Amazônia, de Galvez a Chico Mendes

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Amazônia - de Galvez a Chico Mendes
Informação geral
Formato minissérie
Gênero Drama histórico
Duração 40 minutos
Criador(es) Glória Perez
Baseado em Terra Caída, de José Potyguara, e O Seringal, de Miguel Ferrantes
País de origem Brasil
Idioma original (em português brasileiro)
Produção
Diretor(es) Marcos Schechtman
Elenco
Tema de abertura "Caminho das Águas", Maria Rita
Exibição
Emissora original Rede Globo
Transmissão original 2 de janeiro – 6 de abril de 2007
Episódios 55

Amazônia, de Galvez a Chico Mendes é uma minissérie brasileira produzida e exibida pela Rede Globo entre 2 de janeiro a 6 de abril de 2007, em 55 episódios.[1] Escrita por Glória Perez, sob pesquisa das historiadoras Bianca Freire-Medeiros, Giovanna Manfredi e Sandra Regina, sob direção de Carlo Milani, Emílio Di Biasi, Marcelo Travesso, Pedro Vasconcelos e Roberto Carminati e direção geral de Marcos Schechtman. Baseada nas obras Terra Caída de José Potyguara e O Seringal de Miguel Ferrante.

A minissérie conta a história da criação e emancipação do estado do Acre, sendo dividida em três fases protagonizadas por José Wilker, Alexandre Borges e Cássio Gabus Mendes.

Enredo[editar | editar código-fonte]

Primeira fase[editar | editar código-fonte]

Em 1899, o Acre vivia uma situação de conflito, pois, apesar de ser território boliviano, fora povoado por brasileiros que migravam do Nordeste atraídos pela exploração da borracha, que estava em sua fase áurea devido à Revolução Industrial. Quando a Bolívia decidiu retomar seu território, almejando justamente o lucro obtido com o látex extraído das seringueiras, o governo brasileiro não se opôs, pois a região, de acordo com o Tratado de Ayacucho, pertencia de fato ao país vizinho. O povo acreano revoltou-se com a situação e seringueiros resistiram à ocupação boliviana, liderados pelo espanhol Luis Gálvez Rodríguez de Arias.

Homem de maneiras refinadas e cultura vasta, Gálvez é um típico "Don Juan", que decide vir ao Brasil em busca da fortuna prometida pelo Eldorado da Amazônia. Envolve-se primeiramente com Beatriz, uma mulher casada e completamente louca por ele. Mas quando vai para Manaus, Gálvez reencontra uma antiga amante, Lola, com quem abre um cabaré. Depois, decide conquistar o território acreano - com a ajuda financeira do governador do Amazonas, Ramalho Júnior - acompanhado por uma companhia de zarzuela. E se apaixona pela prima-dona Maria Alonso.

Ainda é apresentado o cotidiano de duas famílias que representam as classes socioeconômicas então presentes na região: a do seringalista e a do seringueiro, e suas perspectivas em relação às constantes disputas no estado. Para mostrar a cultura, os conflitos e a vida de riqueza e luxo dos seringalistas, a trama conta a história do coronel Firmino, casado com dona Júlia, pai de Tavinho e Augusto. E, para retratar a saga difícil de um povo batalhador e suas características, é detalhado o dia a dia da família de Bastião, sua mulher Angelina, e seus filhos, Delzuite e Bento, que assim como milhares de famílias, migraram do Nordeste para o Acre na tentativa de ganhar dinheiro da extração do látex das seringueiras.

Foi criado no dia 14 de julho de 1899 o Estado Independente do Acre. Gálvez foi aclamado presidente do novo país, o que despertou o descontentamento de muitos seringalistas. Em 28 de dezembro de 1899, Gálvez foi deposto por Antônio de Sousa Braga, que não conseguiu se manter no poder e logo lhe devolveu o comando. O Governo Federal Brasileiro, porém, sabendo que a desobediência deste tratado colocava em risco suas relações internacionais, em março de 1900, destituiu Gálvez e devolveu o Acre à Bolívia.

Enquanto isso, Plácido de Castro, militar gaúcho, decidiu tentar a sorte no norte do país, demarcando seringais na Amazônia. Nesta época, liderados pelo jornalista Orlando Lopes, intelectuais e boêmios de Manaus, como Rodrigo de Carvalho e o engenheiro Gentil Norberto, organizam uma expedição para expulsar os bolivianos e tomar o Acre. Porém, sem experiência na arte militar, o levante foi derrotado. Diante disto, os revoltosos chegaram à conclusão de que precisavam de um líder militar e convidaram Plácido, que aceitou o desafio.

A Bolívia arrendou o Acre para o Bolivian Syndicate. Lino Romero foi enviado a Puerto Alonso para preparar a passagem da administração ao Bolivian Syndicate. Começa, então, o movimento armado contra a Bolívia, liderado por Plácido e bancado pelos seringalistas da região. Vencida a guerra, a diplomacia brasileira entrou em ação, e através do Tratado de Petrópolis, o Acre foi, finalmente, incorporado ao Brasil. Mas não como estado, como haviam sonhado os que sonharam por aquele desfecho - como território.

Segunda fase[editar | editar código-fonte]

Anos se passaram e tem início a decadência da borracha. Toda a riqueza decorrente neste ciclo estava distribuída desigualmente, o que acentuava a lacuna existente entre as classes dominantes da floresta e os seringueiros. No seringal Santa Rita, com a morte do coronel Firmino, seu filho Augusto, agora um homem feito, herda o comando dos negócios. No passado, ele dizia que as relações de trabalho seriam mais justas quando o seringalista fosse ele. Mas não é o que seu amigo de infância, Bento, encontra quando volta ao Santa Rita depois de muitos anos. Augusto se transformou em um coronel pior do que seu pai um dia foi. Ele tem como amante a fogosa Anália, esposa de Tiburtino, seu chefe de armazém, que consente com o relacionamento entre sua mulher e seu patrão.

Com o casamento marcado com a doce Risoleta, Augusto tem de se casar por procuração, já que o seringal, após muitos anos de decadência, volta a dar indícios de prosperidade. Para tanto, manda que seu irmão Leandro o represente na cerimônia. Leandro é filho de Firmino com Justine, sua antiga amante, que, após a morte de dona Júlia - morte esta que Justine poderia ter evitado -, conseguiu se firmar como esposa do coronel. Ela vive às turras com Beatriz, irmã de Júlia, que um dia foi apaixonada por Gálvez e passou o resto dos anos discutindo com Justine debaixo do mesmo teto.

Ao representar Augusto no seu casamento, Leandro acaba se apaixonando por Risoleta, sentimento este que ela, apesar de lutar contra, também sente. Ao se dar conta da furada que foi seu fracassado casamento, Risoleta acaba se entregando ao amor pelo cunhado. Mas eles terão que enfrentar a ira de Augusto.

Terceira fase[editar | editar código-fonte]

Bento continuou na vida de seringueiro, mas se engajou numa luta; já seu ex-amigo Augusto foi à completa falência e vendeu seu seringal: enfim, chegamos aos anos 80. O terceiro líder da história é o seringueiro Chico Mendes, que chamou a atenção do Brasil e do mundo para a preservação da floresta que vinha sendo destruída desde a década de 1970, quando os seringais começaram a ser transformados em pastos para gado. Chico Mendes criou um movimento de resistência para impedir o desmatamento, só que de forma pacífica, usando apenas o diálogo como arma. Uniu seringueiros e índios numa grande frente conhecida pelo nome de 'Povos da Floresta'. Chico Mendes foi condecorado pela ONU e sua luta reconhecida pelas organizações internacionais de proteção do meio ambiente, até ser cruelmente assassinado em 1988.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Primeira fase[editar | editar código-fonte]

Ator Personagem
José Wilker Luis Gálvez
Vera Fischer Lola
Christiane Torloni Maria Alonso
Débora Bloch Beatriz Gomes
Giovanna Antonelli Delzuite dos Anjos
Paulo Nigro Otávio Rocha (Tavinho)
José de Abreu Coronel Firmino Rocha
Jackson Antunes Bastião dos Anjos
Osmar Prado Gianni Alonso
Juca de Oliveira José de Carvalho
Tarcísio Filho Orlando Lopes
Werner Schünemann Rodrigo de Carvalho
Cláudio Marzo Ramalho Júnior
Kadu Moliterno Governador Sousa Braga
Eriberto Leão Genesco de Castro
Malu Valle Júlia Rocha
Leona Cavalli Justine Rocha
Magdale Alves Angelina dos Anjos
Ilya São Paulo Viriato
Alessandra Maestrini Soledad
Tonico Pereira Genivaldo
Tânia Alves Dos Anjos
Antônio Petrin Gabino Besouro
Antônio Pitanga Alcedino
Neusa Borges Zefinha
Betty Gofman Amelinha
Eduardo Galvão Joaquim Vítor
Anderson Müller Osmarino
Duda Mamberti Nassif
Cacá Amaral José Galdino
Cláudio Jaborandy Benedito
Cândido Damm Uhthoff
Milena Toscano Ilka
Cacau Mello Diná
Franciely Freduzeski Amparito
Nana Gouvêa Lea
Ronaldo Dappes Augusto Rocha
Thiago Oliveira Bento dos Anjos
Mussunzinho Dico

Segunda fase[editar | editar código-fonte]

Ator Personagem
Alexandre Borges Plácido de Castro
Dan Stulbach Leandro Rocha
Humberto Martins Augusto Rocha
Júlia Lemmertz Risoleta Trindade
Letícia Spiller Anália Junqueira
Irene Ravache Beatriz Gomes
Zezé Polessa Justine Rocha
Antônio Calloni Padre José
Milton Gonçalves Mestre Irineu
Roberto Bomfim Governador Elias Vasconcellos
Tereza Seiblitz Olga Vasconcellos (Olguinha)
Caio Blat Ramiro dos Anjos
Camila Rodrigues Ciça dos Anjos
João Miguel Heraldo
Marcelo Faria Romildo
Fernanda Paes Leme Belinha Saboia
Emílio Orciollo Netto Bento dos Anjos
Ernani Moraes Tiburtino Junqueira
Diogo Vilela Juvenal Antunes
Sheron Menezzes Verônica
Juliana Alves Áurea
Pedro Paulo Rangel Conrado Constantino
Paula Pereira Maroca Constantino
Jandira Martini Donana
Ruth de Souza Madrinha Entrevada
Odilon Wagner Alarico Mendes
Brendha Haddad Ritinha
André Arteche Toinho
Pedro Furtado Carlinhos Vasconcellos
Beto Quirino Cesarino Saboia
André Gonçalves Zé Ambrósio
Suyane Moreira Ianká
Osvaldo Mil Raimundão
Carolina Holanda Carminha
Clarisse Baptista Zilá
Júlio Adrião Távora
Karla Martins Filó
Brunno Abrahão Chico Mendes (criança)

Terceira fase[editar | editar código-fonte]

Ator Personagem
Cássio Gabus Mendes Chico Mendes
Lima Duarte Bento dos Anjos
Francisco Cuoco Augusto Rocha
Vanessa Giácomo Ilzamar Mendes (Ilza)
Cristiana Oliveira Carminha dos Anjos
Paulo Goulart Tavares
Ricardo Petraglia Darly Alves da Silva
Tato Gabus Mendes Brito
Leopoldo Pacheco Adrian Cowell
Silvia Buarque Mary Alegretti
Totia Meirelles Dalva Tavares
Marcos Winter Firmino Rocha Neto (Neto)
Bianca Comparato Celinha
Bertrand Duarte Padre Cláudio
Henri Pagnoncelli Florêncio
Cosme dos Santos Nésio
Chica Xavier Irina
Murilo Grossi Delegado Benson
Theodoro Cochrane Cássio
Adílson Maghá Raimundão
Ana Paula Bouzas Cida
Arlindo Lopes Alcides
Tião D'Ávila Hélio Melo
Clementino Kelé Edson
Eduardo Moreira Arquilau
Emílio di Biasi Dom Moacir
Flávia Guedes Marilza
Francisco Carvalho Moacir
Graça Andrade Waldiza
Valter Santos Nilo
Guti Fraga Lauro
João Signorelli Rui
Paschoal Villaboim Genésio
Alexandre Liuzzi Elson Martins
Bruna Marquezine Adressa

Participações especiais[editar | editar código-fonte]

Ator Personagem
Primeira fase
Paulo Betti Dr. Gomes
Regina Casé Maria Ninfa
Matheus Nachtergaele Sr. Poeta
Victor Fasano Gentil Norberto
Solange Couto Tânia
Eva Todor Branquinha
Duda Ribeiro Doutor
Suzana Faini Zeferina
Zilda Pereira Maria
Val Perré Vitorino
Roberto Frota Pedro Freire
Eunice Baía Ayani
José Ramos Zuca
Luci Pereira Jovina
Márcio Vito Clemente
Marina Filizolla Zuleika
Wanderson Guedes Mascate
Sóstenes Vidal Honório
James Araújo Seringalista
Alonso Gonçalves Santivanez
Paulo Vespúcio Alexandrino da Silva
Ricardo Bravo Lino Romero
Patrick de Oliveira Alípio
Daniela Pinto Delzuite (criança)
Segunda fase
Mauricio Gonçalves Mestre Irineu (jovem)
Clemente Viscaíno Rodriguez
Betina Vianny Aída
Charles Myara Raimundo Doido
Rosimar de Mello Mundica
Isio Ghelman Mr. Scott
Janaína Prado Cleonice
Rony Cácio Amâncio
Christovam Netto Zeca
Clarice Derzié Luz Joana
Edmo Luís Pascoal
Jassy Oliveira Generina
Terceira fase
Leonardo Medeiros Wilson Pinheiro
Fernanda Carvalho Detinha
Júlio Andrade João Maia
Ravi Lacerda Cláudio
Tony Ravan Lula
Bernardo Rebello Guto
Carmelita Menezes Luísa
Cyria Coentro Socorro
Lourdes de Moraes Irmã Zélia
Márcia do Valle Diva

Audiência[editar | editar código-fonte]

A minissérie estreou com uma média de 33 pontos e 48% de share[2].

Trilha sonora[editar | editar código-fonte]

Capa: Suyane Moreira

  1. Caminho das Águas - Maria Rita (Tema de abertura)
  2. Sabiá - Marina Elali
  3. Viramundo - Isabella Taviani
  4. Amor que Fica - Zezé Di Camargo & Luciano com Ivete Sangalo (Tema de Delzuite e Tavinho)
  5. Pauapixuna - Fafá de Belém
  6. Navio Gaiola - Nilson Chaves
  7. O Fundo - João Donato e Caetano Veloso
  8. Amor de Miragem - Raíza
  9. Flor de Maracujá - João Donato
  10. Rosa - Luiz Melodia
  11. Solamente Una Vez - Nana Caymmi
  12. Umbral - Pedro Jóia
  13. Recuerdos de Ypacaraí - Cauby Peixoto e Ângela Maria
  14. A Noite do Meu Bem - Milton Nascimento
  15. Luar do Sertão - Roberta Miranda
  16. Espere por Mim, Morena - Gonzaguinha
  17. Bachianas Brasileiras Nº 5 - Maria Lucia Godoy

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Prêmio Top Of Business (2007)

  • Atriz - Leona Cavalli

Prêmio Qualidade Brasil (2007):

  • Melhor Projeto Especial de Teledramaturgia

Referências

  1. «MINISSÉRIE "AMAZÔNIA" ESTRÉIA NESTA TERÇA-FEIRA NA GLOBO». G1. 30 de dezembro de 2006. Consultado em 10 de junho de 2016 
  2. «Foi Bem». UOL. 4 de janeiro de 2007. Consultado em 10 de junho de 2016 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]