Sphenodontida

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Introdução

Como ler uma infocaixa de taxonomiaRhynchocephalia
Ocorrência: Triássico superior - Recent
Tuatara
Tuatara
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Sauropsida
Subclasse: Diapsida
Ordem: Rhynchocephalia
Günther, 1867
Famílias

Os Tuatara foram originalmente classificados como lagartos em 1831, quando a espécie foi descoberta por John Edward Gray e o British Museum recebeu um esqueleto para análise. O gênero permaneceu classificado erroneamente até 1867, quando Albert Günther, do British Museum, notou características semelhantes a pássaros, tartarugas e crocodilos.

   Sphenodontes possui 2 espécies viventes no mundo atual, que é o Sphenodon guntheri e Sphenodon punctatus. Os tuataras, também conhecidos como espinhos nas costas, tem esse nome graças ao povo indígena polinésio Maori da Nova Zelândia. A palavra tuatara significa "picos nas costas" ou "costas espinhosas", por sua óbvia crista dorsal de escamas pontiagudas descendo pela cabeça, costas e cauda. Os tuataras possuem no alto da cabeça o olho pineal, chamado por alguns de terceiro olho. Esse olho é revestido por uma escama opaca que se desenvolve na medida em que o animal cresce. Ele é ligado à glândula pineal, tem uma conexão nervosa junto ao cérebro e é constituído por retina e lentes, sendo capaz de sentir variações na luminosidade do ambiente.

Os registros fósseis mostram que eles existem desde o Triássico Médio, aproximadamente 240 milhões de anos atrás. O tuatara é frequentemente considerado um fóssil vivo, que está sendo desafiado por pessoas que os consideram um modelo de adaptação evolucionária que estão bem adaptados às suas condições atuais e não são um grupo imutável, são os únicos membros sobreviventes da ordem reptiliana Sphenodontia.

 Os animais dessa ordem não são lagartos, mas sim parentes próximos destes. A ordem Rhynchocephalia forma, juntamente à ordem Squamata (lagartos), a superordem Lepidosauria.

 Muitas espécies diferentes relacionadas foram adicionadas subsequentemente à Rhynchocephalia, resultando no que os taxonomistas chamam de "taxon de cesta de lixo". Williston propôs a Sphenodontia para incluir apenas os tuatara e seus parentes fósseis mais próximos em 1925. Sphenodon é derivado do grego para "cunha" (σφήν / sphen) e "dente" (ὀδούς / odous). No entanto, hoje Rhynchocephalia é usado para incluir Gephyrosaurus e Sphenodontia, enquanto Sphenodontia exclui o primeiro.

  Por muito tempo foi considerado apenas 1 espécie vivente. OSphenodon guntheri pode ser visto em apenas um local  das ilhas da Nova Zelândia, já que por ser parecido e estar no mesmo ambiente que o S. punctatus não era considerado como uma espécie “nova” e diferente e por alguns anos, foram considerados apenas como uma espécie de Sphenodon no geral. A negligência por parte dos pesquisadores, poderia ter levado à extinção de toda uma espécie importante.  

Hábitos[editar | editar código-fonte]

Ativos durante a noite, os tuataras passam o dia escondidos em buracos ou tocas, sendo que convive nestas tocas compartilhadas com as aves marinhas, e podem até mesmo cuidar dos ninhos dessas aves. Mas isso acontece pelo fato de que esses ninhos atraem outros tipos de animais que fazem parte da sua cadeia alimentar, como insetos e outros artrópodes. Porém quando é escassa essa alimentação eles se voltam contra os “colegas de quarto” e acabam se alimentando dos filhotes dessas aves. Os tuataras podem ser vistos aquecendo seu corpo ao sol, na entrada dessas tocas. Os machos são maiores e mais pesados do que as fêmeas e, assim como lagartos, são capazes de realizar a autotomia caudal (soltar a cauda para escapar de predadores).

Alimentação[editar | editar código-fonte]

Os tuataras alimentam-se de insetos, lagartos, ovos de aves marinhas e por vezes dos seus próprios juvenis. Alguns casos de canibalismo ocasionalmente são registrados nessa espécie pelo fato de serem animais que vivem em um habitat isolado de outras espécies de animais. Graças a evolução da própria natureza a espécie conseguiu desenvolver mecanismos que amenizam os índices do canibalismo fazendo com que os animais mais adultos tenham hábitos de forrageio noturnos e os mais jovens tenham hábitos diurnos.

Reprodução e cuidado parental[editar | editar código-fonte]

O seu ciclo de vida é muito longo durando cerca de 100 anos e o período de uma reprodução para outra é longo. Sendo assim, a sua maturidade sexual é atingida apenas entre a sua primeira e a segunda década. Porém as fêmeas se reproduzem entre 2 a 5 anos.

   A reprodução desses animais ocorre por justaposição de cloacas. O acasalamento ocorre no verão, mas a fêmea guarda o esperma no corpo durante dez meses até fecundar seus ovos, que serão postos na primavera seguinte. De início, os embriões desenvolvem-se depressa, mas esse desenvolvimento torna-se lento e quase para durante o inverno. A ninhada rompe os ovos no verão, cerca de quinze meses depois de eles terem sido postos, possuem a incubação mais longa que a de qualquer outro réptil. Explicando assim o fato de possuírem pouca libido e contribuir assim para que sejam animais raros de serem encontrados.

  Os ovos dos tuataras são enterrados e dependem da temperatura para eclodir, a fêmea põe cerca de 6 a 10 ovos. O cuidado parental é bastante evidente, pois a mãe cuida muito bem dos seus ovos, já que outras fêmeas podem cavar o ninho, e assim ocasionaria a perda de sua ninhada inteira.

    A determinação do sexo se dá por temperatura (ESD) assim como em Testudines e em Crocodilos. No caso dos tuataras, quanto menor a temperatura, a tendência é de nascer mais fêmeas, e quanto maior for a temperatura a tendência é nascer mais machos e se a temperatura for muito alta, nascerá apenas machos.

    A alguns pesquisadores vêm elaborando técnicas de cria-los em cativeiro de uma maneira que não tenha um impacto negativo para o ambiente em que vivem, na intenção de repovoar cada vez mais a população de tuataras, fazendo assim uma espécie longe da possibilidade e extinção. Porém como já citado, os tuatara são répteis de vida longa e maturidade tardia com reprodução lenta, o estabelecimento de uma população viável pode levar décadas.

Classificação[editar | editar código-fonte]

Os Lepidosauria são o grupo irmão de Archosauromorpha (inclui Crocodilia, Dinosauria e Aves) e são formados por duas ordens reptilianas, os Rhynchocephalia e os Squamata.  Os Sphenodontia (tuatara) compreendem o grupo irmão dos Squamata (que inclui lagartos e serpentes) que juntos formam a superordem Lepidosauria. O táxon Sphenodontia só possui duas espécies viventes em um único gênero, o Sphenodon. Já o táxon Squamata possui todas as outras espécies viventes de Lepidosauria, com uma grande diversidade de espécies de lagartos, lagartixas e serpentes (POUGH & JANIS. 2018). Uma característica marcante dos Sphenodontia é em relação aos dentes, que são fundidos nos ossos da mandíbula.

Já em relação aos Squamata, os grupos que formam essa ordem são o grupo monofilético Iguania, que é composto por Iguanidae (iguanas), Agamidae (lagartos que habitam a Europa, Ásia e Australia) e Chamaeleonidae (os camaleões), e o grupo Scleroglossa, composto por Gekkonidae (lagartixas com escamas modificadas na parte inferior dos dedos), Amphisbaenia (às vezes chamada cobra de duas cabeças), Dibamidae, Serpentes. O grupo Anguimorpha é composto por lagartos com e sem membros e o Lacertoidea, que inclui a Amphisbaenia e mais diversas famílias de reptilianos Lepidosauria (POUGH & JANIS, 2018). A diversidade desse clado permitiu que diversas formas derivadas surgissem e é possível encontrar animais herbívoros, carnívoros, insetívoros e até marinhos, sendo um grupo diverso em formas e tamanhos.  

Filogenia[editar | editar código-fonte]

Selon Wu, 1994[1] Evans, Prasad & Manhas 2001[2] e Apesteguia & Novas, 2003[3] em Mikko's Phylogeny Archive[4]

Rhynchocephalia
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Gephyrosaurus

Sphenodontia
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Diphydontosaurus

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Planocephalosaurus

Pleurosauridae
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Palaeopleurosaurus

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Pleurosaurus

Sphenodontidae
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Rebbanasaurus

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Polysphenodon

Brachyrhinodon

Clevosaurus

Sphenodontinae
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Homoeosaurus

Kallimodon

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Sapheosaurus

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Ankylosphenodon

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Pamazinsaurus

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Zapatadon

Theretairus

Sphenovipera

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Cynosphenodon

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Sphenodon

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Opisthias

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Toxolophosaurus

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Priosphenodon

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Eilenodon


Diferença dos lagartos[editar | editar código-fonte]

Morfologicamente, as Tuataras diferem dos lagartos porque são destituídas de ouvidos externos, bem como de órgãos copuladores. Além disso, o crânio desses animais apresenta várias particularidades como o tipo de dentição (acrodonte), o número de fileiras de dentes (duas na maxila superior) e a forma da fenestra temporal inferior (completamente delimitada). Ecologicamente, as Tuataras são tipicamente noturnas, apresentando temperaturas corpóreas relativamente baixas (entre 12 e 16 ºC) quando comparadas a outros répteis.

  Esses animais não são considerados lagartos por alguns motivos: não apresentam ouvido externo, possuem uma extensão de suas costelas em forma de ganchos, apresentam duas grandes aberturas localizadas em cada lado do crânio, bem atrás da cavidade ocular, além de machos não possuírem pênis.

Os lagartos apresentam grande diversidade de padrões de atividade, desde espécies extremamente sedentárias, que passam horas em determinado local, até espécies que estão quase em constante movimento. Esses padrões estão associados a estratégias de forrageamento identificadas como caçadores de senta-e-espera normalmente passam a maior parte do tempo parados, observando uma área relativamente ampla e, ao perceberem uma presa potencial, realizam ataque rápido; frequentemente, apresentam corpo robusto, cauda curta e coloração críptica, que favorece sua camuflagem no ambiente. Os lagartos forrageadores ativos movem-se na superfície do substrato, introduzindo o focinho sob folhas caídas e fendas do solo; têm corpo mais delgado, com cauda longa e padrões de listras que podem produzir ilusões de ótica, quando se movimentam. Lagartos são também famosos por uma de suas formas de defesa, a autotomia caudal. Esses animais possuem pontos de quebra em sua cauda que, quando um predador a abocanhar, essa se destaca permitindo que o lagarto escape. Após algum tempo a cauda se regenera, porém com uma cor diferente da original, e é sustentada agora por um bastão cartilaginoso.  


Referências

POUGH, F. Harvey & JANIS, Cristine M. VERTEBRATE LIFE. 10° ed. New York : Oxford University Press. 2019. p. 301-552.

Mega Curioso. 7 CURIOSIDADES INCRÍVEIS SOBRE O TUATARA. Disponível em: <https://www.megacurioso.com.br/animais/98587-7-curiosidades-incriveis-sobre-o-tuatara-o-ornitorrinco-dos-repteis.htm>. Acessado: 21 Dez. 2022.

POUGH, H. F.; JANIS, C. M. & HEISER, J. B. 2008. A vida dos vertebrados. 4ª ed. São Paulo: Atheneu.

HUTCHINS, M.; MURPHY, J. B. & SCHLAGER, N. 2003. Reptiles. In: Grzimek’s Animal Life Encyclopedia. Thomsom Gale, Farmington Hills.

Material associado às aulas de Biologia dos Cordados do curso de graduação em Ciências Biológicas da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), ministradas pelo professor Dr. Robson Santos.

  1. Wu, 1994 : Late Triassic-Early Jurassic sphenodontians from China and the phylogeny of the Sphenodontia. In the Shadow of the Dinosaurs. Cambridge University Press, New York. 1994
  2. Evans, Prasad & Manhas, 2001 : Rhynchocephalians (Diapsida: Lepidosauria) from the Jurassic Kota Formation of India. Zoological Journal of the Linnean Society, Predefinição:Vol., n. 3, p. 309-334
  3. Apesteguía & Novas, 2003 : Large Cretaceous sphenodontian from Patagonia provides insight into lepidosaur evolution in Gondwana. Nature, Predefinição:Vol., p. 609–612
  4. Sphenodontida Mikko's Phylogeny Archive