Filipe La Féria

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Filipe La Féria
Nome completo Luís Filipe de La Féria Valente e Orta
Nascimento 17 de maio de 1945 (72 anos)
Serpa
Nacionalidade Portugal Português
Ocupação Encenador e dramaturgo
Outros prémios
Prémio Arco-íris (2010)

Luís Filipe de La Féria Valente e Orta ComIHGOM (Serpa, Aldeia Nova de São Bento (hoje Vila Nova de São Bento), 17 de maio de 1945), que usa o nome artístico de Filipe La Féria, é um encenador e dramaturgo português, responsável pela revitalização do teatro ligeiro português[1].

Biografia[editar | editar código-fonte]

Proveniente de uma família de lavradores e ganadeiros abastados, é o mais novo de seis filhos e filhas de Luís de La Féria de Assis e Orta (Serpa, Aldeia Nova de São Bento (hoje Vila Nova de São Bento), 14 de fevereiro de 1913 - Lisboa, 28 de novembro de 1977), filho unigénito de Francisco de Assis e Brito de Orta (Serpa, Aldeia Nova de São Bento, c. 1876 - Serpa, Aldeia Nova de São Bento, 14 de Janeiro de 1919) e de sua mulher Dolores da Conceição de La Féria, e cujo avô paterno e cujo avô materno eram Espanhóis, primo-irmão de Ramón La Féria, sobrinho materno de Ramón Nonato de La Féria e sobrinho-bisneto do 1.º Visconde de Orta, Senhor do Solar e Herdade da Abóboda e anexas e das Herdades dos Outeiros e Tagarrosa, da Casa dos Palhas e da Casa do Rocio, em Aldeia Nova de São Bento, e de sua mulher (Serpa, Vila Verde de Ficalho, 29 de outubro de 1934) Maria Janeiro Valente (Serpa, Vila Verde de Ficalho, 4 de maio de 1911 - ?), Senhora das Herdades do Alto da Ferradura, Barreira Branca, Monte do Velho e Jarrões.[2]

Por volta dos 18 anos mudou-se de Serpa para Lisboa. Matriculado na Faculdade de Letras de Lisboa, depressa deixou esses estudos para ingressar na Escola de Teatro do Conservatório Nacional.

Em 1963 estreava-se como ator, na Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro, sedeada no Teatro Nacional D. Maria II e dirigida por Amélia Rey Colaço. Seguiu-se a participação em peças do Teatro Estúdio de Lisboa, do Teatro Experimental de Cascais, da Casa da Comédia e do Teatro da Cornucópia. Foi ator durante 12 anos.

Foi assistente de encenação de Victor Garcia, em As Criadas de Jean Genet, no Teatro Experimental de Cascais. A seguir, graças a uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, fixou-se em Londres, onde obteve um diploma em Encenação.

Ao regressar de Londres, La Féria irá assumir durante 16 anos consecutivos a direção da Casa da Comédia. Nesta companhia dirigiu, entre outros, os espetáculos Faz tudo, faz tudo, faz tudo!, A paixão segundo Pier Paolo Pasolini, A marquesa de Sade, Eva Péron, Savanah bay, A bela portuguesa, Electra ou a queda das máscaras, Noites de anto ou A ilha do oriente. Entre os autores que adaptou contam-se Marguerite Yourcenar, Marguerite Duras, Yukio Mishima, Agustina Bessa-Luís e Mário Cláudio.

Em 1990 escreve e encena What happened to Madalena Iglésias e aceita o convite de apresentar a peça da sua autoria Passa por Mim no Rossio, no Teatro Nacional D. Maria II. De seguida encena As Fúrias, de Agustina Bessa-Luís, também no D. Maria II. Em Bruxelas dirige o espetáculo inaugural da Europália (1991), e em Sevilha o Dia de Portugal na Expo 92[3].

Para a televisão produziu, encenou, adaptou e dirigiu: de sua autoria Grande Noite, Cabaret, Todos ao Palco, Saudades do Futuro e Comédias de Ouro. Nesses programas, todos transmitidos na RTP1, revelou autores como Dario Fo, Oscar Wilde, Peter Schaffer ou Georges Feydeau; com tradução sua destacam-se: A importância de se chamar Ernesto, de Oscar Wilde; Não se paga, não se paga, de Dario Fo; Paris Hotel, de Georges Feydou, e Espelho de duas faces, de Arthur Miller.

Em 2007 concebeu a gala Campo Pequeno de novo em grande, emitido pela RTP1, para celebrar a reinauguração da Praça de Touros do Campo Pequeno, após a sua reabilitação; e a Gala das 7 Maravilhas, com transmissão em direto para a TVI, também a partir da arena do Campo Pequeno, destinando-se essa cerimónia à eleição das sete maravilhas do mundo de 2007, em Lisboa.

É, inclusive, autor de todas as canções dos programas de televisão "Grande Noite", "Cabaret", "Todos ao Palco", "O Sonho do Cinema", incluindo as próprias canções dos musicais "Cabaret", "Godspel", "Aplauso", "Porgy and Bessy", "Mame", "Oklahoma" e "Carossel"[4].

Como empresário, reconstruiu o Teatro Politeama onde estreou, com texto seu, Maldita Cocaína, Jasmim ou o sonho do cinema, De Afonso Henriques a Mário Soares, Godspell Maria Callas, de Terrence McNally e Rosa Tatuada, de Tennessee Williams.

Em 2000 escreveu e encenou o músical Amália, que esteve durante seis anos em cena e ultrapassou os 16 milhões de espetadores. Tendo-se seguido em 2001 A Casa do Lago, de Ernest Thompson, com Eunice Muñoz e Ruy de Carvalho, sendo que em 2002 encena o musical de Alan Jay Lerner e Frederick Loewe, My Fair Lady, a partir da obra de Bernard Shaw, num espetáculo galardoado com o Globo de Ouro para Melhor espetáculo do Ano. Segue-se a A Rainha do Ferro Velho, de Garson Kanin, em 2004. Em 2006 apresentou A Canção de Lisboa, adaptado do filme de Cotinelli Telmo, O Principezinho, de Saint-Exupéry e, em 2007, Música no Coração. Em 2007 estreou, também, Jesus Cristo Superstar, primeira produção no Teatro Rivoli depois da sua empresa ter vencido o concurso de concessão da exploração daquele espaço. Em 2008, estreia as peças "West Side Story", "A Estrela" e "Um Violino no Telhado". Sendo que no ano a seguir apresenta-nos o musical "Piaf" e as peças "A Gaiola das Loucas" e "O Feiticeiro de Oz". Em 2011 estreia mais as peças "Fado: História de um povo", "A flor do cacto" e "O Melhor de La Féria".

Já em 2012, estreia Judy Garland - O Fim do Arco-Íris, tendo sido esta peça considerada a sua melhor peça e atingido mais de 25 mil espetadores em menos de 2 meses, e Uma Noite em Casa de Amália.

Na rádio fez traduções para peças e folhetins radiofónicos, tendo sido responsável pelo programa “O Prazer do Teatro” que incluiu várias traduções de dramaturgos mundiais.

Obras[editar | editar código-fonte]

Prémios[editar | editar código-fonte]

Foi galardoado com o Prémio Arco-íris 2010 [5], da Associação ILGA Portugal, pelo seu contributo, com a encenação de A Gaiola das Loucas, na luta contra a discriminação e a homofobia.

No décimo aniversário do 25 de abril de 1974, a Associação Portuguesa de Críticos de Teatro premiou-o como Personalidade do Ano, foi agraciado por Mário Soares, com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique a 10 de junho de 1992,[6] e com o Prémio Personalidade do Ano, na categoria de Teatro, nos Globos de Ouro, em 2000. Recebeu outros Globos de Ouro, em 2007, como Melhor Encenador, e pela produção de Melhor espetáculo, em 2008, com as peças Música no Coração e West Side Story. A 17 de janeiro de 2006 foi condecorado por Jorge Sampaio com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Mérito.[6] E foi condecorado também em 2007 com a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa.

Descendência[editar | editar código-fonte]

Tem uma filha natural, Catarina Valente la Féria Orta, nascida a 2 de março de 1983.[7]

Notas e referências

  1. Filipe La Féria. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-07-02]
  2. "Raízes e Memórias", Associação Portuguesa de Genealogia, Lisboa, N.º 10, pp. 200 e 202
  3. Filipe La Féria. «Filipe la Féria Oficial». Consultado em 2 de Julho de 2012 
  4. Sítio do livro. «Filipe La Féria no Sítio do Livro». Consultado em 2 de Julho de 2012 
  5. Prémio Arco-íris 2010
  6. a b «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Filipe La Féria". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 13 de fevereiro de 2013 
  7. "Raízes e Memórias", Associação Portuguesa de Genealogia, Lisboa, N.º 10, p. 202

Ligações externas[editar | editar código-fonte]