Banda sonora

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Uma banda sonora (português europeu) ou trilha sonora (português brasileiro), conhecida em inglês como soundtrack[1] é, tecnicamente falando, "todo o conjunto sonoro de um filme, incluindo além da música, os efeitos sonoros e os diálogos."[2] Isso também inclui peças de um programa de televisão ou de jogos eletrônicos. Pode incluir música original, criada de propósito para o filme, ou outras peças musicais, canções e excertos de obras musicais anteriores ao filme. A definição de "trilha sonora" se expandiu na década de 1990, com coletâneas do tipo "Music Inspired By".[3] Alguns exemplos bem sucedidos dessa tendência foram as trilhas de O Corvo (nos Estados Unidos[4] ) e Trainspotting (no Reino Unido[5] ).

Um filme pode popularizar uma obra musical já existente, mas menos conhecida pelo grande público. 2001 - Uma Odisseia no Espaço deu uma popularidade sem precedentes ao poema sinfónico Assim falou Zaratustra, de Richard Strauss. O filme Elvira Madigan, de Bo Widerberg, ao utilizar o concerto para piano n.º 21 de Wolfgang Amadeus Mozart, popularizou de tal forma esse tema musical que, apesar de já existir há muito, passou a ser cognominado de Elvira Madigan.

As edições das bandas sonoras em álbum têm sido lançadas de dois modos: ou se trata da edição da banda sonora de um filme ou são colecções de várias peças de um certo autor criadas especificamente para alguns filmes - como, por exemplo, Bernard Herrmann, Ennio Morricone ou Nino Rota.

História[editar | editar código-fonte]

Desde a primeira e histórica projeção dos irmãos Lumière, em 1895, as imagens da 7º arte já tinham um acompanhamento musical.[6] Porém, o fundo musical era geralmente uma improvisação solo feita por pianistas ou organistas, e a música raramente coincidia com as narrativas da tela.[7] A partir de 1910 começaram a ser editadas partituras para piano e orquestra, que transmitiriam os "climas" apropriados para cenas específicas. No entanto, o problema de sincronização entre cena e trilha sonora ainda não tinha sido resolvido.[8] Só na década seguinte se chegou a uma solução para este impasse, com a encomenda dos primeiros scores, ou seja: música incidental feita exclusivamente para determinado filme.[9]

Categorias[editar | editar código-fonte]

  • Gravações do elenco
    • Musicais
    • Peças de teatro

Bandas sonoras cinematográficas[editar | editar código-fonte]

As banda sonora para cinema (português europeu) ou trilha-sonora para cinema (português brasileiro), tais como as televisivas, normalmente incluem excertos da música instrumental composta para o filme (ou programa televisivo) e canções que nele se ouvem.

Na década de 1990, popularizou-se o conceito de inclusão de canções inspiradas pelo filme (ou programa). De um modo geral, tratava-se apenas de uma jogada de marketing para atingir mais público, e os álbuns sofreram com tal.[3] Um crítico apontou essa tendência como o sintoma de um "gradativo empobrecimento que a música do cinema sofreu" no últimos tempos.[10] No entanto, alguns desses álbuns eram bastante superiores à média.[3]

De qualquer modo, as bandas sonoras assemelham-se a álbuns de compilações de vários intérpretes.

Música do filme[editar | editar código-fonte]

A música do filme está de harmonia com o diálogo e a imagem, estabelecendo o tom de um filme. Independentemente de ser clássica, jazz, electrónica ou qualquer outro género, todo o material musical expressamente composto ou exibido num filme pode ser definido como a música do filme.

Pelo contrário, um álbum que seja uma banda sonora não contém necessariamente a música do filme, uma vez que muitas das canções que apresenta podem não ter sido gravadas tendo o filme como objectivo (por exemplo, as constantes em American Graffiti, The Big Chill, Dirty Dancing) ou podem nem ter sido exibidas no filme (por exemplo, Batman Forever).

Temas cinematográficos[editar | editar código-fonte]

Tal como a Música do Filme, os Temas Cinematográficos são retirados dos filmes. A diferença é que, enquanto os álbuns de Música do Filme apresentam as gravações originais, as colecções de Temas Cinematográficos reúnem material gravado por intérpretes que não tiveram envolvidos com o filme.

Música de desenhos animados[editar | editar código-fonte]

As origens da história da música de desenhos animados estão intimamente ligadas ao trabalho do compositor Carl Stalling, o qual trabalhou nos estúdios de animação Warner Bros. durante duas décadas.

Stalling trilhou um novo caminho ao seguir a trajectória visual da acção no écran por oposição às regras aceites de composição. O resultado - não alicerçado nos tradicionais tempo, ritmo e desenvolvimento temático - foi de grande extremismo, à medida que a melodia, o estilo e a forma se misturavam em som e imagem intimamente ligados.

Essa fórmula continua a ser a actualmente utilizada nas composições desenvolvidas para a animação, embora, desde a era do rock, as canções pop também tenham destaque nas produções de desenhos animados, por vezes com vultos da pop, como Celine Dion e Peabo Bryson , Elton John e Phil Collins.

Algumas séries televisivas de animação foram também baseadas em bandas de rock ficcionais como Josie & the Pussycats e Jabberjaw (nota: esta última foi exibida no Brasil com o nome Tutubarão).

Música de espionagem[editar | editar código-fonte]

Os filmes de espionagem são um género cinematográfico popular desde a década de 1960. Não só os filmes são bem conhecidos, como a sua música também. De facto, a música que exibiam tornou-se quase inseparável deles próprios, em especial no caso do agente secreto James Bond. A música de John Barry definiu o tom musical do género, cujos princípios têm sido seguidos desde então.

Música de competições esportivas artísticas[editar | editar código-fonte]

As músicas utilizadas em competições esportivas artísticas como ginástica e patinação no gelo. São partes da apresentação que não pontuadas na competição, mas que são insdispensáveis.

Música de videogame[editar | editar código-fonte]

A música de Videojogo (português europeu) ou Videogame (português brasileiro)...

O ano de 2003 foi um marco nesse sentido. Foi nesse ano que a primeira trilha sonora de um videogame - NBA Live 2003 da Electronic Arts - obteve um disco de platina pela Recording Industry Association of America (RIAA).[11] Nesse mesmo ano a British Academy of Film and Television Arts (BAFTA) incluiu na sua programação premiações à indústria de games,[12] entre elas a categoria de melhor trilha sonora. Agraciados por esse prêmio incluem Dead Space,[13] Okami,[14] Hitman: Contracts[15] e o primeiro título da série Guitar Hero.[16]

A popularidade da música de videogame ganhou com novo impulso com o projeto Video Games Live, produzido por Tommy Tallarico. À partir de 2005, a Filarmônica de Los Angeles a começou se apresentar no Hollywood Bowl um concerto com músicas de games clássicos, a exemplo de Halo, Tron, Zelda e Metal Gear Solid.[17]

Terminologia[editar | editar código-fonte]

  • Cues: cada trecho de música de um filme, por menor que seja, é chamado de cue. Fazendo uma analogia com a música popular, ela seria equivalente à faixa de um disco, com a diferença de poder durar apenas alguns segundos.[18]
  • Decupagem: a decupagem, ou spotting em inglês, é o processo que define aonde a música vai estar presente no filme, de acordo com a cena escolhida.[19]
  • Leitmotif: recurso musical associado à personagens e eventos específicos, empregado de forma recorrente.[20] Ela foi a técnica favorita de Max Steiner (1888-1971), considerado o pai da música do cinema.[21]
  • Mickeymousing: é uma técnica de composição onde os movimentos da imagem da tela têm um paralelo sincronizado na orquestração. É freqüentemente associada à desenhos animados (daí o nome), e têm como função exercer um efeito cômico.[22] O mickeymousing é considerada uma técnica controversa.[23]
  • Música original: o termo música original do filme refere-se à parte musical instrumental composta exclusivamente para determinado filme. Seu equivalente em inglês é score, traduzido literalmente como partitura.[2]
  • Source music: no jargão da indústria cinematográfica, é a música que tanto os espectadores quanto os personagens do filme ouvem. Um exemplo clássico do uso de source music é Sam (Dooley Wilson) tocando "As times goes by" no filme Casablanca (1942).[24]
  • Tema: um tema (theme, em inglês[25] ) é, em geral, "a parte mais reconhecível em uma obra ou trecho musical".[26]
  • Temp tracks: uma abreviação de temporary tracks, são peças musicais pré-existentes utilizadas como referência para a composição da música original.[27] Os temp tracks que o diretor George Lucas utilizou para Guerra nas Estrelas - composições de Antonín Dvořák, Franz Liszt e Gustav Holst - serviram de guia para John Williams compor seu premiado score, por exemplo.[28]

Críticas[editar | editar código-fonte]

Desde sua incepção, os críticos têm sido impiedosos com o estilo.[29] A música original do cinema é tida como uma arte menor, talvez herdando um pouco do discriminação que a sétima arte têm sofrido desde sempre.

Muitos críticos diminuem esse trabalho melódico com o argumento dos seus fins comerciais. No entanto, mesmo no seu pior, esse gênero musical pode ser agradável e servir como easy listening.

No seu melhor, as bandas sonoras estão entre os trabalhos mais importantes dos compositores instrumentais contemporâneos na música moderna. Sergei Prokofiev, por exemplo, criou obras-primas em conjunto com um dos pais do cinema: Sergei Eisenstein. Outros grandes compositores do século XX são quase exclusivamente conhecidos pelas bandas sonoras que criaram. Tal foi desmistificando a ideia - e alterando também comportamentos - de que as peças escritas como bandas sonoras eram mera música de fundo.

Lista de Compositores[editar | editar código-fonte]

Em ordem alfabética[editar | editar código-fonte]





Crossover[editar | editar código-fonte]

Premiações[editar | editar código-fonte]

Oscar[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Oscar de melhor banda sonora

Music (Original Score)[editar | editar código-fonte]

Abaixo está uma breve lista dos ganhadores do Óscar desde 1934, no quesito Music (Original Score).[30]

Music (Song)[editar | editar código-fonte]

Golden Globe[editar | editar código-fonte]

BAFTA[editar | editar código-fonte]

Grammy[editar | editar código-fonte]

Best Score[editar | editar código-fonte]

RIAA[editar | editar código-fonte]

Abaixo está uma lista da Recording Industry Association of America com as dez trilhas que mais venderam nos Estados Unidos.[4] Um "disco de ouro" é equivalente à 500 mil cópias vendidas e o de "platina" são 1 milhão.[31]

BPI[editar | editar código-fonte]

Abaixo está uma lista da British Phonographic Industry com dez trilhas campeãs de venda na Grã-Bretanha.[5] No caso da BPI, um "disco de ouro" é equivalente a 100 milhares de unidades vendidas e o de "platina" a 300 milhares.[32]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. DOURADO, 2004, p. 338.
  2. a b BERCHMANS, 2006, p. 19.
  3. a b c «Soundtracks». allmusic. Consultado em 2 de Julho de 2010.  Ligação externa em |publicado= (Ajuda) Erro de citação: Invalid <ref> tag; name "allmusic" defined multiple times with different content Erro de citação: Invalid <ref> tag; name "allmusic" defined multiple times with different content
  4. a b «Searchable Database». RIAA - Recording Industry Association of America. Consultado em 2 de Julho de 2010.  Ligação externa em |publicado= (Ajuda)
  5. a b «Certified Awards Search». BPI - HOME. Consultado em 2 de Julho de 2010.  Ligação externa em |publisher= (Ajuda)
  6. MÁXIMO, 2003a, p. 9.
  7. MÁXIMO, 2003a, p. 10.
  8. MÁXIMO, 2003a, p. 11.
  9. MÁXIMO, 2003a, p. 15.
  10. MÁXIMO, 2003b, p. 81.
  11. «NBA Live 2003 Soundtrack goes Platinum». GameZone. Consultado em 5 de Julho de 2010.  Ligação externa em |publicado= (Ajuda)
  12. «British Video Game Awards to be broadcast live on the web». The Independent. Consultado em 5 de Julho de 2010.  Ligação externa em |publicado= (Ajuda)
  13. «Original Score 2008». RIAA: Home of the British Academy of Film and Television Arts. Consultado em 7 de Julho de 2010.  Ligação externa em |publicado= (Ajuda)
  14. «Original Score 2007». RIAA: Home of the British Academy of Film and Television Arts. Consultado em 7 de Julho de 2010.  Ligação externa em |publicado= (Ajuda)
  15. «Original Music 2004». RIAA: Home of the British Academy of Film and Television Arts. Consultado em 7 de Julho de 2010.  Ligação externa em |publicado= (Ajuda)
  16. «Soundtrack 2006». RIAA: Home of the British Academy of Film and Television Arts. Consultado em 7 de Julho de 2010.  Ligação externa em |publicado= (Ajuda)
  17. Susan Carpenter (30 de Junho de 2005). «Conducted by joystick». Los Angeles Times. Consultado em 28 de Julho de 2010.  Ligação externa em |publicado= (Ajuda)
  18. BERCHMANS, 2006, p. 32.
  19. BERCHMANS, 2006, p. 30.
  20. DOURADO, 2004, p. 183.
  21. MÁXIMO, 2003a, p. 19.
  22. BERCHMANS, 2006, p. 25.
  23. MÁXIMO, 2003a, p. 19.
  24. MÁXIMO, 2003a, p. 35.
  25. DOURADO, 2004, p. 330.
  26. DOURADO, 2004, p. 326.
  27. BERCHMANS, 2006, p. 28.
  28. BERCHMANS, 2006, p. 85.
  29. MÁXIMO, 2003a, p. 3.
  30. «Results Page». The Official Academy Awards® Database. Consultado em 3 de Julho de 2010.  Ligação externa em |publicado= (Ajuda)
  31. «Certification Criteria». RIAA - Recording Industry Association of America. Consultado em 3 de Julho de 2010.  Ligação externa em |publicado= (Ajuda)
  32. «Certified Awards». BPI - HOME. Consultado em 3 de Julho de 2010.  Ligação externa em |publisher= (Ajuda)

Leituras[editar | editar código-fonte]

  • BERCHMANS, Tony. A música do filme: tudo o que você gostaria de saber sobre a música de cinema. São Paulo: Escrituras Editora, 2006.
  • DOURADO, Henrique Autran. Dicionário de termos e expressões da música. São Paulo: Ed. 34, 2004.
  • MÁXIMO, João. A música do cinema: os 100 primeiros anos. Rio de Janeiro: Rocco, 2003. v. 1.
  • _____. A música do cinema: os 100 primeiros anos. Rio de Janeiro: Rocco, 2003. v. 2.