Dziga Vertov

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Question book.svg
Esta página ou secção não cita fontes confiáveis e independentes, o que compromete sua credibilidade (desde setembro de 2012). Por favor, adicione referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Conteúdo sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Searchtool.svg
Esta página foi marcada para revisão, devido a inconsistências e/ou dados de confiabilidade duvidosa (desde setembro de 2012). Se tem algum conhecimento sobre o tema, por favor, verifique e melhore a consistência e o rigor deste artigo.
Dziga Vertov
Denis Arkadievitch Kaufman
Nascimento 2 de janeiro de 1896
Białystok
Flag of Russia.svg Império Russo
Morte 12 de fevereiro de 1954 (58 anos)
Rússia
Nacionalidade Russo
Ocupação Cineasta, documentarista e jornalista
Escola/tradição Cinema verdade

Dziga Vertov (nascido Denis Arkadievitch Kaufman; Białystok, 2 de janeiro de 189612 de fevereiro de 1954) foi um cineasta, documentarista e jornalista russo, o grande precursor do cinema directo, na sua versão de cinema verdade.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Muito jovem ainda Vertov começa a escrever poemas e estuda música durante quatro anos. Com 19 anos começa a estudar medicina, na mesma época em que cria o "laboratório do ouvido" onde registra e monta ruídos de todo o tipo com um velho fonógrafo Pathéphone. É também nesse período que muda seu nome para DZIGA - palavra ucraniana que significa roda que gira sem cessar e VERTOV - do russo vertet que significa rodar, girar. Também se declara futurista, muito influenciado por Maiakovski. [1]

Após o discurso em que Lenin considera o cinema como o principal meio de divulgação da nova ordem social que se instala na União Soviética, Vertov se põe à disposição do Kino Komittet de Moscou (1918) tornando-se redator e montador do primeiro cine-jornal de atualidades do Estado Soviético - o KINONEDELIA (Cinema Semana). [2]

Em 1922, cria com sua mulher Svilova e seu irmão Mijail, o "Conselho dos Três" denominando-se kinoks - um composto das palavras russas kino (cine) e oko (olho). Começam a trabalhar no Kinopravda (Cinema verdade) e produzem 23 números dessas atualidades cinematográficas. [3]

Em 1923 o grupo publica seu primeiro manifesto teórico com o título "A revolução dos kinoks"

Desse momento em diante Vertov desenvolve uma febril atividade tanto prática, de realizações de documentários, quanto teóricas. Todos os seus experimentos com as imagens colhidas do real são objeto de textos-manifestos em que ele declara seus princípios das relações entre olho/câmera/realidade/montagem. Todos os seus experimentos cinematográficos baseiam-se no exercício exaustivo de construção da expressão através da articulação desses quatro elementos. [4]

Cquote1.svg ... Eu sou o cine-olho. Eu crio um homem mais perfeito que Adão. Eu crio milhares de pessoas diferentes a partir de esboços e de esquemas previamente concebidos. O cine-olho é entendido como 'aquilo que o olho não vê'...[5] Cquote2.svg

Em 1929, Vertov lançou aquele que foi o mais revolucionário e experimental de seus filmes: Um Homem com uma câmera (Tchelovek s kinoapparatom). Silencioso e rico em imagens da União Soviética sob os mais diversos ângulos, a obra de Vertov pretendia desvelar os segredos do cinema, da técnica e da linguagem cinematográfica. Esse filme representou o rompimento definitivo entre o cinema de Vertov com a literatura e o teatro. O foco estava na experiência, na "cinessensação do mundo", exemplificando na prática as teorias desenvolvidas pelos Kinoks. A produção do filme marcou também outro rompimento definitivo, o da parceria entre Vertov e seu irmão, Mikhail Kaufman, pondo fim ao movimento Kinoks.[6]

Dziga Vertov morreu em Moscou, no dia 12 de fevereiro de 1954, quando, aos 58 anos de idade, não foi mais capaz de resistir ao câncer que o afligia.[7]

Teoria e prática[editar | editar código-fonte]

Fez parte do movimento construtivista, escrevendo inúmeros artigos sobre a teoria do filme.

Seu filme Um Homem com uma Câmera é um marco na história do cinema, como documentário reflexivo (Bill Nichols). Filma o cotidiano de cidades russas, principalmente Moscovo (Moscou), com criatividade e lucidez. Planos pensados e repensados, a passagem de um simples fotograma a complexa estrutura narrativa mantendo a intenção poética são, por si sós, uma aula de cinema. Para associar o olho humano ao da câmera, usa por exemplo planos de uma persiana, numa metáfora da retina, do diafragma da objectiva, do cinema-olho, capaz de apreender o real.

A sua teoria do Kino Pravda, a do cinema-verdade, é fundadora de futuras teorias e práticas numa área fundamental do cinema: o contato direto do olho da câmera com o evento filmado, a verdadeira realidade, ao contrário da ficção, que precisa do plateau. Aí se diferencia Vertov de Eisenstein: a idéia, a encenação e o plateau, tal como no teatro.

A idéia é aquilo que tudo determina. Não escapa ao movimento da História e é expressão de um ideal humanista que se dinamiza na construção de uma sociedade justa.

O cinema-verdade foi amplamente explorado por Jean Rouch, que, na teoria e na prática, fez a sua síntese de Vertov e de Robert Flaherty.

Dziga Vertov foi um dos primeiros cineastas russos a usar técnicas de animação e desenvolver certos princípios fundamentais da montagem no cinema. Estabeleceram o ABC das linguagem cinematográfica. Para Vertov a montagem é a alma do filme, o motor da sua estética e do seu sentido. O trabalho de Dizga Vertov foi fundamental para o desenvolvimento da construção dramática e melhoria do cinema e para o surgimento do cinema direto nos anos sessenta, com o desenvolvimento das técnicas de filmagem com câmaras leves com som síncrono.

Filmografia[editar | editar código-fonte]

  • 1919 Kino Nedelia, A Semana no Cinema
  • 1919 Aniversário da Revolução
  • 1922 História da Guerra Civil
  • 1924 Brinquedos Soviéticos
  • 1924 Cine-Olho
  • 1925 Kino-Pravda
  • 1926 A Sexta Parte do Mundo
  • 1928 O Onézimo
  • 1929 Um Homem com uma Câmera (br)/O Homem da Câmara de Filmar (pt)
  • 1931 Entusiasmo (Sinfonia de Donbass)
  • 1934 Três Canções para Lênin
  • 1937 Memórias de Sergo Ordjonikidze
  • 1938 Três Heroínas
  • 1944 Nas Montanhas de Ala-Tau
  • 1954 Notícias

Livros sobre Dziga Vertov[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Dziga Vertov
Ícone de esboço Este artigo sobre cineastas é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.