Origens

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Origens
Informação geral
Formato Telenovela
Duração 30 minutos aprox.
Criador(es) Nicolau Breyner
Francisco Nicholson
País de origem  Portugal
Idioma original Português
Produção
Diretor(es) Nuno Teixeira
Elenco Nicolau Breyner
Adelaide João
Paula Guedes
António Feio
Mariana Rey Monteiro
Florbela Queiroz
Exibição
Emissora de televisão original RTP1
Transmissão original 4 de Abril de 1983 - 20 de Setembro de 1983
N.º de temporadas 1
N.º de episódios 120
Cronologia
Vila Faia
Chuva na Areia

Origens foi uma telenovela portuguesa transmitida pela RTP[1][2]. Foi escrita por Francisco Nicholson[1] e realizada por Nuno Teixeira. Com 120 episódios, a transmissão original foi de 4 de Abril a 20 de Setembro de 1983, no horário seguido ao "Telejornal", às 20 e 30 ou às 21 horas.[1][3][4][5]. Foi também a primeira telenovela musical exibida pela RTP.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

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Tudo começa na cidade turbulenta de Lisboa, no ano da Graça de 1983, cidade cheia de barulho e poluição, onde vive o arquitecto Luís Martinho (Nicolau Breyner), homem de mau feitio, mas boa pessoa. Trabalha com o seu colega José Dourado (Tozé Martinho) e com os secretários Gabriela (Ana Filipe Nogueira) e Firmino (João de Carvalho). Este último tem aulas de música com o Professor Gaspar (Rui de Carvalho), professor que convive com Luís na casa dele e às vezes faz as suas aulas lá. Gaspar tem variados colegas na escola onde trabalha: o Professor (Henrique Santos), o mais antigo da escola; Ofélia (Mariana Rey Monteiro), que trabalha a dar aulas de violoncelo para obter dinheiro para sustentar a sua irmã paralítica há 30 anos, - Julieta (Glória de Matos) - mulher por quem Gaspar tem um sentimento muito profundo, que chega a ser amor; a Patrícia (Paula Guedes), namorada actual de Luís, filha da merceeiro Emília (Manuela Maria), que tem um negócio de mercearia perto da casa de Luís, em conjunto com a criada Mila (Lurdes Silva), cuja cliente mais assídua é Mimi (Isabel Mota). Patrícia é professora na mesma escola onde trabalham Gaspar e Ofélia, tendo como amiga a professora Cláudia (Filipa Trigo), e de vez em quando tem ataques de ciúmes por causa de Luís deixar trazer alunas de Gaspar, que tem educação musical com ele, pensando ela que Luís anda a traí-la.

Para além desta vida atribulada, como se não bastasse, Luís tem uma filha, chamada Filipa (Marta Esquível), fruto do casamento anterior que teve com Teresa (Lia Gama), a mulher que teve mais tempo casada com Luís pelo amor que sentiu por ele. Teresa, depois do divórcio, ficou com Filipa por decisão judicial, e Filipa passou a ser o centro das suas preocupações, por frequentar companhias inconvenientes para a mãe. As companhias são os músicos Afonso (Joel Branco), Henrique (Jorge Nery) e Nuno (Nuno Homem de Sá) - alunos de Gaspar que andam a trabalhar numa produtora discográfica que anda a gravar uma cantora, filha do produtor discográfico Aníbal (Asdrúbal Teles Pereira), que está a tentar gravar uma canção da autoria de Afonso e Henrique, mas a sua voz é péssima - o baterista Mãozinhas, de seu nome André Freitas (Virgílio Castelo), e o toxicodependente Nando (António Feio), que passa a vida a injetar-se com drogas de todo o género e não pode ir a um centro de desintoxicação, pois está dependente do traficante Hernandez (Dorel Iacobescu), e está a ser procurado pela polícia por já ter participado num assalto. Filipa tenta ajudá-lo e os seus amigos também, mas em vão. São razões para Teresa se preocupar, mas Dourado vai conciliar-se com ela, pois vê que ela precisa de outro homem, mas está dividido entre ela e a Gabriela.

Em pior situação está a família Teles, proprietária de um hotel prestigiado mas em decadência aparente, hotel esse que tem como funcionários e moradores a antiga criada Esmeralda (Maria Helena Matos), o rececionista Juvenal (Carlos Vieira de Almeida), o guarda-portão Alfredo (Luís Cerqueira), o gerente Américo Fernandes (António Montez) e a criada Justina (Cremilda Gil). O proprietário faleceu e os herdeiros diretos são o filho Francisco (Curado Ribeiro), casado com Júlia (Florbela Queiroz), também herdeira da fortuna, e a filha que reside no estrangeiro, Sara (Helena Isabel). Francisco quer resolver o assunto mas há um grave problema: um homem sem escrúpulos, que não olha a meios para atingir os seus fins, chamado Mourato (Varela Silva), casado com a gananciosa Cassilda (Rosa Lobato de Faria), quer adquirir a todo o custo os terrenos do hotel, para mandar fechá-lo e revender o terreno para desenvolvimentos imobiliários. Quem está ansioso por isso também é Fernandes, que está combinado com Cassilda. Francisco, por ter uma dívida de 5:000.000$00 (cinco mil contos) para pagar a Mourato, está praticamente nas suas mãos. Júlia faz do seu marido gato-sapato e começa a seduzir Mourato.

Por todas as questões ligadas às dívidas, partilhas e heranças, Sara é solicitada a regressar a Portugal a pedido do seu advogado, Duarte (Rui Mendes), homem que trabalha muito, casado com Paula (Catarina Avelar), com dois filhos: João (Álvaro Faria), e Pedro (Luís Modesto). Duarte, há algum tempo sem relações de qualquer género com Paula, decide pedir o divórcio, pois está apaixonado pela sua secretária Rosário (Mafalda Drummond). Mas João, o filho mais velho, não está de acordo com o divórcio, e será um entrave na vida de Paula e Duarte. Sara é um bocado fria e calculista, o que provoca a ira de Duarte, mas vai investigar o caso da sua família e faz uns passeios, para ver onde estão as suas ORIGENS.

Actores[editar | editar código-fonte]

Banda Sonora[editar | editar código-fonte]

A composição "Origens" de Francisco Nicholson e Thilo Krassman, foi interpretada pelo cantor João Braga.

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

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  • Após o estrondoso sucesso que foi a Vila Faia, foi dado sinal verde à produção de mais telenovelas portuguesas.
  • O seu projecto de criação era limitado, já que dava maior importância à análise das personagens e de toda a sua centralidade psicológica na sociedade portuguesa dos anos 80. O centro da sua história (uma emigrante portuguesa nos EUA em torno de um país mudado) tornar-se-ia menos condensada.
  • Para além da emigração/imigração, outros pólos de assunto detiveram-se em toxicodependência (ainda um tabu na época) e do divórcio.
  • Apesar do grande esforço de Francisco Nicholson e de Nicolau Breyner, já na segunda parceria em telenovelas, e de um texto mais apurado e com actuações estonteantes, não repetiu o grande sucesso da antecessora. Porém, como a RTP era a única emissora de televisão na altura, deteve uma audiência linear.
  • Rui Mendes, que tinha recusado participar em Vila Faia, finalmente aceitou o convite para participar nesta novela.
  • Também foi a primeira novela de outros veteranos como Lia Gama, Catarina Avelar, Florbela Queiroz, Manuela Maria, Joel Branco, Morais e Castro e Tareka.
  • Este foi o primeiro trabalho de Marta Esquível, que teve um dos grande destaques da novela. Também foi o primeiro de uma ainda muito jovem Sofia Nicholson, embora apenas com uma participação especial, obtida pelo seu pai, Francisco Nicholson, um dos autores da novela.
  • Virgílio Castelo e António Feio tiveram aqui os seus primeiros papéis de mais destaque, depois de participações especiais em Vila Faia.
  • António Feio tinha o mesmo nome de personagem da telenovela anterior, apesar de diferentes personagens.
  • Adelaide João e Cremilda Gil, na telenovela anterior intrepretavam empregadas internas e, nesta voltam a fazê-lo.
  • Ruy de Carvalho e Mariana Rey Monteiro que, na telenovela anterior intrepretavam mãe e filho, nesta interpretam dois professores de música, colegas e amigos íntimos que, algo terão mais que amizade.
  • Varela Silva, Florbela Queiroz e Rosa Lobato de Faria interpretam os vilões da trama.
  • Para além de um drama, esta telenovela é também um musical.
  • A cantora Maria João também se estreia como actriz.
  • Numa entrevista, Catarina Avelar considerou o guarda-roupa da novela muito pobre: “O guarda-roupa de "Origens" está, no geral, muito mal. A única que apresenta toilettes mais bonitas é a Florbela Queiroz, porque são dela. Uma coisa que nem toda a gente pode fazer, o que é o meu caso, porque não sou rica”.
  • No último capítulo, destaca-se a celebração do casamento de Gaspar (Ruy de Carvalho) e Ofélia (Mariana Rey Monteiro). A cerimónia, amplamente noticiada pela imprensa, foi presidida por um padre verdadeiro e contou ainda com a participação do Coro de Santo Amaro de Oeiras. O Correio da Manhã fez uma cobertura das gravações, mostrando uma foto do senhor prior.
  • No dia seguinte à exibição do último capítulo do filme, sucedeu-se o escândalo da exibição do filme «Pato com Laranja».
  • Além de a novela ter sido impopular, nessa altura a RTP estava a exibir a novela brasileira «Pai Herói», a 22ª novela das oito da TV Globo, a seguir ao "Jornal da Tarde". Como o horário da novela portuguesa ficou vago, a RTP passou para o horário nobre a novela brasileira, que conquistou mais audiências e retomou o sucesso das novelas em Portugal.
  • Na última semana, Pedro Pinheiro aparece em cena vivendo um juiz, papel que o popularizou n' Os Malucos do Riso, onde julgava o réu Lelo da Purificação (Camacho Costa).
  • A primeira reposição da novela ocorreu em 1985, com estreia a 02/10.
  • Houve uma segunda reposição em 1994, que estreou no horário pós-almoço das 13 horas e 30 minutos, a seguir ao «Jornal da Tarde», na RTP 1, passando depois para as 10 horas da manhã.
  • A RTP Memória reexibiu esta telenovela nas seguintes datas: 2005, 2007, 2011 e 2017.
  • Durante uma visita da Escola Secundária Ferreira Borges (actual Rainha D. Amélia) aos estúdios da Edipim, alguns jovens mostraram não se identificar com o ambiente da “Catacumba” (lugar frequentado pelos jovens da novela): “Nós não usamos aquelas vestimentas, nem falamos assim”. Uma outra aluna, porém, afirmava: “Eu não vou lá, mas ao pé da minha casa há um sítio com aquelas máquinas de jogos, e sei que as pessoas que lá estão fumam droga”. Os autores ficaram surpreendidos, mas agradeceram os testemunhos, que serviram de lição para novelas futuras.
  • "Origens" ousou ao abordar temas polémicos, como o uso de drogas, retratado através do personagem Nando (António Feio). Para viver este personagem, o actor fez algumas sessões de pesquisa no Centro de Recuperação e Profilaxia da Droga. E por causa disso, a novela foi imensamente criticada, além de ter sido um dos factores de descida de audiências da RTP, pois os portugueses não gostaram de ver a droga na televisão, devido aos preconceitos ainda existentes na sociedade portuguesa.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Telenovelas da RTP1

Vila Faia « anterior Origens seguinte » Chuva na Areia

Telenovelas de horário nobre da RTP1

Vila Faia « anterior Origens seguinte » Chuva na Areia

Referências