A Pedra do Reino

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Disambig grey.svg Nota: Se procura o romance de Ariano Suassuna, veja O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta.
A Pedra do Reino
Informação geral
Formato Microssérie
Gênero Musical
Duração 40 minutos Aproximado
Criador(es) Luiz Fernando Carvalho
Luis Alberto de Abreu
Bráulio Tavares
Baseado em O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta de Ariano Suassuna
País de origem  Brasil
Idioma original (Português)
Produção
Diretor(es) Luiz Fernando Carvalho
Elenco Irandhir Santos
Luiz Carlos Vasconcelos
Cacá Carvalho
Prazeres Barbosa
Everaldo Pontes
Marcélia Cartaxo
Germano Haiut
Anthero Montenegro
(Ver mais)
Exibição
Emissora de televisão original Rede Globo
Formato de exibição 480i (SDTV)
Transmissão original 12 de junho - 16 de junho de 2007
N.º de temporadas 1
N.º de episódios 5

A Pedra do Reino é uma microssérie brasileira dirigida e escrita por Luiz Fernando Carvalho com a colaboração de Luis Alberto de Abreu e Bráulio Tavares e exibida pela Rede Globo entre 12 de junho a 16 de junho de 2007.[1][2][3][4][5]

Produção[editar | editar código-fonte]

A produção foi uma homenagem aos 80 anos do escritor, dramaturgo e poeta nordestino Ariano Suassuna, autor do livro-base Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta[6] e é a terceira realização de Luiz Fernando Carvalho com base em obras do autor paraibano.[7] O diretor já adaptara para a televisão Uma mulher vestida de sol (1994) e A farsa da boa preguiça (1995)”.[8][9]

Artistas regionais coordenados pelo artista plástico Raimundo Rodriguez participaram da equipe de produção de arte. A trilha foi composta por Antônio Madureira (Quinteto Armorial) e Marco Antônio Guimarães (Uakti). A transposição para TV apresentou características exploradas pelo Movimento Armorial, movimento cultural-artístico fundado por Ariano Suassuna para promover a ligação da arte de formação técnica erudita com base em tradições da cultura popular nacional.[10]

As gravações aconteceram na cidade de Taperoá, na Paraíba, onde Ariano Suassuna passou sua infância. Durante o processo de preparação, equipe e elenco assistiram a palestras, em pleno sertão, da atriz Fernanda Montenegro, do psicanalista Carlos Byngton e do próprio escritor. Ariano Suassuna declarou que a recriação de Luiz Fernando Carvalho para seu Romance d’A Pedra do Reino resultou numa obra "extraordinariamente bela que o comoveu como autor e como pessoa, como espectador".

Simultaneamente à exibição da microssérie, a Editora Globo lançou uma caixa de livros sobre a produção da série, a partir do olhar dos principais envolvidos no trabalho - elenco e equipe de criação, em dois volumes. O primeiro volume está organizado na forma de seis livretos, acondicionados em estojo ilustrado, com roteiros de filmagem, anotações e desenhos, que oferecem ao leitor uma visão íntima do processo de criação. O sexto livreto contém os diários do diretor, do elenco e da equipe, espontaneamente criados durante os períodos de ensaios e filmagens. O livro também reproduz parte do manuscrito do autor paraibano que, entusiasmado com a realização da minissérie, retomou sua obra publicada em 1971 e criou desfechos para alguns personagens. O segundo volume é dedicado às fotografias de Renato Rocha Miranda.[11]

Projeto Quadrante[editar | editar código-fonte]

A partir de A Pedra do Reino, Luiz Fernando Carvalho criou o Projeto Quadrante, uma série de programas regionais de dramaturgia através de adaptações de textos literários de autores naturais de cada estado do Brasil.[12] Da mesma forma, atores locais encenariam os textos. A riqueza do projeto esteve na descoberta de talentos regionais: autores, atores, compositores, artistas em geral. O projeto prestigiou o potencial humano de cada cultura regional, superando a visão simplista do cartão postal. Além de A Pedra do Reino, compuseram o Quadrante as minisséries Capitu (2008), baseada no livro Dom Casmurro, de Machado de Assis, e Dois Irmãos (2017), de Milton Hatoum.[13]

Escolha do elenco[editar | editar código-fonte]

O elenco foi resultado de uma extensa pesquisa do diretor em busca de talentos por todo o sertão nordestino. Entre outros, A Pedra do Reino marca a estreia na televisão dos atores Irandhir Santos e Mayana Neiva e da cantora Renata Rosas.

Enredo[editar | editar código-fonte]

A história é narrada por Pedro Diniz Ferreira Quaderna, em três momentos. No primeiro, ele está preso durante o período do Estado Novo (1937-1945), em Taperoá, na Paraíba, e começa a escrever sua história, a partir das memórias de seus ancestrais. No segundo, aparece como um velho palhaço que conta seu passado num teatro improvisado no centro do vilarejo. Por fim, enfrenta o juiz corregedor que investiga a morte de seu padrinho, dom Pedro Sebastião Garcia-Barreto.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Ator Personagem
Irandhir Santos Dom Pedro Diniz Quaderna
Abdias Campos João Melchíades Ferreira da Silva
Allyne Pereira Dina me Dói
Sidney Moreira Argemiro
Anthero Montenegro Gustavo de Moraes
Beatriz Lélis Mãe
Claudete de Andrade Joana Quaderna Garcia-Barreto
Elias Mendonça Dom Ezequiel Veras
Everaldo Pontes Pedro Beato
Flávio Rocha Lino Pedra Verde
Frank dos Santos Leônidas
Germano Haiut Edmundo Swendson
Hilda Torres Genoveva Moraes
Iziane Mascarenhas Clara Swendson/Isabel
João Ferreira Velho Nazário
Jones Melo Antônio de Moraes
Júlio Rocha Dr. Pedro Gouveia
Jyokonda Rocha Onça Caetana/Maria Inominata
Lázaro Machado Ludugero Cobra-Preta
Luiz Carneiro Bastião
Maneol Constantino Dom Manoel Viana
Márcio Tadeu Frei Simão
Mayana Neiva Heliana/Moça Caetana
Mestre Salustiano Pedro Cego
Millene Ramalho Margarida
Moisés Gonçalves Pedro Justino Quaderna
Nelson Lima Severino Brejeiro
Nill de Pádua Malaquias/Dom João Ferreira Quaderna, o Execrável
Paulo César Ferreira Sinésio
Pedro Henrique Dias Dom Pedro Sebastião Garcia-Barreto
Pedro Salustiano Rei Azul
Prazeres Barbosa Comendador Basílio Monteiro/Dom Eusébio Monturo
Sandra Belê Maria do Badalo, Cangaceira
Servílio de Holanda Silvestre
Soia Lira Dona Carmem Torres Martins
Tavinho Teixeira Luís do Triângulo
Tay Lopez Adalberto Coura
Vanderléia Pimenta Maria Sulpícia
Zé Borba Mateus
Frank Menezes Samuel Wandernes
Jackson Costa Clemente Ravasco
Jessier Quirino Euclydes Villar
Luiz Carlos Vasconcelos Arésio
Renata Rosa Maria Safira
Marcélia Cartaxo Tia Filipa Quaderna
Felipe Rodrigues Quaderna (criança)
Jéssica Araújo Rosa
Júnior

Candido

O Capeta da garrafa

(cenário)

Cacá Carvalho Juiz Corregedor

Audiência[editar | editar código-fonte]

A audiência da estreia do programa foi de 12 pontos, deixando a Globo em 3º lugar, atrás da Record, que exibia Vidas Opostas e O Aprendiz (16,1 pontos), e do SBT que exibia o filme Lara Croft - Tomb Raider (13,8 pontos). Foi a menor audiência do canal nesse horário, desde que o Ibope começou a ser medido com os métodos atuais. No 2º dia de exibição, a minissérie teve um desempenho ainda pior: 9,4 pontos.[14] No 3º capítulo a série teve 11 pontos, mesmo com a ajuda de A Grande Família, que teve 36 pontos de média. Na média final, marcou 11 pontos na Grande São Paulo. [15]

Recepção[editar | editar código-fonte]

A minissérie recebeu, em 2008, o prêmio de Melhor Direção de Fotografia, oferecido pela Associação Brasileira de Cinematografia (ABC).

Para o crítico Ricardo Calil, "é muito fácil dizer o que não é A Pedra do Reino: ela não é uma visão folclórica do Nordeste como as perpetradas recentemente pela TV e pelo cinema brasileiros; não adere ao naturalismo rasteiro das telenovelas e dos filmes que assimilam esse estilo; não tem uma narrativa linear e uma estética industrial. Segue mesmo a lógica dos sonhos, com delírios visuais de intenso brilho e elipses de tempo, com desorientações espaciais e suspensões de sentido – o que leva a um resultado arrebatador e imperfeito, mas nunca banal ou pasteurizado".[4]

Na opinião de Rodrigo Fonseca, é "a mais radical das odisseias empreendidas pelo diretor Luiz Fernando Carvalho pelas veredas do gosto médio do telespectador brasileiro. Odisseias idealizadas para provar que um país que ainda lê tão pouco pode ser mobilizado pela TV para ouvir falar em literatura".[5]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Daniel Schenker Wajnberg (junho de 2007). «O Brasil de Quaderna para milhões». IstoÉ Gente. Consultado em 30 de maio de 2017 
  2. Esther Hamburguer (17 de dezembro de 2006). «Sertão é "semente" de "A Pedra do Reino"». Revista Cult. Consultado em 14 de abril de 2017 
  3. Ilana Felman. «A Pedra do Reino:A opera mundi de Luiz Fernando Carvalho». Revista Cinética. Consultado em 12 de abril de 2017 
  4. a b Ricardo Calil (6 de junho de 2007). «Triunfo da Imaginação». iG. Consultado em 12 de abril de 2017. A Pedra do Reino segue mesmo a lógica dos sonhos, com delírios visuais de intenso brilho e elipses de tempo, com desorientações espaciais e suspensões de sentido 
  5. a b Rodrigo Fonseca (16 de junho de 2007). «Crítica da microssérie 'A Pedra do Reino». O Globo. Consultado em 12 de abril de 2017. “A Pedra do Reino” eleva à enésima potência um questionamento autoral onipresente nas histórias de Carvalho desde que rodou “Os homens querem paz”, um especial, exibido em 1991 
  6. «Aula-espetáculo de Ariano Suassuna abre evento em sua homenagem». Memorial.org. 10 de setembro de 2007. Consultado em 30 de maio de 2017 
  7. Maurício Stycer (19 de junho de 2017). «Tributo de Bial a Suassuna chama atenção por ausência de ex-diretor da Globo». UOL. Consultado em 21 de junho de 2017 
  8. Victor, Adriana; Lins, Juliana (2007). Ariano Suassuna – Um perfil biográfico. [S.l.]: Zahar. p. 100. ISBN 9788571109896 
  9. Carvalho, Luiz Fernando; Nogueira, Maria Aparecida (2007). Ode a Ariano Suassuna: celebrações dos 80 anos do autor na Universidade Federal de Pernambuco. [S.l.]: Universitária UFPE. pp. 10–11. ISBN 978-85-7315-411-5. Certa vez estávamos na Fazenda Acauã, em pleno Sertão da Paraíba, lá onde você passou parte de sua primeira infância(...) Depois pediu que o levasse para ver o Rio. Fomos caminhando pelo meio do espinheiro até alcançarmos a margem daquele rio seco, que mais parecia com uma cicatriz na carne do chão. Você parou. Eu fiquei um pouco mais atrás. Ficamos um bom tempo assim, cercados pelo silêncio: você, imóvel como uma pedra, com aquele rio seco a seus pés. Até que, exatamente acima de nós – ou melhor, de você! – veio sobrevoar um gavião, com seu piado anunciante. Você então, parecendo liberado de seus silêncios mais antigos, e com uma alegria de menino, disse: “Eu sabia que vocês não abandonariam um sertanejo". 
  10. Guzzi, C. P. (2007). «"A leitura figurativa do Movimento Armorial a partir da significação da vinheta de abertura de A Pedra do Reino "». Rebeca, Revista Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual. pp. 257–274. Consultado em 10 de maio de 2017 
  11. Carvalho, Luiz Fernando (2007). Pedra do Reino - Estojo Ilustrado com 5 Cadernos de Filmagens + Diário de Elenco e Equipe. [S.l.]: Globo. ISBN 8525043370 
  12. Andréia Rocha (24 de julho de 2014). «Diretor de "A Pedra do Reino" adaptará "Fernando e Isaura" para a TV». UOL. Consultado em 17 de abril de 2017 
  13. André Santana (9 de janeiro de 2017). «Dois Irmãos retoma antigo projeto artístico de Luiz Fernando Carvalho e tem primeiro capítulo deslumbrante». Observatório da Televisão. Consultado em 12 de abril de 2017 
  14. «Terra - TV». Consultado em 29 de Dezembro de 2010 
  15. Sylvia Colombo (19 de junho de 2007). «"A Pedra do Reino" levanta a discussão sobre as estratégias para elevar o nível do repertório da TV aberta brasileira». Folha de S. Paulo. Consultado em 30 de maio de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]