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Sérgio Dias

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Sérgio Dias
Sérgio Dias em show da nova formação d'Os Mutantes, 2007.
Informações gerais
Nome completoSérgio Dias Baptista
Nascimento1 de dezembro de 1950 (75 anos)
São Paulo, SP, Brasil
Nacionalidadebrasileiro
Gênero
Instrumento
Período em atividade1966 - presente
GravadorasUniversal, Sony Music, Polydor

Sérgio Dias Baptista, conhecido como Sérgio Dias (São Paulo, 1 de dezembro de 1950)[1], é um guitarrista, cantor e compositor brasileiro. Ficou conhecido mundialmente por seu trabalho com Os Mutantes, que fundou com seu irmão mais velho, Arnaldo Baptista, e Rita Lee, banda na qual foi integrante de todas as formações.[2][3][4]

Foi incluído na lista dos 30 maiores ícones brasileiros da guitarra e do violão na categoria "Nossos Ícones" da revista Rolling Stone Brasil, em 2012.[5]

Biografia

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Sérgio Dias nasceu no dia 1 de dezembro de 1950 em São Paulo, filho de Clarisse Leite e César Dias Baptista. Clarisse era uma compositora e pianista paulistana e César era secretário do gabinete do então governador do estado de São Paulo, Ademar de Barros.[6]

Com a influência musical de sua mãe, Sérgio começou a tocar violão aos onze anos, seguindo os passos de seu irmão mais velho, Cláudio César. Recebia aulas de Cláudio, mas logo passou a aprender sozinho, tocando os discos da banda The Ventures em sua vitrola, mas com a rotação do disco diminuída para 16 rotações por minuto, imitando nota por nota, durante oito horas por dia, todos os dias.[7] Logo, com 13 anos de idade, Sérgio pediu para a família para abandonar os estudos, decidindo se dedicar apenas à música. Mesmo com a resistência de seus pais, Sérgio conseguiu se sustentar, obtendo dinheiro dando aulas particulares e tocando em conjuntos. Seu primeiro aluno foi André Geraissati.[6]

Sérgio conheceu diversos outros guitarristas de sua idade em pequenas competições locais de guitarra que faziam. Nessa época, conheceu Luiz Carlini, que era seu vizinho e posteriormente, viria a se tornar guitarrista do Tutti Frutti. Além disso, conheceu Liminha, que depois viria a se tornar membro dos Mutantes.[8]

Em 1966, é convidado por Raphael Vilardi e seu irmão Arnaldo para se juntar ao grupo Six Sided Rockers, que já contava com a presença de Rita Lee. O grupo é renomeado para O'Seis, rebatizado por executivos da gravadora Continental.

No mesmo ano, foi lançado o primeiro compacto, com as músicas "Suicida" e "Apocalipse". Nessa época, Sérgio ainda era conhecido por seu apelido de infância, Kier, corruptela de "Kiérkio", forma como seu irmão Cláudio pronunciava seu nome na infância.[9][10]

No final desse ano, os membros Raphael Vilardi, Moggy e Luiz Pastura decidem deixar o grupo, o que fez com que Sérgio, Arnaldo Baptista e Rita Lee continuassem a tocar juntos, formando o grupo que veio a se chamar Os Mutantes.[11]

Os Mutantes

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Em 1967, então com 16 anos de idade, Sérgio já tinha começado a se apresentar em programas de televisão junto com Os Mutantes, como o The Hit Parade e o Quadrado e Redondo, da TV Bandeirantes. Nesse mesmo ano, a banda começa a criar uma amizade com Gilberto Gil e Caetano Veloso, o que resultou na criação do movimento tropicalista. No mesmo ano, Sérgio ganha de presente a guitarra Regvlvs Raphael, feita pelo seu irmão mais velho, Cláudio César Dias Baptista. Cláudio também passou a fazer pedais e amplificadores para Sérgio.[6]

A banda se apresentou nos festivais de música da TV Record, em São Paulo, e da TV Globo, no Rio de Janeiro. De outubro a dezembro de 1968, os Mutantes passaram a se apresentar no programa Divino Maravilhoso, na TV Tupi, que teve sua produção cancelada devido ao AI-5. Em 1968, Sérgio teria participado do show na boate carioca Sucata, que teria levado à prisão e exílio de Gil e Caetano pela ditadura militar, onde supostamente Sérgio teria tocado um trecho do Hino Nacional Brasileiro em sua guitarra, o que desencadeou a perseguição dos militares ao movimento tropicalista.[12]

Em 1971, Sérgio participou da gravação do álbum "Carlos, Erasmo" de Erasmo Carlos, junto com Dinho Leme e Liminha, membros dos Mutantes.[13] Sérgio encomendou uma segunda guitarra Regvlvs Raphael para seu irmão Cláudio, e vendeu a primeira guitarra para financiar uma viagem aos Estados Unidos. Lá, Sérgio conheceu o movimento hippie americano e trouxe de volta ao Brasil uma guitarra Fender Stratocaster, influenciado por Jimi Hendrix.[14]

Em 1972, Rita Lee foi expulsa da banda por Arnaldo Baptista, por questões conjugais e por "não se adequar" à visão de Arnaldo para a banda. Com sua saúde mental sendo deteriorada pelo uso de LSD, Arnaldo também decide deixar a banda, em 1973. Sérgio passa a ser o único membro da formação original da banda, continuando a se apresentar sob o nome Mutantes com outros músicos, passando a se aproximar do rock progressivo.

Em 1974, Sérgio se muda com a banda para a cidade de Itaipava, no Rio de Janeiro, para morar em um sítio. Nesse mesmo ano, sob uma nova formação, é lançado o álbum Tudo Foi Feito pelo Sol, álbum de maior sucesso comercial da banda.[15]

Carreira solo

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Com o fim do grupo em 1978, Sérgio foi para a Itália, onde recebeu convites para fazer parte das bandas de Eric Burdon e da italiana Area, mas recusou a ambos. Retornou ao Brasil, fazendo uma participação no álbum de estreia de Zé Ramalho, além de participação em shows de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Rita Lee.[16]

Em 1980, lançou seu primeiro álbum solo, Sérgio Dias, com uma lista de faixas muito eclética, combinando estilos que iam desde o funk e do rock progressivo ao samba e ao jazz. O disco foi um fracasso comercial, o que motivou Sérgio a se mudar para os Estados Unidos, onde morou até 1987. Lá, Sérgio se tornou músico de estúdio e gravou trilhas sonoras.

Tocou com a banda Unit, em casas de show de Nova York. Depois, criou a banda Steps of Imagination, com Danny Gottlieb, baterista de Pat Metheny, Airto Moreira e Flora Purim, que se também se apresentou em outros estados americanos.[4]

Em 1986, gravou um concerto na casa de shows Jazz Mania, lançado posteriormente como álbum, em 2003. No seu retorno ao Brasil em 1987, atuou no filme musical Johnny Love, que também contém músicas de sua autoria na trilha sonora.

Durante os anos 1990, Sérgio continuou lançando discos solo, com canções tanto em português quanto em inglês.[12]

Retorno d'Os Mutantes

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Em 2006, o centro cultural inglês Barbican Centre anuncia que convidaria a banda Os Mutantes para um show. Ao saber do ocorrido, Sérgio Dias contata os membros da formação clássica da banda para convidar para realizar um novo concerto. Sérgio decidiu voltar com a banda e tentar escrever e gravar novas canções sob o nome "Os Mutantes" novamente.[17]

Com a recusa de Liminha e Rita Lee, Sérgio realiza o retorno do grupo, com a participação de Dinho Leme e Arnaldo Baptista. No lugar de Rita Lee, foi chamada Zélia Duncan para integrar o conjunto. A apresentação no Barbican logo gerou uma turnê da banda pelos EUA, em alguns países da Europa, Ásia e Áustrália. O show de retorno da banda foi lançado em CD e DVD.

Em 2007, Zélia Duncan comunicou sua saída do grupo para retomar sua carreira solo. Poucos dias depois, Arnaldo decide deixar o conjunto novamente, para cuidar de projetos pessoais. Sérgio convidou novos músicos e voltou a gravar músicas novas para o conjunto, lançando os álbuns "Haih or Amortecedor" em 2009, contendo diversas parcerias com Tom Zé, e "Fool Metal Jack", em 2013. Sérgio passou a compor músicas em inglês para se adequar ao público da banda, que passou a fazer mais turnês nos Estados Unidos e na Europa.[18][19]

Em 2017, é retratado de forma pejorativa no livro Rita Lee: uma autobiografia, o que acirrou a animosidade entre os dois. Rita afirmou que Sérgio tocava com "95% técnica e 5% alma" e que a relação entre os dois era "coisa de irmão mais novo, digamos que rolava uma não camaradagem suportável entre nós". Sérgio respondeu, afirmando que "todos os que ela detona em seu livro foram os que mais a ajudaram, inclusive eu...".[20][21]

Em 2020, lançou mais um álbum de músicas novas com Os Mutantes, "Zzyzx", com a maioria das músicas com letras em inglês. Apesar da publicidade da banda, o álbum não foi muito bem recebido.[15][16]

Vida pessoal

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Sérgio viveu em São Paulo até 1974, quando se mudou para o Rio de Janeiro. Em 1980, passou a morar em Nova Iorque. Em 1987, voltou a morar no Rio, onde ficou até os anos 1990, quando se mudou para Cotia, no interior de São Paulo. Lá, viveu até o final da década de 2000, quando voltou a morar nos Estados Unidos, se estabelecendo em Las Vegas, onde vive até hoje. Durante a Pandemia de COVID-19, se estabeleceu em Nevers, na França.[6]

Desde 1989, é casado com Maria de Lourdes Borges. O casal teve uma filha, chamada Virgínia.[6]

Sérgio é reconhecido como o primeiro grande artista a utilizar o tênis Chuck Taylor All Star no Brasil, que depois ficou muito conhecido dentro da moda alternativa, aparecendo usando o modelo na capa do álbum Mutantes.[22] Sérgio também era reconhecido em São Paulo pelo seu Lorena GT, carro feito no Brasil com inspiração no Ford GT40.[23]

Discografia

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Com Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé, Nara Leão e Gal Costa

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Com Os Mutantes

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Carreira solo

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  • 1980 Sérgio Dias
  • 1990 Mato Grosso (com Phil Manzanera)
  • 1991 Mind Over Matter
  • 1997 Song of the Leopard
  • 2000 Estação da Luz
  • 2003 Jazz Mania Live

Referências

  1. «Sergio Dias». Whiplash.Net Rock e Heavy Metal. Consultado em 24 de maio de 2026
  2. «Sérgio Dias». Enciclopédia Itaú Cultural. 24 de janeiro de 2024. Consultado em 31 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 3 de fevereiro de 2026
  3. «Sérgio Dias». Dicionário Cravo Albin. Consultado em 31 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 3 de dezembro de 2024
  4. 1 2 «O último mutante». ISTOÉ Independente. 9 de janeiro de 2020. Consultado em 4 de abril de 2021. Cópia arquivada em 14 de maio de 2026
  5. Redação (14 de fevereiro de 2012). «Os 30 maiores ícones brasileiros da guitarra e do violão». Rolling Stone Brasil. Consultado em 20 de junho de 2024. Cópia arquivada em 29 de julho de 2023
  6. 1 2 3 4 5 Entrevista com Sérgio Dias no Inteligência Ltda. Podcast, 2022.
  7. CALADO, Carlos. A Divina Comédia dos Mutantes. São Paulo: Editora 34. 1995. p. 19-22
  8. Entrevista com Sérgio Dias em 'O Som do Vinil | Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets', Canal Brasil.
  9. CALADO, Carlos. A Divina Comédia dos Mutantes. São Paulo: Editora 34. 1995. p. 20
  10. O "Osseis" e suas "kanções do absurdo". Folha de São Paulo, 22 de agosto de 1966.
  11. «Grupo O'Seis, embrião do trio Os Mutantes, tem reeditado por selo inglês o raro compacto de 1966». G1. Consultado em 4 de abril de 2021. Cópia arquivada em 19 de dezembro de 2025
  12. 1 2 «Sérgio Dias volta quadrafônico a São Paulo». Folha de S.Paulo. 9 de junho de 2001. Consultado em 4 de abril de 2021. Cópia arquivada em 14 de maio de 2026
  13. Contracapa do álbum Carlos, ERASMO..., lançado pela gravadora Philips em 1971.
  14. «Um gênio, uma guitarra de ouro e uma maldição». Estadão. Consultado em 10 de maio de 2026. Cópia arquivada em 14 de maio de 2026
  15. 1 2 «Novo álbum dos Mutantes tem pegada setentista e pouco remete à banda original». GZH. 24 de janeiro de 2020. Consultado em 4 de abril de 2021. Cópia arquivada em 14 de maio de 2026
  16. 1 2 «Os Mutantes sofrem estranha mutação no álbum 'Zzyzx'». G1. Consultado em 4 de abril de 2021. Cópia arquivada em 14 de maio de 2026
  17. Fernando Faro (6 de novembro de 2011). «Entrevista com Sérgio Dias». Móbile. TV Cultura
  18. «Mutantes: saia justa entre irmãos Arnaldo e Sérgio Dias Baptista». whiplash.net. Consultado em 4 de abril de 2021
  19. Sanches, Luciana Maria (21 de setembro de 2007). «Zélia Duncan e Arnaldo Baptista deixam os Mutantes». Omelete. Consultado em 4 de abril de 2021. Cópia arquivada em 14 de maio de 2026
  20. «'Eu não conheço mais essa pessoa', diz o mutante Sergio Dias sobre Rita Lee». Rede Brasil Atual. 20 de novembro de 2017. Consultado em 4 de abril de 2021
  21. «Criticado por Rita Lee em livro, Sérgio Dias rebate: 'Sinto pena'». VEJA. Consultado em 4 de abril de 2021. Cópia arquivada em 21 de dezembro de 2024
  22. «.Moda de Subculturas - Moda e Cultura Alternativa.: A trajetória da Converse nas Subculturas». .Moda de Subculturas - Moda e Cultura Alternativa. Consultado em 10 de maio de 2026. Cópia arquivada em 2 de novembro de 2025
  23. CALADO, Carlos. A Divina Comédia dos Mutantes, p. 200.

Ligações externas

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