Luís Miguel Cintra

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Luís Miguel Cintra
Nome completo Luís Miguel Valle Cintra
Nascimento 29 de abril de 1949 (68 anos)
Madrid
Nacionalidade  Portugal
Ocupação Actor e encenador
Atividade 1968- 2015
Outros prêmios
Prémio Pessoa (2005)

Prémio Troféu Latino (2008)
Globo de Ouro (2012)
Prémio Autores de 2012

IMDb: (inglês)

Luís Miguel Valle Cintra GOSE (Madrid, 29 de abril de 1949) é um actor e encenador português.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho do filólogo Luís Filipe Lindley Cintra e de sua mulher Maria Adelaide dos Reis Valle, professora.

Luís Miguel Cintra inicia-se no teatro em 1968, no Grupo de Teatro de Letras, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, enquanto frequenta o Curso de Filologia Românica. Tinha finalizado o terceiro ano de Românica, quando, em 1970, decidiu partir para o Reino Unido, onde, graças a uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, frequenta por dois anos o Acting Tecnhical Course da Bristol Old Vic Theatre School.

Em 1973, já diplomado pela Old Vic e regressado a Portugal, funda o Teatro da Cornucópia, com Jorge Silva Melo. Na Cornucópia, Luís Miguel Cintra centraria a sua carreira no teatro, como ator e encenador — aqui dirigiu peças de autores tão diversos como Brecht, Tchekhóv, Goethe, Molière, Ésquilo, Séneca, Sófocles, Edward Bond, Gorki, Jordheuil, Horvath, Gil Vicente, Samuel Beckett, Kroetz, Buchner, Wenzel, Shakespeare, Lope de Vega, Heiner Muller, Botho Strauss, Beaumarchais, Pier Paolo Pasolini, R. W. Fassbinder, Luís de Camões, António José da Silva, Stravinski, Jean Claude Biette, Joe Orton, F. Garcia Lorca, August Strindberg, Eduardo de Filippo, Jean Genet, Courteline, Pierre Corneille, Jakob Lenz, Grabbe, Kleist, Rezvanni, Luigi Pirandello, Francisco de Holanda, Raul Brandão, Calderón, entre outros. Participou como actor em quase todos os espectáculos por si encenados.

Como encenador de ópera, encenou no Teatro Nacional de S. Carlos em Lisboa L'Enfant et les Sortilèges, de Ravel e Dido e Eneias de Purcell em 1987; As Bodas de Figaro de Mozart em 1988, L’Isola Disabitata de Haydn em 1997; Jeanne d’Arc au Bûcher de Honneger e Claudel em 2003 e Medea de Cherubini em 2005. Sob a direcção musical de João Paulo Santos, encenou: em 1990, em co-produção com a RTP, no Teatro da Cornucópia, Façade e O Urso de William Walton; em 1996, na Culturgest, The Strangler de Martinu; em 2000, em co-produção do Teatro da Cornucópia/Culturporto/Teatro Nacional de S.Carlos/Orquestra Nacional do Porto, The English Cat de H. W. Henze Edward Bond e em 2004 Le Vin Herbé de Frank Martin para o Teatro Aberto.

Como recitante colaborou com o Coro do Teatro Nacional de S. Carlos, com o Coro Gulbenkian, e com Nuno Vieira de Almeida em recitais com obras de Hans Werner Henze, Honneger, Schubert, Lizt, Satie, Poulenc e Garcia Lorca. Para o Teatro Nacional de S. Carlos fez a direcção de actores e interpretou o papel titular de Manfred de Schumann e Byron sob a direcção musical de Marko Letonja.

Em 1984 participou com o seu grupo no Festival de Teatro da Bienal de Veneza. Ainda em 1988 encenou para o Festival de Avignon, com Maria de Medeiros, o espectáculo La Mort du Prince et Autres Fragments de Fernando Pessoa que voltou a apresentar no ano seguinte, no Festival de Outono de Paris. Em Itália apresentou-se com o Teatro da Cornucópia em Udine na realização do projecto de formação de actores L'École des Maitres, que lhe foi dedicada, em 1991. Em 1991 apresentou-se em Bruxelas por ocasião da Europália.

Foi dirigido em 1997 por Brigite Jacques no Théâtre de la Commune-Pandora em Paris, em Sertório, de Corneille e encenou Comedia sin Titulo, de F. García Lorca para o Teatro de La Abadia em Madrid (2005).

Além do teatro Luís Miguel Cintra impôs a sua presença em dezenas de filmes do cinema português — ainda jovem estudante surge associado ao Cinema Novo, ao participar em Quem Espera por Sapatos de Defunto Morre Descalço, de João César Monteiro. Manterá com este realizador uma colaboração próxima, que o leva a participar em vários outros títulos (Veredas, Recordações da Casa Amarela, As Bodas de Deus). Destaque merece também a sua colaboração com Manoel de Oliveira, em filmes como Vale Abraão, Espelho Mágico, entre outros. De resto, foi dirigido por Paulo Soares da Rocha, Luís Filipe Rocha, Solveig Nordlund, Jorge Silva Melo, Christine Laurent, José Álvaro de Morais, Pedro Costa, Joaquim Pinto, Maria de Medeiros, Patrick Mimouni, Teresa Villaverde, João Botelho, Pablo Llorca, Jorge Cramez, John Malkovich, Raquel Freire, Jean-Charles Fitoussi e Catarina Ruivo.

Declamador de poesia, gravou a leitura integral de Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett e Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, assim como poemas de Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner, Ruy Belo, Luís de Camões, Antero de Quental e um sermão do Padre António Vieira.

Entre as restantes atividades que exerceu, Luís Miguel Cintra dedicou-se, até à década de 80, à crítica de teatro em O Tempo e o Modo; dirigiu a Colecção de Teatro Seara Nova (editada pela Estampa) e a Colecção de Teatro (da edição Ulmeiro); foi professor do Conservatório Nacional (Interpretação, na Escola de Teatro, e Direcção de Actores, na Escola de Cinema).

Dos prémios que recebeu salientam-se:

Recebeu o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada em 9 de Junho de 1998.[1]

Em 2013 recebeu a Medalha de Conhecimento e Mérito do Instituto Politécnico de Lisboa.[2]

Foi, em 2014, a figura homenageada do Festival de Almada.

A 17 de outubro de 2015, anunciou o o fim da sua presença nos palcos de teatro, devido a problemas de saúde (Doença de Parkinson). Porém, manter-se-á activo como encenador e actor de cinema.[3]

Em Julho de 2016 foi homenageado no Teatro Municipal de São Luís com a atribuição do seu nome à sala principal[4].

Em 2017 recebeu o prémio Árvore da Vida [5].

Cinema[editar | editar código-fonte]

Filmografia como actor[editar | editar código-fonte]

Filmografia como argumentista[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Luís Miguel Valle Cintra". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 13 de fevereiro de 2015 
  2. «Homenagem a Manoel de Oliveira e Luís Miguel Cintra». site Diário de Notícias. 10 de janeiro de 2013. Consultado em 11 de janeiro de 2013 
  3. «Luís Miguel Cintra anuncia fim de carreira devido a problemas de saúde». Observador. 18 de outubro de 2015. Consultado em 18 de outubro de 2015 
  4. Observador (5 de Julho de 2016). «São Luiz dá nome de Luís Miguel Cintra à sala principal do teatro». Consultado em 16 de Dezembro de 2016 
  5. Ecclesia

Ligações externas[editar | editar código-fonte]