Paulina Chiziane

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Paulina Chiziane
Paulina Chiziane
Nascimento 4 de junho de 1955 (64 anos)
Manjacaze,  Moçambique
Prémios Prémio José Craveirinha de Literatura de 2003
Género literário Romance, conto
Movimento literário Pós-modernismo
Magnum opus Sétimo juramento

Paulina Chiziane (Manjacaze, Gaza, 4 de Junho 1955) é uma escritora moçambicana.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Paulina Chiziane cresceu nos subúrbios da cidade de Maputo, anteriormente chamada Lourenço Marques. Nasceu numa família protestante onde se falavam as línguas Chope e Ronga. Aprendeu a língua portuguesa na escola de uma missão católica. Começou os estudos de Linguística na Universidade Eduardo Mondlane sem ter concluído o curso.

Participou activamente à cena política de Moçambique como membro da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), na qual militou durante a juventude.[2] A escritora declarou, numa entrevista, ter apreendido a arte da militância na Frelimo. Deixou, todavia, de se envolver na política para se dedicar à escrita e publicação das suas obras. Entre as razões da sua escolha estava a desilusão com as directivas políticas do partido Frelimo pós-independência, sobretudo em termos de políticas filo-ocidentais e ambivalências ideológicas internas do partido, quer pelo que diz respeito às políticas de mono e poligamia, quer pelas posições de economia política marxista-leninista, ou ainda pelo que via como suas hipocrisias em relação à liberdade económica da mulher.

É a primeira mulher que publicou um romance em Moçambique[3]. Iniciou a sua actividade literária em 1984, com contos publicados na imprensa moçambicana. As suas escritas vem gerando discussões polémicas sobre assuntos sociais, tal como a prática de poligamia no país. Com o seu primeiro livro, Balada de Amor ao Vento (1990), a autora discute a poligamia no sul de Moçambique durante o período colonial. Devido à sua participação ativa nas políticas da Frelimo, a sua narrativa reflete o mal-estar social de um país devastado pela guerra de libertação e os conflitos civis que aconteceram após a independência.

Paulina vive e trabalha na Zambézia. O seu romance Niketche: Uma História de Poligamia ganhou o Prémio José Craveirinha em 2003.[4]

Em 2016, anunciou que decidiu abandonar a escrita porque está cansada das lutas travadas ao longo da sua carreira.[5]

Obras[editar | editar código-fonte]

Romance[editar | editar código-fonte]

Outras obras[editar | editar código-fonte]

  • Eu, mulher… por uma nova visão do mundo (Testemunho, em 1992 e publicado em 1994)[6]

Prémios[editar | editar código-fonte]

Obras sobre Paulina Chiziane[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. «O ato de colonizar está nas mentes». Revista Bastião. Consultado em 1 de setembro de 2014 
  2. MARTINS, 2006.
  3. Perdigao, Yovanka Paquete (22 de dezembro de 2015). «Say What! Where are all the black writers from Portuguese Africa?». Afrikult. Consultado em 19 de dezembro de 2018 
  4. Fitzpatrick, Mary (2007). Mozambique. [S.l.]: Lonely Planet. pp. 34–35 
  5. Remédios, José Maria (11 de julho de 2016). «Paulina Chiziane: "Não volto a escrever. Basta!"». Geledes Instituto da Mulher Negra. Consultado em 19 de dezembro de 2018 
  6. Paulina Chiziane (2013). «[Testemunho] Eu, mulher... Por uma nova visão do mundo». Abril, Revista do Núcleo de Estudos de Literatura Portuguesa e Africana da UFF, v. 5, n.10 (2013). Consultado em 23 de fevereiro de 2018 

Fontes[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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