Ruy de Carvalho

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Ruy de Carvalho
Ruy de Carvalho retratado por Bottelho.
Nome completo Rui Alberto Rebelo Pires de Carvalho
Nascimento 1 de março de 1927 (90 anos)
Lisboa
Nacionalidade português
Ocupação Actor
Cônjuge Ruth Maria de Nobrega Pereira Mendes Correia Pires de Carvalho (2 filhos)
Outros prémios
Medalha de Mérito Cultural (1990)

Prémio Carreira (1998)
Personalidade do Ano em Teatro (1999)
Melhor Actor de Ficção e Comédia (Televisão) (2002)
Prémio Sophia (2017)

Página oficial
IMDb: (inglês)

Rui Alberto Rebelo Pires de Carvalho, mais conhecido por Ruy de Carvalho[1] GOSEGCIHGCM (Lisboa, Castelo, 1 de março de 1927), é um actor português. É filho de João Rebelo Pires de Carvalho.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Inicia-se no teatro, como amador, em 1942, no Grupo da Mocidade Portuguesa, com a peça O Jogo para o Natal de Cristo, com encenação de Ribeirinho. De 1945 a 1950, frequentou o Conservatório Nacional, cujo Curso de Teatro/ Formação de Actores terminou em 1950 ,com 18 valores. Teve dois irmãos actores, João de Almeida e Maria Cristina, falecida em 2003.

Estreia-se profissionalmente, em 1947, no Teatro Nacional (Companhia Rey Colaço/Robles Monteiro), na comédia Rapazes de Hoje, de Roger Ferdinand. Em 1950 fica conhecido pela sua interpretação de Eric Birling em Está lá Fora um Inspector, de Priestley (1951), estreado no Teatro Avenida. Nesse mesmo ano ingressa no Teatro do Povo (mais tarde Teatro Nacional Popular), onde faz todas as temporadas de Verão, sob a direcção de Ribeirinho, até 1958. Importante actor da sua geração, funda, em 1961, o Teatro Moderno de Lisboa, um grupo teatral progressista, que revela autores nunca representados em Portugal, à revelia da censura. Em 1963 vai para o Porto e assume a direcção artística do Teatro Experimental do Porto (TEP), onde realiza a sua única experiência como encenador, em Terra Firme, de Miguel Torga.

Faz ainda parte de outras companhias, como a companhia de Laura Alves, a Companhia Rafael de Oliveira ou a companhia sediada no Teatro Maria Matos, com as quais efectua digressões ao Brasil e África. Em 1977, está no relançamento do Teatro Nacional D. Maria II (TNDMII), a cuja companhia pertence até à sua extinção. Trabalha com Filipe La Féria em espectáculos como Passa Por Mim no Rossio, (TNDMII, 1992), Maldita Cocaína (Teatro Politeama, 1994) ou A Casa do Lago, de Ernest Thompson (Teatro Politeama, 2002).

Interpreta outros autores como Molière, Tennessee Williams, Bernard Shaw, Anton Tchekov, D. Francisco Manuel de Melo, Eça de Queirós, Luís de Sttau Monteiro, Luiz Francisco Rebello, entre outros. Cumprindo um velho sonho, protagoniza em 1998, sob a direcção de Richard Cotrell, o clássico Rei Lear, de William Shakespeare, integrado nas comemorações dos 150 anos do Teatro Nacional e dos 50 anos da sua carreira de actor.

Em Espanha participa no concerto de encerramento da temporada do Teatro Monumental de Madrid, intitulado Orfeu, com textos de Fernando Pessoa e música especialmente concebida para si pelo compositor Pablo Rivière. A convite do encenador Simon Suarez, é protagonista da ópera Fígaro, de José Ramon Encinar, levada à cena no Teatro Lírico La Zarzuela.

A sua actividade estende-se igualmente à rádio e à televisão, tendo participado, nomeadamente na RTP, no Monólogo do Vaqueiro (1957), séries e telenovelas.

No cinema, estreou-se em 1951, com Eram 200 Irmãos, de Armando Vieira Pinto, mas foi nos anos 60 que o seu trabalho se tornou mais relevante nesse campo. Da sua filmografia destacam-se Pássaros de Asas Cortadas, de Artur Ramos (1963), Domingo à Tarde, de António de Macedo (1965) que também o dirigiu em A Bicha de Sete Cabeças (1978), O Cerco, de António da Cunha Telles (1969), Cântico Final, de Manuel Guimarães (1974), O Processo do Rei, de João Mário Grilo (1990), entre outros. Com Manoel de Oliveira deixou marca em Non ou a Vã Glória de Mandar (1990), A Caixa (1994) e O Quinto Império - Ontem Como Hoje (2004). Para além dos seus filmes como actor, Ruy de Carvalho tem emprestado a sua voz, diversas vezes, ao cinema. Participou também em numerosos teatros radiofónicos e trabalhos de dobragem de desenhos animados.

Foi Presidente do Conselho Nacional para a Política da 3.ª Idade e mandatário da campanha de candidatura de Pedro Santana Lopes à Câmara Municipal de Lisboa e da campanha de candidatura de Carmona Rodrigues à Câmara Municipal de Lisboa, em 2007.

Viúvo de Ruth de Carvalho (1927- Funchal ,Lisboa, 9 de Setembro de 2007), tem um filho e uma filha, Ana Paula Aragão Pires de Carvalho, casada segunda vez com Paulo de Mira Coelho, e três netos, um dos quais o actor Henrique de Carvalho (1 de Fevereiro de 1991), e um filho, João de Carvalho que também seguiu a carreira teatral. É bisavô, pois o neto Diogo Carvalho, foi pai de uma menina em 26 de novembro de 2015.

Prémios e condecorações[editar | editar código-fonte]

Ruy de Carvalho recebeu Prémios de Imprensa para o Teatro (1962, 1981, 1982, 1986); Prémios de Imprensa para o cinema (1965, 1966, 1971); Prémios da Crítica Especializada (1961, 1962, 1964, 1965, 1981); foi nomeado, em 1987, para o Prémio Garrett da Secretaria de Estado da Cultura; em 1998, é galardoado com o Globo de Ouro para a Personalidade do ano; foi galardoado com o Prémio Luís de Camões da Universidade Lusíada, o Prémio Byssainha da Fundação Byssaia Barreto; em 1999, é galardoado com o Globo de Ouro de Melhor Actor.

Em termos de condecorações em 27 de Março de 1990 foi-lhe atribuída a Medalha de Mérito Cultural[2]; a 9 de Junho de 1993 foi agraciado com o grau de Comendador[3] da Ordem do Infante D. Henrique; a 27 de Fevereiro de 1998 com o grau de Comendador[3] da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada; a 26 de Março de 2010 é elevado a Grande-Oficial[3] da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada. A 30 de Outubro de 2012 foi elevado a Grã-Cruz[3] da Ordem do Infante D. Henrique. A 1 de Março de 2017 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito.[3]

premios[editar | editar código-fonte]

=Medalha de Mérito Cultural (1990)
Prémio Carreira (1998)
Personalidade do Ano em Teatro (1999)
Melhor Actor de Ficção e Comédia (Televisão) (2002)
Prémio Sophia (2017)

Carreira[editar | editar código-fonte]

Televisão[editar | editar código-fonte]

Ano Projeto Personagem Canal
1957 Monólogo do Vaqueiro Vaqueiro RTP
1958 O Tio Simplício
1962 A Dama das Camélias Armando Duval
1963 Os Anjos Estão Connosco
O Baile [[
Noite de Reis Sebastião
1964 Os Fidalgos da Casa Mourisca Morgado do Cruzeiro
1965 Não Acordem o Menino Jesus
1966 O Viajante Sem Bagagem
1969 Gente Nova
A Rainha do Ferro Velho
1970 A Visita
A Castro
1975 Seara de Vento
Schweik na Segunda Guerra Mundial Bullinger
Legenda do Cidadão Miguel Lino
Português, Escritor, 45 Anos de Idade
24, 25, 26
Angústia Para o Jantar
1976 Alves e Companhia Teles Medeiros
1979 Os Maias
1980 Retalhos da Vida de um Médico
1982 Vila Faia Gonçalo Lorena Marques Vila
Gente Fina É Outra Coisa Guilherme de Penha Leredo e Solomón Bem-Torrado
1983 Origens Gaspar
1988 Os Homens da Segurança Careca
Duarte e Companhia
A Tribo dos Penas Brancas Edward
Passerelle Dr. João Senna Rocha
1990 O Posto Pais da Cunha
1992 Passa por Mim no Rossio Vários personagens
1994 Maldita Cocaina Médico
Clube Paraíso Alfaiate
1997 Polícias Joaquim
1998 Diário de Maria Alberto
1999 Major Alvega Avô
1999/2000 Todo o Tempo do Mundo Leonardo Serra TVI
2000 Crianças S.O.S Dr. Paulo Guerreiro
2001 Olhos de Água Joaquim Viriato
Filha do Mar Vasco, o "Profeta"
2002 Gente Feliz com Lágrimas Guerreiro
O Crime
Sonhos Traídos José Teixeira Pinto, Sócrates
2003 Saber Amar Jorge Macedo Vaz
2004 O Teu Olhar Teófilo Garrido
2004/2005/2017 Inspector Max Dr. João Ferreira
2006 Tempo de Viver Artur Mendes
2007 Deixa-me Amar César Augusto
2008 Olhos nos Olhos Dionísio
Equador Monsenhor José Atalaia
2009 Sentimentos Carlos Dias
2010 Sedução Humberto Almeida
2012 O Marceneiro Alfredo
Louco Amor Óscar Ribeirinho
2013 Destinos Cruzados Inácio Candeias
2013/2015 Bem-Vindos a Beirais Viriato Montenegro RTP
2016 Massa Fresca Luciano Castro TVI
2017 Inspector Max João Ferreira
2017 O Sábio Jacinto Homem RTP
2017 Alta Definição convidado SIC

Cinema[editar | editar código-fonte]

Ano Trabalho Personagem Realizador
1951 Eram 200 Irmãos Armando Vieira Pinto
1961 Raça Augusto Fraga
1963 Pássaros de Asas Cortadas Francisco Artur Ramos
1965 Domingo à Tarde António de Macedo
1969 O Cerco António da Cunha Telles
1974 Cântico Final Manuel Guimarães
1978 A Bicha de Sete Cabeças António de Macedo
1990 O Processo do Rei João Mário Grilo
Non, ou a Vã Glória de Mandar Manoel de Oliveira
1993 Vale Abraão Paulino Cardeano Manoel de Oliveira
1994 A Caixa Taberneiro Manoel de Oliveira
2000 Capitães de Abril António de Spínola Maria de Medeiros
2002 A Selva Comendador Leonel Vieira
2004 O Quinto Império Conselheiro Manoel de Oliveira
2005 O Crime do Padre Amaro Abade Costegaça Carlos Coelho da Silva
2007 Corrupção Juíz Presidente João Botelho
2009 Second Life Guido Miguel Gaudêncio e Alexandre Valente
2011 A Morte de Carlos Gardel Sr. Seixas Solveig Nordlund
2016 A Canção de Lisboa Prof. Anatomia Pedro Varela

Referências

  1. «Certidão de lista de associadas da Audiogest» (pdf). IGAC/Ministério da Cultura. 25 de julho de 2007. Consultado em 6 de Janeiro de 2014. Cópia arquivada (PDF) em 24 de Dezembro de 2013 
  2. «Medalhas de Mérito Cultural» (PDF). Como "Rui de Carvalho". Ministério da Cultura. Outubro de 2008. Consultado em 6 de julho de 2010. Arquivado do original (PDF) em 3 de agosto de 2010 
  3. a b c d e «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Ruy Alberto de Carvalho". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 10 de junho de 2014 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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