Rui Vilhena

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Rui Vilhena (Moçambique, 1961) é um argumentista português.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Estudou no Brasil, tendo feito o Bacharelato em Comunicação Social no Rio de Janeiro. Na área do guionismo estudou na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), onde terminou o Programa de Escritores (1991-1993) e no El Camino College, também em Los Angeles, (1993-1994), onde frequentou o curso de produção para TV e Cinema.

Na área da ficção para televisão, o autor Rui Vilhena escreveu as telenovelas Sedução (2010), Olhos nos Olhos (2008), Tempo de Viver (2006), Ninguém como Tu (2005), para a TVI, Vila Faia (2007) e Terra Mãe (1998) para a RTP, as sitcoms Café da Esquina (2000) e Reformado e Mal Pago (1996), ambas para a RTP e a série Bastidores (2001) para o mesmo canal. Ninguém como Tu foi a telenovela portuguesa que mais contribui para cristalizar a estratégia de suspense do «quem matou?». A adesão do público veio a repercutir-se ainda em Tempo de Viver, com o mistério da pergunta «Quem é o Tubarão?».

Em 2011, retornou ao Brasil, a convite do autor brasileiro Aguinaldo Silva, passando a integrar a equipe de colaboradores da telenovela Fina Estampa, exibida pela Rede Globo na faixa das 21h. Em 2014, assina sua primeira novela em território brasileiro, intitulada Boogie Oogie e transmitida também pela emissora carioca, na faixa das 18h.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Novela[editar | editar código-fonte]

Telefilme[editar | editar código-fonte]

  • Intriga Fatal - TVI (2011)
  • O Pacto - TVI (2011)
  • Vestida para Casar - TVI (2011) - Supervisão

Série/Minissérie[editar | editar código-fonte]

  • 37 - TVI (2009)

Recursos narrativos[editar | editar código-fonte]

A narrativa canónica das telenovelas de Rui Vilhena apresenta alguns aspectos. Assim:

  • o episódio piloto conta com um ou vários acontecimentos de maior carga dramática. Assim: em Terra Mãe há um velório; em Ninguém como Tu temos os preparativos de um casamento que promete não acontecer, o desaparecimento de uma criança e um enorme desfalque financeiro a uma empresa; em Tempo de Viver assiste-se ao atentado de 11 de Setembro de 2001 - onde morrem duas personagens - e à detenção policial de uma mãe no lugar da filha; Olhos nos Olhos arranca num dia em que Lisboa é visitada por um violento ciclone, que mata três personagens; Sedução conta com um atentado terrorista na via pública; Boogie Oogie mostra preparativos de um casamento predestinado a não ocorrer, uma troca de bebês e a morte do noivo deste casamento.
  • no desenvolvimento da estória, é comum a morte de uma pessoa idosa, indiciada de diversas formas e narrada em apelo emocional: em Ninguém como Tu, a personagem Milú (interpretada por Rosa de Lobato Faria) sucumbe após um grave acidente de viação, pressentido pelo astrólogo Alexandre (Joaquim Horta), o que confronta o marido Luciano (Sinde Filipe) com a viuvez na terceira idade; em Tempo de Viver, Teresa Mendes (personagem de Laura Soveral) é vítima de um enfarte enquanto está na rua - cumprindo-se a «visão» do pequeno Hugo (Gonçalo Sá) - antes de ter reconciliar-se com o marido Artur (Ruy de Carvalho); em Boogie Oogie, Odete (Joana Fomm) é misteriosamente assassinada por atropelamento após a volta da suposta sobrinha Carlota (Giulia Gam), que ficara um mês desaparecida;
  • verifica-se a existência de personagens tipo: o (co)protagonista ambicioso/calculista (Maria do Carmo de Glória de Matos, Luiza Albuquerque de Alexandra Lencastre, Maria Laurinda de Margarida Vila-Nova, Vasco e Vítor de Paulo Pires, Júlia Soares de Fernanda Serrano, Carlota Fraga de Giulia Gam); o (co)protagonista honesto e exemplar (Milú de Manuela Maria, Ana de Lúcia Moniz, Filipe de Cláudio Lins, Teresa de Benedita Pereira, Mário de Vítor Norte, Júlia de Dalila Carmo, Alice Mendes de Maria João Luís, Rafael Castro de Marco Pigossi); o chefe-de-família frio e implacável (António Paiva Calado de Nuno Homem de Sá, Fausto Martins de Melo de José Wallenstein, Leonardo Viana Levi de José Wallenstein, José Carlos Faria de João Perry, Elísio Romão de Daniel Dantas); a esposa enganada e submissa (Fátima de Teresa Madruga, Beatriz de Suzana Borges, Antónia de Maria José Paschoal, Marta de Rita Blanco, Beatriz de Paula Neves, Mafalda de Helena Isabel, Beatriz de Heloísa Périssé); a mulher fútil de perfil cómico (Isabel de Lídia Franco, Patrícia de Vera Alves, Glória de Sofia de Portugal, Lídia de Manuela Couto, Rute de Luísa Cruz, Sofia de Dalila Carmo, Ester Vasconcelos de Maria João Bastos, Susana Magalhães de Alessandra Negrini);
  • existe sempre um mistério, a desvendar apenas na recta final: «Quem matou Marina?» em Terra Mãe, «Quem matou António?» em Ninguém como Tu, «Quem é o Tubarão?» em Tempo de Viver, «Quem matou Zé Balhão?» em Vila Faia, «Qual dos gémeos está vivo?» em Olhos nos Olhos, «Quem matou Sofia?» em Sedução, «Qual o segredo de Carlota?» em Boogie Oogie.

Na área do entretenimento, o autor escreveu vários programas, entre os quais O Último Natal (I e II), para a SIC; O Sótão do Pedro, para a TVI; o Clube Disney, para a RTP e sketches cómicos para o programa About last Night, Beverly Hills Cable Channel. Rui Vilhena assinou também a história jogo do site O Rapto das Riscas.

Na área do teatro, escreveu A Canção dos Oceanos, A Última História a ser Contada, e a peça Cães de Guarda.

Como formador, já ministrou vários workshops, e ensinou a disciplina de “Roteiro” na ARTE 6.

Foi director criativo da empresa de guionismo Scriptmakers.

Há quase 15 anos em Portugal, Vilhena tem sido responsável pelos recentes sucessos da teledramaturgia portuguesa. Graças à sua busca por temas polêmicos e cuidado especial com a qualidade dos seus textos, a "Scriptmakers" tem garantido o crescente aumento da preferência dos portugueses pelas produções televisivas nacionais.

Tem um grupo de actores que é designado por "Os meninos de Vilhena".

O novelista foi convidado pelo dramaturgo brasileiro Aguinaldo Silva para se juntar ao time de colaboradores de Fina Estampa, se tornando um dos autores da Rede Globo. É responsável pela novela das 18h substituta de Meu Pedacinho de Chão, que se chama Boogie Oogie, com Ísis Valverde e Bianca Bin como protagonistas.[1][2][3]

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Foi premiado, em Outubro de 2005, com o Prémio Arco-íris, da Associação ILGA Portugal, pelo seu contributo, enquanto argumentista da novela Ninguém como Tu, na luta contra a discriminação e homofobia.

Atores portugueses recorrentes na ficção de Vilhena[editar | editar código-fonte]

Ator Ninguém como Tu Tempo de Viver Equador Olhos nos Olhos Sedução Boogie Oogie
Frederico Barata Sim Sim Não Sim Sim Não
Manuela Couto Sim Sim Sim Sim Não Não
Dalila Carmo Sim Sim Sim Não Sim Não
Joaquim Horta Sim Sim Não Não Sim Não
José Fidalgo Sim Sim Não Não Não Não
São José Correia Sim Não Sim Sim Sim Não
Vítor Norte Sim Não Sim Sim Não Não
José Wallenstein Não Sim Sim Sim Não Não
Marcantónio Del Carlo Não Sim Não Sim Não Não
Marco Delgado Não Sim Não Sim Sim Não
Sofia Grillo Não Sim Não Sim Sim Não
Ruy de Carvalho Não Sim Sim Sim Sim Não
Margarida Vila-Nova Não Sim Não Não Sim Não
Nuno Távora Não Sim Não Sim Sim Não
Maria João Bastos Não Sim Sim Não Sim Sim
Alexandra Lencastre Sim Sim Sim Não Não Não
  • Frederico Barata foi, claramente, a escolha principal de Rui Vilhena na ficção, tendo integrado o elenco principal de todas as suas telenovelas portuguesas, tendo estas quatro telenovelas, aparte de Vila Faia, sido as únicas em que o ator participou.

Referências

  1. Flávio Ricco (02 de março de 2014). «Carnaval e Oscar são os destaques da TV neste domingo». UOL Televisão. Consultado em 16 de março de 2014. «Para ver a informação, vá até o final da página.» 
  2. Kogut, Patrícia (29 de novembro de 2013). «Rui Vilhena escreverá novela que sucederá 'Meu pedacinho de chão'». O Globo. Consultado em 27 de fevereiro de 2014. 
  3. Oliveira, Fernando (24 de fevereiro de 2014). «Globo muda título de novela das seis de Rui Vilhena». R7. Consultado em 27 de fevereiro de 2014.