Ritchie

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Ritchie
Informação geral
Nome completo Richard David Court
Nascimento 6 de março de 1952 (69 anos)
Local de nascimento Beckenham, Inglaterra
Reino Unido
Nacionalidade britânico
brasileiro
Gênero(s)
Ocupação(ões) Cantor e compositor
Cônjuge Leda Zuccarelli (c. 1973)
Instrumento(s) voz, flauta, violão, teclados, percussão
Período em atividade 1972–presente
Gravadora(s) Epic Records (Discos CBS), Philips Records (PolyGram), Deckdisc e PopSongs
Afiliação(ões) A Barca do Sol (1974–75)
Vímana (1975–78)
Tigres de Bengala (1993–94)
Página oficial ritchie.com.br

Ritchie, nome artístico de Richard David Court (Beckenham, 6 de março de 1952) é um cantor e compositor britânico radicado no Brasil. É autor de diversos sucessos como "Menina Veneno" , "A Vida Tem Dessas Coisas", "Pelo Interfone", "Casanova" e "Voo de Coração".

Infância e carreira[editar | editar código-fonte]

Richard David Court nasceu no dia 6 de março de 1952, em Beckenham, Condado de Kent, sul da Inglaterra. Filho de pai militar, viveu em vários países,[1] como Quênia, Dinamarca, Itália, Alemanha, Iêmen do Sul e Escócia.

Embrenhou-se na música cantando no coral de uma igreja na Alemanha. Foi interno na Tormore School e Sherborne School para, alguns anos depois, ingressar no curso de literatura inglesa na Universidade de Oxford (até pelo menos 2014, sua matrícula ainda se encontrava aberta[2]). Com 20 anos, abandonou os estudos para tocar flauta na banda londrina Everyone Involved,[3] com que gravou o LP-protesto Either/Or junto com outras bandas que contestavam a construção de um viaduto sobre Picadilly Circus, em West End.[4] O LP foi distribuído gratuitamente. Durante as gravações desse disco, Ritchie foi apresentado a um grupo de brasileiros pelo guitarrista Mike Klein. Entre eles, estavam Lucinha Turnbull, Rita Lee e Liminha, estes dois últimos, d'Os Mutantes, em visita à capital inglesa para comprar instrumentos. Ficaram amigos e o convite para conhecer o Brasil foi feito.

No final de 1972, Ritchie desembarcou em São Paulo, com a intenção de passar três meses de férias.[2] Na cidade, ele formou a banda Scaladácida[2] com o baterista Azael Rodrigues, o guitarrista Fabio Gasparini e o baixista Sérgio Kaffa. O grupo fez vários shows na cidade e foi sondado pela gravadora Continental. Mas Ritchie ainda não tinha o visto de permanência e o contrato não pôde ser assinado. Scaladácida terminou suas atividades no final de 1973 e Ritchie se mudou com 21 anos de idade, já casado, para o Rio de Janeiro com a arquiteta e estilista Leda Zuccarelli, com quem é casado até hoje.

Na capital fluminense, integrou o grupo de jazz-rock Soma (Bruce Henry, baixo; Alírio Lima, percussão; Tomás Improta, piano) como backing vocal e flautista.

Em 1975, reforça os quadros d'A Barca do Sol como flautista,[4] grupo então composto por Nando Carneiro (violão, guitarra e vocal), Muri Costa (violão, viola e vocal), Jaques Morelenbaum (celo, violino e vocal), Beto Rezende (viola e percussão) e Alain Pierre (baixo e percussão).

Ainda em 1975, juntou-se à segunda escalação da banda de rock progressivo Vímana[2] e assumiu, finalmente, os microfones para cantar em inglês. Ritchie apostava em seu inglês nativo para se dar bem no Brasil, onde os vocalistas não falavam bem o idioma.[2] A banda, formada por Lobão (bateria), Luiz Simas (teclados), Lulu Santos (guitarra) e Fernando Gama (baixo), participou da peça musical A Feiticeira, de Marília Pêra, e fez shows, principalmente, no Museu de Arte Moderna, no Teatro Galeria e no Teatro Tereza Rachel, todos no Rio.

O compacto, lançado em 1977 pela Som Livre, trazia "Zebra" e "Masquerade" (esta com letra em inglês, do Ritchie), mas não estouraram e o grupo acabou no mesmo ano.[2] Sem perspectivas e ouvindo de gravadoras que o rock não tinha mais vez no Brasil, começou a dar aulas de inglês para músicos como Egberto Gismonti, Paulo Moura e a cantora Gal Costa,[5] e decidiu abandonar a música.[6]

Em 1980, Ritchie recebeu o convite de Jim Capaldi, do Traffic, para regressar a Londres e participar de seu álbum solo, Let the Thunder Cry,[3] como arranjador de vocais.[6] No elenco desse disco, figuram o saxofonista Mel Collins (King Crimson), o percussionista Reebop Kwaku-Baah (Traffic) e os bateristas Andy Newmark (John Lennon) e Simon Kirke (Free, Bad Company).[6]

De volta ao Brasil, em 1982, procurou Bernardo Vilhena, letrista do Vímana,[7] para compor seu primeiro trabalho-solo cantado somente em português. Na época, Ritchie pretendia fazer algo synth-pop a exemplo de grupos como Soft Cell, Depeche Mode, The Human League e A Flock of Seagulls.[7] Ele pensava especificamente na vertente new romantic, executada por Duran Duran, Visage, Culture Club e Spandau Ballet.[7]

Liminha, naquele momento produtor da Warner, gravou algumas canções com Ritchie numa sessão que envolveu também o guitarrista inglês Steve Hackett (ex-Genesis).[7] Liminha tentou convencer a Warner a lançar o material, mas André Midani não viu potencial no que ouviu, algo de que ele se arrependeria mais tarde.[7]

A CBS, na pessoa de seu diretor Claudio Condé, gostou do material (no caso, demos de "Voo de coração" e "Baby, meu bem") e deu a Ritchie a tarde do dia 31 de dezembro de 1982 para regravar as canções em 24 canais, pois haviam sido gravadas em oito.[8] Em vez disso, ele decidiu gravar "Menina Veneno", que havia composto com Bernardo. No dia seguinte, procurou Claudio, que ficou impressionado com o material.[9]

As vendas do compacto simples (CBS), lançado em fevereiro de 1983 com "Menina veneno" e "Baby, meu bem", ultrapassaram as 500 mil cópias, um marco na história do mercado fonográfico brasileiro,[3] e a canção foi a mais vendida daquele ano no país.[10] Tanto sucesso esse que fez com que a canção "Menina Veneno" fosse a mais executada nas rádios do Brasil no ano de 1983.

Porém, o sucesso chegou mesmo com o LP Vôo de Coração (Epic/CBS),[9] em junho de 1983. Um milhão e duzentas mil cópias do álbum (que tinha os hits "Menina veneno", "A vida tem dessas coisas", "Casanova", "Pelo interfone" e a faixa-título[9]) evaporaram das lojas.[11]

Além de Ritchie (voz, Casio MT40 e flauta), o disco contou com os músicos Lulu Santos, Steve Hackett (guitarras), Lauro Salazar (piano e sintetizadores[12]), Liminha (baixo), Lobão (bateria), Zé Luis (sax), Chico Batera (percussão) e a turnê de divulgação do álbum resultou em 139 shows no Brasil, Peru e Paraguai.[12] Com seu primeiro pagamento da CBS, comprou uma cobertura no bairro da Lagoa, no Rio de Janeiro, que a atriz Tônia Carrero havia colocado à venda.[12]

Em 1984, ganhou o Troféu Imprensa na categoria Cantor do Ano, onde concorria com Roberto Carlos e Tim Maia.[carece de fontes?]

Nesse ano, lançou E a Vida Continua (EPIC/CBS), que manteve a parceria com Bernardo Vilhena ("A Mulher Invisível", com Steve Hackett), "Insônia" e "O Homem e a Nuvem", "Trabalhar é de lei", "Mulheres!", "Sopra o Vento" (tema da novela da Globo A Gata Comeu de 1985) além de novas parcerias com Chris Moore (na faixa, "Gisella"), e os comparsas Lobão (em “Bad Boy”) e Liminha (em “Bons amigos”), este último produtor do álbum, além das autorais e a faixa-título.

O disco não vendeu tão bem quanto o anterior, atingindo a marca de 100 mil cópias vendidas.[11] Ritchie alegou que sentiu que a CBS não se dedicou tanto ao disco em termos de divulgação.[12] Anos mais tarde, num show em Angra dos Reis, um radialista o abordou e acusou a gravadora de tê-lo oferecido um jabá para não tocar "A Mulher Invisível".[13]

A partir de 1985, interessou-se pela música eletrônica e pela produção de arquivos MIDI de ritmos brasileiros para uso digital. Nesse ano, engatou seu terceiro disco solo, Circular, o último pela CBS, que vendeu ainda menos que o anterior: 60 mil cópias.[11] Posteriormente, ele leu uma entrevista de Tim Maia na IstoÉ na qual o cantor acusou Roberto Carlos de ter agido contra Ritchie na CBS, algo que Tim confirmou ao encontrar Ritchie num show no Canecão. Ritchie não acreditou na história e Claudio Condé negou a acusação.[11] Ritchie também teve problemas com Chacrinha e, consequentemente, com a televisão como um todo após se recusar a participar de um playback que aconteceria no mesmo momento em que tinha um show em Belo Horizonte.[11] Em 1985, ficou arrasado ao não ser convidado para a primeira edição do festival Rock in Rio e a CBS concordou em rescindir seu contrato mesmo faltando um disco.[13]

Em 1986, a música "Transas", de Nico Resende e de Paulinho Lima, tecladista e empresário de Ritchie, respectivamente, tornou-se tema da novela Roda de Fogo, da TV Globo.[13] O compacto foi premiado com o Troféu Villa Lobos, por ter sido o mais vendido do ano [3], e "Transas" ganhou o Troféu Imprensa de Melhor Música de 1986.

Já em nova gravadora (Polygram), Ritchie lançou em 1987 o LP Loucura & Mágica, que embalsamou o sucesso do ano anterior, "Transas", e promoveu uma parceria com Cazuza ("Guerra civil"). No cardápio, "Tudo normal", "Mentira" e (todas com Bernardo Vilhena, e a última, com a colaboração de Lauro Salazar), "Forças de dentro" (Kiko Zambianchi), "Me gusta la rumba" (Paulinho Lima e Torcuato Mariano) e "Meantime" (novamente com Steve Hackett nas guitarras. O LP vendeu 25 mil cópias.[13]

Nos anos seguintes, lançou Pra Ficar Contigo (1988) e Sexto Sentido (1990), todos pela Polygram, mas o sucesso do primeiro álbum, de 1983, passou longe desses.

Mesmo com a carreira-solo pendurada, Ritchie integrou a banda Tigres de Bengala,[4] ao lado de Cláudio Zoli, Vinícius Cantuária, & Dadi (A Cor do Som) e Billy Forghieri (Blitz). O combinado lançou um álbum homônimo em 1993, pela Polygram.[3]

Em 1995, ele cantou juntamente com Paula Toller, da banda Kid Abelha a música "Como eu quero" no Jazzmania (RJ) durante a turnê do álbum Meio Desligado.

Cada vez mais interessado por computadores e menos à vontade com a indústria musical no país, Ritchie se tornou websound designer e assinou a criação e a implantação de softwares de áudio em sites como o da Usina do Som, o do portal international Yahoo!Digital e o da página do poeta Carlos Drummond de Andrade e o site do Lulu Santos[3], este último indicado entre os melhores sites de música pelo iBest em 1997.

No ano de 1999, foi convidado por Thomas Dolby (o artista, produtor e fundadador da Beatnik Inc.) para desenhar e implementar a sonorização dos websites da Yahoo! Digital e Beatnik.[3]

Mas, em 2002, 12 anos após sua última investida solo no universo fonográfico, Ritchie aceitou o convite do jovem produtor Rafael Ramos (João Donato, Ultraje a Rigor, Los Hermanos) para fazer um novo álbum.

Ao contrário de outros artistas oitentistas que reapareceram no início de 2000 com regravações dessa época, Ritchie apostou no ineditismo. O álbum Auto-fidelidade (Deck Disc) revelou parcerias com Erasmo Carlos, Bernardo Vilhena, Nelson Motta, Ronaldo Bastos e Alvin L. São 14 faixas, sendo cinco cantadas em inglês.

Em 2005, Ritchie participou do bem sucedido DVD Multishow Anos 80 aoo Vivo, junto de outros artistas da época, e fez muitos shows Brasil afora com a turma do disco, Leo Jaime, Leoni, Kid Vinil, Nasi, entre outros.

Em 2008, Ritchie fundou seu próprio selo e gravadora, a PopSongs, e lançou, em julho de 2009, o CD, DVD e Bluray independente, Outra Vez (ao vivo no estúdio), com regravações de seus maiores sucessos, além de duas inéditas, a faixa-título, "Outra Vez", em parceria com Arnaldo Antunes e "Cidade Tatuada", com letra de Fausto Nilo. O disco foi o primeiro blu-ray do artista e o primeiro blu-ray musical a ser 100% produzido e fabricado no Brasil).

Três anos após seu DVD, comemorando sessenta anos de idade e trinta de carreira solo, Ritchie lançou seu primeiro álbum como intérprete, intitulado 60. Nesse disco, o cantor interpreta canções da década de 1960 menos conhecidas do grande público.

Discografia[editar | editar código-fonte]

Videografia[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Ritchie - Biografia». Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira 
  2. a b c d e f Barcinski 2014, p. 192.
  3. a b c d e f g «Ritchie - Dados Artísticos». Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Consultado em 21 de fevereiro de 2013 
  4. a b c Alvaro Neder. «Ritchie - Biography». allmusic. Consultado em 21 de fevereiro de 2013 
  5. «Por onde anda Ritchie?». Ego. 25 de maio de 2009. Consultado em 21 de fevereiro de 2013 
  6. a b c Barcinski 2014, p. 193.
  7. a b c d e Barcinski 2014, p. 194.
  8. Barcinski 2014, pp. 194-195.
  9. a b c Barcinski 2014, p. 195.
  10. Barcinski 2014, p. 191.
  11. a b c d e Barcinski 2014, p. 197.
  12. a b c d Barcinski 2014, p. 196.
  13. a b c d Barcinski 2014, p. 198.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]