Jacaré

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Como ler uma caixa taxonómicaAlligatoridae
Ocorrência: Cretáceo - Holoceno, 83–0 Ma
Jacaré-americano (Alligator mississipiensis)

Jacaré-americano (Alligator mississipiensis)
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Crocodylia
Família: Alligatoridae
Gray, 1844
Subfamílias

Jacaré é uma denominação comum às espécies de crocodilianos da família Alligatoridae, sendo muito parecidos com os crocodilos, dos quais se distinguem pela cabeça mais curta e larga e pela presença de membranas interdigitais nos polegares das patas traseiras. Os jacarés, que são também chamados "aligátores" ou "caimões", diferenciam-se dos crocodilos ainda com relação à dentição, o quarto dente canino da mandíbula inferior encaixa num furo da mandíbula superior, enquanto que nos crocodilos sobressai para fora, quando têm a boca fechada.[1] O tamanho de um jacaré pode variar de sessenta centímetros (jacaré-anão) até 5,5 metros (jacaré-açu), podendo pesar de três a quinhentos quilos.

Os jacarés habitam as Américas, tendo desaparecido da Europa no Plioceno.[carece de fontes?] Na América do Norte, ocorre, somente, o gênero Alligator. "Aligátor" e "caimão" são sinônimos de "jacaré".

Etimologia

O termo "jacaré" se origina do termo tupi îakaré[2]. O termo "aligátor" se origina do termo inglês alligator[3]. Já o termo "caimão" se origina do termo taino kaiman[4].

Distribuição geográfica

O jacaré é uma espécie típica dos Estados Unidos à América do Sul, sendo que seus parentes próximos, os crocodilos, habitam algumas regiões das Américas, África, Ásia e Austrália e os gaviais são encontrados somente na Índia. Todos são pertencentes ao mesmo grupo de répteis (crocodylia), contudo apresentam características que os diferenciam. Caimão é um nome comum a diversos jacarés americanos do gênero Caiman.[5].

Classificação Taxonómica

Lista de espécies atuais de jacarés
Espécie Distribuição geográfica Estado na IUCN Descrição
Alligator mississippiensis
Jacaré-americano
Alligator mississippiensis
Alligator mississipiensis Distribution.png Status iucn2.3 LC.svg
Pouco preocupante
(IUCN 2.3)[6]
Espécie amplamente distribuída pelo sudeste dos Estados Unidos. Machos medem no máximo 4,5 m de comprimento e as fêmeas medem até 3 m. habita pântanos, lagos e banhados, ocorrendo em menor densidade ao longo de rios. São capazes de sobreviver a temperaturas abaixo de zero.[7]
Alligator sinensis
Jacaré-da-china
Alligator sinensis
Alligator sinensis Distribution.png Status iucn2.3 CR.svg
Criticamente em perigo
(IUCN 2.3)[8]
Espécie de pequeno porte medindo até 2 m de comprimento. Historicamente,era amplamente distribuído pela bacia do rio Yangtzé, no sudeste da China. Atualmente, ocorre em uma região restrita na província de Anhui sendo um dos crocodilianos mais ameaçados atualmente. Habita regiões de clima temperado e hiberna para sobreviver a invernos rigorosos.[9]
Caiman crocodilus
Jacaretinga
Caiman crocodilus
Caiman crocodylus Distribution.png Status iucn2.3 LC.svg
Pouco preocupante
(IUCN 2.3)[10]
A jacaretinga apresenta a mais ampla distribuição geográfica entre os crocodilianos do Novo Mundo, ocorrendo desde o sul do México até o norte do Brasil e do Peru. É uma espécie de porte médio, com machos podendo medir até 2,7 m de comprimento. Muito adaptável, habita qualquer tipo de ambiente associado à água.[11]
Caiman latirostris
Jacaré-de-papo-amarelo
Caiman latirostris
Caiman latirostis Distribution.png Status iucn2.3 LC.svg
Pouco preocupante
(IUCN 2.3)[12]
É amplamente distribuído pelo sudeste da América do Sul, ocorrendo em qualquer ecossistema associado à água nas bacias dos rios Paraná, Paraguai, Uruguai e São Francisco, sendo comum desde o extremo leste do Brasil até o Uruguai. Também ocorre em ecossistemas costeiros, como mangues. Apresenta porte médio, podendo medir até 3,5 m de comprimento, embora animais maiores de 2 m sejam raros na natureza.[13]
Caiman yacare
Jacaré-do-pantanal
Caiman yacare
Caiman yacare Distribution.png Status iucn2.3 LC.svg
Pouco preocupante
(IUCN 2.3)[14]
Ocorre do norte da Bolívia e oeste do Brasil até o norte da Argentina, sendo encontrado em ecossistemas associados às bacias dos rios Guaporé, Madeira, Paraguai e Paraná, sendo comum no Pantanal. É uma espécie semelhante morfologicamente à jacaretinga e tolerante à pressão de caça.[15]
Melanosuchus niger
Jacaré-açu
Melanosuchus niger
Melanosuchus niger Distribution.png Status iucn2.3 CD.svg
Dependente de conservação
(IUCN 2.3)[16]
É a maior espécie de jacaré, podendo medir até 5 m de comprimento, sendo amplamente distribuído pela bacia do rio Amazonas e habitando qualquer ecossistema associado a água. Já esteve muito ameaçado de extinção, tendo sua população aumentado nas últimas décadas, principalmente no Brasil, por conta da proibição da caça.[17]
Paleosuchus palpebrosus
Jacaré-anão
Paleosuchus palpebrosus
Paleosuchus palpebrosus Distribution.png Status iucn2.3 LC.svg
Pouco preocupante
(IUCN 2.3)[18]
Espécie de pequeno porte que ocorre nas bacias dos rios Amazonas e Orinoco no norte e entre as bacias dos rios Paraguai e Paraná e do São Francisco. É considerado o menor crocodiliano, dificilmente ultrapassando 1,6 m de comprimento, apesar de registros de até 2 m de comprimento.[19]
Paleosuchus trigonatus
Jacaré-coroa
Paleosuchus trigonatus
Paleosuchus trigonatus Distribution.png Status iucn2.3 LC.svg
Pouco preocupante
(IUCN 2.3)[20]
Espécie de pequeno porte facilmente confundida com o jacaré-anão, mas tamanho maior, podendo medir até 2,3 m de comprimento. Sua distribuição geográfica também é mais restrita, não ultrapassando as bacias dos rios Amazonas e Orinoco. Apesar de ser mais comumente encontrado em áreas densamente florestadas, é uma espécie resistente a alterações feitas pelo homem. Assim como o jacaré-anão, é uma espécie cuja biologia foi pouco estudada.[21]

Caça ao jacaré pelos nativos do Novo Mundo

Nativos do Novo Mundo capturando jacaré com corda

Os nativos do Novo Mundo apreciavam a carne do jacaré e utilizavam seu couro para fazer gamelas. Os ovos do jacaré eram muitos apreciados pelos Kaxúyana do Amazonas e Pará, que os consumiam durante as refeições[22]. Ossos deste animal eram usados como ponta da zagaia, uma lança curta usada pelos Guató do Mato Grosso[23].

O jacaré era um voraz predador dos peixes eventualmente presos às armadilhas montadas pelos nativos nas pescarias. O animal também estava associado à lenda do fogo, já que se acreditava que ele engolira o fogo que o deus Tupã esquecera sobre uma pedra[24].

Os Kisêdjé do Mato Grosso consumiam uma grande quantidade de jacarés[25]. Os Timucua da Geórgia e Flórida também o faziam[26] e os Pariana e os Kayu-vicena dos rios Tocantins e Solimões estimavam a carne do jacaré feita no moquém[27] Os Cinta Larga de Mato Grosso e Rondônia capturavam os jacarés arrancado-os de suas tocas nos leitos dos córregos[28]

Quando o nativo amazônico encontrava algum jacaré dormindo parcialmente enterrado no barro aproximava-se com cautela e colocava um pé na cabeça e outro no dorso do animal. Enterrava a mão no lodo e, puxando a pata, virava o jacaré de costas. Amarrava suas patas e boca, dominando-o[29].

Também caçavam crocodilos e jacarés com um pedaço de pau com as pontas bem afiadas. Quando o animal estava no seco tomando sol o índio se aproximava do lado do sol e quando o animal abria a boca para atacá-lo, ele nela enfiava a mão com a estaca e ao tentar abocanhar a mão a estaca se cravava na parte superior e inferior da boca do animal[30]

Na captura de crocodilo e jacaré, nativos venezuelanos utilizavam uma corda comprida de couro de peixe-boi, na qual havia um laço em uma das extremidades. Dois índios, um segurando a corda e o outro o laço, se aproximavam sem serem percebidos do animal que estava tomando sol. Ao mesmo tempo em que a fera se jogava na água o índio laçava sua boca e subia em cima dele. O animal tentava nadar, mas não conseguia devido ao peso que estava nas suas costas e ia afundando, ao mesmo tempo que o índio dava outras voltas com a corda, amarrando ainda mais a boca. A gordura do jacaré era muito utilizada pelos nativos na feitura de pães[30].

Na contramão da maioria de outras tribos, Os Surui Paiter de Mato Grosso e Rondônia não comiam jacaré[24], enquanto que mulheres gestantes dos Yanomámi do Amazonas não comiam jacaré para que a criança que ia nascer não se parecesse com este animal[31].

Referências

  1. Erro Lua em Módulo:Citação/CS1 na linha 2140: attempt to call upvalue 'year_date_check' (a nil value).
  2. http://www.fflch.usp.br/dlcv/tupi/vocabulario.htm
  3. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.86
  4. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.313
  5. [1] Jacarés
  6. Crocodile Specialist Group (1996). Alligator mississippiensis (em Inglês). IUCN 2015. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2015 Versão 4. Página visitada em 06 de março de 2016.
  7. Elsey, R.M. and Woodward, A.R. (2010). «American Alligator Alligator mississippiensis». In: S.C. Manolis & C. Stevenson. Crocodiles. Status Survey and Conservation Action Plan (PDF) 3 ed. (Darwin: Crocodile Specialist Group). pp. 1–4. 
  8. Crocodile Specialist Group (1996). Alligator sinensis (em Inglês). IUCN 2015. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2015 Versão 4. Página visitada em 06 de março de 2016.
  9. Jiang, H.X. (2010). «Chinese Alligator Alligator sinensis». In: S.C. Manolis & C. Stevenson. Crocodiles. Status Survey and Conservation Action Plan (PDF) 3 ed. (Darwin: Crocodile Specialist Group). pp. 5–9. 
  10. Crocodile Specialist Group (1996). Caiman crocodilus (em Inglês). IUCN 2015. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2015 Versão 4. Página visitada em 06 de março de 2016.
  11. Velasco, A. and Ayarzagüena, J. (2010). «Spectacled Caiman Caiman crocodilus». In: S.C. Manolis & C. Stevenson. Crocodiles. Status Survey and Conservation Action Plan (PDF) 3 ed. (Darwin: Crocodile Specialist Group). pp. 10–15. 
  12. Crocodile Specialist Group (1996). Caiman latirostris (em Inglês). IUCN 2015. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2015 Versão 4. Página visitada em 07 de março de 2016.
  13. Verdade, L.M., Larriera, A. and Piña, C.I. (2010). «Broad-snouted Caiman Caiman latirostris». In: S.C. Manolis & C. Stevenson. Crocodiles. Status Survey and Conservation Action Plan (PDF) 3 ed. (Darwin: Crocodile Specialist Group). pp. 18–22. 
  14. Crocodile Specialist Group (1996). Caiman yacare (em Inglês). IUCN 2015. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2015 Versão 4. Página visitada em 07 de março de 2016.
  15. Campos, Z., Llobet, A., Piña, C.I. and Magnusson, W.E (2010). «Yacare Caiman Caiman yacare». In: S.C. Manolis & C. Stevenson. Crocodiles. Status Survey and Conservation Action Plan (PDF) 3 ed. (Darwin: Crocodile Specialist Group). pp. 23–28. 
  16. Crocodile Specialist Group (1996). Melanosuchus niger (em Inglês). IUCN 2015. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2015 Versão 4. Página visitada em 07 de março de 2016.
  17. Thorbjarnarson, J.B (2010). «Black Caiman Melanosuchus niger». In: S.C. Manolis & C. Stevenson. Crocodiles. Status Survey and Conservation Action Plan (PDF) 3 ed. (Darwin: Crocodile Specialist Group). pp. 29–39. 
  18. Crocodile Specialist Group (1996). Paleosuchus palpebrosus (em Inglês). IUCN 2015. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2015 Versão 4. Página visitada em 07 de março de 2016.
  19. Magnusson, W.E. and Campos, Z (2010). «Cuvier’s Smooth-fronted Caiman Paleosuchus palpebrosus». In: S.C. Manolis & C. Stevenson. Crocodiles. Status Survey and Conservation Action Plan (PDF) 3 ed. (Darwin: Crocodile Specialist Group). pp. 40–42. 
  20. Crocodile Specialist Group (1996). Paleosuchus trigonatus (em Inglês). IUCN 2015. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2015 Versão 4. Página visitada em 07 de março de 2016.
  21. Magnusson, W.E. and Campos, Z (2010). «Schneider’s Smooth-fronted Caiman Paleosuchus trigonatus». In: S.C. Manolis & C. Stevenson. Crocodiles. Status Survey and Conservation Action Plan (PDF) 3 ed. (Darwin: Crocodile Specialist Group). pp. 43–45. 
  22. ANDRADE, Carlos Drummond de (1979). Kaxúyana, esse bem-educado. p. 25-26. In: Revista de Atualidade Indígena, Brasília, Fundação Nacional do Índio.1979, ano III, nº 14, 64p.
  23. CÉSAR, José Vicente. Guatós aparecem depois de 40 anos. p. 51-54. In: Revista de Atualidade Indígena. Brasília, Fundação Nacional do Índio. 1979, ano III, nº 17, 64p.
  24. a b CAVALCANTE, Messias S. Comidas dos Nativos do Novo Mundo. Barueri, SP. Sá Editora. 2014, 403p.ISBN 9788582020364
  25. SEEGER, Anthony (2003). Kisêdjê. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kisedje/print Consulta em 05/09/2012
  26. Who were the Timucuas? Disponível em http://pelotes.jea.com/intimuchtm.htm Consulta em 17/03/2013.
  27. BASTOS, Abguar. A pantofagia ou as estranhas práticas alimentares da selva: Estudo na região amazônica. São Paulo, Editora Nacional; Brasília DF, INL. 1987, 153 p.
  28. REVISTA DE ATUALIDADE INDÍGENA. Maternidade e infância no mundo tribal. p. 46-50 In: Revista de Atualidade Indígena. Brasília, Fundação Nacional do Índio. 1977,ano I, nº 4 64 p.
  29. DANIEL, João (1722-1776). Tesouro descoberto no máximo rio Amazonas. Vol. 1, 600 p. Rio de Janeiro, Contraponto. 2004. Vol.1, 600 p
  30. a b GUMILLA, Joseph (1686-1750). El Orinoco ilustrado, y defendido, historia natural, civil y geographica de este gran rio, y sus caudalosas vertientes, govierno, usos y costumes de los índios sus habitadores. Tomo Segundo, Segunda Impression. Madrid, Manuel Fernandez. 1745, 425 p.
  31. REVISTA DE ATUALIDADE INDÍGENA. A curiosa dieta dos Yanomámi. p. 2-8. In: Revista de Atualidade Indígena. Brasília, Fundação Nacional do Índio. 1978, ano II, nº 9, 64p.


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