Caibí do Mato Grosso consumiam o tracajá (tartaruga amazônica que chega a pesar 12 kg) e seus ovos. Cozinhavam os ovos, desta forma conservando-os por longo tempo.[43]

Índios de algumas tribos adoravam o jabuti com farofa. Removiam os intestinos do animal através de um buraco na parte ventral, através dele introduziam farinha e colocavam o jabuti inteiro para assar nas brasas.[44]

Referências

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