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Traffic (banda)

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Traffic
Formação original dos Traffic
Informações gerais
OrigemBirmingham, Inglaterra
PaísReino Unido
GênerosRock
Rock psicodélico
Rock progressivo
Folk rock
Jazz rock
Período em atividade1967–1969
1970–1974
1994
GravadorasIsland Records
United Artists Records
Ex-integrantesSteve Winwood
Jim Capaldi
Chris Wood
Dave Mason
Jim Gordon
Ric Grech
Rebop Kwaku Baah
David Hood
Roger Hawkins
Barry Beckett
Rosko Gee

Traffic foi uma banda britânica de rock formada em Birmingham, Inglaterra, em 1967 por Steve Winwood, Jim Capaldi, Chris Wood e Dave Mason. O grupo desenvolveu uma sonoridade eclética que combinava elementos de rock psicodélico, folk, jazz e rock progressivo, destacando-se pelo uso de instrumentos como órgão, flauta e saxofone, além da instrumentação tradicional do rock.[1]

Após uma primeira fase marcada por temas como «Paper Sun», «Hole in My Shoe» e «Feelin' Alright?», e pelos álbuns Mr. Fantasy (1967) e Traffic (1968), a banda dissolveu-se em 1969. Winwood integrou posteriormente os Blind Faith, mas os Traffic regressaram em 1970, inicialmente como um trio constituído por Winwood, Capaldi e Wood, gravando John Barleycorn Must Die. Durante os primeiros anos da década de 1970, a formação foi sucessivamente alargada e o grupo editou álbuns como The Low Spark of High Heeled Boys (1971) e Shoot Out at the Fantasy Factory (1973), antes de se dissolver novamente em 1974.[1]

Em 1994, Winwood e Capaldi retomaram o nome Traffic para o álbum Far from Home e uma nova digressão. Em 2004, a formação original - Winwood, Capaldi, Wood e Mason - foi introduzida no Rock and Roll Hall of Fame.[2]

História

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Formação e primeiros anos (1967–1969)

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Os Traffic foram formados em 1967 por Steve Winwood, que tinha deixado o Spencer Davis Group, juntamente com o baterista e letrista Jim Capaldi, o multi-instrumentista Chris Wood e o guitarrista Dave Mason. Os quatro instalaram-se numa casa de campo em Aston Tirrold, em Berkshire, onde passaram a viver e a trabalhar coletivamente na composição e desenvolvimento do repertório. O grupo assinou com a Island Records, dirigida por Chris Blackwell, e lançou como primeiro single «Paper Sun», que alcançou o quinto lugar da tabela britânica de singles em 1967.[3]

Ainda em 1967 seguiram-se os singles «Hole in My Shoe», composto por Mason, e «Here We Go Round the Mulberry Bush», antes do lançamento, em dezembro, do álbum de estreia, Mr. Fantasy.[4] A diversidade de interesses musicais dos quatro membros contribuiu para uma sonoridade que combinava elementos de rock psicadélico, folk, jazz e rhythm and blues. As diferenças de orientação musical entre Mason e os restantes membros, porém, tornaram-se uma fonte de tensão interna, e o guitarrista deixou a banda no final de 1967.[1][5]

Mason regressou durante a preparação do segundo álbum, Traffic, lançado em 1968. O disco combinava as composições de orientação mais folk rock de Mason com as peças mais extensas de Winwood e incluía «Feelin' Alright?», composta por Mason e posteriormente gravada por numerosos outros artistas.[6] A permanência de Mason voltou a ser breve e, após a sua saída, Winwood, Capaldi e Wood continuaram como trio. No início de 1969, os Traffic dissolveram-se pela primeira vez, tendo Winwood integrado pouco depois os Blind Faith, ao lado de Eric Clapton, Ginger Baker e Ric Grech.[1]

Após a dissolução, a Island Records reuniu gravações anteriormente editadas em singles, material inédito e duas faixas ao vivo para lançar Last Exit, em 1969. O álbum, concebido pela editora após o fim do grupo, foi então apresentado como o terceiro e presumivelmente último álbum dos Traffic.[7]

Traffic, 1969: Steve Winwood, Jim Capaldi, Chris Wood e Dave Mason.

Reunião e John Barleycorn Must Die (1970)

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Após a dissolução dos Blind Faith, Winwood começou, no início de 1970, a trabalhar no que seria o seu primeiro álbum a solo, inicialmente com a intenção de tocar ele próprio a maior parte dos instrumentos. Durante as sessões convidou Jim Capaldi a colaborar nas gravações e, posteriormente, Chris Wood juntou-se também ao projeto. A reunião dos três antigos membros acabou por conduzir à reconstituição dos Traffic, e as gravações inicialmente concebidas como um trabalho a solo de Winwood deram origem a John Barleycorn Must Die.[8][2]

Lançado em julho de 1970, John Barleycorn Must Die marcou uma alteração na orientação musical do grupo. Com Winwood, Capaldi e Wood como núcleo da formação, os Traffic passaram a desenvolver composições mais extensas, com maior espaço para a improvisação instrumental e para elementos derivados do folk e do jazz. Quatro das seis faixas do álbum original ultrapassavam os seis minutos, aproximando a música do grupo do então emergente jazz rock.[8]

O álbum incluía temas como «Glad», «Freedom Rider» e uma adaptação da canção tradicional inglesa «John Barleycorn». O sucesso do disco consolidou o regresso dos Traffic e valeu à banda o seu primeiro disco de ouro.[8]

Expansão da formação e The Low Spark of High Heeled Boys (1971–1972)

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Cartaz promocional

Após o sucesso de John Barleycorn Must Die, os Traffic ampliaram a formação com a entrada do baixista e violinista Ric Grech, do baterista Jim Gordon e do percussionista ganês Rebop Kwaku Baah. Durante uma digressão britânica em julho de 1971, Dave Mason regressou temporariamente ao grupo para uma série de concertos. Gravações dessa digressão deram origem ao álbum ao vivo Welcome to the Canteen, lançado em setembro desse ano e originalmente creditado individualmente aos sete músicos, em vez de ao nome Traffic.[9]

Em novembro de 1971 foi lançado The Low Spark of High Heeled Boys, gravado nos Island Studios, em Londres. O álbum aprofundou a vertente jazz rock desenvolvida pelo grupo, combinando composições acústicas com temas mais extensos e assentes na improvisação. A faixa-título, composta por Winwood e Capaldi, ultrapassava os doze minutos e tornou-se uma das composições mais extensas gravadas pelos Traffic até então.[10]

The Low Spark of High Heeled Boys alcançou um sucesso significativo nos Estados Unidos, onde obteve rapidamente a certificação de ouro e posteriormente de platina. O disco consolidou a segunda fase da carreira dos Traffic, numa altura em que o grupo realizava frequentes digressões naquele país.[10]

No início de 1972, uma digressão do grupo foi interrompida devido a problemas de saúde de Winwood, posteriormente diagnosticado com peritonite. Durante esse período, Ric Grech e Jim Gordon deixaram os Traffic. Após a recuperação de Winwood, o grupo retomou a atividade no outono de 1972, incorporando o baixista David Hood e o baterista Roger Hawkins, ambos associados à secção rítmica dos estúdios Muscle Shoals.[1]

Shoot Out at the Fantasy Factory e On the Road (1973)

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Com a nova formação, os Traffic gravaram Shoot Out at the Fantasy Factory, lançado em janeiro de 1973. O álbum manteve as composições extensas características da fase anterior, incluindo «Roll Right Stones», com quase doze minutos, ao lado da faixa-título, «Evening Blue», do instrumental «Tragic Magic», composto por Chris Wood e Terry Adams, e de «(Sometimes I Feel So) Uninspired».[11] O disco alcançou o top 10 nos Estados Unidos e recebeu a certificação de ouro.[1]

A digressão que se seguiu contou ainda com o teclista Barry Beckett, juntando-se a Winwood, Capaldi, Wood, Rebop Kwaku Baah, David Hood e Roger Hawkins. Concertos realizados na Alemanha em abril de 1973 foram gravados para On the Road, o segundo álbum ao vivo dos Traffic. O disco refletia a orientação da banda para atuações prolongadas e improvisadas, apresentando várias composições bastante expandidas em relação às versões de estúdio.[12]

When the Eagle Flies e dissolução (1974)

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Em 1974, os Traffic voltaram a reduzir a formação, deixando de contar com David Hood, Roger Hawkins e Barry Beckett. Winwood, Capaldi, Chris Wood e Rebop Kwaku Baah prosseguiram com o baixista Rosko Gee e gravaram When the Eagle Flies entre junho e julho desse ano.[13]

Lançado em 1974, o álbum manteve a orientação para estruturas musicais extensas e improvisação de influência jazzística. Entre as faixas encontrava-se «Dream Gerrard», com mais de onze minutos, composta por Winwood com letra de Vivian Stanshall, dos Bonzo Dog Band. When the Eagle Flies tornou-se o quarto álbum de estúdio consecutivo dos Traffic a alcançar o top 10 e a certificação de ouro nos Estados Unidos.[13]

Após o lançamento, o grupo realizou uma digressão promocional pelos Estados Unidos. No final dessa digressão, no outono de 1974, os Traffic dissolveram-se novamente.[13]

Reunião e Far from Home (1994)

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Vinte anos após a dissolução dos Traffic, Steve Winwood e Jim Capaldi retomaram o nome da banda em 1994 para gravar um novo álbum e realizar uma digressão. A reunião ficou centrada nos dois músicos, uma vez que Chris Wood tinha morrido em 1983 e Dave Mason não participou no projeto.[1]

Far from Home, lançado em maio de 1994, foi gravado essencialmente por Winwood e Capaldi. Winwood assumiu os vocais e tocou a maior parte dos instrumentos, enquanto Capaldi participou na bateria, percussão e vozes de apoio. Entre as participações adicionais estiveram Davy Spillane, nas uilleann pipes, e o engenheiro Mike Dolan, na guitarra.[14]

O álbum alcançou o 29.º lugar da tabela britânica de álbuns e permaneceu quatro semanas na classificação.[3] Winwood e Capaldi realizaram posteriormente uma digressão sob o nome Traffic durante o verão de 1994, após a qual o grupo voltou a cessar atividade.[1]

Em 2004, os Traffic foram introduzidos no Rock and Roll Hall of Fame, sendo distinguidos os quatro membros da formação original: Winwood, Capaldi, Wood e Mason.[2]

Formação original

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Outros membros

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  • Ric Grech – baixo, violino
  • Jim Gordon – bateria
  • Rebop Kwaku Baah – percussão
  • David Hood – baixo
  • Roger Hawkins – bateria
  • Barry Beckett – teclados
  • Rosko Gee – baixo

Discografia

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Álbuns de estúdio

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  • Mr. Fantasy (1967)[4]
  • Traffic (1968)[6]
  • Last Exit (1969)[7]
  • John Barleycorn Must Die (1970)[8]
  • The Low Spark of High Heeled Boys (1971)[10]
  • Shoot Out at the Fantasy Factory (1973)[11]
  • When the Eagle Flies (1974)[13]
  • Far from Home (1994)[14]

Álbuns ao vivo

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  • Welcome to the Canteen (1971)[9]
  • On the Road (1973)[12]
  • Last Great Traffic Jam (2005)

Compilações

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  • Best of Traffic (1969)
  • Heavy Traffic (1975)
  • More Heavy Traffic (1975)
  • Smiling Phases (1991)
  • Heaven Is in Your Mind (1998)
  • Traffic Gold (2005)

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 7 8 Ruhlmann, William. «Traffic Biography». AllMusic. Consultado em 14 de agosto de 2026
  2. 1 2 3 «Traffic». Rock & Roll Hall of Fame. Consultado em 14 de agosto de 2026
  3. 1 2 «Traffic – songs and albums: full Official Chart history». Official Charts Company. Consultado em 15 de agosto de 2026
  4. 1 2 Ruhlmann, William. «Mr. Fantasy – Traffic». AllMusic. Consultado em 15 de agosto de 2026
  5. ↑ «Traffic». Nostalgia Central. Consultado em 14 de agosto de 2026
  6. 1 2 Ruhlmann, William. «Traffic – Traffic». AllMusic. Consultado em 15 de agosto de 2026
  7. 1 2 Ruhlmann, William. «Last Exit – Traffic». AllMusic. Consultado em 15 de agosto de 2026
  8. 1 2 3 4 Ruhlmann, William. «John Barleycorn Must Die – Traffic». AllMusic. Consultado em 15 de agosto de 2026
  9. 1 2 Ruhlmann, William. «Welcome to the Canteen – Traffic». AllMusic. Consultado em 15 de agosto de 2026
  10. 1 2 3 Ruhlmann, William. «The Low Spark of High Heeled Boys – Traffic». AllMusic. Consultado em 15 de agosto de 2026
  11. 1 2 Ruhlmann, William. «Shootout at the Fantasy Factory – Traffic». AllMusic. Consultado em 15 de agosto de 2026
  12. 1 2 Ruhlmann, William. «On the Road – Traffic». AllMusic. Consultado em 15 de agosto de 2026
  13. 1 2 3 4 Ruhlmann, William. «When the Eagle Flies – Traffic». AllMusic. Consultado em 15 de agosto de 2026
  14. 1 2 Ruhlmann, William. «Far from Home – Traffic». AllMusic. Consultado em 15 de agosto de 2026