Tim Maia

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Tim Maia
Tim Maia em 1990
Informação geral
Nome completo Sebastião Rodrigues Maia
Também conhecido(a) como Tião, Síndico, Pai da Soul Music Brasileira
Nascimento 28 de setembro de 1942
Origem Rio de Janeiro, RJ
País  Brasil
Data de morte 15 de março de 1998 (55 anos)
Gênero(s) MPB, soul, funk, disco, bossa nova, baião[1] , samba funk[2]
Ocupação(ões) Cantor, compositor, produtor musical, maestro, multi-instrumentista e empresário
Instrumento(s) Vocal, guitarra, violão e bateria
Período em atividade 19561998
Gravadora(s) Polydor, Seroma, Vitória Régia Discos
Afiliação(ões) The Sputniks, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Jorge Ben Jor, Os Diagonais, Gal Costa, Eduardo Araújo, Fábio, Tony Tornado, Cassiano, Hyldon, Sandra de Sá, Paulo Massadas, Michael Sullivan
Influência(s) Little Richard, Ronnie Self, João Gilberto, Os Cariocas, Sam Cooke, James Brown, Wilson Pickett, Otis Redding, Ray Charles, Four Tops, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro
Influenciado(s) Ed Motta, Léo Maia, Titãs, Paralamas do Sucesso, Cidade Negra, Lulu Santos, Marisa Monte, Claudinho e Buchecha, Luiz Melodia, Tony Tornado, Eduardo Araújo, Hyldon, Cassiano, Fábio, Sandra de Sá, Seu Jorge, Paulo Massadas, Michael Sullivan, Racionais MC's
Página oficial www.timmaia.com.br

Tim Maia, nome artístico de Sebastião Rodrigues Maia (Rio de Janeiro, 28 de setembro de 1942Niterói, 15 de março de 1998), foi um cantor, compositor, produtor musical, maestro, multi-instrumentista e empresário brasileiro, responsável pela introdução do estilo soul na música popular brasileira e reconhecido mundialmente como um dos maiores ícones da música no Brasil. Suas músicas eram marcadas pela rouquidão de sua voz, sempre grave e carregada, conquistando grande vendagem e consagrando muitos sucessos. Nasceu e cresceu na cidade do Rio de Janeiro, onde, em sua infância, já teve contato com pessoas que viriam a ser grandes cantores, como Jorge Ben Jor e Erasmo Carlos. Em 1957, fundou o grupo The Sputniks, no qual cantou junto a Roberto Carlos. Em 1959, emigrou para os Estados Unidos, onde teve seus primeiros contatos com o soul, vindo a ser preso e deportado por roubo e porte de drogas. Em 1970, gravou seu primeiro disco, intitulado Tim Maia, que, rapidamente, tornou-se um sucesso país afora com músicas como "Azul da Cor do Mar" e "Primavera".

Nos três anos seguintes, lançou vários discos homônimos, fazendo sucesso com canções como "Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar)" e "Gostava Tanto de Você". De 1975 a 1977, aderiu à doutrina filosófico-religiosa conhecida como Cultura Racional, lançando, nesse período, as músicas "Que Beleza" e "Rodésia". Desiludiu-se com a doutrina e voltou ao seu estilo de música anterior, lançando sucessos como "Descobridor dos Sete Mares" e "Me Dê Motivo". Muitas de suas músicas foram gravadas sob a editora Seroma e a gravadora Vitória Régia Discos, sendo um dos primeiros artistas independentes do Brasil. Ganhou o apelido de "síndico do Brasil" de seu amigo Jorge Ben Jor na música W/Brasil. Na década de 1990, diversos problemas assolaram a vida do cantor: problemas com as Organizações Globo e a saúde precária, devido ao uso constante de drogas ilícitas e ao agravamento de seu grau de obesidade. Sem condições de realizar uma apresentação no Teatro Municipal de Niterói, saiu em uma ambulância e, após duas paradas cardiorrespiratórias, faleceu em 15 de março de 1998. É amplo seu legado à história da música brasileira, e sua obra veio a influenciar diversos artistas. A revista norte-americana Rolling Stone classificou Tim Maia como o maior cantor brasileiro de todos os tempos[3] , e também como o 9º maior artista da música brasileira.[4]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Nascido no Bairro da Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, na Rua Afonso Pena 24, filho de Altivo Maia (1900-1959) e Maria Imaculada Maia (1902-1991),[5] Tim Maia começou na música tocando bateria num grupo chamado Tijucanos do Ritmo, formado na Igreja dos Capuchinhos próxima a sua casa, passando logo para o violão. Tim, nessa época, era conhecido como "Babulina", por conta da pronúncia do rockabilly Bop-A-Lena de Ronnie Self (apelido que Jorge Ben Jor tinha pelo mesmo motivo).[6] Em 1957, fundou o grupo vocal The Sputniks, do qual participaram Roberto Carlos, Arlênio Silva, Edson Trindade e Wellington. O grupo se apresentou no programa Clube do Rock de Carlos Imperial na TV Tupi.[7] Erasmo Carlos nunca fez parte do grupo, mas sim do The Snakes, grupo que acompanhou tanto Roberto quanto Tim após o fim do The Sputniks. Em 1959, foi para os Estados Unidos, onde estudou inglês e entrou em contato com a soul music, chegando a participar de um grupo vocal, o The Ideals. No grupo, Maia era conhecido como Jim, gravaram a canção "New Love" em um compacto, a composição foi composta em parceria com Roger Bruno, a voz principal do The Ideals, a gravação teve a participação do percussionista Milton Banana e do contrabaixista de jazz Don Payne, no entanto, quatro anos mais tarde, viria a ser deportado de volta para o Brasil, preso por roubo e posse de drogas.[8] Bruno nunca mais teve notícias de Jim e se tornou um famoso compositor, sendo inclusive gravado por Teddy Pendergrass e Cher, curiosamente, Paul e Sheila Smith, um casal de amigos de Bruno gravaram com Tim Maia em 1973, no mesmo álbum em que o cantor resolve gravar a até então inédita, New Love, sem que Bruno soubesse que Jim e Tim eram a mesma pessoa.[9]

Em 1968, Tim produziu o álbum A Onda É o Boogaloo, de Eduardo Araújo. O álbum trouxe a sonoridade da soul music para a Jovem Guarda[10] . Nessa época, Tim começou a se apresentar em São Paulo e num programa de rádio de Wilson Simonal, e fez uma apresentação na TV Bandeirantes com a banda Os Mutantes. No mesmo ano, teve composições gravadas por Roberto e Erasmo Carlos. Erasmo gravou "Não quero nem saber" e Roberto, "Não Vou Ficar", para o álbum Roberto Carlos. A canção também fez parte da trilha sonora do filme Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-rosa[11] . Seu primeiro trabalho solo foi um compacto pela CBS em 1968, que trazia as músicas "Meu País" e "Sentimento" (ambas de sua autoria, como todas as músicas sem indicação de autor). Sua carreira no Brasil fortaleceu-se a partir de 1969, quando gravou um compacto simples pela Fermata com "These Are the Songs" (regravada no ano seguinte por Elis Regina em duo com ele e incluída no álbum "Em Pleno Verão", de Elis) e "What Do You Want to Bet".

Anos 1970[editar | editar código-fonte]

Em 1970, gravou seu primeiro longplay, "Tim Maia", na Polydor, por indicação da banda Os Mutantes. Nesse disco, obteve sucesso com as faixas "Azul da Cor do Mar", "Coronel Antônio Bento" (Luís Wanderley e João do Vale), "Primavera" (Cassiano) e "Eu Amo Você". Nos três anos seguintes, com a mesma gravadora, lançou os discos Tim Maia Volume II, tornando-se cada vez mais famoso com canções como a dançante "Não Quero Dinheiro (Só Quero amar)", na era Disco; Tim Maia volume III e Tim Maia volume IV, no qual se destacaram "Gostava Tanto de Você" (Edson Trindade) e "Réu Confesso". Em 1975, gravou os LPs Tim Maia Racional Vol. 1 e Vol. 2. Em 1978, gravou, para a Warner, Tim Maia Disco Club, claramente inspirada pela disco music. Tim foi acompanhado pela Banda Black Rio. Nesse álbum, gravou um de seus maiores sucessos, "Sossego".[12]

Fase racional (1974-1976)[editar | editar código-fonte]

Na década de 1970, entrou em contato com a doutrina Cultura Racional, liderada por Manuel Jacinto Coelho, quando lançou, em 1975, os álbuns Tim Maia Racional, volumes 1 e 2 pelo selo Seroma (palavra "amores" ao contrário e abreviação do próprio nome, "Sebastião Rodrigues Maia"). São considerados por muitos os melhores de Tim Maia, com grandes influências do funk e do soul e pelo fato de que, nesta época, Tim Maia manteve-se afastado dos vícios, o que refletiu na qualidade de sua voz.[13] Desiludido com a doutrina, percebeu que o mestre Manuel não correspondeu ao ideal de um mestre. O cantor, revoltado, tirou de circulação os álbuns, tendo virado item de colecionadores, devido à raridade. Deste disco, existem várias pérolas, uma das quais é Imunização Racional.

Já nos anos 2000, foram descobertas novas músicas pertencentes à "fase racional", no que foi intitulado de verdadeiro Racional Volume Três, podendo-se mencionar as faixas: "You Gotta Be Rational", "Escrituração Racional", "Brasil Racional", "Universo em Desencanto Disco", "O Grão Mestre Varonil", "Do Nada ao Tudo" e "Minha Felicidade Racional", inicialmente disponibilizadas apenas na Internet e lançado em CD em agosto de 2011[14] . Após o término de sua fase racional, Tim voltou a seu antigo estilo de vida e aos temas não religiosos em suas canções. Mais sucessos se seguiram: "Sossego" (do LP Tim Maia Disco Club, de 1978), "Do Leme ao Pontal" (de um compacto lançado em 1982) e "O Descobridor dos Sete Mares" (faixa título do LP de 1983, que também trouxe "Me Dê Motivo") .

Anos 1980[editar | editar código-fonte]

Tim Maia em 1987.

Lançou em 1983 o LP O Descobridor dos Sete Mares, com destaque para a canção-título "O Descobridor dos Sete Mares" (Michel e Gilson Mendonça) e para a canção "Me dê Motivo" (Michael Sullivan/Paulo Massadas) um dos seus maiores sucessos. Em 1985, gravou Um Dia de Domingo, também de Sullivan e Massadas, num dueto com Gal Costa, obtendo grande sucesso. Outro disco importante da década de 1980 foi "Tim Maia" (1986), que trazia o hit "Do Leme ao Pontal". Em 1986 participou do musical Cida, a Gata Roqueira, da Rede Globo, paródia ao conto de fadas, inspirado no filme The Blues Brothers (Os Irmãos Caras de Pau), de 1980, no qual James Brown interpreta um pastor evangélico. Nelson Motta criou um personagem similar para Tim, onde o cantor improvisa o Salmo 23 embalado por uma banda tocando funk. Artista com histórico de problemas com as gravadoras, na década de 1970 fundou seu próprio selo, primeiramente Seroma e depois Vitória Regia. Por ele, lançou, em 1990, Tim Maia Interpreta Clássicos da Bossa Nova e, mais tarde, Voltou a Clarear e Nova Era Glacial.

Anos 1990[editar | editar código-fonte]

Descontente com as gravadoras, Tim Maia retomou a ideia da editora Seroma e da gravadora Vitória Régia Discos, pela qual passou a fazer seus lançamentos. Regravado por artistas do pop (Titãs, Paralamas do Sucesso, Marisa Monte), Tim retribuiu a homenagem gravando "Como Uma Onda", de Lulu Santos e Nelson Motta, que foi grande sucesso nos anos 1990, juntamente com seu álbum ao vivo, de 1992. De Jorge Ben Jor, ganharia o apelido de "o síndico do Brasil", na música "W/Brasil". Ao longo da década, Tim gravaria discos de bossa nova (um deles com Os Cariocas) e de versões clássicos do pop e do soul ("What a Wonderful World").

Em 1993, dois acontecimentos impulsionaram sua carreira: a citação feita por Jorge Ben Jor na canção "W/Brasil" e uma regravação que fez de "Como Uma Onda" (Lulu Santos e Nelson Motta) para um comercial de televisão, de grande sucesso e incluída no CD "Tim Maia", do mesmo ano. Assim, aumentou muito a produtividade nesta década, gravando mais de um disco por ano com grande versatilidade: o repertório passou a abranger bossa nova, canções românticas, funks e souls. Também teve muitas composições regravadas por artistas da nova geração, como Paralamas do Sucesso e Marisa Monte. Em 1996, lançou dois CDs ao mesmo tempo: Amigo do rei, juntamente com Os Cariocas, e What a Wonderful World, com recriações de standards do soul e do pop norte-americanos dos anos de 1950 a 1970. Em 1997, lançou mais três CDs, perfazendo 32 discos em 42 anos de carreira. Nesse mesmo ano, fez uma nova viagem aos Estados Unidos.

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Léo Maia, filho adotivo de Tim, também se tornou músico.

Tim Maia teve uma infância bastante pobre no bairro carioca da Tijuca, onde nasceu e cresceu. Morava em um cortiço e era o caçula de doze irmãos.[15] Quando criança, trabalhou como entregador de marmitas para ajudar nas despesas de casa. Aos 8 anos cantava no coral da igreja e aos 12 ganhou um violão de seu pai.[16]

Tim Maia teve muitas mulheres, entre elas as mais conhecidas foram Janete, uma jovem de família tradicional que se incomodava com o jeito liberal demais de Tim, de quem foi namorada por alguns anos e acabaram se separando em Londres, quando ele passou meses lá com amigos se divertindo, com bebidas, cigarros e drogas. Isso a incomodou demais, e a fez voltar para o Brasil. Tim também namorou com Janaína, com quem ficou alguns anos e que era uma jovem moderna para aos padrões da época. Viviam entre tapas e beijos, quando decidiram se separar por constantes crises de ciúme do casal.[17]

Durante anos namorou com Maria de Jesus Gomes da Silva, apelidada de Geisa. Ela o acompanhava em shows pelo Brasil e por vários países, em turnês e passeios musicais, e era amiga de seus amigos. Gostava de beber e fumar com o grupo. Viveram muito tempo como hippies, viajando sem destino pelos Estados Unidos e Europa. Ele a conheceu quando ela tinha 17 anos e a tirou da casa de seus pais, que não aceitavam o envolvimento dela com um homem da música, sem carreira estável. Geisa fugiu de casa para ficar com Tim, seu primeiro namorado, que alugou uma casa para que ela morasse sozinha. Após poucos anos de namoro, se separaram, Tim a acusava de ser muito ciumenta e instável, e querer controlar demais sua vida e seu dinheiro. Mas Geisa só queria ajudá-lo, o alertando para largar as drogas e o vício em álcool, e administrar o dinheiro que estava no fim. Durante a separação, Tim quis procurá-la, mas seu orgulho de homem não deixava. Ela, por sua vez o procurava constantemente, mas ele a mandava embora, dizendo não querer uma mulher possessiva em sua vida. Durante esse período, Tim entrou em depressão por conta da separação, e passou a se entregar mais aos vícios, e mulheres da vida. após a separação, Geisa o procurou desesperada, e revelou estar grávida e sozinha. Tim se sensibilizou e a quis de volta, provando seu amor, e a chamou para morar com ele, se sentindo até culpado por tudo que ela passou longe dele, já que ele a protegia. Tim assumiu o filho de Geisa como seu. O menino foi registrado por Tim Maia como seu filho biológico e batizado de Márcio Leonardo "Léo" Maia. A criança nasceu em 1974. Durante a separação de Tim e Geisa, a jovem arranjou seu segundo namorado, e acabou se envolvendo com o goleiro Vitório, que atuou no Fluminense entre 1966 e 1973. Ele prometeu casar-se com a jovem, mas a abandonou, ao descobrir que ela estava grávida, alegando que era jovem demais para assumir um filho, propondo a Geisa que abortasse, mas ela recusou totalmente esta proposta, por ser totalmente contra isto, e aí ele a acusou de interesseira e a deixou. Apesar de ir atrás dele, implorar para ele ao menos assumir a criança, ele não quis saber dessa história e bateu em Geisa, mandando ela sumir de sua vida. Desesperada, sua única saída foi procurar Tim, pois sabia que como amigo ele não lhe negaria ajuda.[18] Morando com Tim e seu filho Léo, Geisa engravidou mais duas vezes, e o casal teve dois filhos: Carmelo Gomes Maia, também conhecido como Telmo, nascido em 1975 e José Carlos Gomes Maia, nascido em 1976, falecido em 2002[19] Na época que seus filhos nasceram, Tim se filiou a uma seita de extra terrestres e passou a compor músicas religiosas, motivo também de atrito entre ele e Geisa, que não aceitava o marido ganhar pouco com essas músicas e vender tudo que tinha para dar aos pobres. Tim deixou os vícios e recuperou a saúde, mas ficou obcecado pela religião, tanto que o nome de seu filho, Carmelo, o guru da seita que escolheu, dizendo ser um nome sem pecado, desmagnetizado. Ao registrá-lo, Tim queria colocar Telmo, outro nome desmagnetizado, e escolheu Carmelo, mas esqueceu a escolha feita e chamava o filho de Telmo, até o menino achava que esse era seu nome, apesar de Geisa falar ao filho que não, e dizer a Tim que ele estava perturbado, que o nome do menino era um, ele teimava em dizer que era outro, até Tim ler na certidão que era Carmelo, mas continuou a apelidar o menino de Telmo. Tim largou a religião ao descobrir que o guru era um charlatão e que fazia tudo que era contra a seita religiosa. Em 1986, quando Márcio Leonardo tinha 12 anos, Carmelo, 11, e José Carlos, 10, Geisa e Tim se separaram. Os vícios de Tim voltaram com força total após o desligamento da seita religiosa, e ficou descontrolado, e as constantes humilhações e traições fizeram Geisa dar um basta em tanto sofrimento e ela deixou a casa de Tim com seus filhos. Geisa começou a trabalhar em comércio, alugou um apartamento e morava junto com seus três filhos. Com os anos, começou a namorar novamente e foi morar com seus filhos na casa de um delegado. Geisa acabou superando a mágoa das humilhações e traições do ex-marido e acabou tornando-se amiga de Tim e dividia com ele a guarda de Márcio Leonardo, Carmelo e José Carlos. Por acaso, aos 17 anos, Léo Maia descobriu não ser filho biológico de Tim Maia e ficou abalado, já que Tim e a esposa combinaram de não revelar a verdadeira paternidade do menino, mas Léo aceitou bem isso, já gostava do padrasto delegado e de Tim, e ficou feliz por ter dois pais[20]

Viveu nos Estados Unidos de 1959 a 1963. Afirmava que ao morar fora do país, ficou um bom tempo sem falar o português já que na época poucos brasileiros moravam nos EUA. Lá ele montou uma mini banda e gravou um disco compacto. Para sobreviver no país, chegou a trabalhar em lanchonetes da região.[21] No começo residiu em Tarrytown, com a família de um conhecido cliente de seu pai. Em 1961, se mudou para Nova Iorque, e em 1963 com um grupo de três amigos decidiram viajar para o sul dos Estados Unidos. Com um carro roubado e fazendo pequenos furtos para financiar a viagem, o que lhe rendeu cinco prisões, Tim e seus amigos percorreram nove estados antes de chegar na Flórida. Em Daytona Beach, Tim teve sua prisão definitiva por porte de maconha, onde foi deportado de volta ao Brasil.

Tentou a carreira política ao filiar-se ao PSB, em outubro de 1997[22] onde seria o candidato a Senador pelo Rio de Janeiro nas eleições gerais de 1998, porém acabou falecendo antes.

Tim Maia tornou-se notável por não aparecer ou atrasar o início dos shows e, frequentemente, reclamar da qualidade do áudio.[23] Isso ocorria devido ao intenso consumo de uísque, cocaína e maconha antes dos shows, que ele chamava de "triátlon".[24] No final de sua vida sofreu com problemas relacionados a obesidade, diabetes e problemas respiratórios. Em 1996, teve uma gangrena de Fournier que foi retirada por uma operação de emergência.

Durante a gravação de um espetáculo para a TV no Teatro Municipal de Niterói, no dia 8 de março de 1998, Tim tentou cantar, mesmo sabendo de sua má condição de saúde. Não conseguiu e retirou-se sem dar explicações; terminou sendo levado para o Hospital Universitário Antônio Pedro. Tim faleceu em 15 de março em Niterói aos 55 anos e com 140 quilos, devido a uma infecção generalizada.[25] No ano seguinte seria homenageado por vários artistas da MPB num show tributo, que se transformou em disco, especial de TV e vídeo.

Prêmios e homenagens[editar | editar código-fonte]

Em 1988, 1990, 1992, 1993, 1995 e 1997 foi o vencedor do prestigiado Prêmio Sharp de música na categoria de melhor cantor.

Em 2004, a Som Livre lançou o álbum Soul Tim: Duetos, onde vários artistas, como Luiz Melodia, Fat Family, Claudinho e Buchecha, realizaram duetos póstumos (através de recursos tecnológicos, semelhante à gravação de "Unforgettable" por Nat King Cole e a filha Natalie Cole)[26] .

Em janeiro de 2001, em uma homenagem inusitada, o guitarrista Robin Finck do Guns N' Roses tocou uma versão rocker de seu sucesso "Sossego", durante a apresentação da banda no Rock In Rio III.[27]

Entre tantas homenagens de qualidade já feitas a ele, a mais recente foi no dia 14 de dezembro de 2007, quando a Rede Globo de televisão homenageou Tim no especial Por Toda a Minha Vida. Ainda em 2007, o jornalista e produtor musical Nelson Motta, amigo e fã de Tim, lançou o best-seller Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia, pela Editora Objetiva.

Em 2009, o cantor foi homenageado no programa Som Brasil com participações de Léo Maia, Seu Jorge, Thalma de Freitas, Marku Ribas, Carlos Dafé, Taryn Spielman e a banda Instituto.[28]

Em 2011, Nelson Motta e João Fonseca criaram um musical baseado no livro Vale Tudo,[29] no qual o papel de Tim foi interpretado por Tiago Abravanel.[30] Uma adaptação cinematográfica do livro foi lançada em 2014.[31]

A sua discografia completa, incluindo o disco inédito Tim Maia Racional, Vol. 3, foi lançada pela Editora Abril em 2011.[32]

Em outubro de 2014, foi lançado o filme biográfico Tim Maia, baseado no livro de Nelson Motta e dirigido por Mauro Lima. Tim é interpretado por Babu Santana e Robson Nunes.

Discografia[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

Notas
  1. Rodrigo Moreira. Eu quero é botar meu bloco na rua: a biografia de Sérgio Sampaio. [S.l.]: Muiraquitã, 2000. 14 p. 9788585483838
  2. Janaína Medeiros. In: Editora Terceiro Nome. Funk carioca: crime ou cultura? : o som dá medo e prazer. [S.l.: s.n.]. ISBN 8587556746, 9788587556745
  3. Seu Jorge (14 de outubro de 2012). As 100 Maiores Vozes da Música Brasileira - Tim Maia - Rolling Stone Brasil (em português) Rolling Stone. Visitado em 16 de outubro de 2012.
  4. Ricardo Franca Cruz (14 de outubro de 2008). 9. TIM MAIA - Edição 25 - (Outubro/2008) - Rolling Stone Brasil (em português) Rolling Stone. Visitado em 1 de fevereiro de 2011.
  5. Motta, 2007, p. 301.
  6. Noites Tropicais Sintonia Fina. Visitado em 15 de abril de 2009.
  7. Motta, Nelson. Vale Tudo - O som e a fúria de Tim Maia (em pt). [S.l.: s.n.], 2007. 29–32 p. ISBN 9788573028744
  8. Seabrook, John. (28 de janeiro de 2013). "Tarrytown Boy". The New Yorker p. 23. Visitado em 16 de novembro de 2013.
  9. Ricardo Setti. Um brasileiro chamado Jim Veja. Visitado em 2 de dezembro de 2012.
  10. "Espero que Roberto Carlos não censure meu livro", disse Eduardo Araújo, convidado ao lado de Sylvinha do Bate-Papo UOL UOL.
  11. Arthur Dapieve. Miúdos metafísicos. [S.l.]: Topbooks, 1999. 48 p. 9788574750064
  12. (28/11/2001) "Tim Maia Disco Club, Tim Maia (WEA)" (0100-7122). Revista Veja. Editora Abril.
  13. Slater, Russ. "Tim Maia's Journey into Rational Culture" Sounds and Colours, 7 de julho de 2010. Visitado em 5 de novembro de 2014.
  14. Mauro Ferreira (15/08/2011). Enfim lançado, terceiro disco da fase mística de Tim Maia é o mais fraco da série O Dia.
  15. Cinebiografia Tim Maia destaca talento do cantor que fez a ponte da soul music com o Brasil
  16. Interesse Popular: Tim Maia
  17. Descubra quem é quem no filme Tim Maia
  18. Ex-mulher de Tim reclama da biografia
  19. Polícia começa a investigar assassinato de filho de Tim Maia, O Estado de S. Paulo
  20. Saiba alguns famosos que foram adotados na infância
  21. Interesse Popular: Tim Maia
  22. "Biografia de Tim Maia é o livro mais divertido do ano"
  23. Morto há dez anos, Tim Maia reclamou do som até o último show.
  24. 140 quilos de som e transgressão, Veja
  25. Tim Maia morre aos 55 anos, no Rio, Jornal do Commercio
  26. Silvio Essinger. Soul Tim Duetos CliqueMusic.
  27. Rock In Rio: Guns'N'Roses toca Tim Maia
  28. Os bastidores do Som Brasil Tim Maia
  29. Tim Maia - Vale tudo, o musical O Globo (08/08/2011).
  30. http://flipagem.ofluminense.com.br/flip.asp?iidpublicacao=1&flargura=&ed=39353&pag=0&pc=#
  31. Filme sobre Tim Maia sairá em 2014, após atraso na produção, Folha de S. Paulo
  32. Coleção Tim Maia
Bibliografia
  • Fábio. Até Parece Que Foi Sonho - Meus Trinta Anos de Amizade e Trabalho com Tim Maia (em português). [S.l.]: Matrix, 2007. 45 p.
  • Tim Maia, Luciano Alves. As Interpretações de Tim Maia (em português). [S.l.]: Irmãos Vitale, 2002. 85-7407-132-3

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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