Correio dos Açores

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O Correio dos Açores é um periódico diário açoriano, publicado na ilha de São Miguel.

História[editar | editar código-fonte]

O periódico teve a sua génese no jornal "República", fundado em 1910 pelos partidários do novo regime em Ponta Delgada. O republicano Francisco Luís Tavares foi Director desse jornal e, passados nove anos, em 1 de Maio de 1920, junto com o monárquico Dr. José Bruno Tavares Carreiro fundou o "Correio dos Açores", mantendo a mesma linha editorial:

"(…) patentear ao público a orientação das novas autoridades e a sua motivação perante os sucessivos problemas, derivados do evoluir nacional e internacional."

Era um momento de grande efervescência ideológica da Primeira República Portuguesa, nomeadamente no contexto do final da Primeira Guerra Mundial.

O periódico foi o órgão da imprensa açoriana que mais se empenhou na "Campanha Autonomista de 1924-1928", tornando-se numa tribuna onde se encontravam todas as correntes de opinião, e os seus editores congregavam em torno de si boa parte das elites açorianas. Entre os seus colaboradores, destacaram-se os autonomistas Aristides Moreira da Mota e Montalverne Sequeira, o então diretor José Bruno Carreiro, e colaboradores nas ilhas, como Luís da Silva Ribeiro e Alfredo Mendonça (na ilha Terceira) ou o músico Francisco Lacerda (ilha de São Jorge), e no Continente, como Luís Ataíde e Linhares de Lima (Lisboa).

O grupo de pessoas congregado em torno deste periódico organizou, em 1924, a chamada "Visita dos Intelectuais" ao arquipélago. Do mesmo modo contribuiu para o Decreto Autonomista de 16 de fevereiro de 1928, que perspectivava uma pequena descentralização de serviços na Junta Geral do Distrito Autónomo de Ponta Delgada. Ainda nesse contexto, lançou um apelo à Madeira conclamando a aproximação aos ideias autonomistas, a que a imprensa madeirense prontamente respondeu "A Madeira quer".

Posteriormente, diante da ascensão do Estado Novo, defendeu a unidade e autonomia açoriana.

Foi através da mobilização da opinião pública em suas páginas que se montou o Primeiro Congresso Açoriano (1938), "para delinear o projeto de unidade das ilhas".

No contexto da Revolução dos Cravos, a sede do periódico foi ocupada, em 1975, pelos trabalhadores, que viriam a tornar-se sócios do jornal, adquirido em 1976 por um grupo de pessoas em que se incluía Américo Natalino Viveiros, seu atual diretor.


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“Na senda da identidade açoriana: antologia de textos do Correio dos Açores”

NOTA INTRODUTÓRIA

A parcial antologia (Na senda da identidade açoriana: antologia de textos do Correio dos Açores) que constitui o volume insere-se num contexto comemorativo que recobre duas datas de importante significado na história dos Açores: a de 2 de Março de 1895 e a de 1 de Maio de 1920. O Correio dos Açores não podia deixar de se associar, e de pleno direito, às comemorações do centenário do Decreto de 2 de Março de 1895, na crença firme de que tal evento iria marcar uma muito significativa página no debate sobre o futuro dos Açores, assente num mais cimentado conhecimento do nosso passado e numa profunda reflexão sobre as realidades que caracterizam a conjuntura presente. Foi, pois, nesta perspectiva que, semanalmente, foram reeditados textos considerados marcantes para a compreensão dos contextos históricos em que o Correio dos Açores contribuiu, de forma por vezes decisiva, para a afirmação dos anseios do povo ilhéu, face à visão centralizadora e uniformizadora dos órgãos de soberania. A segunda fase desta participação do Correio dos Açores no reavivar da memória açoriana que estas duas datas suscitam concretiza-se com a edição da presente antologia que se inclui nas comemorações do 75g aniversário da fundação, em 1 de Maio de 1920, do mesmo jornal. Trata-se, efectivamente, de uma data, de um marco histórico, relevante ao nível da história açoriana e não apenas de um evento com significado especial para os administradores, trabalhadores, colaboradores do Correio dos Açores ou mesmo para a história da imprensa açoriana. Pequeno contributo, é certo, dada a importância que o jornal assumiu na sociedade açoriana em contextos bem determinados do século XX, a antologia que ora se edita está repassada de subjectividade. E não poderia ser de outro modo, pois qualquer antologia resulta de opções do respectivo autor que são, naturalmente, influenciadas pela sua formação intelectual, pelos valores cívicos e morais que enformam a sua personalidade, pelos interesses culturais que suscitam a sua curiosidade. Ora, o Correio dos Açores foi fundado numa conjuntura de crise económica e social que caracterizou o imediato pós-l Guerra Mundial e no contexto do confronto ideológico e político que marcou toda a vida da I República portuguesa. Foi, com efeito, a1 de Maio de 1920 que os drs. José Bruno Carreiro e Francisco Luís Tavares lançaram a público, como seus directores, o primeiro número do quotidiano Correio dos Açores. O editorial do seu número inaugural destaca essa espécie de angústia que "as incertezas e dúvidas" do pós-guerra motivavam: "É uma luz que está em marcha? Ou está-se a preparar inconscientemente o colapso geral da civilização com o regresso a um estado semi-bárbaro [...]? Caminha-se para um mundo melhor - ou está-se a cavara ruína completa e a abrira sepultura eterna de uma organização social que, se não era perfeita, dava ao menos aos homens uma ilusão de felicidade e, por vezes, uma ilusão de ideal realizado?"^) Tratava-se, portanto, de uma conjuntura que exigia o aprofundamento do debate e da reflexão sobre as novas realidades políticas, económicas e sociais que atravessam todo o mundo e a que, consequentemente, os Açores não ficariam imunes. A própria situação nacional aconselhava o empenhamento no estudo e busca de soluções para a crise político-institucional, económico-financeira, social e mesmo cultural que assolava o quotidiano dos portugueses. Ora, é precisamente na sequência destas preocupações, na objectivação deste "programa", que o Correio dos Açores, através de um dos seus mais ilustres colaboradores, o terceirense dr. Luís da Silva Ribeiro, irá relançara antiga ideia de reunião de um congresso açoriano, na senda, aliás, do movimento regionalista que recrudescia em Portugal. Tratava-se de um projecto ambicioso que almejava a construção da unidade açoriana - mas não da unicidade - a partir da qual a cooperação açoriana substituiria as ocas rivalidades inter-insulares, sem prejuízo do respeito devido aos interesses específicos de cada ilha. Simultaneamente, seriam criadas as condições para o exercício do que talvez se possa designar como uma verdadeira introspecção açoriana: "é estudaras nossas condições de vida, discutir e formular alvitres, ver à luz clara da razão, com sinceridade, sem desconfianças quiméricas, sem veleidades de predomínio, sem pruridos de superioridade, sem preconceitos ou fantásticas rivalidades, fraternalmente, desapaixonadamente, o que a todos convém [...]' Construção da unidade, exercício de introspecção, mas também busca da identidade. E, não há dúvida que, nos anos 20, o Correio dos Açores assumiu, a liderança, ou melhor, constituiu o fórum privilegiado do estudo e debate sobre a identidade açoriana nas suas diversas vertentes, com destaque especial para a cultural, pela qualidade dos contributos da maioria dos principais representantes da intelectualidade açoriana e mesmo de alguns continentais, como se poderá verificara partir de alguns dos textos reproduzidos nesta antologia. Evidentemente que esta colaboração de qualidade só foi possível em virtude da envergadura intelectual e da invejável rede de contactos de José Bruno Carreiro, já que Francisco Luís Tavares só durante pouco tempo co-dirigiu o jornal. E um dos aspectos fundamentais do contributo do Correio dos Açores para a formação c/aconsciência açoriana, assente no conhecimento mútuo entre os ilhéus e no desenvolvimento cte fraternidade açoriana, radica precisamente nesta irrequietude intelectual que a busca da identidade cultural exigia. E, nesses longínquos anos 20, iremos surpreender-nos, certamente, com a actualidade de determinados temas que preocuparam as elites de então e de que este volume dá pálida imagem. Lembre-se, porém, que o projecto do congresso açoriano só foi concretizado, em Lisboa, em 1938... Outro momento de relevante significado para a sociedade açoriana da época, protagonizado pelo Correio dos Açores, foi o que ficou conhecido como a visita dos intelectuais, em 1924. Pretendia-se, com a vinda desse conjunto de personalidades com importante intervenção nos círculos políticos, culturais e jornalísticos nacionais, contribuir para a formação de uma opinião pública nacional melhor informada acerca das realidades açorianas, nas suas potencialidades, mas também nas suas limitações: "Regressando ao continente, aos grandes meios onde marcam pelos talentos, pelo seu prestígio e pela sua situação, esses homens seriam preciosos agentes de propaganda das nossas ilhas e na sua palavra ou na sua pena, os Açores passariam a ter valiosos elementos de defesa, em tantas circunstâncias em que os seus interesses são postergados, as suas reclamações desprezadas e os seus objectivos desnaturados, pelo completo desconhecimento que deles há geralmente nos meios continentais"^. Ora essas "reclamações desprezadas", esses "objectivos desnaturados" seriam tanto mais de combater quanto era certo que a reivindicação pelo aprofundamento da autonomia se encontrava numa fase de grande entusiasmo a que o Correio dos Açores e o seu director, dr. José Bruno Carreiro, emprestaram o melhor do seu talento. Naturalmente que esta é uma antologia. E se os anos 20 assumem relevância esmagadora no conjunto dos textos antologiados, o propósito foi o de destacar o pioneirismo e a perenidade de alguns dos debates que, três quartos de século passados, mantêm ainda grande actualidade. Daí que alguns destes textos, após a sua reedição no jornal, tenham já sido objecto de citação por personalidades de relevo na vida intelectual açoriana. Iniciando a sua publicação no ano em que ocorria o 259 aniversário da data do decreto descentralizador de 2 de Março de 1895 e tendo constituído um importante órgão de informação e difusão das ideias autonomistas, nos anos 20, mas também noutras conjunturas históricas pouco favoráveis, ou mesmos hostis ao debate de ideias ou ao calor das reivindicações, o Correio dos Açores constitui referência de vulto para a compreensão do processo histórico que conduziu à conquista da autonomia político-administrativa, legitimada pela actual Constituição portuguesa. Com efeito, se esta fase da autonomia democrática recuperou algumas das aspirações históricas açorianas (a unidade e solidariedade inter-insular, o reconhecimento constitucional da identidade...), o cedo é que ultrapassou de longe quaisquer das propostas institucionalmente credíveis, formuladas nas outras fases do processo reivindicativo autonomista. Em vésperas, pois, da comemoração dos 20 anos da autonomia democrática, este conjunto de textos será mais um contributo, mesmo que modesto, para a aprofundada reflexão que a realidade política, económica, social e cultural dos Açores, na sua inserção nacional e nos novos contextos internacionais, aconselha.

(1) Correio dos Açores, Ponta Delgada, 1920, Maio 1. (2) Luís Ribeiro, in Correio dos Açores, Ponta Delgada, 1920, Julho 3. (3) Correio dos Açores, Ponta Delgada, 1924, Março 23. (4) Cf. textos dos anos 60, alguns dos quais, e a título exemplificativo, constam da presente antologia.


Autor: Cordeiro, Carlos


NA PRIMEIRA EDIÇÃO DO CORREIO DOS AÇORES

1920, Maio 1

"Ao aparecer um jornal novo, é velha a praxe lançar do alto da primeira coluna do primeiro número uma saudação ao leitor e a exposição dum programa. Aparece o CORREIO DOS AÇORES numa das mais agitadas epochas da vida dos povos, depois do cataclismo histórico da guerra, num período confuso, feito de incertezas e dúvidas, em que tudo é marcado pela instabilidade em todos os campos da actividade humana. Sacudido violentamente durante cinco anos pela convulsão da guerra, o mundo estremeceu até aos alicerces, as sociedades foram varridas por novas correntes de idéas, de princípios e de aspirações. - Ru iram Impérios considerados inabaláveis. Pululam Estados novos, de cuja estabilidade só o tempo nos poderá convencer. A curva da civilisação que ha dois séculos vinha sofrendo um desvio, mais fortemente marcado no fim do século XVIII, parece querer estabelecer agora uma nova directriz. As sociedades reorganisam-se em novas bases. - Princípios sociaes, considerados básicos e fundamentaes, são postos de lado e votados ao esquecimento, como velharias encomodas e prejudiciaes - Tudo se transforma, tudo se reorganiza. O dia de amanhã constitue uma incógnita. No direito civil e no comercial, nas leis sociaes e nas económicas, em tudo, de dia para dia são estabelecidos princípios novos, idéas novas, novas concepções da vida, novas bases de organização social. A produção, em todos os seus campos e aspectos, é organizada em novos fundamentos e assegura-se novas finalidades. A mobilização do trabalho pretende opôr-se à liberdade de trabalhar. A dictadura de classes procura substituir-se à selecção de competências. Princípios económicos, em que assentava toda a estructura financeira dos Estados, são atacados como símbolos de iniquidade social e procura-se substitui-los audaciosamente por concepções novas, que destroem todo o sistema das velhas organisações. Corre-se ao assalto dos altares dos velhos Deuses e o mundo inteiro parece atingido de loucura demolidora. - E em farândola no meio desta dança de San Vito, uma humanidade que parece ter esquecido inteiramente a noção das proporções e da justa medida, ou por aspirações inexequíveis, ou por imposições e exigências absurdas, numa anciã mórbida de prazer, perdida por completo a noção do valor do trabalho e absolutamente apagado o sentimento da solidariedade humana. E uma luz que está em marcha? ou está-se a preparar inconscientemente um colapso geral da civilisação, com o regresso a um estado semi-barbaro, caso que não seria virgem na História? Caminha-se para um mundo melhor ou está-se a cavara ruina completa e a abrir a sepultura eterna d'uma organisação social, que, se não era perfeita, dava ao menos aos homens uma ilusão de felicidade e, por vezes, uma ilusão de ideal realisado? Seja como fôr, a verdade é que a guerra fez ruir todo um mundo, que a paz abriu e poz em discussão os mais formidáveis problemas que jamais agitaram a vida das sociedades e que vivemos hoje um desses períodos que se seguem sempre a todos os cataclismos históricos, períodos que são os mais dolorosos e difíceis de atravessar, porque, todos feitos de instabilidade e incerteza, estabelecem a transição violenta d'um mundo que morre para um mundo que nasce. As gerações que atingiram hoje a maturidade, os que apregoam os verbos novos, os que se esforçam por impô-los e os que luctam na defeza e pela conservação da organisação social atacada, teem de ser as victimas passivas do choque implacável entre as duas concepções opostas do mundo e da vida, forçadas a debater-se no meio d'esta tremenda crise histórica, da natureza das que, como observa o historiador G. Ferrero, de tempos a tempos convulsionam uma fonte do mundo e modificam profundamente a marcha das civilisações, resolvendo violentamente, as dificuldades acumuladas a pouco e pouco pelos erros, as imprevidenciais, as paixões condenáveis e os interesses egoístas de muitas gerações. - Felizes os que ainda cerraram os olhos no mundo que os viu nascer, felizes os que os abrirem no mundo que sairá do período incerto e violento que atravessamos hoje. Na nossa terra, como nos mais apagados cantos do mundo, sentem-se os echos e os efeitos do grande movimento que ruge nos maiores centros da Europa e America. Também entre nós se faz sentir o desequilíbrio que derivou da guerra - e, mesmo, quanto mais da guerra nos afastamos, mais profundamente sentimos os seus efeitos, por motivos e razões que sucessivamente serão estudadas e discutidas nas colunas d'esté jornal. A convulsão é geral, atravessa o mundo inteiro e em parte alguma deixa de se fazer sentir em todos os seus aspectos. Cremos que não pode ser prestado maior serviço a esta terra, no momento presente, do que pretender colaborar no estudo das questões que mais profundamente afectam e interessam a vida local, organisando e lançando para tanto mais um jornal, que só com esse objectivo sae à publicidade. Nestas palavras fica traçado o programa do CORREIO DOS AÇORES, que, neste momento de crise para a vida açoreana, se propõe ocupar-se das questões de natureza económica, agrícola, industrial e comercial, que à nossa terra possam interessar. Com isto fica implicitamente dito que o CORREIO DOS AÇORES viverá absolutamente alheio a todas as questões e todas as correntes de politica partidária, de cuja existência só saberá para, como jornal de informação geral, trazer os seus leitores ao facto do que ocorrer na vida dos partidos e possa ser considerado como assunto ou questão de interesse. A absoluta independência politica do CORREIO DOS AÇORES, não deverá, porém, ser entendida como podendo tolher-lhe a liberdade de apreciação e crítica aos actos praticados na administração local, desde que esses actos possam interessar à generalidade do público. É certo que só muito raramente deixam de ser políticos os homens investidos nos cargos da administração publica local. Mas nunca, por principio algum, discutiremos homens, reservando-nos apenas o direito e a liberdade de apreciar os actos por elles praticados no exercício de funções publicas e que respeitem a interesses da população. Dentro d'esté programa, seguimos sempre o caminho que nos ditar a consciência, procurando não esquecer nunca que, preocupações exclusivistas, por irreflexão, por leviandade, por ignorância e negligencia dos assuntos tratados, o jornal é frequentemente um poderosso elemento de desorientação, levando à massa anônima e menos culta do publico noções falsas, lisongeando-lhe e excitando-lhe paixões perigosas, estabelecendo correntes prejudiciaes e arrastando-o a excessos, cuja extensão nunca pôde ser prevista. Ponderadamente procuraremos proceder sempre, na consciência de que é esse o nosso mais alto dever no logar que vimos ocupar na Imprensa, pelo que firmemente esperamos conseguir não ir nunca na onda de opiniões, nem a reboque de correntes, por mais generalisadas q'sejam, desde que não correspondam ao nosso modo de ver, consciente e reflectido, desde que se não coadunem com a orientação do nosso espirito e desde que com elas não estejam de acordo nas nossas proprias opiniões. Não nos cega a vaidade nem a ambição de pretender dirigir os outros: mas estamos firmemente decididos a não nos deixarmos dirigir por ninguém. Com um critério diferente - não o ignoramos - é fácil conquistar benção e aplausos geraes. Mas à trovoada de aplausos d'uma multidão, de grupos ou de grupelhos, preferimos e preferiremos sempre alguns apertos de mão sentidos e sobretudo - conscientes". A Direcção


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