Boris Casoy

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Boris Casoy
Nascimento São Paulo, SP
Ocupação jornalista
Nacionalidade  brasileiro
Religião Judaísmo
Atividade 1968-presente
Trabalhos notáveis

Boris Casoy (São Paulo, 13 de fevereiro de 1940) é um jornalista brasileiro. Tornando-se notório por ter sido âncora do TJ Brasil, telejornal exibido pelo SBT entre 1988 e 1997, Boris iniciou a sua carreira como locutor na Rádio Eldorado, iniciando a sua trajetória pela televisão na Rede Tupi, como repórter do programa Mosaico na TV.

Em seu trabalho como âncora, o jornalista se tornou o primeiro a emitir opiniões sobre as reportagens exibidas durante os telejornais que apresentou. O âncora também acabou emplacando bordões em seus comentários, como "isto é uma vergonha!" e "é preciso passar o Brasil a limpo", marcados durante o processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor.

Ao sair do SBT, no meio do ano de 1997, assinou contrato com a Rede Record, lugar em que permaneceu como âncora até 2005. Após a sua saída da Record, passou pela recém-criada TV JB, canal que ficou pouco tempo no ar, e pela Band, sendo um dos contratados da emissora entre 2008 e 2016. Antes de ser âncora de televisão, Boris também atuou na mídia impressa, como editor-chefe do jornal Folha de S.Paulo, cargo que ocupou após ser editor de política no mesmo jornal.

Infância e juventude[editar | editar código-fonte]

Último dos cinco filhos de imigrantes judeus russos que chegaram ao Brasil em 1928, Boris adquiriu poliomielite ao completar um ano de vida, junto com sua irmã gêmea. Na época não existia vacina. A doença deixou sequelas físicas, mas a marca maior foi a psicológica, gerada pela discriminação na infância. Até os nove anos, Casoy praticamente não podia andar. Com essa idade, ele foi operado nos EUA e recuperou os movimentos. "Como não podia andar, era um grande ouvinte de rádio, admirava aquele milagre da transmissão da voz", contou em entrevista ao site Amputados Vencedores.[1]

Estudou os primeiros anos nos colégios Stanford e Mackenzie. Foi reprovado diversas vezes no curso científico, uma vez que queria cursar o antigo clássico, em desacordo com o determinado pela família. Frequentou o curso de Direito da Universidade Mackenzie, mas não o concluiu.

Sua vida profissional começou aos quinze anos, em 1956, trabalhando como narrador esportivo numa emissora de rádio e também como locutor na Rádio Eldorado.[2]

A carreira[editar | editar código-fonte]

No governo[editar | editar código-fonte]

Em 1968, foi nomeado Secretário de Imprensa de Herbert Levy, Secretário de Agricultura do governo Abreu Sodré, em São Paulo, permanecendo no cargo em 1969 com a mudança do titular da pasta.

Em 1970, foi assessor de imprensa de Luís Fernando Cirne Lima, Ministro de Agricultura do governo Médici.

Em 1971 e 1972, foi secretário de imprensa do prefeito de São Paulo, José Carlos de Figueiredo Ferraz.

Na Folha de S.Paulo[editar | editar código-fonte]

Em 1974, ingressou na Folha de S.Paulo, seu primeiro trabalho em jornal, onde foi editor de política e, apenas três meses depois, chegou a editor-chefe. Permaneceu no jornal até junho de 1976, quando saiu para dirigir a Escola de Comunicação e o setor cultural da FAAP.

Retornou ao mesmo jornal em 1977, onde passou a escrever uma coluna sobre os bastidores políticos denominada "Painel". Em setembro, tornou-se o editor-chefe e diretor de redação, aos 36 anos, ficando no cargo até 1984, quando voltou a ser responsável pela coluna "Painel".[3]

Na televisão[editar | editar código-fonte]

Sua carreira televisiva teve início em 1961, quando atuou como repórter do programa Mosaico na TV, na TV Tupi,[4] então o canal 4 de São Paulo, mais antigo programa ininterrupto da TV brasileira, segundo o Guinness Book, e ainda com o mesmo produtor (Francisco Gotthilf).

Em 1988, Bóris voltou para a TV, pelo Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), em 1988, para apresentar o TJ Brasil, lá ficando até 1997, onde formou parcerias com as jornalistas Lilian Witte Fibe e Salete Lemos, alcançando grande popularidade. Depois, foi contratado pela Rede Record junto com Salete, onde trabalhou durante oito anos, apresentando o Jornal da Record até dezembro de 2005, quando foi demitido.

Boris chegou a trabalhar na TV JB, apresentando o Telejornal do Brasil, de segunda a sexta-feira, sempre às 22 horas, mas a TV JB saiu do ar em 17 de setembro de 2007.

Em 2008, assinou contrato com a Band, tornando-se âncora do Jornal da Noite, local em que permaneceu até 2016, quando o seu contrato não foi renovado.[5] A não renovação do contrato ocorreu em comum acordo entre contratado e contratante e foi motivada pelo horário tardio em que o jornalista teria que ancorar o Jornal da Noite.[5] Com o fim do contrato com a Band, Boris assinou um acordo com a RedeTV! para se tornar âncora do principal telejornal da emissora, o RedeTV! News, válido após o término de seu contrato com a Band, que se encerra no dia 30 de setembro.[5]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Estilo[editar | editar código-fonte]

Seu estilo é muito particular e inspirado na figura do âncora importada dos telejornais norte-americanos, já que não se furta de emitir sua própria opinião sobre os assuntos mais polêmicos, e gosta de utilizar frases-bordão, tais como "Isto é uma vergonha" ou "É preciso passar o Brasil a limpo".[carece de fontes?]

Caso CCC[editar | editar código-fonte]

Em 1968, em reportagem sobre líderes estudantis, a revista O Cruzeiro acusou-o de ter participado do grupo Comando de Caça aos Comunistas (CCC)[6]. O CCC foi uma organização paramilitar anticomunista composta por estudantes e intelectuais, que durante o Regime Militar no Brasil, agiram em seu favor, denunciando, atacando, sequestrando, torturando e assassinando pessoas contrárias ao regime então vigente.[7] Boris nega esta acusação até hoje e afirma não haver provas que comprovem a participação no CCC. Vinte anos depois (1988), disse a respeito do episódio que tinha consciência do "quanto a imprensa pode estigmatizar alguém. Eu senti isso na carne. E não esqueço."[8] O CCC não existe mais desde o fim da Ditadura Militar, em 1985.[9]

Em 2010, o próprio autor da reportagem na revista Cruzeiro, Pedro Medeiros, esclareceu que os diversos nomes que ele relacionara como integrantes do CCC[9] foram publicados sem confirmação.[10] Ao entrevistar integrante do grupo em 1968, o repórter se apropriou da agenda de telefones do entrevistado e os nomes que apareciam na agenda acabaram sendo publicados como sendo membros do grupo, entre eles Boris Casoy.[9]

No mesmo ano, o jornalista e blogueiro Paulo Henrique Amorim voltou repetir acusação, ao publicar no site em que escreve Conversa Afiada.[9] Amorim publicou o texto na qual o acusa de pertencer ao CCC, ser a favor da tortura, ser torturador e ter "fúria fascista", ao se opor a instalação pelo governo anterior, Conselho de Defesa dos Direitos Humanos. Após saber da publicação do texto, Casoy entrou com queixa-crime por ofensas caluniosas contra Amorim,[9] Em 13 de dezembro que foi obrigado a publicar retratação, depois do acordo no Juizado Especial Criminal de São Paulo.[10] Casoy foi representado em juízo pelo advogado Carlos Eduardo Regina. A retratação publicada dizia: "Disse numa sequência de posts sobre a instalação de um Conselho de Defesa dos Direitos Humanos, que aqueles que se opunham à instalação faziam o papel de defender quem defende a tortura. (...) Assim sendo, reitero, agora, que o Sr. Casoy nega que tenha pertencido ao CCC. E, portanto, não voltarei a fazer essa ligação.", concluiu.[9]

Eleições 1985[editar | editar código-fonte]

Em um debate na Rede Globo com os candidatos à prefeitura de São Paulo, em novembro de 1985, perguntou ao então candidato pelo PMDB, Fernando Henrique Cardoso, se ele acreditava em Deus. O candidato não respondeu, afirmando que havia sido combinado previamente que esse assunto não seria levantado. A pergunta e a resposta foram considerados como fatores decisivos para a derrota do candidato do PMDB para Jânio Quadros.[11]

Demissão da Rede Record[editar | editar código-fonte]

No dia 30 de dezembro de 2005, a Rede Record anunciou a rescisão de contrato com o apresentador do Jornal da Record, em comum acordo entre ambos. No entanto, Casoy, já fora da Record, afirmou em várias entrevistas no decorrer de 2006 que fora demitido por motivos políticos e deixara a emissora por não concordar com as intervenções da própria emissora no departamento de jornalismo. Em diversas entrevistas, Casoy afirmou que integrantes do PT pressionaram à direção da Rede Record para tirá-lo da emissora, pois ficou sem anúncios publicitários das empresas federais, incluindo as propagandas da Petrobras.[12]

Boris Casoy declarou à revista Istoé Gente em abril de 2006 que a emissora fora pressionada pelo governo Lula a demiti-lo, por conta das declarações sobre os casos dos prefeitos do PT assassinados no interior do estado de São Paulo, Toninho do PT (Campinas) e Celso Daniel (Santo André) e a corrupção no governo federal, no caso Mensalão:

Esse governo pressionou a Record [para me demitir]. Foram várias pressões e a final foi do Zé Dirceu. Eram três assuntos que eles não queriam nem que se tocasse: "Caso Banestado" (comprado pelo Banco Itaú S.A), remessa ilegal de dinheiro para aplicações no exterior; o compadre do Lula, Roberto Teixeira [advogado da Transbrasil, acusado de operar um esquema de arrecadação de dinheiro junto a prefeituras do PT] e o assassinato do Celso Daniel. Eu insistia que acabariam em pizza. (…) Houve o telefonema do Zé Dirceu [para a Record]. A diretoria me pôs a par: 'Ele disse que vai prejudicar a Record e você, pessoalmente, se não parar.' Essa foi a última [ameaça, pois antes] vinha uma série.[12]

Comentário sobre garis[editar | editar código-fonte]

Em 31 de dezembro de 2009, após uma vinheta do Jornal da Band, da Rede Bandeirantes, chamando o intervalo comercial,[13] sem saber que o áudio ainda estava sendo transmitido, Casoy comentou em tom jocoso as imagens exibidas anteriormente, que mostravam uma dupla de garis desejando feliz Ano-Novo aos telespectadores da emissora.

Cquote1.svg Que merda, dois lixeiros desejando felicidades… do alto de suas vassouras… dois lixeiros… o mais baixo da escala do trabalho.[14] Cquote2.svg

O apresentador, por meio da assessoria de imprensa da Band, reconheceu a ofensa que cometeu contra os garis e se retratou durante a exibição do jornalístico[15] do dia posterior, com os seguintes dizeres:

Cquote1.svg Ontem, durante o intervalo do 'Jornal da Band', num vazamento de áudio, eu disse uma frase infeliz, que ofendeu os garis. Por isso, quero pedir profundas desculpas aos garis e aos telespectadores do 'Jornal da Band'.[16] Cquote2.svg

Apesar do pedido de desculpas, diversos garis em vários estados do Brasil entraram com ações contra o apresentador e a emissora no decorrer de 2010. Apenas na Justiça da Paraíba constam 20 processos contra eles. No entanto, as Justiças estaduais negaram todos os recursos por considerarem os processos improcedentes, já que os nomes dos garis não haviam sido citados, considerando ainda o pedido de desculpas feito menos de 24 horas após.

Em 3 de março de 2010, Casoy e a Rede Bandeirantes não foram condenados por danos morais em ação movida pelo gari Marcelo Gomes de Brito, que sentiu-se ofendido pelo comentário pejorativo do âncora. Segundo decisão do juiz Cláudio Antônio de Carvalho Xavier, a repercussão do caso deve ser considerada. No entanto, "o autor da ação não foi a pessoa diretamente atingida pela prática do ato ilícito", uma vez que o comentário de Casoy fora dirigido à categoria.[17]

Em 24 de abril de 2012, a Justiça da Paraíba negou recurso do gari Gilson Silva Sousa que tentava processar o apresentador e a emissora. O autor da ação pediu indenização, que foi negado em novembro de 2011, mas resolveu apelar da decisão. O relator do processo, desembargador José Ricardo Porto, negou o recurso, sob alegação que o episódio provocou "dissabor" para o autor da ação, mas não "dano moral indenizável". O relator disse que "o nome do autor jamais foi mencionado [pelo apresentador] e as expressões enfatizadas são genéricas", concluiu.[18]

Apesar do jornalista ter escapado da condenação em outras vezes, em 21 de novembro de 2012, foi punido e terá que pagar R$21.000, junto com a TV Bandeirantes, ao gari Francisco Gabriel de Lima por danos morais. O Tribunal de Justiça de São Paulo não considerou as desculpas do réu suficientes para reparar os danos causados e, de acordo com a decisão, a alegação de que não houve intenção de ofender não foi suficiente para sua absolvição.[19]

Referências

  1. "Jornalista Boris Casoy fala sobre sua deficiência", Amputados Vencedores, 1 de março de 2008
  2. «CCC ou O Comando do Terror». O Cruzeiro. Consultado em 06/09/2013. 
  3. [1]
  4. "Boris Casoy estréia novo 'Jornal da Noite' hoje", Metro São Paulo, 14 de abril de 2008, pág. 13
  5. a b c Flávio Ricco; José Carlos Nery (28 de setembro de 2016). «Boris Casoy deixa a Bandeirantes e acerta com a Rede TV!». Coluna do Flávio Ricco. UOL. Consultado em 28 de setembro de 2016. 
  6. Medeiros (13 de dezembro de 1968). «CCC ou o comando do terror». O Cruzeiro. Consultado em 27-04-2012. 
  7. [2]
  8. Kushnir, p. 1201
  9. a b c d e f Mariana Ghirello (13 de dezembro de 2010). «Paulo Henrique Amorim se explica a Boris Casoy». Consultor Jurídico. Consultado em 27-04-2012. 
  10. a b «Paulo Henrique Amorim publica retratação a Boris Casoy em seu blog». Portal Imprensa. 14 de dezembro de 2010. Consultado em 27-04-2012. 
  11. Redação (02 de abril de 1994). «Debate em 1985 afetou candidatura». Folha de S.Paulo. Consultado em 14-10-2016. 
  12. a b "“Fui tratado como bandido”", Rodrigo Cardoso, Istoé Gente número 346, 10 de abril de 2006
  13. «Bombou na web – Edição de 11 de janeiro». Época. 9 de janeiro de 2010. Consultado em 10 de janeiro de 2010. 
  14. Boris Casoy ofende garis ao vivo no "Jornal da Band" - Folha Online, 1 de janeiro de 2010 (visitado em 5-1-2010).
  15. Boris Casoy pede "profundas desculpas" aos garis e aos telespectadores - Folha de S.Paulo, 1 de janeiro de 2010 (visitado em 5-1-2010).
  16. Boris Casoy comete gafe e humilha garis ao vivo - Portal Yahoo!, 1 de janeiro de 2010 (visitado em 5-1-2010).
  17. «Boris Casoy e Band são inocentados em processo movido por gari da PB». Portal Imprensa. 3 de março de 2010. Consultado em 21-11-2012. 
  18. JEAN-PHILIP STRUCK (25 de abril de 2012). «Justiça da PB nega indenização para gari que processou Boris Casoy». Folha Online. Consultado em 27-04-2012. 
  19. Rogério Barbosa (21 de novembro de 2012). «Justiça condena Boris Casoy e TV Bandeirantes a indenizar gari ofendido em telejornal». UOL. Consultado em 21-11-2012. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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