Maria Manuel Mota

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Maria Manuel Mota
Nascimento 27 de abril de 1971 (49 anos)
Vila Nova de Gaia
Residência Lisboa
Cidadania Portugal
Alma mater University College London, Universidade do Porto, University College London
Ocupação acadêmico, bióloga, malariólogo
Prêmios Prémio Pessoa, Comendador da Ordem do Infante Dom Henrique
Empregador Universidade de Lisboa, Centro Médico NYU Langone, Instituto Gulbenkian de Ciência, Instituto de Medicina Molecular

Maria Manuel Dias da Mota ComIH (Vila Nova de Gaia, 27 de abril de 1971) é uma bióloga e cientista portuguesa, e uma autoridade internacional nos estudos da malária.[1][2][3] Maria é desde 2014 diretora do Instituto de Medicina Molecular, em Lisboa. [4]

Percurso[editar | editar código-fonte]

Maria Mota fez sua licenciatura em Biologia em 1992, e tirou o mestrado em imunologia em 1994. Durante esse período, esteve sob a coordenação de Maria de Sousa. Prosseguiu os seus estudos com um doutoramento em parasitologia molecular em 1998, na University College em Londres.[5]

Ela disse ter decidido estudar a malária, quando viu uma fotografia do parasita que causa Leishmaniose num livro.[5]

Desde 1995, Maria Mota estuda a malária, uma doença que apesar de descoberta há mais de um século, continua a matar 200 milhões de pessoas por ano em todo o mundo, especialente no continente africano onde a uma criança com malária a doença é endémica. Ela estuda o parasita responsável pela doença, o Plasmodium, cuja picada pode voltar a adoecer mesmo aqueles que já tiveram malária antes. Os estudos da cientista, publicados na revista científica Nature Communications revelaram que os parasitas quando entram no corpo humano percorrem um longo caminho até o fígado, onde se multiplicam antes de voltar à corrente sanguínea. Essa descoberta permitiu a possibilidade de novas medidas profiláticas, que visem o bloqueio ou diminuição da infeção do fígado.[6][7][8] O trabalho liderado por Maria Mota recebeu o Prêmio Pfizer em 2017.[9]

Maria Mota foi presidente da Associação Viver a Ciência.[2]

Desde 2005, lidera como diretora o Unidade de Malária do Instituto de Medicina Molecular (IMM), em Lisboa. E desde 2014 que assume o cargo de directora executiva da mesma instituição.[5] Em 2016, foi eleita membro da Organização Europeia de Biologia Molecular (EMBO).

A cientista considera-se feminista e assume o acesso à educação como uma das causas por que tem lutado.[5]

Descobertas[editar | editar código-fonte]

A cientista liderou a equipa responsável pela descoberta de que o parasita da malária atravessava várias células até chegar ao fígado. Uma vez instalado nesse órgão, fazia o mesmo até se fixar numa dessas células.[5]

Em 2017, demonstrou que o parasita da malária detecta o estado nutricional do hospedeiro, torna-se mais ou menos agressivo dependendo disso.[5]

Durante a pandemia em 2020, Maria Mota desenvolveu o kit de diagnóstico de Covid-19 português. Esse teste serológico passou a ser produzido pelo Instituto da Medicina Molecular (IMM), dirigido por ela.[1]

Reconhecimentos e Prémios[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b «Maria Manuel Mota, cientista: "Este é um vírus relativamente bonzinho"». Jornal Expresso. Consultado em 9 de julho de 2020 
  2. a b «Maria Mota». Cienciahoje.pt. 11 de Janeiro de 2006. Consultado em 26 de Setembro de 2015. Arquivado do original em 26 de Setembro de 2015 
  3. Teixeira, Sofia. «A portuguesa que quer erradicar a malária». Observador. Consultado em 29 de janeiro de 2021 
  4. «Maria Mota». iMM. Consultado em 29 de janeiro de 2021 
  5. a b c d e f g h «Já se sabe quem são as vencedoras dos Prémios Dona Antónia – Revista Líder». Consultado em 9 de julho de 2020 
  6. «Estudo liderado por Maria Manuel Mota revela como parasitas da malária entram no fígado». www.cmjornal.pt. Consultado em 29 de janeiro de 2021 
  7. Teixeira, Sofia. «A portuguesa que quer erradicar a malária». Observador. Consultado em 29 de janeiro de 2021 
  8. Firmino, Teresa. «O parasita da malária atira uma pedra às células do fígado e… entra». PÚBLICO. Consultado em 29 de janeiro de 2021 
  9. a b http://www.jornaldenegocios.pt/economia/saude/detalhe/premios-pfizer-distinguem-trabalhos-sobre-cataratas-malaria-e-parkinson
  10. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Maria Manuel Dias da Mota". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 13 de fevereiro de 2015 
  11. PÚBLICO. «Prémio Pessoa 2013 atribuído à cientista Maria Mota». PÚBLICO. Consultado em 13 de dezembro de 2013 
  12. Vera Novais, Observador (15 de Novembro de 2018). «Maria Manuel Mota: "Não é um balúrdio de dinheiro, mas é livre"». Consultado em 15 de Novembro de 2018 
  13. «Maria Manuel da Mota e Sara do Ó distinguidas com Prémio Dona Antónia». Dinheiro Vivo. 7 de julho de 2020. Consultado em 9 de julho de 2020 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]