Mário Cláudio
| Mário Cláudio | |
|---|---|
Mário Claúdio na Feira do Livro de 2019 | |
| Pseudônimo(s) | Mário Cláudio |
| Nascimento | Rui Manuel Pinto Barbot Costa 6 de novembro de 1941 (84 anos) Porto, Portugal |
| Residência | Porto |
| Cidadania | Portugal |
| Alma mater | Universidade de Coimbra University College de Londres |
| Ocupação | escritor, poeta, ensaísta |
| Período de atividade | 1969 - presente |
| Distinções | Grande Prémio de Romance e Novela da APE/DGLAB (1984, 2014) Prémio Seiva de Literatura (1993) |
| Género literário | Ficção, Poesia, Teatro, livros infantis e ensaio |
| Movimento literário | pós-modernismo, neobarroco, neorromantismo |
| Obras destacadas | Amadeo, Guilhermina, Rosa, Tiago Veiga, Astronomia |
Mário Cláudio, pseudónimo literário de Rui Manuel Pinto Barbot Costa (Porto, 6 de Novembro de 1941) é um escritor português.
Autor de uma vasta e multifacetada obra que abarca a ficção, a crónica, a poesia, a dramaturgia, o ensaio, a literatura infanto-juvenil e ainda letras para fado e inúmeros artigos publicados na imprensa nacional e estrangeira, proferido também palestras e conferências sobre temas literários ou conotados com a literatura. As suas obras estão traduzidas em inglês, castelhano, francês, italiano, alemão, húngaro, checo e croata.
A sua escrita, que o próprio assume ser muito difícil e árdua, destinada a uma minoria de leitores, cultos e exigentes, é bastante densa e rebuscada, complicada, labiríntica e pouco acessível, lexicalmente opulenta e variegada, caracterizando-se por um estilo pós-moderno, impregnado de neobarroco, gongorismo e neorromantismo, influenciado por autores como António Vieira, Camilo Castelo Branco, Teixeira de Pascoaes, Aquilino Ribeiro, Agustina Bessa-Luís, ou Marcel Proust, de quem Mário Cláudio é um confesso admirador e émulo estilista.[1]
Segundo o crítico António Guerreiro, há em Mário Cláudio um “gosto por uma escrita desmesurada, literalmente barroca, que privilegia a proliferação dos processos retóricos e cria um efeito de hiperliterariedade".[2]
Sobre A Quinta das Virtudes, escreveu Urbano Tavares Rodrigues: “Barroco é neste romance a luxúria do pormenor, a própria volúpia do traço verbal e dos tons lexicais. Barroco é o excesso, a exuberância da linguagem que se desentranha em retratos e cenas de uma força e, ao mesmo tempo, de uma elegância palpitante que não raro exorbitam dos territórios maneiristas para atingir o domínio mítico”.[3]
Biografia
[editar | editar código]Mário Cláudio nasceu no Porto, em 1941, filho único de uma família da burguesia portuense. Nesta cidade efectuou os estudos primário e secundário, tendo-se desde cedo tornado um leitor compulsivo. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, veio a diplomar-se mais tarde com o Curso de Bibliotecário-Arquivista, da Faculdade de Letras da mesma Universidade. Como bolseiro do Instituto Nacional de Investigação Científica, frequentou a Universidade de Londres (University College), onde se pós-graduou como Master of Arts in Library and Information Studies. Foi professor do ensino superior, tendo leccionado na Escola Superior de Jornalismo do Porto, na Universidade Católica do Porto e foi formador de Escrita Criativa na Fundação de Serralves e no Instituto Politécnico do Porto. Foi condecorado com a Ordem de Santiago de Espada e recebeu a Medalha de Honra da Cidade. Recebeu a comenda de Chevalier des Arts et des Lettres, atribuída pelo Ministério da Cultura de França (2006). Foi investido Doutor Honoris Causa da Universidade do Porto, por proposta da FLUP, 2019. Em 2020, a Sociedade Portuguesa de Autores propôs à Academia Sueca o seu o nome para o Prémio Nobel da Literatura.[4]
Prémios
[editar | editar código]- Grande Prémio de Romance e Novela, da Associação Portuguesa de Escritores, pelo romance Amadeo.
- Prémio Antena 1, da Radiodifusão Portuguesa, pelo romance Guilhermina.
- Prémio Lopes de Oliveira, pelo romance Tocata para Dois Clarins.
- Prémio PEN-Clube Português (2 vezes), pelo romance O Pórtico da Glória, em 1998, e pelo romance Camilo Broca, em 2007.
- Prémio Eça de Queirós, pelo romance O Pórtico da Glória.
- Grande Prémio de Crónica, da Associação Portuguesa de Escritores, pela antologia A Cidade no Bolso.
- Prémio Seiva Trupe.
- Prémio Pessoa pelo conjunto da sua obra, 2004.
- Prémio Clube Literário do Porto / Alberto Pimentel
- Prémio The Best of Porto, 2006.
- Prémio Vergílio Ferreira.
- Prémio Fernando Namora.
- Grande Prémio de Romance e Novela, da APE, pelo romance Retrato de Rapaz, 2015.
- Grande Prémio de Literatura DST Group, pela obra Astronomia, 2017.
- Prémio D. Dinis, Fundação Casa de Mateus, pela obra Astronomia, 2017.
- Grande Prémio de Crónica e Dispersos Literários, APE/CM Loulé, pela obra A Alma Vagueante, 2018.
- Grande Prémio de Romance e Novela da APE/DGLAB, pelo romance Tríptico da Salvação, 2019.
- Prémio Melhor Ficção 2018-2019 – Festival Literário de Fátima, pela obra Tríptico da Salvação, 2019.
Obras mais importantes
[editar | editar código]Ficção
[editar | editar código]- Um Verão Assim, 1974, 1982, 1988.
- As Máscaras de Sábado, 1976, 1982.
- Damascena, 1983.
- Improviso para Duas Estrelas de Papel, 1983.
- Das Torres ao Mar, 1983.
- Amadeo (Trilogia da Mão), 1984, 1993.
- Olga e Cláudio, 1984.
- Guilhermina (Trilogia da Mão), 1986, 1993.
- Duas Histórias do Porto, 1986.
- A Fuga para o Egipto, 1987.
- Rosa (Trilogia da Mão), 1988, 1993.
- A Quinta das Virtudes, 1990, 1991, 1992.
- Tocata para Dois Clarins, 1992.
- Itinerários (antologia de contos), 1993.
- Trilogia da Mão (Amadeo | Guilermina | Rosa), 1993.
- As Batalhas do Caia, 1995.
- O Pórtico da Glória, 1997.
- O Último Faroleiro de Muckle Flugga, 1998.
- Peregrinação de Barnabé das Índias, 1998.
- Ursamaior, 2000.
- O Anel de Basalto e Outras Narrativas, 2002.
- Oríon, 2003.
- Gémeos, 2004.
- Camilo Broca, 2006.
- Boa noite, senhor Soares, 2008.
- Tiago Veiga, uma biografia, 2011.
- Retrato de Rapaz, 2014.
- O Fotógrafo e a Rapariga, 2015.
- Astronomia, 2015.
- Os Naufrágios de Camões, 2017.
- Memórias Secretas, 2018.
- Tríptico da Salvação, 2019.
- Três Novelas (Verão Assim | As Máscaras de Sábado | Damascena), 2020.
- Embora Eu Seja Um Velho Errante, 2021.
- Trilogia das Constelações (Ursamaior | Oríon | Gémeos), 2022.
- Apoteose dos Mártires, 2022.
- Teoria das Nuvens, 2023.
- Diário Incontínuo, 2024.
- Cruzeiros de Inverno, 2025.
Poesia
[editar | editar código]- Ciclo de Cypris, 1969.
- Sete Solstícios, 1972.
- A Voz e as Vozes, 1977.
- Estâncias, 1980.
- Terra Sigillata, 1982.
- Dois Equinócios, 1996.
- Os Sonetos Italianos de Tiago Veiga, 2005.
- Doze Mapas (poesia reunida, 1969-2019), 2019.
Crónica
[editar | editar código]- O Outro Génesis, 1988.
- Uma Coroa de Navios, 1992.
- A Cidade no Bolso, 2000.
- O Eixo da Bússola, 2007.
- A Alma Vagueante, 2017.
Teatro
[editar | editar código]- Noites de Anto (1996). Encenado por Filipe la Féria, na Casa da Comédia.
- A Ilha do Oriente (1996). Encenado por Filipe La Féria para o Festival ACARTE.
- Henriqueta Emília da Conceição (1997). Encenado por Celso Cleto para o Teatro Experimental do Porto.
- O Estranho Caso do Trapezista Azul (1998). Encenado por Júlio Cardoso para a inauguração do Teatro do Campo Alegre.
- Medeia (2008). Encenado por Carlos Avilez para o Teatro Experimental de Cascais.
Edições especiais
[editar | editar código]- Meu Porto (2001).
- Fotobiografia de António Nobre (2001).
- Triunfo do Amor Português (2004).
Ensaio
[editar | editar código]- Para o Estudo do Analfabetismo e da Relutância à Leitura em Portugal (como Rui Barbot Costa), 1979.
- António Nobre: Correspondência com Cândida Ramos, 1982.
- António Nobre. “Alicerces” seguido de “Livro de Apontamentos”, 1983.
- Quarto de Noite, 1987.
- Emerenciano ou o Teor das Actas, 1989.
- Camilo Castelo Branco, Retrato a Sépia (2006).
- Júlio Pomar, Um Álbum de Bichos (2007).
Viagem
[editar | editar código]- Italy: 41 Impressions (de colaboração com Michael Gordon Lloyd), Turnbridge Wells, Badger Editions, 1979.
Tradução
[editar | editar código]- Dezasseis Poemas de Odysseus Elytis, Porto, O Oiro do Dia, 1980.
- William Beckford: Vathek, Porto, Edições Afrontamento, 1982.
- Nikos Gatsos: Amorgos – A Uma Estrela Verde, Porto, O Oiro do Dia, 1982.
- História do Califa Vathek, Porto, Edições Afrontamento, 1982.
- Virginia Woolf: Rumo ao Farol, Porto, Edições Afrontamento, 1985.
Bibliografia
[editar | editar código]- Letria, José Jorge. Mário Cláudio - A Verdade e a Beleza Continuarão a Existir, Guerra e Paz, Lisboa, 2020
- Luís, Carla Sofia Gomes Xavier. Língua e Estilo: Um Estudo da Obra Narrativa de Mário Cláudio, Centro de Estudos em Letras, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, 2011.
- Soares, Martinho. O Essencial sobre Mário Cláudio, Imprensa-Nacional Casa da Moeda, Lisboa, 2019.
Documentário
[editar | editar código]Tocata e Fuga: Os Dias de Mário Cláudio, realização de Jorge Campos, Portugal, 2016.
Referências
[editar | editar código]- ↑ Soares, Martinho (2019). O Essencial sobre Mário Cláudio (PDF) 1ª ed. Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda. 116 páginas. ISBN 978-972-27-2765-5
- ↑ Guerreiro, António, “História, Mito, Memória”, in Expresso (cultura), 11 de Janeiro de 1991, p. 1.
- ↑ Rodrigues, Urbano Tavares, “A Quinta das Virtudes. Mário Cláudio e o Romance de Grande Fôlego”, in Jornal de Letras (Crítica/Ensaio), 2 de Janeiro de 1991.
- ↑ SPA (8 de janeiro de 2020). «SPA propõe à Academia Sueca o nome de Mário Cláudio para o Nobel da Literatura». spautores.pt. Sociedade Portuguesa de Autores. Consultado em 7 de dezembro de 2025
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