Expresso (Portugal)

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Expresso
ExpressoJornal.jpg
Jornal Expresso
Periodicidade Semanal
Formato Berliner
Sede Rua Calvet de Magalhães 242, 2770-022 Paço de Arcos
Preço EUR 3,00
Slogan Faz opinião
Fundação 6 de janeiro de 1973 (44 anos)
Fundador(es) Francisco Pinto Balsemão
Proprietário Impresa Publishing, SA[1]
Director Pedro Santos Guerreiro
Circulação 71 465 exemplares semanais (janeiro - agosto 2015)[2]
Sítio oficial www.expresso.pt


O Expresso é um jornal português de periodicidade semanal publicado ao sábado desde 1973.

O atual diretor do Expresso é Pedro Santos Guerreiro, desde 6 de março de 2016.

Na edição de 26 de junho de 2010 o Expresso passou a utilizar o Acordo Ortográfico de 1990.

História[editar | editar código-fonte]

Criação do jornal[editar | editar código-fonte]

O semanário Expresso foi fundado a 6 de Janeiro de 1973 e inicialmente dirigido por Francisco Pinto Balsemão. O ex-jornalista já teria tomado contacto com a imprensa, uma vez que o tio e o pai eram os proprietários do Diário Popular, onde se estreou. Após a morte do pai, herdou a quota de 16,6% do capital da empresa proprietária do jornal, juntamente com o tio, acionista maioritário, e Guilherme Brás Medeiros. Depois da «oferta irrecusável», no verão de 1971, do Banco Borges pelo diário, o tio de Balsemão aceita.

Francisco Pinto Balsemão decide investir num jornal próprio com o modelo «dos jornais ingleses de domingo de qualidade», tais como o The Sunday Times e The Observer. Para isso Augusto de Carvalho, o diretor de publicidade e Fernando Ulrich fazem um estágio no Reino Unido para se inteirarem do modelo jornalístico. Não sem que a correspondência trocada entre Balsemão e os diretores dos jornais ingleses fosse interceptada pela PIDE, que fotocopiou a informação e a fez chegar a Marcello Caetano. O título Expresso deixa antever uma forte influência da revista francesa L'Express.

É criada assim a empresa proprietária do jornal, a Sojornal-Sociedade Jornalística e Editorial, SARL, com sede no segundo andar direito do n.º37 da Rua Duque de Palmela, em Lisboa, um imóvel desenhado em 1902 pelo arquiteto Ventura Terra e onde já vivera Afonso Costa. Balsemão fica com 51% do capital inicial (6 mil contos, o equivalente a 1,6 milhões de euros, a preço atual, ajustado à inflação). A participação dos demais acionistas é limitada a um máximo de 15%. Entre os quais estão a Sociedade Nacional de Sabões, o banqueiro Manuel Boullosa, as famílias Ruella Ramos (Diário de Lisboa) e Botelho Moniz (Rádio Clube Português). Com posições pequenas estão o tio de Francisco Pinto Balsemão, seis amigos de Balsemão (Luiz Vasconcellos, Francisco da Costa Reis, António Patrício Gouveia, Ruben A. Leitão, Luís Corrêa de Sá, António Flores de Andrade) e a sua mulher Mercedes. Surgem também na lista os jovens António Guterres e Marcelo Rebelo de Sousa.

A primeira versão do semanário surge em formato broadsheet e com dois cadernos. O primeiro caderno de caráter mais noticioso, «com uma primeira página forte e secções bem definidas nas páginas interiores» e o segundo, chamado Revista «menos ligada ao dia a dia, convidando à reflexão e proporcionando entretenimento [...] contendo prosas maiores»[3]. O design ficou a cabo de Vítor da Silva e Luís Ribeiro, que durante anos foi o grafista-chefe do jornal.

A primeira redação era chefiada por Augusto de Carvalho. José Manuel Teixeira estava encarregue da secção nacional, Fernando Ulrich (sob o pseudónimo Vicente Marques) fazia a crónica bolsista, António Patrício Gouveia escrevia sobre economia, Álvaro Martins Lopes na secção internacional e Inácio Teigão no desporto. Faziam também parte Fernando Brederode Santos, Teodomiro Leite de Vasconcelos (Rádio Renascença), João Bosco Mota Amaral (correspondente nos Açores com o pseudónimo J. Soares Botelho), Mercedes Balsemão (mulher do diretor, que fazia as palavras cruzadas com o pseudónimo Marcos Cruz), Juan Luis Cebrián, primeiro diretor do El País e correspondente do Expresso em Madrid. O diretor de publicidade era Jorge Galamba.

No dia 21 de dezembro de 1972, no hotel Ritz, realiza-se a sessão de lançamento do novo semanário. A campanha de publicidade fica a cargo da agência Ciesa, onde pontifica o criativo Artur Portela Filho. No entanto, a campanha para a televisão é proibida.

Com o Expresso surgem também outras inovações para a época em Portugal. O estatuto editorial, um Conselho de Redação, eleito pelos jornalistas, e o Conselho Editorial, para o qual são convidados Mário Murteira, Ruben A., Vasco Vieira de Almeida, João Morais Leitão, Sedas Nunes e Magalhães Mota.

Por fim, o primeiro número sai para a rua no dia 6 de janeiro de 1973. A tiragem ultrapassa os 60 mil exemplares, impressos na rotativa do Diário de Lisboa, em que cada um contava com 24 páginas e dois cadernos, ao preço de 5$00 (2,5 Cêntimos a preço atual). A manchete é uma sondagem encomendada: «63 por cento dos portugueses nunca votaram».

Perfil do leitor[editar | editar código-fonte]

Segundo dados da Bareme Impresa referentes ao semestre entre Janeiro e Junho de 2012, o leitor do semanário Expresso tem um perfil-tipo com idade compreendida entre os 25 e os 64 anos, das classes ABC1, quadros médios e superiores, residentes em regiões urbanas.[4]

O jornal tem uma média de 585.400 leitores de audiência média no alvo universo, onde não existe uma grande diferença em termos de género: 55% dos indivíduos são do sexo masculino. Em termos etários as preferências vão para os leitores entre os 25 e os 34 anos (24,2%), 35 aos 44 (20,9%), 45 aos 54 (15,1%) e 55 aos 64 anos (13,9%). Os jovens e os idosos são a faixa etária menos relevante. Nomeadamente, os indivíduos dos 15 aos 17 (2,9%), dos 18 aos 24 (9,9%) e com mais de 65 anos (13,1%).

A leitura do semanário é transversal e equilibrado em quase todas as classes. É na classe B que se lê mais o Expresso (29,1%), seguida de perto pela classe C1 (27%). A classe A tem uma quota de 21,1%, classe C2 com 14,8% e classe D com 8%.

Com larga margem entre os grupos ocupacionais estão os quadro médios e superiores (33,4%). Uma percentagem mais baixa é atribuída aos reformados, pensionistas e desempregados, que são a segunda faixa etária mais relevante para as leituras do jornal com 18%. Seguem-se os empregados de serviços/comércio/administrativos (13,6%), técnicos especializados e pequenos proprietários (12,3%), estudantes (9,7%), trabalhadores qualificados/especializados (8,4%), trabalhadores não qualificados/não especializados (3,4%) e domésticas (1,2%).

Em termos regionais, 34,4% são leitores da Grande Lisboa. Mais abaixo na tabela surge o Interior Norte (16,6%), Litoral Centro (14%), Litoral Norte (13,7%), Grande Porto (11,8%) e finalmente o Sul com 9,5%.

O perfil comportamenal do leitor do Expresso é dominado pelas preocupações ambientais (76,8 pontos) e sociais (74,3), com uma forte ligação às novas tecnologias, comunicações e Internet (64,1). No fim das suas prioridades estão as preocupações com demonstração de status (17,1).

Cadernos e suplementos[editar | editar código-fonte]

Todas as semanas o Expresso imprime os seguintes cadernos:

  • 1.º Caderno;
  • Economia;
  • Revista E;
  • Actual;
  • Emprego;
  • Espaços & Casas.

Irregularmente, são também impressos suplementos comerciais da autoria de terceiros. Anualmente, é impresso o suplemento Guia do Estudante.

O caderno Actual está dividido em duas zonas: Norte (correspondente ao Norte de Portugal) e Sul (correspondente ao Sul de Portugal); no 1.º Caderno, existe uma secção chamada Rede Expresso onde estão publicadas todas as notícias locais, sendo todas estas publicadas de Norte a Sul do país.

Já existiram os seguintes cadernos:

  • Economia e Internacional (a parte Internacional foi integrada no 1º Caderno, ficando assim só Economia);
  • Vidas;
  • Revista (que, juntamente com o Vidas foi fundido num único: a revista Única)
  • Cartaz.pt (foi integrado no Actual).

Online[editar | editar código-fonte]

O Expresso foi o primeiro jornal a publicar a Edição Impressa em versão HTML. Existe uma Edição Última Hora online, vários blogues, uma Loja Online, edições online dos guias/cadernos Guia do Estudante, Cartaz, Boa Cama Boa Mesa (BCBM), Gourmet, Emprego e Imobiliário. Também existem serviços multimédia e um portfólio online. Mais recentemente, em conjunto com a Newspaperdirect, lançou a Edição Impressa em formato e-xpresso, um tipo de PDF inteligente. É também possível comentar todos os artigos das Edições Impressa e Última Hora do Expresso, os vídeos e os dossiês, entre outros.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Organigrama do grupo Impresa» (PDF). Consultado em 22 de março de 2017 
  2. Sónia Dias (30 de outubro de 2015). 30 de outubro 2015 Correio da Manhã consolida liderança http://www.cmjornal.xl.pt/tv_media/detalhe/cm_alcanca_maior_quota_de_sempre.html Correio da Manhã consolida liderança Verifique valor |url= (ajuda). Consultado em 30 de outubro de 2015  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  3. José Pedro Castanheira (5 de janeiro de 2013). «Revista». Expresso (2097). 57 páginas 
  4. «Perfil de leitor do jornal Expresso (Impresa Publishing)» (PDF) 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Expresso