As Bodas de Deus

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As Bodas de Deus
 Portugal /  França
1999 •  cor •  150 min 
Realização João César Monteiro
Produção Madragoa Filmes
Coprodução Madragoa Filmes / RTP / Gemini Films
Argumento João César Monteiro
Elenco Rita Durão
João César Monteiro
Joana Azevedo
José Airosa
Manuela de Freitas
Género comédia
Distribuição Atalanta Filmes
Lançamento 5 de Novembro de 1999
Idioma português
Cronologia
A Comédia de Deus
Página no IMDb (em inglês)

As Bodas de Deus (1999) é um filme português de João César Monteiro, a terceira longa-metragem da trilogia que o retrata como alter-ego na figura de João de Deus, sendo a primeira delas Recordações da Casa Amarela e a segunda A Comédia de Deus.

A trilogia explora, com repetidas referências autobiográficas, num estilo sarcástico, mal-humorado, a personagem de Deus, o protagonista, encarnado num bem humano pobre diabo. O resultado pretendido é traçar uma caricatura de alguém menos virtuoso que vicioso, autor e actor de inqualificáveis comédias num mundo hipócrita, com abundantes referências literárias, artísticas e filosóficas.

Estreia em Lisboa nos cinemas King e Monumental, a 26 de Outubro de 1999.

Ficha sumária[editar | editar código-fonte]

  • Argumento, realização e diálogos – João César Monteiro
  • Produtor – Paulo Branco
  • Co-produção – Madragoa Filmes / RTP / Gemini Films
  • Actor principal – João César Monteiro
  • Rodagem 1998
  • Formato 35 mm cor Dolby SR,
  • Duração – 150’
  • Distribuição – Atalanta Filmes
  • Estreia – Cinemas King e Monumental, em Lisboa, a 5 de Novembro de 1999

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Mal refeito de uma divina mas frustrante comédia, tudo parece perdido para o infeliz João de Deus. Rumina ele agora os infortúnios no meio das árvores de um parque frio e solitário: no meio de tristes lembranças. Surge-lhe entretanto pela frente um Enviado do Pai Divino. Traz-lhe um presente do Céu: uma mala cheia de notas.

Enquanto conta as «pápulas», ouve um corpo cair dentro de água. «Ouvido o que se passou, vai João ver o que se passa. A jovem Joana está prestes a afogar-se. João atira-se à água donde retira Joana. Ministrados os primeiros e tão prontos socorros, João transporta a inanimada para um convento de freiras». Mais tarde, regressando com a mala recuperada ao convento, é bajulado pela triste Joaninha que «serve alegremente no refeitório. João de Deus almoça com a madre Bernarda: cozido à portuguesa, tintamente regado. Após a santa ingestão, conversação com Joana à beira-mar. João de Deus encontra uma romã na areia. Corta a romã irmamente e oferece a Joana uma das metades. Longo silêncio. É tudo».

Convertido pela celeste dádiva em Barão de Deus, João trava conhecimento com um magnate do petróleo, Omar Raschid, no bar do hotel onde mora e logo ficam amigos. «Decidem jogar uma partida de poker no palácio da Quinta do Paraíso, uma propriedade adquirida por João de Deus nos arredores de Lisboa. Omar Raschid chega ao palácio, acompanhado pela Princesa, a bela Elena Gombrowicz, presumivelmente de origem polaca. Disputada a partida de poker, Omar Raschid perde uma soma importante. É então que Elena manifesta o desejo de ser tirada à sorte. João de Deus ganha a Princesa e Omar Raschid, tendo o seu fatal destino traçado, despede-se do amor e da vida».

Numa récita no Teatro de São Carlos, no coração chique de Lisboa, o libertino Barão de Deus, excitado pelos perfumes de uma ópera celestial, La Traviata, prepara-se para as bodas. Porém, o acto nupcial não se consuma. Adormecido nos braços da princesinha, «acorda pela manhã com bestiais apetites. Demasiado tarde. Descobre que Elena desapareceu, levando todo o seu dinheiro e, pior do que isso, sem deixar pentelho».

Uma desgraça nunca vem só. A GNR descobre na Quinta do Paraíso, onde ele se dispunha a gozar as delícias da vida, um verdadeiro arsenal de guerra. A Polícia Judiciária é metida ao barulho e, céptica como é, não acredita que o dinheirinho que ele tem seja dádiva divina. Depois de um cruel julgamento, de triste passagem por um seu já bem conhecido manicómio, o pobre vai parar à cadeia. Sempre grata, sempre desinteressada do vil metal, como é das regras, visita-o regularmente a Joaninha.

«Purgada escrupulosamente a pena, Joana espera João de Deus à saída da prisão. Partem. Joana anuncia o fim da comédia».

Enquadramento Histórico[editar | editar código-fonte]

A história repete-se como pescadinha de rabo na boca desde a pré-história: desde o tal e fatal momento que leva Quem espera por sapatos de defunto a morrer descalço. A moral, a moral da história, explica melhor que bem por que carga de água o mortal Deus na Terra (o Homem-Monteiro) se pela por bons petiscos, por boas mulheres e bom dinheiro. Perante isso, sente-se ele mais que justificado, estando-se nas tintas para com os bons exemplos de Cristo: divino sim senhor, mas parvo é que não!. Eis o epílogo: vale mais a astúcia que a bondade, e Jesus devia ter aprendido isso.

O tríptico desvela sempre a tal figura, o messiânico Vampiro que, emergindo das negras profundezas, mete o nariz de fora do buraco, cheirando, escapulido das trevas dos sulfúricos subterrâneos, os doces aromas da vida (Recordações da Casa Amarela).

Os ares frescos que correm pelas ruas da cidade e outras frescuras, mais estimulantes ainda, a que não resiste, afinam-lhe o olfacto, desenvolvem nele o bom gosto e o juízo, ao ponto de se tornar bondoso, inventando requintados sabores, dando a provar frescas doçuras, mostrando-se capaz de deleitar com litros e litros de leite a mais insuspeita Cleópatra (A Comédia de Deus).

Desfolhando em bem querença o malmequer, mau grado alguns feios pecados, como o da gula, salva da morte uma pouco mais que imberbe donzela e acaba recuperado, dedicando-lhe a vida (As Bodas de Deus). Apesar de ele ser blasfemo, Deus, o Juiz Supremo, tudo lhe perdoa então e, depois de cruel castigo, lá lhe confere o direito ao Paraíso.

Nesta trajectória, em suma, é superado o mito pagão do eterno retorno, em que tudo acaba por ir dar ao mesmo. Faz-se jus à História, acaba por vingar o princípio linear do judeo-cristianismo: o caminho que todos nós seguimos, direitinhos a um fim sem retorno possível.

Ficha artística[editar | editar código-fonte]

  • Joana de Deus – Rita Durão
  • João de Deus – João César Monteiro
  • Princesa Elena Gombrowicz – Joana Azevedo
  • Omar Raschid - José Airosa
  • Madre Bernarda – Manuela de Freitas
  • Enviado de Deus – Luís Miguel Cintra
  • Leonor – Ana Velasquez
  • O Inspector Pantaleão – José Mora Ramos
  • O psiquiatra – Fernando Mora Ramos
  • O Mordomo Vasconcelos – Fernando Heitor
  • Sparafucile – João Liszt
  • Bardamu – Jean Douchet
  • Celestina – Filipa Araújo
  • Uma freira – Sofia Marques
  • Menina Inês – Teresa Negrão
  • Agostinho – Paulo Miranda
  • Violeta Valery – Maria João Ribeiro e voz de Maria Repas
  • Alfredo Germont – Tiago Cutileiro e voz de João Miguel Queirós
  • Cozinheiro – Ana Mindillo
  • Presidente da República – David Almeida
  • Conspirador – Vasco Sequeira

Ficha técnica[editar | editar código-fonte]

  • Produção – Madragoa Filmes
  • Co-Produção – Madragoa Filmes / RTP / Gemini Films
  • Produtor – Paulo Branco
  • Director de Produção – Joaquim Carvalho
  • Argumento, realização e diálogos – João César Monteiro
  • Assistentes de realização – João Fonseca e Joana Ferreira
  • Fotografia – Mário Barroso
  • Assistentes de imagem – Muriel Mayret e Pedro Cardeira
  • Electricistas – Vítor Miranda (chefe) e Luís Miranda
  • Maquinistas – Paulo Miranda
  • Decoração – Alfredo Furiga
  • Guarda Roupa – Sílvia Grabowsky e Vitalina Sousa
  • Aderecistas – Fernanda Morais e Carlos Subtil
  • Director de som – Joaquim Pinto
  • Assistente de som – Nuno Leonel
  • Ruídos – Bertrand Boudard
  • Misturas – Jean-François Auger
  • Música – Verdi (La Traviata)
  • Interpretação musical – Orquestra Juvenil de Évora
  • Direcção musical – Nicolai Lanov
  • Interiores – Centro Paroquial de Colares, Pousada da Santa Raínha Isabel (Estremoz), Forte de Peniche, Tribunal da Boa Hora, Teatro Nacional de S. Carlos
  • Exteriores – Lisboa, Azeitão, Sesimbra, Serra de Sintra, Praia da Adraga, Peniche, Piódão, Serra da Estrela
  • Rodagem 1998
  • Formato 35 mm cor, Dolby SR,
  • Duração – 150’
  • Ante-estreia internacional – Festival de Cannes, 20 de Maio, 1999
  • Ante-estreia nacional – cinema Monumental, 26 de Outubro, 1999
  • Estreia – Cinemas King e Monumental, 5 de Novembro, 1999
  • Distribuição – Atalanta Filmes

Festivais[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]