Associação Brasileira de Imprensa

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) é uma associação de classe com sede na cidade brasileira de Rio de Janeiro. Foi fundada em 1908 por Gustavo de Lacerda. O atual presidente é o jornalista Domingos Meirelles.[1]

A história da fundação da ABI se confunde com a de seu perseverante idealizador Gustavo de Lacerda. Criada em 7 de abril de 1908, seu principal objetivo era assegurar à classe jornalística os direitos assistenciais e tornar-se um centro poderoso de ação. Segundo o próprio Lacerda, a Associação deveria ser um campo neutro em que se pudessem abrigar todos os trabalhadores da imprensa.

Sede provisória em O Paíz

Lacerda não concordava com a ideia de que os jornais fossem empresas, dando lucro a seus acionistas. Para ele, os jornais deveriam ter uma missão social e funcionar como cooperativas de cujos interesses participassem todos os seus membros, dos diretores aos mais modestos colaboradores. Visionário, já no programa de fundação da ABI Lacerda expunha reivindicações que só apareceriam na Revolução de 1930. É dele a ideia de manter uma biblioteca aberta ao público, com o objetivo de atender não apenas às necessidades de informação cultural dos jornalistas, mas também a todo o povo da cidade do Rio de Janeiro. Numa pequena sala na sobreloja do imóvel onde funcionava a Caixa Beneficente dos Empregados do jornal O Paíz, Lacerda se reunia a outros colegas de redação para discutir sobre a instituição de classe que pretendiam fundar. Gustavo de Lacerda, Mário Galvão e Amorim Júnior foram incumbidos da elaboração do primeiro projeto de estatuto da ABI.

Após a criação da agremiação, coube à primeira Diretoria a função de consolidar e ampliar a iniciativa, não sem muita luta. Os fundadores eram tratados como indesejáveis e muitos esforços foram gastos com o objetivo de vencer o descaso de uns e a hostilidade de outros. A Associação de Imprensa era composta, segundo alguns céticos da época, por um grupo de malandros chefiados por um anarquista perigoso (Lacerda).

Liceu também abrigou a ABI

Liceu também abrigou a ABI

Naquele momento, o meio jornalístico encontrava-se disperso e, portanto, desfavorável a qualquer ideal de solidariedade profissional. Mas em busca de autodefesa e de prestigiar a classe à qual pertenciam, os homens de imprensa foram aderindo à entidade em proporções cada vez mais animadoras — e o prestígio da instituição, consolidando o sonho de Lacerda, se deu com a inscrição no quadro social da Casa de nomes representativos na vida nacional, como o Chefe da Polícia, o Comandante da Polícia Militar, o Prefeito, o Comandante do Corpo de Bombeiros e até o Ministro da Guerra.

Outro importante ícone da história da ABI foi Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho, que lutava por ideais nacionalistas e via sua profissão como um meio de levar a população brasileira à conscientização política e social. Em 1926, aos 29 anos de idade, assumiu pela primeira vez a Presidência da Casa. Durante seu quarto mandato, em 1992, foi o responsável direto pelo pedido da abertura do impeachment de Fernando Collor de Mello e o primeiro orador inscrito para defender o processo.

O sonho concretizado

Um sonho concretizado

Ao longo das duas primeiras décadas de sua existência — quando o Rio de Janeiro era ainda Capital da República —, a ABI acomodava-se em espaços alugados e, em tempos piores, sem condições de pagar aluguel, hospedou-se no Quartel dos Barbonos — mas sem alterar seus princípios originais, nem submeter-se ao Poder Público. Só nos anos 30 o sonho da sede própria configurou-se realidade. Sob a liderança de Herbert Moses, a ABI construiu a sua sede, que representa um marco na arquitetura moderna brasileira.

Até 2013, a diretoria da ABI estava nas mãos de Maurício Azêdo, eleito com quase 60% dos votos, derrotando duas chapas adversárias. Obedecendo ao estatuto da instituição, o novo Presidente tomou posse administrativa em 13 de maio de 2004, data primitivamente comemorativa do Dia Nacional da Imprensa. Após algum tempo, ela foi alterada para 1º de junho, dia em que o Correio Braziliense começou a circular e quando Azêdo e a nova Diretoria assumiram seus cargos em posse solene.

A ABI jamais deixou de cumprir os objetivos que a originaram, mas se adaptou ao longo do tempo. Seus estatutos foram ajustados às diversas situações socioeconômicas da indústria jornalística. Como disse em 1969 um ex-presidente da Casa, Fernando Segismundo, “além das finalidades fundamentais, a associação deve interpretar o pensamento, as aspirações, os reclamos, a expressão cultural e cívica de nossa imprensa; preservar a dignidade profissional dos jornalistas — e não apenas a de seus sócios; acautelar os interesses da classe; estimular entre os jornalistas o sentimento de defesa do patrimônio cultural e material da Pátria; realçar a atuação da imprensa nos fatos da nossa história; e colaborar em tudo que diga respeito ao desenvolvimento intelectual do País”.

Os Presidentes[editar | editar código-fonte]

A criação de uma agremiação que lutasse pelos interesses dos jornalistas era o sonho de Gustavo de Lacerda, primeiro Presidente eleito da ABI e seu idealizador. Internado na Santa Casa da Misericórdia, recuperando-se de uma doença, Gustavo de Lacerda recebeu a visita do colega Nicolau Ciancio, e apresentou-lhe o projeto de uma entidade para repórteres. “É o Clube dos Repórteres, da Rua do Teatro?”, perguntou o amigo. “Ah, aquilo era uma casa de jogo. A polícia deu lá há algum tempo e mandou fechar”, respondeu Gustavo, concluindo em seguida: — Sociedade entre repórteres não fica bem. Parece com Associação Protetora dos Animais. Clube dos Jornalistas, também não, lembra coisa de inglês. Não faz mal, o nome virá depois.

Mesmo doente, Gustavo de Lacerda fez outras tentativas de dar forma a uma Casa do Jornalista, até conseguir criar a Associação de Imprensa. De sua gestão, passando por Barbosa Lima Sobrinho até o atual Presidente, Maurício Azêdo, muitos outros dedicados jornalistas ajudaram a escrever a História da Associação Brasileira de Imprensa, cuja fundação, há 97 anos, deu relevante contribuição ao processo de democratização do País.

Domingos Meirelles (2014 – …)[editar | editar código-fonte]

Domingos João Meirelles (Rio de Janeiro, 8 de maio de 1940) é um jornalista brasileiro que exerce a profissão desde 1965. Filho de imigrantes portugueses, nasceu e cresceu no bairro carioca do Méier, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Em março de 1965, após trabalhar durante dois anos como vendedor de máquinas de escrever, ingressou no jornalismo como estagiário do jornal Última Hora. Dois anos depois, foi contratado pela Editora Abril. Trabalhou nas revistas Capricho, Cláudia, Quatro Rodas e Realidade. Passou em seguida pelas redações de O Jornal, O Globo, Jornal da Tarde e O Estado de S. Paulo. Em novembro de 1985, entrou para a Rede Globo de Televisão como repórter especial, onde realizou dezenas de trabalhos em toda a América Latina para o Fantástico, Jornal Nacional e Globo Repórter. Foi para o SBT em 1996, retornando à Rede Globo em 1999, a convite de Marluce Dias, então diretora-geral da emissora. Durante sete anos foi o apresentador do programa Linha Direta. Em 2014, transfere-se para a Rede Record onde apresenta, desde abril, o Repórter Record Investigação.O jornalista Domingos Meirelles foi eleito Presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) pela Chapa Vladimir Herzog, tendo como vice o jornalista Paulo Jeronimo de Sousa. Pela primeira vez na história da entidade um repórter assume a Presidência da Casa dos Jornalistas. Duas chapas concorreram à eleição.  A Chapa Vladimir Herzog teve 217 votos e a Chapa Prudente de Morais Neto, liderada por “David Fichel”, teve 147, sendo apurados dois votos nulos. O pleito foi realizado, pela primeira vez, em seis capitais – Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Maceió, Brasília e São Luís. No maior colégio eleitoral da entidade, no Rio , com 303 eleitores, a Chapa Vladimir Herzog conquistou 167 votos e a Prudente de Morais, neto, 134. Após a apuração dos votos, o presidente da Mesa Diretora, Marcus Miranda, proclamou a vitória da Chapa Vladimir Herzog. Este foi o pleito com a maior participação de associados da história da entidade.

Entrega do Prêmio Jabuti 2006

O novo presidente da ABI, ao longo de 48 anos de profissão, conquistou mais de trinta prêmios, entre eles, dois Prêmios Esso e três Vladimir Herzog, além do Prêmio Rei da Espanha de Televisão, . Ele também é escritor com várias obras publicadas, entre elas “As Noite das Grandes Fogueiras – Uma História da Coluna Prestes (Prêmio Jabuti de Reportagem de 1996), e “1930”. Os Órfãos da Revolução”, vencedor do Jabuti de 2006, na categoria Ciências Humanas. Em 1994, foi condecorado pelo Exército com a Medalha do Pacificador. A Polícia Militar do Rio de Janeiro o distinguiu, em 2006, com a Ordem do Mérito Policial, no grau oficial. Foi ainda agraciado com medalha e diploma pela Academia de Artes e Ciências Televisivas, como apresentador do programa Linha Direta, sendo um dos finalistas do Emmy Internacional de 2007, na categoria documentário.

Em 2008, Linha Direta voltaria a ser outra vez finalista do Emmy. Recebeu ainda os títulos de Cidadão Carioca da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, e o de professor honoris causada Faculdade de Minas (FAMINAS), em 2007.

Foi agraciado com o Prêmio Gamacom da Universidade Gama Filho (1999), e com o Prêmio Personalidade Jornalística de 2008, da Universidade Veiga de Almeida.

Em 2011, recebeu a Medalha Miguel Costa, da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Recebeu ainda 12 placas de prata por palestras realizadas em diferentes instituições de ensino como a Universidade Estácio de Sá, Escola Superior de Guerra, e Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro.

Participou, nos últimos anos, de dezenas de Cursos e Seminários, entre os quais se destaca o VIII Encontro Nacional de Estudos Estratégicos, promovido em outubro de 2008 pela Universidade da Força Aérea (UNIFA), para exame e discussão das diretrizes do novo Plano Nacional de Defesa (PND).

Obras

  • Repórteres (obra coletiva)
  • As Noites das Grandes Fogueiras. Uma História da Coluna Prestes (Prêmio Jabuti/Melhor Reportagem de 1996)
  • 1930. Os Órfãos da Revolução. Ganhou o Jabuti de 2006, na categoria Ciências Humanas.
  • As Guerras do Gaúchos: A História dos conflitos ” (obra coletiva), que recebeu o Prêmio Especial de Literatura Açorianos de 2009.

Trabalha atualmente em três projetos simultâneos: um livro sobre making off das suas principais reportagens, outro sobre o levante da Força Pública de São Paulo, em 1924, e o terceiro sobre a máquina de guerra construída pelos paulistas durante a Revolução Constitucionalista de 1932.

Outras atividades

Foi diretor do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro (1975/1981), assessor de imprensa da OAB/RJ, e presidente da Cooperativa dos Profissionais de Imprensa do Estado do Rio de Janeiro (Coopim), entre 1982 e 1986.

Exerceu ainda a função de editor do antigo Boletim ABI – atual Jornal da ABI -, órgão oficial da [Associação Brasileira de Imprensa]. Ocupa, desde 2004, a Diretoria Econômico-Financeira da entidade.

Em 2012 foi eleito, por aclamação, para a cadeira número dois do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil. É um dos cinco historiadores civis que participam da instituição.

Participa ainda de cursos livres sobre jornalismo investigativo, jornalismo literário, técnicas de redação, e estruturas narrativas para mídia impressa e TV. Realiza palestras sobre história contemporânea e gerenciamento de crise.

  1. Gustavo Goulart (02/12/2014). "Novo presidente da Associação Brasileira de Imprensa assume em cerimônia com 200 pessoas". O Globo. Consult. 02/12/2014.