Ana Miranda

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Ana Miranda
Nascimento 1951 (65 anos)
Fortaleza
Nacionalidade  brasileiro(a)
Ocupação Escritora
Prémios Jabuti, Academia Brasileira de Letras, Green Prize of the Americas, Sereia de Ouro
Assinatura
Ana Miranda (escritora) autógrafo.jpg

Ana Maria Nóbrega Miranda (Fortaleza, de 1951) é uma romancista brasileira.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nasceu em Fortaleza, Ceará e cresceu no Rio e em Brasília. A partir de 1969 radicou-se no Rio de Janeiro e em 2001 mudou-se para São Paulo. Enquanto estava casada com o ator Arduino Colasanti, trabalhou em filmes do cinema novo brasileiro entre 1971 e 1979. Dirigiu o Instituto de Artes da Funarte e foi editora chefe dessa instituição, entre 1977 e 1983. Recebeu formação na área de artes plásticas, cursando o Instituto Central de Artes da Universidade de Brasília. E era desenhista, ilustrando as capas de seus livros. Teve formação literária com o escritor Rubem Fonseca, entre 1979 e 1989. [1] Em 2006 voltou a morar no Ceará.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Estreou como escritora, com as poesias de Anjos e demônios,1978 e Celebrações do outro, 1983.[1] O crítico Fernando Py, em matéria no Jornal do Brasil (19 de maio de 1979) escreveu: "Anjos e demônios é um livro que, a princípio, fala mais à sensibilidade e à emoção; seguimos os versos da autora como se fossem fruto de confessionário, com suas aparentemente ingênuas nudezas de anjos e demônios internos. Essa impressão, no entanto, vai se desfazendo aos poucos; vemos surgir, aqui e ali, uma poesia de maior densidade, especialmente em certos poemas em que a expressão atinge uma invenção feliz"... Em O Globo de 11/3/79 Elias Fajardo da Fonseca escreveu a resenha "A moça que libertou anjos e demônios".

Em 1989 lança Boca do inferno, na linha do resgate ou reinvenção da história e que tem como tema a cidade da Bahia do século XVII, e como protagonistas o poeta Gregório de Matos e o jesuíta Antonio Vieira. O romance foi traduzido em vários países como Suécia (Wahlström & Widstrand, 1990); Dinamarca (Samleren, 1990); Holanda (Amber, 1990); Argentina (Editorial Sudamericana, 1990); Noruega (Gyldendal Norsk-Forlag, 1990); Itália (Rizzoli, 1991); Estados Unidos (Viking/Penguin, 1991); Espanha (Anagrama, 1991); França (Julliard, 1992); Inglaterra (Harvill/ Harper Collins, 1992); Alemanha (Kiepenheuer & Witsch, 1992, também em edição de bolso), entre outros. Este livro lhe rendeu o Prêmio Jabuti, Revelação, em 1990.[1][2] Boca do Inferno foi incluído na lista dos cem maiores romances em língua portuguesa do século XX, elaborada por escritores, intelectuais e críticos brasileiros e portugueses, publicada no caderno Prosa & Verso do jornal O Globo em 5 de setembro de 1998.

Em entrevista.

Em 1991 a autora publica o romance O retrato do rei, situado no ciclo do ouro em Minas Gerais. Em 1995, A última quimera, que tem o poeta Augusto dos Anjos como tema central do romance. Em 1996, Desmundo; trata da história de órfãs que vinham de Portugal para casarem-se com os colonos no Brasil. Este romance foi adaptado para o cinema em 2002, com o mesmo título, pelo cineasta Alain Fresnot. No mesmo ano a autora publica a novela Clarice, com Clarice Lispector como personagem. No ano seguinte o romance Amrik revive a saga de imigrantes árabes recém-chegados em São Paulo, no final do século XIX. Em 2002 publica Dias & Dias, romance que tem o poeta Gonçalves Dias como tema. Em 2009, o romance Yuxin, alma, de tema indígena, acompanhado de CD com músicas indígenas de Marluí Miranda, irmã da escritora. Em 2014 publica o romance Semíramis, que tematiza o escritor José de Alencar. É romancista de linguagem e fabulação. Foi escritora visitante em diversas universidades estrangeiras, como Stanford, Yale, Berkeley, nos Estados Unidos, ou Tor Vergata, na Itália. Realiza palestras em instituições de ensino e culturais. Foi colaboradora da revista Caros amigos, colunista do Correio Braziliense, e escreve no jornal O Povo, de Fortaleza - CE. Recebeu em 2015 o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Ceará.

Prêmios e reconhecimento[editar | editar código-fonte]

  • 1990 - Prêmio Jabuti, Revelação de romance, com Boca do Inferno[2]
  • 1994 - Prêmio da Biblioteca Nacional, para A última quimera
  • 2003 - Prêmio Jabuti - com o romance Dias & Dias
  • 2003 - Prêmio da Academia Brasileira de Letras, Romance, com Dias & Dias
  • 2009 - Sereia de Ouro, pela obra
  • 2010 - Green Prize of the Americas, com Yuxin
  • 2014 - Prêmio Bienal do Livro de Brasília (segundo lugar) para O peso da luz
  • 2015 - Prêmio da Academia Brasileira de Letras - Ficção, para Musa Praguejadora

Obra literária[editar | editar código-fonte]

Livros publicados[editar | editar código-fonte]

  • Anjos e Demônios (poesia), José Olympio Editora/INL, Rio de Janeiro, 1978;
  • Celebrações do Outro (poesia), Editora Antares, Rio de Janeiro, 1983;
  • Boca do Inferno (romance), Editora Companhia das Letras, São Paulo, 1989;
  • O Retrato do Rei (romance), Companhia das Letras, São Paulo, 1991;
  • Sem Pecado (romance), Companhia das Letras, São Paulo, 1993;
  • A Última Quimera (romance), Companhia das Letras, SP, 1995;
  • Clarice (novela), Companhia das Letras, São Paulo, 1996;
  • Desmundo (romance), Companhia das Letras, SP, 1996;
  • Amrik (romance), Companhia das Letras, SP, 1997;
  • Que seja em segredo (antologia poética), Editora Dantes, Rio, 1998;
  • Noturnos (contos), Companhia das Letras, São Paulo, 1999;
  • Caderno de sonhos (diário), Editora Dantes, Rio, 2000;
  • Dias & Dias (romance), Companhia das Letras, SP, 2002;
  • Deus-dará (crônicas), Editora Casa Amarela, São Paulo, 2003;
  • Prece a uma aldeia perdida (poesia), Editora Record, São Paulo, 2004;
  • Flor do cerrado: Brasília (infanto-juvenil), Companhia das Letrinhas, São Paulo, 2004;
  • Lig e o gato de rabo complicado (infantil), Companhia das Letrinhas, São Paulo, 2005;
  • Mig, o descobridor (infantil), Editora Record, Rio de Janeiro, 2006;
  • Tomie, cerejeiras na noite (infanto-juvenil), Companhia das Letrinhas, São Paulo, 2006;
  • Lig e a casa que ri (infantil), Companhia das Letras, 2009;
  • Yuxin, alma (romance), Companhia das Letras, São Paulo, 2009;
  • Carta do tesouro (infantil e adulto), Armazém da Cultura, Fortaleza, 2010;
  • Mig, o sentimental (infantil), Editora Record, Rio, 2010;
  • Carta da vovó e do vovô (infantil e adulto), Armazém da Cultura, Fortaleza, 2012;
  • O peso da luz, Einstein no Ceará (novela), Armazém da Cultura, Fortaleza, 2013;
  • Como nasceu o Ceará? (infantil) Edições Demócrito Rocha, Fortaleza, 2014;
  • Semíramis (romance), Companhia das Letras, São Paulo, 2014;
  • Musa Praguejadora, a vida de Gregório de Matos (biografia), Record, 2014;
  • Menina Japinim (infantil), Companhia das letrinhas, 2014.

Trabalhos como atriz[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Nelly Novaes Coelho. Dicionário crítico de escritoras brasileiras: 1711-2001. Escrituras; 2002. ISBN 978-85-7531-053-3. p. 59 – 60.
  2. a b Prêmio Jabuti, 1990

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Ana Miranda
  • Ana Miranda (em inglês) no Internet Movie Database
  • Entrevista
  • Carreira, Shirley. Imigrantes: a representação da identidade cultural em Relato de um certo Oriente e Amrik. In: Adelaide Clhman de Miranda [et al.] Protocolos críticos. São Paulo:Iluminuras, Itaú Cultural,2008.
  • Carreira, Shirley.Amrik, de Ana Miranda: a imigração libanesa revisitada[1].

In:Kúmá / Decolonizziamoci – Interculturalità. n. 17, Roma,Uniroma, 2009.