Rock no Brasil

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Rock brasileiro
A cantora Pitty, representante do rock
atualmente feito no Brasil.
Origens estilísticas Rock
Contexto cultural Década de 1950
Instrumentos típicos Vocal
Guitarra
Baixo
Bateria
Teclado
Popularidade Década de 1980
Outros tópicos
Bandas

O rock brasileiro (mais conhecido no Brasil como rock nacional) teve início no final da década de 1950, conquistando maior popularidade na década de 1980.

Década de 1950[editar | editar código-fonte]

O "pontapé inicial" do rock no Brasil foi Nora Ney (conhecida cantora de samba-canção) quando gravou o considerado primeiro rock, "Rock around the Clock", de Bill Haley & His Comets (trilha do filme Sementes da Violência), em outubro de 1955, para a versão brasileira do filme.[1] Em uma semana a canção já estava no topo das paradas (mas Nora Ney nunca mais gravou nada no gênero, tirando a irônica "Cansei do Rock", em 1961). Em dezembro, a mesma canção recebia versão em português, "Ronda das Horas" (por Heleninha Ferreira) e outra gravada pelo acordeonista Frontera, não tão bem sucedidas quanto a "original".[2]

Tim Maia, Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Jorge Ben foram influenciados pelo rock and roll e rockabilly. Tim, Roberto, Arlênio Silva, Edson Trindade e Wellington integraram o grupo vocal The Sputniks. Tanto Tim quanto Jorge eram conhecidos como "Babulina", por conta da pronuncia inusitada de "Bop-A-Lena", interpretado por Ronnie Self. Ambos também foram influenciados por Little Richard,[3][4] cujo estilo era fortemente influenciado pelo boogie woogie. Roberto Carlos aprendeu a batida do rock no violão ao ver Tim executar Long Tall Sally, de Little Richard. O grupo The Sputniks foi desfeito após Tim descobrir que Roberto iria se apresentar como o "Elvis Presley brasileiro" no programa o Clube do Rock de Carlos Imperial. Tim convenceu Imperial a se apresentar como o "Little Richard" brasileiro. Conhecendo Tim desde a infância, Erasmo integrou o grupo The Snakes, grupo criado após o fim do The Sputniks, com Arlênio, China e Edson Trindade.[5]

Em 1957, foi gravado o primeiro rock original em português, "Rock and Roll em Copacabana", escrito por Miguel Gustavo (futuro autor de "Pra Frente Brasil") e gravada por Cauby Peixoto,[1] o cantor foi acompanhado pelo grupo The Snakes na canção na canção That's Rock, composta por Carlos Imperial no filme "Minha Sogra é da Policia" (1958).[6]

Entre 57 e 58, diversos artistas gravaram versões de músicas americanas, como "Até Logo, Jacaré" ("See You Later, alligator"),"Meu Fingimento" ("The Great Pretender" do grupo de doo-wop The Platters) e "Bata Baby" (Long Tall Sally de Little Richard).[7]

Embora em 57 o grupo Betinho & Seu Conjunto, de "Enrolando o Rock" (também gravada por Cauby Peixoto) tenha alcançado grande fama[7], os primeiros ídolos do rock nacional foram os irmãos Tony e Celly Campelo que, em 1958, lançaram o compacto Forgive Me/Handsome Boy, que vendeu 38 mil cópias. Tony gravaria mais dois singles até seu álbum em 1959, e Celly estourou em 1959 com "Estúpido Cupido" (120 mil cópias vendidas), chegando a ter boneca própria (com a qual aparece na capa de seu LP "Celly Campello, A Bonequinha Que Canta").

Erasmo pediu, a Tim, que lhe ensinasse a tocar violão. Ele aprendeu as primeiras notas: mi, lá e ré. Com elas, pôde tocar várias canções de rock. Quando Roberto precisou da letra de Hound Dog, gravada por Little Richard e Elvis, Arlênio o apresentou a Erasmo.

Parecia o fim do rock and roll: o Clube do Rock era cancelado nos Estados Unidos; Chuck Berry era preso por abuso de menor; Jerry Lee Lewis se casava com uma prima menor de idade; Little Richard resolvia abandonar o rock e se tornar pastor evangélico; e Buddy Holly, Ritchie Valens e The Big Bopper morriam em um acidente de avião. Logo, os jovens seriam influenciados pela bossa nova e pelo violão de João Gilberto.

Em 1959, Tim Maia viaja para os Estados Unidos, onde forma o grupo vocal The Ideals e compõe uma bossa-soul em parceria com Roger Bruno, "New Love".[8]

Os Campello também apresentariam Crush em Hi-Fi na Rede Record, programa totalmente voltado para a juventude, que revelou diversas bandas.Outros programas também surgiram para aproveitar a "febre" como Ritmos para a Juventude (Rádio Nacional-SP)[1], Clube do Rock (Rádio Tupi -RJ) e Alô Brotos! (TV Tupi).

Década de 1960[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Iê-iê-iê

Em 1960, surgira até a Revista do Rock,[7] Roberto Carlos chegou a tentar uma carreira como cantor de bossa nova, agenciado por Carlos Imperial, em 1961 lança seu primeiro álbum Louco por Você de 1961, que foi um fracasso, até que dois anos depois, lança um disco de rock, Splish Splash, a faixa-título é uma versão de uma canção de Bobby Darin, o álbum traz outras canções dele, Erasmo, Luiz Ayrão.[5]

O começo da década foi marcado pelo surgimento de grupos de rock instrumental e surf music como The Jet Blacks, The Jordans e The Clevers[5] (futuros Os Incríveis), e do cantor Ronnie Cord, que lançaria dois "hinos": a versão "Biquíni de Bolinha Amarelinha" e a rebelde "Rua Augusta".

Roberto Carlos se tornaria o maior ídolo do Rock Nacional dos anos 60 e, posteriormente, o maior nome da música brasileira: Roberto Carlos, que emplacou dois hits em 1963: "Splish Splash" e "Parei na Contramão". No ano seguinte, obteve mais sucessos como "É Proibido Fumar" (mais tarde regravada pelo Skank) e "O Calhambeque". Aproveitando o sucesso, a Rede Record lançou o programa Jovem Guarda, apresentado por Roberto ("Rei"), seu amigo Erasmo Carlos ("Tremendão") e Wanderléa ("Ternurinha"). Só nas primeiras semanas, atingira 90% da audiência.

Seguindo o sucesso do programa Jovem Guarda , surgem outros artistas, Renato e seus Blue Caps, Golden Boys, Jerry Adriani, Eduardo Araújo e Dick Danello, que tinham seu som inspirado nos Beatles (o gênero apelidado "iê-iê-iê") e no rock primitivo (rock and roll e rockabilly). A Jovem Guarda também levou a todo tipo de produto e filmes como Roberto Carlos em Ritmo de Adventura (seguindo a trilha de A Hard Day's Night e Help! dos Beatles). O chamado "Som da Jovem Guarda" é marcado pelo uso do Órgão Hammond por Lafayette.[9][10]

Apesar disso, os artistas da MPB "declararam guerra" ao iê-iê-iê da Jovem Guarda, chegando a um protesto de Elis Regina, Jair Rodrigues, entre outros, conhecido "Passeata contra as guitarras elétricas". O programa terminaria em 1968, com a saída de Roberto Carlos.

Então, surgiria a Tropicália, fortemente influenciada pela música psicodélica.[11] Em 1966, surgiram Os Mutantes: Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, com seu deboche e som inovador, o grupo foi revelado no programa de Ronnie Von,[12] que também teve uma fase psicodélica, contudo, o trabalho teve pouco impacto no mercado.[13] Artistas do iê-iê-iê, como Erasmo Carlos e Eduardo Araújo, também experimentariam a psicodelia nos anos seguintes.[14]

Em 1967, a dupla Caetano Veloso e Gilberto Gil faria as canções "Alegria, Alegria" e "Domingo no Parque", apresentadas no III Festival da Rede Record. No ano seguinte, o álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band fascinou a dupla, levando a apresentações vaiadas em festivais de Record e Excelsior, e ao álbum coletivo Tropicália ou Panis et Circensis, com Mutantes, Gal Costa, Tom Zé, Torquato Neto, Capinan, Rogério Duprat e Nara Leão, considerado um dos melhores álbuns brasileiros da história.

Os Mutantes também criariam carreira grandiosa, com álbuns elogiados a partir de 1968 e chegando a influenciar até Kurt Cobain, do Nirvana. O grupo começaria a se desmanchar com a saída de Rita Lee, em 1973.

Também nesse período, canções nos gêneros soul music e funk são encontradas nas trabalhos de Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Eduardo Araújo e Tim Maia (recém-chegado dos Estados Unidos.[15][16][17][3]

Década de 1970[editar | editar código-fonte]

O endurecimento do Regime militar levou Caetano e Gil ao exílio em Londres, onde viveram de 1969 a 1972. Durante o período, gravaram dois discos considerados dos seus melhores, Transa (Caetano), e Expresso 2222 (Gil).

Após sair dos Mutantes no final de 1972, Rita Lee iniciou uma muito bem sucedida carreira solo, acompanhada do grupo Tutti Frutti. É nesse período, que ela lança o seu mais memorável álbum: o Fruto Proibido de (1975), disco este, que contém os sucessos "Agora só falta você", "Esse tal de Roque Enrow" e "Ovelha Negra". Arnaldo Baptista também gravou o aclamado Loki? (1974). Os Mutantes ainda atravessaram a década convertidos ao rock progressivo, passando por várias formações e dissolvendo-se em 1978.

Em 1973, surgiram Secos & Molhados, liderados por João Ricardo, com Ney Matogrosso como vocalista, que faziam a chamada "poesia musicada", com canções muito bem elaboradas como "Rosa de Hiroshima" ou "Prece Cósmica", apesar de alguns flertes menos poéticos e mais divertidos como "O Vira". Dois álbuns e um ano depois, em 1974, o grupo com sua formação clássica (João, Ney e Gerson Conrad) se desfez.

Em 1973 surgiu outro ícone: Raul Seixas, que vendera 600.000 compactos de "Ouro de Tolo" em poucos dias e se tornaria "bardo dos hippies" com músicas debochadas como "Mosca na Sopa" e "Maluco Beleza", esotéricas como "Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás" e "Gita", e as motivacionais "Metamorfose Ambulante" ( que compunha aos 14 anos) e "Tente Outra Vez".

Movimentos surgiram em outros locais do Brasil: em Minas Gerais, o "Beatlesco" Clube da Esquina, liderado por Milton Nascimento e Lô Borges; e no Nordeste, a "nova onda" dos Novos Baianos, além da chamada "Invasão Nordestina": artistas que misturaram o sertanejo ao rock, como Fagner, Zé Ramalho e Belchior.

Mesmo com o pouco espaço na mídia, várias bandas e estilos se destacavam no circuito underground da época, como o progressivo regional de O Terço (que chegou a gravar um álbum em inglês voltado para o mercado italiano), o hard rock do Made in Brazil, o rock rural de Sá, Rodrix e Guarabyra e o hard progressivo do Casa das Máquinas.

No verão de 1975 foi organizado o pioneiro festival de rock no Brasil, o "Hollywood Rock", patrocinado pela companhia Souza Cruz, no Rio de Janeiro.Participaram os grupos Vimana, O Peso, Rita Lee & Tutti Frutti, além dos cantores Erasmo Carlos, Celly e Tony Campelo e Raul Seixas. As apresentações foram registradas no documentário Ritmo Alucinante, lançado no mesmo ano.

Década de 1980[editar | editar código-fonte]

Atribui-se a esta década a popularização do rock brasileiro, movimento que surgiu para aproveitar a onda do estilo musical (rock) que já havia se consagrado mundialmente nos anos 70. Muitas bandas deste estilo, como os Titãs e Os Paralamas do Sucesso permanecem ativas até hoje, fazendo apresentações por todo o Brasil. Outras bandas e artistas da época, como Engenheiros do Hawaii e Legião Urbana, foram imortalizados e tocam nas rádios até hoje, devido ao grande sucesso entre o público, principalmente adolescentes.

Na década de 1980, ocorreu a verdadeira "explosão" do rotulado "BRock". Isso se deve em parte à criação de casas de show, como Noites Cariocas e Circo Voador (Rio) e Aeroanta, Napalm e Madame Satã (São Paulo). As primeiras bandas a fazerem sucesso foram os irônicos Blitz ("Você não soube me amar").

As bandas mais cultuadas dos anos 80 formam um "quarteto sagrado"[carece de fontes?]. São elas: Os Paralamas do Sucesso, originários do Rio de Janeiro, haviam se conhecido antes em Brasília e começaram a tocar na garagem de um dos integrantes, Titãs, paulistas (mais tarde "suavizados"). Inicialmente, juntavam as estéticas da new wave e do reggae com a da MPB. De 1982 a 1984 a banda era formada por nove integrantes - além dos músicos que continuam no grupo, fizeram parte do conjunto: Ciro Pessoa (vocais), Arnaldo Antunes (vocais), Marcelo Fromer (guitarra) e Nando Reis (baixo/vocais), logo se tornando um octeto, numa formação que duraria até 1992, com a saída de Arnaldo. O baterista do grupo Ira!, André Jung, tocou seu instrumento no primeiro trabalho titânico, depois cedendo seu posto a Charles Gavin, os cariocas Barão Vermelho, surgidos em 82 e liderados por Cazuza. Com a saída dele (que teve carreira solo bem sucedida), o guitarrista Frejat assumiu os vocais, e a mais influente Legião Urbana, liderada por Renato Russo, surgida em 82, emplacando alguns sucessos como "Faroeste Caboclo", "Será" e "Eduardo e Mônica", que chegaram ao topo das rádios. A banda acabou com a morte de Renato Russo, em 1996. Os outros legionários que compunham a banda eram: Marcelo Bonfá (bateria) e Dado Villa-Lobos (Guitarra). Renato Rocha foi baixista da banda até 1988.

Tiveram outros grupos de grandes sucessos na época, como as bandas Sempre Livre, Gang 90 e as Absurdettes, Biquini Cavadão, Hanói Hanói, Hojerizah, Lobão e os Ronaldos, Metrô, Magazine, Grafitti, Ed Motta & Conexão Japeri, além de cantores(as) como Marina Lima, Leo Jaime, Ritchie, Kid Vinil, Fausto Fawcett, entre outros.

Vários locais do Brasil tinham suas bandas surgindo no Rio de Janeiro, surgiram as bandas Kid Abelha, Heróis da Resistência e Leo Jaime, Uns e Outros e o fim da banda Vímana revelou Lulu Santos, Lobão (também ex-Blitz) e Ritchie. Em São Paulo, o Festival Punk de 81 revelou Inocentes, Cólera e Ratos de Porão. Além dessa cena, surgiram as principais bandas paulistas, como Ultraje a Rigor (no qual Edgard Scandurra tocou antes do Ira!), Ira!, Titãs, RPM, Zero, Metrô, e Kid Vinil (então vocalista da banda Magazine), sem se esquecer da cena independente muito bem representados pelo Fellini, Cabine C, Agentss, Smack, Voluntários da Pátria, Akira S e As Garotas Que Erraram, e Mercenárias. Em Brasília, o Aborto Elétrico (em que Renato Russo tocara) virou o Capital Inicial (que acabou se fixando em São Paulo), e a Plebe Rude teve o sucesso "Até Quando Esperar" e "Proteção". No Rio Grande do Sul, os "cabeças" Engenheiros do Hawaii e Nenhum de Nós chegaram ao sucesso nacional. Também estouraram bandas gaúchas de rock como TNT, Taranatiriça, Cascavelletes, Os Replicantes, Os Eles, Bandaliera, Garotos da Rua, DeFalla. Na Bahia, chegou ao sucesso o Camisa de Vênus.

No heavy metal, originou-se em Minas Gerais a banda brasileira de maior sucesso internacional, o Sepultura, que toca o gênero extremo thrash metal, com letras em inglês. Outra banda a conseguir algum destaque no exterior (Japão) foi a paulista Viper, que também escrevia letras em inglês, e que ajudou a desenvolver um estilo que viria a ser chamado de metal melódico no Brasil. O Viper foi também responsável por revelar o vocalista Andre Matos, que participaria de duas grandes bandas brasileiras: Angra e Shaman.

Década de 1990[editar | editar código-fonte]

Fernanda Takai, vocalista do Pato Fu.

Dentre as novidades da década, está o surgimento da MTV Brasil, em 1990. O período ficou marcado pelo enorme crescimento da indústria do videoclipe no Brasil, além da emissora musical oferecer oportunidades de divulgação pra inúmeras bandas que estavam em início de carreira. Com isso, todos os grupos de destaque na época, tiveram seus clipes veiculados no canal.

Surgiram também festivais alternativos importantes para a divulgação do cenário independente, como o Abril pro Rock, em Recife e as grandes gravadoras voltaram a apostar em grupos novos, através de pequenos selos, como Chaos, pertencente à Sony Music e Banguela Records, criado pelos Titãs em parceria com o produtor Carlos Eduardo Miranda e distribuído pela Warner Music.

O primeiro grande grupo da década foram os mineiros Skank, que misturavam rock e reggae. Ao longo dos anos, outros grupos mineiros surgiriam, como Pato Fu, Jota Quest, Virna Lisi e Tianastacia.

Em Recife despontou o movimento Mangue beat. Liderados por Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A, as bandas misturavam percussão pernambucana com guitarras pesadas, conquistando a crítica.

Entre 1994 e 1995 surgiram dois grupos bem sucedidos pelo humor, os brasilienses Raimundos, com o ritmo forrocore (forró+hardcore) e os guarulhenses Mamonas Assassinas, parodiando do heavy metal ao sertanejo, que chegaram a fazer 3 shows por dia e venderam 1,5 milhão de cópias.

Alguns rappers tiveram ligação íntima com o rock, como Gabriel o Pensador, o Planet Hemp (que pedia a legalização da maconha) e o Pavilhão 9 (que falava de violência policial).

O Sepultura teve um crescimento de popularidade nos anos 90, culminando no álbum Roots, que fez da banda uma das principais do heavy metal mundial na época e lhes rendeu razoável exposição no mainstream. Pouco tempo depois, Max Cavalera, membro fundador e front man, saiu da banda, dando lugar a Derrick Green.

Seguindo o caminho do Sepultura, o Angra também gravou músicas em inglês, misturando power metal com ritmos tipicamente brasileiros. A banda alcançou sucesso na cena heavy metal brasileira e reconhecimento mundial, sendo muito bem recebidos na França e principalmente no Japão.

Outros destaques da década são O Rappa e Cidade Negra, representando a ligação do reggae com o rock, Charlie Brown Jr., com influências do skate punk e vocais rap, Cássia Eller, com um repertório de Cazuza, Renato Russo e Nando Reis, e Los Hermanos, que surgiram com Anna Júlia, canção pop que não combinava com a imagem intelectual da banda.

Outro fato da década é que todas as bandas do "quarteto sagrado" do rock da década de 1980 (exceto a Legião) tiveram de se reinventar para reconquistar o grande público. Os Paralamas, depois de uma fase experimental, voltaram às paradas com Vamo Batê Lata (1995), o Barão Vermelho, com o semi-eletrônico Puro Êxtase (1998) e os Titãs, com seu Acústico MTV (1997).

Depois de um tempinho, surgiram Wilson Sideral e Flávio Landau (ambos irmãos de Rogério Flausino vocalista do Jota Quest). Sideral emplacou nas rádios brasileiras sucessos como Não Pode Parar e Zero a Zero. Já Landau obteve maior reconhecimento na década seguinte.

O rock gaúcho continuou muito bem representado pela banda Cidadão Quem, pelos cantores Wander Wildner (ex-Replicantes) e Júpiter Maçã (ex-Cascavelletes), entre outros nomes de projeção local.

Também tiveram grupos de carreira mais curta, como Rumbora, Skuba, Virgulóides e O Surto, banda conhecida pelo hit A Cera. Outros alcançaram status de artistas cult, como Little Quail and The Mad Birds e Mulheres Q Dizem Sim.

A década também ficou marcada pela perda de Cazuza, em 1990 e Renato Russo seis anos depois, dois dos maiores ícones da história do rock brasileiro, além da morte de Chico Science, em 1997 e o trágico acidente de avião que vitimou o grupo Mamonas Assassinas um ano antes.

Década de 2000[editar | editar código-fonte]

NX Zero em uma apresentação.

O ano de 2001 foi um ano "trágico" para o rock brasileiro. Herbert Vianna, dos Paralamas, sofreu acidente de ultra-leve e ficou paraplégico (mas voltou a tocar); Marcelo Fromer, dos Titãs, morreu atropelado, Marcelo Yuka, baterista do O Rappa, foi baleado e ficou paraplégico (saiu da banda) e Cássia Eller faleceu.

Algumas bandas da década de 1990 passaram por muitas mudanças: o líder dos Raimundos, Rodolfo, converteu-se ao protestantismo e saiu da banda para formar o Rodox (que também acabaria algum tempo depois) e atualmente faz carreira solo com músicas gospel. A banda Skank buscou um estilo mais britpop e cheio de experimentalismo nas músicas o que foi visto nos discos Cosmotron (2003) e Carrossel (2006), mas que mais tarde voltaria às origens no álbum Estandarte (2008).

Também surgiram as bandas Detonautas Roque Clube, Reação em Cadeia, CPM 22, Tihuana, Cachorro Grande e a cantora Pitty, que tomaram a atenção da mídia durante toda a década. No cenário underground se destacaram grupos como Autoramas, Matanza, Dead Fish, Hateen, Gram, Moptop, Forgotten Boys, Vanguart, Móveis Coloniais de Acaju, Cidadão Instigado, entre outros.

No heavy metal brasileiro, embora permaneçam underground, viu-se o surgimento de novas bandas que conseguiram projeção internacional: Shaman, Hangar, Mindflow, Hibria, Torture Squad, Burning in Hell, Shadowside, entre outras. As bandas consagradas da década passada, como Dr. Sin, permaneceram como grandes nomes na cena metálica, que teve Sepultura e Angra ainda como suas principais figuras. Igor Cavalera deixou o Sepultura em 2006, sendo substituído por Jean Dolabella, que também saiu do grupo e foi substituído por Eloy Casagrande, que era da banda de Heavy Metal católico Iahweh. O Angra também passou por mudanças em sua formação: Andre Matos, Luis Mariutti e Ricardo Confesori saíram, sendo substituídos por Eduardo Falaschi, Felipe Andreoli e Aquiles Priester, respectivamente. Andre Matos, juntamente com os outros ex-membros do Angra, formaram o Shaman, que logo alcançou o status de grande banda. Atualmente, Andre Matos segue em carreira solo.

A partir dos anos 2000, começaram a surgir bandas de rock com influências do emocore, do hardcore melódico e do pop punk, que ganharam muito destaque graças à internet e as redes sociais, como o Orkut e Fotolog. Entre os maiores destaques estão as bandas Nx Zero, Fresno, Forfun, Strike, Gloria, entre outros, contendo letras simples e que tratam de sentimentos e emoções, altamente populares para o público jovem.

Década de 2010[editar | editar código-fonte]

O Terno em apresentação.
Suricato, destaque na primeira temporada do reality musical Superstar, exibido pela Rede Globo.

Na última década surgiram no cenário alternativo bandas como Vivendo do Ócio, Selvagens à Procura de Lei, Vespas Mandarinas, O Terno, Boogarins, Maglore, Far From Alaska e Apanhador Só, com uma influência no Rock Brasileiro e do Indie Rock.

Surgiram também artistas que vêm se destacando por homenagearam nomes da geração 80 do rock nacional, como os grupos Nem Liminha Ouviu[18], que interpreta bandas obscuras que surgiram naquele período, e Urbana Legion[19], em referencia à Legião Urbana e formada por integrantes do Tihuana, Charlie Brown Jr., A Banca e Bula. A última citada também faz parte do circuito roqueiro atual.

Outra tendência que entrou em destaque no cenário musical brasileiro foram as chamadas bandas coloridas, especialmente dedicado para o público feminino jovem e tem como suas principais características as roupas coloridas, óculos new wave, uso de sintetizadores e letras agitadas e alegres.[20] No início da década, o movimento rotulado como Happy Rock, dominou as paradas de sucesso através das bandas Restart, Cine e Hori. A moda, criticada por nomes como Dinho Ouro Preto, Lobão e Tico Santa Cruz[21][22], acabou perdendo força pouco tempo depois, sendo que a maior parte desses grupos não permaneceram na grande mídia ou encerraram suas atividades.

Talvez o único fenômeno roqueiro recente, Malta, vencedora da primeira temporada do programa Superstar, da Rede Globo, se tornou uma das bandas de maior popularidade do país, tendo seu álbum de estreia, intitulado Supernova, como um dos mais bem sucedidos do ano de 2014, com a certificação de disco de platina triplo, equivalente a 300 mil cópias vendidas. O grupo venceu a atração musical com 74% dos votos[23], mas o sucesso foi efêmero e o vocalista Bruno Boncini deixou a banda em junho de 2016[24].

O talent show também revelou o grupo folk Suricato e as bandas Supercombo, Scalene e Versalle[25][26], que se destacaram nas primeiras edições do programa, realizadas em 2014 e em 2015. Ambas conquistaram prestígio no cenário indie e também no mainstream, participando de grandes festivais, como as últimas edições do Rock in Rio e do Lollapalooza[27][28][29]. Já a terceira temporada foi exibida em 2016, onde os grupos Preto Massa, Playmobille, Pagan John, Powertrip, Valente, e os finalistas Bellamore, Plutão Já Foi Planeta e OutroEu puderam mostrar seus trabalhos[30][31].

Apesar do gênero estar ausente da grande mídia e fora das FMs nacionais, a década também se destacou pela volta das chamadas Rádios Rock, como a 89 FM a Rádio Rock, em São Paulo[32] e a Rádio Cidade FM, no Rio de Janeiro, em 2012 e 2014 respectivamente. Ao lado do Superstar e da internet, as emissoras de rádio citadas têm sido os principais veículos de divulgação da cena roqueira atual. Contudo, 2015 foi o primeiro ano da história em que o rock brasileiro não esteve entre as 100 canções mais tocadas nas rádios do país, segundo pesquisa da Crowley Broadcast Analysis.[33]

Nos últimos cinco anos, algumas bandas retomaram suas atividades, entre elas RPM, Ira!, Picassos Falsos, Viper e Gram. Outras voltaram para eventuais turnês comemorativas, como Barão Vermelho, Kid Abelha, Camisa de Vênus[34] e até mesmo Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, novamente dividindo palcos e celebrando 30 anos do lançamento do primeiro disco da Legião Urbana[35].

A década também teve mortes de figuras notórias, como Chorão e Champignon, vocalista e baixista do Charlie Brown Jr. respectivamente; Renato Rocha, ex-baixista da Legião Urbana; e o músico gaúcho Júpiter Maçã.

Ver também[editar | editar código-fonte]

A Wikipédia possui o
Portal do Rock.

Referências[editar | editar código-fonte]

Notas
  1. a b c Arthur Dapieve. Editora 34, : . Brock: o rock brasileiro dos anos 80 - Coleção Ouvido musical. 1996 [S.l.: s.n.] p. 11. ISBN 9788573260083. 
  2. José Ramos Tinhorão (1990). História social da música popular brasileira Editorial Caminho [S.l.] p. 267. 
  3. a b Motta, Nelson. Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia Editora Objetivax, 2007. ISBN 9788539000807
  4. «Jorge Ben Jor». Fapesp, Roda Viva. 
  5. a b c Paulo Cesar de Araújo. Roberto Carlos em Detalhes [S.l.]: Editora Planeta, 2006. 9788576652281
  6. Rodrigo Faour (2001). Bastidores: Cauby Peixoto, 50 anos da voz e do mito Editora Record [S.l.] p. 117. 9788501061119. 
  7. a b c Marcelo Fróes. Editora 34, : . Jovem guarda: em ritmo de aventura. 2005 [S.l.: s.n.] ISBN 9788573261875. 
  8. Ricardo Setti. «Um brasileiro chamado Jim». Veja. Consultado em 2 de dezembro de 2012. 
  9. Estrela da Jovem Guarda, órgão segue vivo e influente na música brasileira atual
  10. Opinião: Som do órgão da Jovem Guarda foi contribuição ao rock mundial
  11. Tropicália 40 anos: Após a Bossa Nova, movimento foi o mais influente na música brasileira
  12. A volta dos psicodélicos faz sentido?
  13. Ronnie Von: Psicodelia brasileira
  14. Brazilian Nuggets: psicodelia verde e amarela
  15. Especial O Rei dá samba: Da bossa ao iê-iê-iê - O Dia
  16. Pedro Alexandre Sanches (18/04/2011). «A discografia de Roberto Carlos, álbum por álbum». IG. 
  17. «"Espero que Roberto Carlos não censure meu livro", disse Eduardo Araújo, convidado ao lado de Sylvinha do Bate-Papo UOL». UOL. 
  18. Nem Liminha Ouviu divide plateia com show de covers brasileiros no Lolla
  19. Urbana Legion: tributo ao Legião invadindo o Brasil e o exterior
  20. Sérgio Martins (9 de junho de 2010). "A alegria dos pais". Revista Veja Edição 2168.
  21. 'Restart faz Fresno parecer Dostoievski', diz Dinho Ouro Preto
  22. Tico Santa Cruz critica a banda Restart
  23. É campeã! Malta conquista 74% dos votos e vence o SuperStar
  24. «Banda Malta anuncia saída do vocalista Bruno Boncini: 'Não é o fim'». Ego. Consultado em 2016-06-20. 
  25. Top 12: Supercombo, Kita e Scambo deixam a disputa do SuperStar
  26. Versalle e Scalene colocam o rock na final do Superstar
  27. Scalene, de Brasília, abre Lollapalooza neste domingo, em São Paulo
  28. Versalle|Lollapalooza Brasil
  29. Suricato recebe bem Raul Midón, que rouba a cena no Palco Sunset
  30. «'Top 12': Bandas disputam dez vagas na reta final do 'SuperStar'». tv. Consultado em 2016-06-20. 
  31. «Fulô de Mandacaru, Outro Eu, Plutão Já Foi Planeta e Bellamore estão na Final do SuperStar | Superstar | gshow». gshow. Consultado em 2016-06-20. 
  32. "Rádio Rock" volta ao ar à 0h desta sexta em SP com o nome UOL 89FM
  33. Ortega, Rodrigo (6 de janeiro de 2016). «Rock nacional some do top 100 anual de rádios do Brasil; sertanejo domina». G1. Grupo Globo. Consultado em 11 de janeiro de 2016. 
  34. Camisa de Venus: Marcelo Nova anuncia volta para tour de 35 anos
  35. Legião Urbana faz show de novos talentos em São Paulo
Web