Documentário

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Documentário é um gênero cinematográfico que se caracteriza pelo compromisso com a exploração da realidade. Mas dessa afirmação não se deve deduzir que ele represente a realidade «tal como ela é». O documentário, assim como o cinema de ficção, é uma representação parcial e subjectiva da realidade.

O conceito[editar | editar código-fonte]

O termo documentário é descrito em 1879 pelo dicionário francês Littré como adjetivo referente a algo «que tem carácter de documento». Atualmente, há uma série de estudos cujos esforços se dirigem no sentido de mostrar que há uma indefinição de fronteiras entre documentário e cinema de ficção, definindo um gênero híbrido. Surge no início do século o termo docuficção. A etnoficção é umas das práticas nobres deste gênero. No Brasil todos Documentarios são livre des de 2011. Pela lei 1987 artigo 12

A distinção entre ficção e aquilo que se convencionou chamar de documentário marcou desde cedo a história do cinema, com o paralelismo entre os filmes dos irmãos Lumière e as obras de Georges Meliès. Sendo Meliès associado inequivocamente ao filme de ficção, as produções dos irmãos Lumière são conotadas com o género documental.

O filme documentário foi pela primeira vez teorizado por Dziga Vertov (1896-1954), que desenvolve o conceito de «cinema-verdade» (kino-pravda), defendendo a ideia da fiabilidade do olho da câmara, a seu ver mais fiel à realidade que o olho humano - ideia ilustrada pelo filme que realizou Cine-Olho (1924) -, visto ser uma reprodução mecânica do visível (Ver: cinema directo).

1920's[editar | editar código-fonte]

Robert Flaherty e «Nanook, o Esquimó»[editar | editar código-fonte]

É, no entanto, nos anos 20 que se começa a consolidar uma ideia de documentário. Um dos primeiros filmes associados ao género é «Nanook, o Esquimó» de Robert Flaherty, herdeiro dos populares travelogues do início do século XX.

Apesar de pioneiro, o trabalho de Flaherty está algo longe da noção que temos hoje de documentário. Parte das filmagens de «Nanook» foram encenadas para a câmara, e não apenas documentadas espontaneamente. Apesar de ilustrar certos aspectos da vida dos inuit, a representação daquele povo é simplista na forma como aborda as complexidades da sua estrutura social, para mais facilmente ser compreendido à luz dos padrões culturais americanos. O retrato que Flaherty faz dos inuit é essencialmente romântico, já que tende a filmar um modo de vida de um ponto de vista intemporal, que não correspondia exactamente ao quotidiano destes indígenas. Esta intemporalidade é aquilo que mais caracteriza «Nanook», pois implica o sacrifício da espontaneidade nas filmagens para transmitir uma ideia ocidental do bom selvagem.

Dziga Vertov e «O Homem da Câmara de Filmar»[editar | editar código-fonte]

Flaherty era intuitivo e pragmático, mas não era um teórico. Um dos mais férteis teóricos dos anos 20 foi sim Dziga Vertov, que desenvolveu a sua obra e teoria por volta desta mesma altura. A obra de Vertov insere-se num contexto político muito oposto ao de Flaherty. Os filmes de Vertov são claramente políticos, apesar de também terem uma componente poética e estética.

O cinema soviético do início do século foi marcado pelo socialismo e pela sua propaganda. Visto como um meio de agitação das massas, beneficiou de um investimento que não teria sido possível caso não fosse visto como um importante instrumento de educação de uma população isolada e analfabeta.

O trabalho de Vertov distinguiu-se devido à sua experimentação com a imagem, para além da montagem (cuja exploração caracteriza, em geral, os mais proeminentes cineastas soviéticos da altura). O essencial da sua teoria foi o conceito de Cine-Olho, uma forma particular de observação apenas possível devido ao uso do dispositivo cinematográfico. Não estando limitada pelas capacidades humanas, a câmara era superior ao olho humano na apreensão da realidade. Esta superioridade do Cine-olho permitiu a Vertov desenvolveu uma nova estética baseada no desafio às capacidades de percepção do olho humano, nomeadamente com os ângulos improváveis que este cineasta utiliza – à semelhança da fotografia de Rodchenko, na qual o cineasta se inspirou.

É com «O Homem da Câmara de Filmar», a sua obra mais emblemática, que Vertov produz o primeiro filme não-ficcional entendido como tal, estando plenamente consciente disso, como provam os créditos que iniciam a película, e que anunciam ao espectador que o filme que está prestes a ver foi executado sem recurso a cenários, guiões ou actores. Vertov trata a materialidade da vida e a auto-reflexividade do cinema. Para este cineasta, a imagem é “a arte do facto”, conceito que nasceu do Construtivismo que, assim como as vanguardas europeias do início do século XX, influenciaram o seu trabalho. E é essa mesma forma de abordar a materialidade e de filmar a realidade que irá influenciar, quatro décadas mais tarde, os cineastas do cinéma vérité.

Legislação[editar | editar código-fonte]

Em Portugal[editar | editar código-fonte]

A legislação portuguesa em vigor (Portaria n.º 878/2003, de 20 de Agosto) estabelece que se consideram «DOCUMENTÁRIOS DE CRIAÇÃO aqueles que contenham uma análise original de qualquer aspecto da realidade e não possuam carácter predominantemente noticioso, didáctico ou publicitário nem se destinem a servir de simples complemento a um trabalho em que a imagem não constitua elemento essencial, seja qual for o seu suporte e duração.» Isso sem contar os inúmeros gêneros literários que podem ser acrescidos a este termo documentário.

Fontes e referências[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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