CNN Brasil

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CNN Brasil
Novus Mídia S.A.[1]
Tipo Canal de televisão por assinatura
País Brasil
Fundação 15 de março de 2020 (10 meses)
por Rubens Menin e Douglas Tavolaro
Pertence a Novus Mídia
Presidente Douglas Tavolaro
Cidade de origem São Paulo, SP
Sede São Paulo, SP
Slogan A Maior do Mundo agora no Brasil
Inconfundível
A Maior do Mundo Líder em Independência.
Formato de vídeo 1080i (HDTV)
Afiliações
Página oficial cnnbrasil.com.br
Disponibilidade por satélite
Claro TV
Canal 77
Canal 577 (HD)
SKY
Canal 177
Canal 577 (HD)
Oi TV
Canal 185 (HD)
Canal 577 (HD)
Vivo TV
Canal 404
Canal 860 (HD)
Canal 139 (HD) (Intelsat 34)
Disponibilidade por cabo
Claro NET TV
Canal 77
Canal 577 (HD)
Oi TV
Canal 185 (HD)
Canal 577 (HD)
Vivo TV
Canal 577 (HD)
Disponibilidade digital
Website oficial
Simulcast[nota 1]
DirecTV Go
Simulcast[nota 2]
Guigo TV
Simulcast[nota 3]

A CNN Brasil é um canal de televisão por assinatura brasileiro que exibe programação jornalística durante todo o dia. Pertence à Novus Mídia,[2] empresa fundada pelo co-fundador da MRV Engenharia, Rubens Menin e pelo ex-diretor de jornalismo da RecordTV, Douglas Tavolaro.[3] Sua sede fica na Avenida Paulista, em São Paulo[4], com filiais no Rio de Janeiro e em Brasília, além de filiais internacionais. O canal conta com uma equipe com cerca de 400 jornalistas.[5] Já em junho de 2020, ocupava a vice-liderança na audiência entre canais jornalísticos (atrás da ainda invicta GloboNews, à frente de outros como o BandNews TV e Record News) e o Top 20 no PNT (Painel Nacional de Televisão)[6] ocupando essa posição até julho.[7]

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

A CNN buscava ingressar no mercado de língua portuguesa, principalmente no Brasil, um dos únicos ainda não cobertos pelas diversas afiliadas da marca ao redor do mundo. Várias tentativas ocorreram desde a década de 1990, mas problemas devido as regras da legislação e desistências de possíveis parceiros retardaram sua chegada no país. A última tentativa para a implantação do canal havia sido em 2017, com a parceria do canal americano com a RedeTV!, que faria parte do catálogo da Simba Content, programadora formada também por RecordTV e SBT, mas acabou fracassando devido à baixa receita do canal paulista.[8][9]

Anúncio e primeiras contratações[editar | editar código-fonte]

Em 14 de janeiro de 2019, foi anunciado que a emissora passaria a atuar no Brasil, com parceiros estratégicos locais através de um licenciamento de marca, após negociações iniciadas em 2018. A montagem do negócio no Brasil ficou a cargo do empresário Rubens Menin, com vasta e conhecida atuação nos mercados financeiro e de construção civil, e do jornalista Douglas Tavolaro, cofundador e CEO do novo canal.[10][11][12][13] Em maio, a emissora começou a operar em uma sede provisória localizada na Alameda Santos, nos Jardins em São Paulo, onde fica a sede do Banco Inter, também de propriedade de Menin.[4][9] Em 2 de junho, foram colocadas no ar as contas oficiais da emissora no Facebook, Twitter, Instagram e LinkedIn.[14] A promessa é de que a CNN Brasil também terá forte atuação digital, cobrindo todas as redes sociais e inovando na distribuição de conteúdo jornalístico por meio dessas plataformas.[14] Em 13 de novembro, o jornalista Evaristo Costa confirmou que as estreias do canal e das plataformas digitais no Brasil serão em março de 2020.[15][16] Em 2 de março, a CNN revela sua data de estreia, marcada no dia 15 de março de 2020.[17]

No dia 4 de junho, foram oficializados o contrato de dois ex-grandes nomes da Rede Globo, Evaristo Costa, que inicialmente apresentaria um programa que misturaria jornalismo e entretenimento, para comandar o programa CNN Séries Originais aos domingos, com três documentários exclusivos com produções nacionais e estrangeiras, a partir de Londres,[18] e William Waack, que apresenta um telejornal no horário nobre diariamente, com coberturas políticas, econômicas e internacionais, o Jornal da CNN.[19] No dia 22 de julho, a emissora anunciou a contratação do casal Mari Palma e Phelipe Siani, eles apresentam um programa matinal, de segunda à sexta-feira, com coberturas do universo digital, tendências, comportamento, tecnologia e cultura pop, além de conteúdo distribuído em todas as plataformas digitais e redes sociais, o Live CNN.[20]

Em 25 de julho, foi anunciada a contratação de Luciana Barreto, ex-TV Brasil, ela juntamente com Cassius Zeilmann vão apresentar um programa nos começos de tarde, com cobertura dos principais fatos de Brasília e para a cobertura internacional, trazendo análise e buscará antecipar as tendências para a sequência do dia, o Visão CNN.[21] Em 3 de setembro, Monalisa Perrone rescindiu com a Globo e acertou com a CNN, ela juntamente com Caroline Nogueira apresentam um programa onde trará atualização e análise aprofundada dos principais fatos do dia, além de coberturas ao vivo e jornalismo político em horário nobre, o Expresso CNN.[22][23] Em 20 de setembro, abriu vagas de estágio para estudantes de jornalismo.[24] Em 16 de setembro, Reinaldo Gottino rescinde com a RecordTV e depois é anunciado pela CNN, para apresentar o CNN Novo Dia no período da manhã, com os comentaristas Caio Coppolla e Gabriela Prioli, e à tarde o telejornal CNN 360°, com Daniela Lima.[25] Em 4 de novembro a emissora anunciou a contratação de Tais Lopes, até então da TV Verdes Mares, onde apresenta o primeiro telejornal matinal da programação, o Agora CNN.[26] Em 5 de novembro, foram anunciadas as contratações dos comentaristas Caio Coppolla e da professora Gabriela Prioli para o quadro do CNN Novo Dia, O Grande Debate, trazendo visões distintas sobre o mesmo assunto político.[27]

Em 19 de novembro, são anunciadas as contratações dos ex-nomes do SBT, Daniel Adjuto e Cassius Zeilmann; este último, com Luciana Barreto, apresenta o Visão CNN. Além deles contratou o jornalista Kenzô Machida, ex-Globo Brasília.[28][29] Em 3 de dezembro, é anunciada a contratação da jornalista Daniela Lima, que apresentava o Roda Viva, da TV Cultura, e coordenava uma coluna sobre política no jornal Folha de S.Paulo. Daniela, junto a Reinaldo Gottino, passou a apresentar o telejornal vespertino CNN 360º.[23][30] Em 13 de janeiro, a CNN anuncia a contratação de Diego Sarza, ex-GloboNews.[31] Em 24 de janeiro, é anunciada a contratação de Luciene Kaxinawá ex-Rede Amazônica Porto Velho. Em 28 de janeiro, a CNN anuncia a contratação de Caroline Nogueira ex-Band News, ela juntamente a Monalisa Perrone apresentam um programa onde trará atualização e análise aprofundada dos principais fatos do dia, além de coberturas ao vivo e jornalismo político em horário nobre, antecedendo o Jornal da CNN, o Expresso CNN.[32]

Inauguração[editar | editar código-fonte]

A emissora foi inaugurada às 20h do dia 15 de março de 2020, com um especial preparado por Monalisa Perrone e Evaristo Costa, que havia começado com um especial revisando os quase 40 anos do canal matriz e a expectativa dos apresentadores, seguida de uma saudação do apresentador da CNN em Washington Wolf Blitzer. Ao finalizar sua saudação com palavras em português, um microfone do canal brasileiro foi enviado em uma caixa dos EUA para a sede em São Paulo. A principio exibiria entrevistas com os presidentes dos poderes executivo, legislativo e judiciário, mas a entrevista com o chefe do poder executivo, Jair Bolsonaro, foi cancelada a seu pedido dias antes, as demais foram mantidas. A emissora entrou no ar com o programa especial de estreia CNN No Ar, que reuniu todos os principais âncoras da emissora e focou na cobertura da Pandemia de COVID-19 e na crise política entre os três poderes da república. Logo após o canal transmitiu o debate do Partido Democrata entre Joe Biden e Bernie Sanders direto de Washington, D.C., nos Estados Unidos.[33][34]

Primeiros meses[editar | editar código-fonte]

Nos primeiros meses, a emissora teve vários momentos de briga pela audiência com a GloboNews, mas no geral, a emissora fechou atrás da concorrente[35], apesar de alguns momentos na liderança.[36] Devido à pandemia de COVID-19, a emissora chegou a adiar a estreia de programas como o CNN Séries Originais com Evaristo Costa, que estreou apenas em junho de 2020.[37] O Mundo Pós-Pandemia, programa de análise sobre o futuro da sociedade após o fim da crise do COVID-19, foi lançado sob o comando de Daniela Lima, ao lado de Mari Palma, Gabriela Prioli e Thaís Heredia,[38] trazendo entrevistados como o historiador Leandro Karnal e o biólogo Atila Iamarino. Ainda devido à pandemia, o jornalista William Waack deixou de apresentar o Jornal da CNN no estúdio e passou a comentar as notícias de casa, com Daniel Adjuto apresentando o telejornal de forma presencial até voltar para Brasília por motivos pessoais. Foi substituído por Carol Nogueira, que deixou o Expresso CNN, sendo substituída por Caio Junqueira.[39]

Rafael Colombo, âncora do Band Notícias na Band e outros jornais na Rádio Bandeirantes, foi anunciado em 21 de maio de 2020 como novo âncora da CNN.[40] Em 29 de maio, Reinaldo Gottino sai da CNN Brasil, deixando de apresentar o CNN Novo Dia e CNN 360°, ficando Elisa Veeck como âncora.[41] Com a saída de Gottino e a entrada de Rafael Colombo, a CNN Brasil alterou os apresentadores e o horário de toda a programação. A partir de 8 de junho, a programação ao vivo começa mais cedo, às 4h. Taís Lopes, que abria a programação com o Agora CNN, passou para o Jornal da CNN no horário nobre, dividindo a apresentação com William Waack que seguia apresentando o telejornal de casa. No lugar de Taís, a repórter Muriel Porfiro assumiu o Agora CNN. Carol Nogueira, que até então estava no Jornal da CNN foi para a faixa matinal no Novo Dia, que Gottino apresentava com Elisa Veeck. O jornal também passou de três para cinco horas de duração. O Live CNN perdeu uma hora de duração, sendo exibido das 11h às 13h e o Visão CNN perdeu trinta minutos, das 13h às 15h30. Evandro Cini foi efetivado como âncora junto de Luciana Barreto. Cassius Zeilmann que era titular, deixou de ser apresentador e passou a ser repórter especial em Brasília. Rafael Colombo entra para o CNN 360° junto de Daniela Lima, que ganhou mais 30 minutos de duração, entrando às 15h30 e encerrando às 18h30 para o Expresso CNN.[42][43][44]

Em 6 de junho 2020, a CNN estreou o programa de entrevistas O Ponto, apresentado por Renata Agostini e Caio Junqueira, um programa essencialmente de debates, trazendo dois entrevistados ouvidos separadamente com diferentes pontos de vista. No programa de estreia, os entrevistados foram os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer.[45][46]

Em 2 de julho, a emissora comemorou cem dias no ar e estreou um novo slogan: Inconfundível.[47] No dia 31 do mesmo mês, a coluna de Ricardo Feltrin no UOL publicou que a CNN estaria em negociações para lançar sua própria rede de rádio de notícias FM, sendo uma nova concorrente para as atuais BandNews FM, Bandeirantes, Jovem Pan e CBN e o primeiro projeto da marca em língua portuguesa.[48] Em agosto, foi anunciada uma parceria com a Rede Transamérica para a produção de conteúdo jornalístico em horários pela manhã e pela noite, além dos boletins Breaking News.[49] O projeto estreiou em 13 de outubro.[50]

Em 19 de outubro de 2020, o jornalista e apresentador Márcio Gomes deixou a Rede Globo após 24 anos e a CNN Brasil anunciou a sua contratação.[51]

Em 23 de outubro de 2020, a âncora do Bom Dia São Paulo, também da Rede Globo, a apresentadora Glória Vanique, deixou a emissora após oito anos apresentando o telejornal ao lado de Rodrigo Bocardi. Como resultado da nova contratação, a jornalista comemorou, desativando os alarmes das 3h15 da madrugada, horário em que despertava diariamente. Na CNN, Vanique apresenta um telejornal, também diário, mas agora em horário vespertino, ao lado de Daniela Lima.[52]

Instalações[editar | editar código-fonte]

Sedes e estúdios[editar | editar código-fonte]

João Doria nos estúdios da CNN Brasil em São Paulo.

Em 18 de junho de 2019, foram divulgadas no perfil oficial da emissora, as imagens do prédio sede da CNN Brasil na Avenida Paulista no bairro paulistano da Bela Vista, em frente à Estação Trianon-Masp do metrô.[53] O prédio, com mais de 4000m², já abrigou o centro de operações do Banco Real. Segundo o sócio-fundador e presidente da CNN Brasil, Douglas Tavolaro, a decisão de estabelecer o futuro canal de notícias naquele endereço foi "estratégica", visando uma maior aproximação do público.

"Queremos fazer parte do dia a dia dos brasileiros e estar integrados com público, por isso, optamos por estar no centro pulsante e cartão postal da maior cidade do país, próximos das pessoas".[54]

Em 7 de novembro, é anunciada a sede da CNN no Rio de Janeiro, que ficaria no último andar do edifício Ventura Corporate Towers na Avenida República do Chile no centro da cidade. As instalações operacionais e administrativas do canal ficariam também no centro da capital fluminense. A área de mais de 400m² contaria com um estúdio de vidro com vista para dois dos principais cartões-postais do país: o Pão de Açúcar e os Arcos da Lapa.[55] Em 18 de novembro, é anunciada a sede da CNN em Brasília, que ficaria no alto do Palácio da Agricultura, a dois quilômetros da Praça dos Três Poderes.[56] Em 18 de dezembro, a CNN apresentou o visual de cenários dos estúdios em São Paulo e em Brasília.[57] e no mês seguinte apresentou o visual de cenário dos estúdios no Rio de Janeiro, além de revelar mais um visual de cenário dos estúdios em São Paulo.[58] Em 3 de fevereiro de 2020, a emissora divulgou como seria sua sala de redação que ficaria conectada com o maior estúdio da sua sede em São Paulo.[59] Em 16 de fevereiro a CNN lançou a fachada em sua sede na avenida Paulista em São Paulo, com telão de led para permitir aos pedestres acompanharem a programação da emissora de notícias, no mesmo estilo que acontece na Times Square, em Nova Iorque, além de outros pontos de grandes aglomerações dos Estados Unidos.[60]

Programas[editar | editar código-fonte]

Programa Apresentador(es)
Agora CNN[61] Muriel Porfiro
Anthony Bourdain: Lugares Desconhecidos André Mifano
CNN Domingo
CNN Sábado
Rodízio de duplas entre:
CNN 360°[61] Daniela Lima e Gloria Vanique[62]
CNN Líderes[61] Raquel Landim[61]
CNN Mundo[61] Lourival Sant'anna[61]
CNN Prime Time[62] Márcio Gomes[62]
CNN Séries Originais[61] Evaristo Costa[61]
CNN Tonight[63] Gabriela Prioli, Mari Palma e Leandro Karnal[64]
Expresso CNN[61] Monalisa Perrone[62]
Jornal da CNN[61] William Waack e Carol Nogueira[62]
Live CNN Brasil[61] Marcela Rahal[65] e Daniel Adjuto[66]
CNN Novo Dia[61] Rafael Colombo, Luciana Barreto[67] e Elisa Veeck[7][61]
Realidade CNN[61] Luciana Barreto[62]
Visão CNN[61] Carla Vilhena[62]
CNN Nosso Mundo[61][44][68] Luciana Barreto
Elisa Veeck
Lia Bock
Thaís Herédia
CNN Destinos Sem apresentador

Extintos[editar | editar código-fonte]

Programa
Amanpour
Carteira Inteligente
CNN Newsroom
O Ponto

Prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Prêmios
Ano Prêmio Categoria Obra-Autor Resultado
2020 Prêmio Caboré Veículo de Comunicação – Produtor de Conteúdo Venceu[69]
2020 Prêmio Vladimir Herzog Vídeo "Brasil – Terra de Quem?" (Capítulo 01 – Indígenas) - Adriana Farias e equipe (CNN Brasil) Indicado[70]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Possível projeto contra a Globo[editar | editar código-fonte]

Segundo pessoas que trabalharam com o jornalista Douglas Tavolaro, que é ex-vice-presidente de jornalismo da RecordTV, escritor da biografia de Edir Macedo e fiel da Igreja Universal do Reino de Deus, a CNN Brasil seria um projeto contra a Globo. Tavolaro desligou-se da RecordTV no dia do anúncio oficial da CNN no Brasil. Questionado pela Folha de S.Paulo, Tavolaro respondeu: "Meu ciclo na Record terminou, sou extremamente grato, foi ótimo, mas chegou ao fim, é passado."[71] Tavolaro é um dos sócios da CNN Brasil, e foi apontado pela imprensa como sobrinho de Edir Macedo. O sócio majoritário da CNN Brasil, Rubens Menin, é dono da construtora MRV Engenharia, além de ser um dos fundadores do Banco Inter, que foi anunciante de veículos de comunicação ligados a Igreja Universal, como o portal R7, Folha Universal, além de ser um dos patrocinadores do filme Nada a Perder, sobre a vida de Edir Macedo.[72]

Flávio Saad, vice presidente de jornalismo da Band, apontou que a CNN Brasil seria um "projeto político", devido a quantidade inicial de dinheiro investido no canal.[73]

Na análise escrita para a Folha de S.Paulo em março de 2020, Nelson de Sá apontou o editorial da CNN Brasil como uma cópia da Globo: "CNN Brasil imita Globo até na adulação de Sergio Moro (...) Canal se vende como alternativo, mas copia política editorial e cobertura de sua rival."[74] Escrevendo para o Splash (UOL) em novembro de 2020, Maurício Stycer chamou de "generoso" o espaço que a CNN Brasil deu para o então prefeito Marcelo Crivella atacar a Rede Globo em um debate para as eleições de 2020:[75]

Pelas manifestações de Crivella ao longo de todo o primeiro turno, era previsível que isso ocorresse. Mas Monalisa Perrone, que entrevistou o candidato, demorou muito a fazer um contraponto. Somente após ele ter feito 11 menções negativas à Globo, a jornalista registrou: "Qualquer tipo de ataque a qualquer pessoa ou instituição não é bem-vindo".
— Maurício Stycer, Splash

Maurício Stycer pontuou que a ausência de Eduardo Paes no debate não ficou clara.[75]

Entrevistas com Bolsonaro[editar | editar código-fonte]

No dia de sua estreia, a CNN conseguiu uma entrevista exclusiva com Jair Bolsonaro, onde o presidente incentivou que a população não adotasse as medidas de isolamento social. Escrevendo para o Telepadi, Cristina Padiglione questionou o motivo de ninguém da CNN ter contestado as declarações do presidente, as quais considerou "sem noção":[76]

O repórter da CNN, Leandro Magalhães, até tentou chamar a atenção para o fato, mas Bolsonaro, como se estivesse no papel contrário, disse que não teme o povo. É difícil contestar uma autoridade sem noção na sua primeira entrada ao vivo em um novo emprego, mas por que Reinaldo Gottino e Monalisa Perrone, no estúdio, não enfatizaram o fato de o mundo inteiro estar adotando medidas similares às do Brasil, o que derruba as teorias de conspiração do presidente?
— Cristina Padiglione

A CNN Brasil solicitou direito de resposta à coluna Telepadi e disse que o repórter questionou o presidente sobre suas afirmações e que "produziu uma abordagem política com amplo contraponto e diversos ângulos realizado por sua equipe de âncoras, analistas e repórteres".[76]

Segundo um levantamento feito pelo Poder360, a CNN Brasil foi um dos veículos de mídia que Bolsonaro mais concedeu entrevista, ao lado do Terça Livre, RedeTV!, Band, SBT e RecordTV.[77]

Gabriela Prioli[editar | editar código-fonte]

Em 29 de março de 2020, após cerca de quinze dias como comentarista no quadro O Grande Debate, a advogada Gabriela Prioli anunciou que passaria a compartilhar suas análises apenas em suas redes sociais, sinalizando uma possível saída da emissora. Na declaração, Prioli argumentou sobre se sentir constrangida em determinadas situações,[78] referindo-se à interpelação de Reinaldo Gottino à sua fala durante o debate de 27 de março. Prioli foi interrompida por Gottino, responsável por mediar o debate durante sua réplica oral e ela sentiu-se constrangida por isso. O tema em questão era sobre autorização concedida pela Justiça de prisão domiciliar ao ex-deputado Eduardo Cunha.[79]

Não consigo atingir o meu objetivo se for constrangida e não posso seguir participando do debate sem que a convicção sobre a gravidade do constrangimento não seja só minha, mas de todos os envolvidos, na frente e atrás das câmeras"
— Gabriela Prioli

No domingo, 29, a CNN Brasil afirmou por meio de nota que Gottino "excedeu a postura de mediador" e que decidiria o futuro de Prioli na emissora nos dias seguintes.[80] No primeiro dia sem Prioli, a CNN Brasil registrou o seu recorde negativo no Ibope.[81] Após o anúncio da saída do programa, Prioli teria recebido sondagens de emissoras como GloboNews, Band e Jovem Pan.[82] Em uma demonstração de solidariedade, mais de 300 advogadas e advogados assinaram um manifesto em apoio a Prioli.[83] Gabriela fez parte do elenco do programa O Mundo Pós-Pandemia, juntamente de Mari Palma, Thais Herédia e Daniela Lima.[84] Atualmente apresenta o CNN Tonight, ao lado de Mari Palma e Leandro Karnal na faixa das 22h[64][65].

Leandro Narloch[editar | editar código-fonte]

Durante o Live CNN Brasil de 8 de julho de 2020, Leandro Narloch, convidado a falar sobre a liberação do STF para que homens homossexuais pudessem doar sangue. Suas falas acabaram sendo consideradas homofóbicas e antiquadas por parte dos usuários das redes sociais.[85] Narloch afirmou que "a mudança na verdade é pequena" e que:

"Ela vai restringir mais a conduta, e não o tipo de pessoa, a opção sexual (sic) do indivíduo [...] Toda essa polêmica começou porque não há dúvida disso, os homens gays, eles têm uma chance muito maior de ter AIDS, né? Em 2019, uma pesquisa mostrou que 25% dos gays de São Paulo eram portadores de HIV. [...] Mesmo que esse número seja exagerado, e de fato ele parece mesmo exagerado, o fato é que dezenas de vezes maior, maior a chance do que na população geral. A questão é que outros critérios para exclusão já restringem os gays que têm um comportamento promíscuo, né? A regra como estava agora, ela estava muito injusta com os gays, por exemplo, que se cuidavam [...] Se você simplesmente fizer uma regra, como já existem em vários hemocentros, que exclui as pessoas que têm muitos parceiros sexuais, ou sexo sem camisinha, você já retira todo o problema. Então aí é uma pequena mudança e, sim, muito boa."
— Leandro Narloch

As estatísticas que foram mencionadas por Narloch foram divulgadas pelo Ministério da Saúde em 2018, num artigo publicado pela revista científica internacional Medicine, após uma pesquisa realizada em 12 cidades brasileira. O comentário de Narloch citando a pesquisa causou reclamações nas redes sociais com vários perfis reclamando dos erros do comentarista como os dados sobre HIV e o uso do termo "opção sexual".

Em 10 de julho de 2020, a CNN demitiu Leandro Narloch pelos comentários considerados preconceituosos.[86] Na semana seguinte, Narloch falou em entrevista ao Jovem Pan Morning Show que foi vítima da "cultura do cancelamento", de "intolerância" e linchamento virtual". Narloch admitiu que gostaria de ter se expressado melhor em sua fala sobre relacionar homossexuais com promiscuidade e HIV, embora defenda que ela não estivesse errada.[87][88]

Em tentativa de contraponto à pesquisa citada por Narloch, o colunista Fefito do UOL publicou em sua matéria da demissão de Narloch que: "de acordo com o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, entre 2007 e 2019, 248.520 pessoas (homens e mulheres) se infectaram no país pelo vírus HIV a partir de relações sexuais. Destas, 105.014 eram LGBT+. Isso representa 42% do total. Ou seja: 58% dos infectados, a maioria, era heterossexual."[89]

Alexandre Garcia e notícia falsa[editar | editar código-fonte]

No dia 27 de julho de 2020, dia da sua estreia, Alexandre Garcia foi alvo de críticas de jornalistas por divulgar informação falsa no "Liberdade de Opinião", no programa "CNN Novo Dia". O jornalista defendeu a eficácia da hidroxicloroquina no tratamento do novo coronavírus e usou como exemplo a recuperação do presidente Jair Bolsonaro como "comprovação científica". Ainda no programa, Garcia acusou a imprensa de ter discurso "mandado", por não defender medicamentos com eficiência comprovada. No entanto, segundo o jornalista Lucas Rocha, "Garcia contraria o que é amplamente divulgado por profissionais da imprensa respeitados no país inteiro, que seguem as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e estudos conceituados de grandes instituições".[90]

Notas e referências

Notas

  1. Sinal disponível entre 6h e 23h.
  2. Sinal disponível apenas para assinantes.
  3. Sinal disponível apenas para assinantes.

Referências

  1. «CNN Brasil já tem endereço e CNPJ ativo». Tutube - Diversão & Informação. 5 de junho de 2019 
  2. «CNN to launch in Brazil» (em inglês). Iberian Lawyer. 17 de janeiro de 2019. Consultado em 10 de junho de 2020 
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  71. «O lobby é a alma do negócio». Agência Pública. Consultado em 24 de dezembro de 2020. Tavolaro só se desligou da Record no dia 14 de janeiro, exatamente no dia do anúncio oficial da CNN Brasil. Sua saída, porém, está longe de ser um rompimento com Edir Macedo, de acordo com pessoas que trabalharam com Tavolaro na Record, ouvidas pela reportagem. Nos bastidores, a informação é que a Record e a CNN Brasil têm como objetivo comum unir forças para enfrentar a maior inimiga do bispo, a poderosa TV Globo. 
  72. Gilberto Nascimento. «Novo CEO da CNN saiu da Record com autorização de Macedo mas em atrito com bispos». Agência Pública. Consultado em 26 de dezembro de 2020. Cópia arquivada em 28 de dezembro de 2020 
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  74. Nelson de Sá (17 de março de 2020). «CNN Brasil imita Globo até na adulação de Sergio Moro». Folha de S.Paulo. UOL. Consultado em 2 de janeiro de 2021. Cópia arquivada em 3 de janeiro de 2021. A reverência ao poder, já evidenciada na entrevista com o presidente Jair Bolsonaro na noite de apresentação, prosseguiu na estreia do Jornal da CNN, com a entrevista de Waack e Caio Junqueira, ex-Crusoé, com o ministro Sergio Moro.
    Este não foi questionado sobre as revelações da Vaza Jato. Pelo contrário, ouviu perguntas sobre a resistência do Congresso aos seus projetos, sobre como está "difícil combater a corrupção".
    O que levou a respostas como "eu me vejo ainda mais como um técnico aqui no Ministério da Justiça" ou, manchete pela manhã no site do canal, seu ataque a "essa oposição que não é tão racional".
    A postura editorial da franquia em relação às ações afinal reveladas de Moro e da Lava Jato é a mesma da Globo e da GloboNews, de recusa e supressão. Com o acréscimo de uma veneração intermitente ao poder, não só do governo Jair Bolsonaro.
     
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