Durval Discos

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Durval Discos
 Brasil
2002 •  cor •  96 min 
Direção Anna Muylaert
Produção Sara Silveira
Maria Ionescu
Produção executiva Sara Silveira
Maria Ionescu
Roteiro Anna Muylaert
Elenco Ary França
Etty Fraser
Isabela Guasco
Marisa Orth
Letícia Sabatella
Música André Abujamra
Direção de fotografia Jacob Solitrenick
Direção de arte Ana Mara Abreu
Figurino Marisa Guimarães
Companhia(s) produtora(s) Dezenove Som e Imagens[1]
África Filmes[1]
Programa de Integração Cinema e TV
TV Cultura
Secretaria de Estado da Cultura
Governo do Estado de São Paulo
Distribuição Europa Filmes
Lançamento 28 de março de 2003[2]
Idioma português
Orçamento R$1,5 milhão[3]

Durval Discos é um filme brasileiro de 2002, dirigido por Anna Muylaert em sua estreia como diretora.[4] A história gira em torno de Durval, que em plena era do CD insiste em continuar vendendo discos de vinil (LP).[5] O filme teve como fonte de inspiração as antigas lojas de vinil do bairro de Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo, como a Edgar Discos e a Eric Discos.[6] Este filme é uma realização de estúdio de uma distribuição pela Europa Filmes, e pelo apoio da TV Cultura e o Governo do Estado de São Paulo. Na TV Cultura foi exibido no programa Cine Brasil.

O filme é notável por sua trilha sonora composta pela música brasileira dos anos 1970 que reflete o gosto do protagonista, já que ele é um hippie, além da trilha sonora original de André Abujamra, mais presente na segunda metade mais sombria do filme. A mudança de humor da primeira parte para a segunda foi anunciada como os lados A e B da vida, uma referência à homenagem do filme aos LPs.[7]

André Abujamra faz uma pequena aparição cômica, como o personagem Fat Marley e a cantora de rock Rita Lee também tem uma breve participação como a cliente excêntrica Tia Julieta que esquece de pegar o vinil que ela acabou de comprar. O filme foi exibido na mostra Cine Brasil no Festival do Rio.[8]

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Pinheiros, zona oeste de São Paulo, 1995, Durval e sua mãe, Carmita, moram isolados há muitos anos nos fundos da loja de discos de vinil Durval Discos, onde vivem de modo anacrônico e entediante. Em um certo dia, Durval decide contratar uma empregada doméstica para auxiliar a mãe nos serviços domésticos. O salário de 100 reais atrai Célia, uma mulher que acaba levando um pouco de alegria para a casa. No dia seguinte, porém, Célia desaparece e deixa para trás Kiki, uma menina de 5 anos, com um bilhete dizendo que voltará em alguns dias. Durval e Carmita terminam se afeiçoando a garota, mas logo vêem num noticiário de TV a verdadeira e terrível identidade de Kiki e de sua suposta mãe, descobrem que a mulher é uma seqüestradora e, ao desaparecer, deixa para trás justamente o fruto de seu rapto, uma menina de família rica. A partir daí, a história entra em um enredo que transita entre a trama policial, o drama, o horror e a comédia de costumes.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Participação Especial

  • Herodoto Barbeiro - Jornalista e apresentador da TV Cultura
  • Márcia Bongiovanni - Repórter e Apresentadora da TV Cultura

Equipe técnica[editar | editar código-fonte]

Produção[editar | editar código-fonte]

A fonte de inspiração para o roteiro veio quando a irmã de Anna Muylaert lhe trouxe a notícia de que a Edgar Discos iria fechar.[3] A loja localizada em Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo, era do senhor Edgar que resolveu baixar as portas para começar vida nova em Santos, já com mais de 60 anos que era um dono que resistia ao CD e só vendia vinil.[3] "Essa situação real foi o ponto de partida para a ficção", contou Anna Muylaert, que morou no bairro de Pinheiros.[9] O nome Durval é emprestado do avô da diretora.[9] A Eric Discos, outra loja de Pinheiros que também serviu de inspiração para a cineasta e seus produtores, existe no número 1813 da Rua Artur de Azevedo. Neste local Anna gravou um demo-filme de Durval e onde pegou detalhes para criar a loja em que as filmagens foram feitas.[3] O proprietário da Eric Discos é Eric Crauford, um inglês de Londres que veio para o Brasil com uma coleção de 28 mil álbuns, "Vim com minha família de avião e mandei os discos de navio", recorda Eric.[3] Sua loja contabiliza hoje 100 mil títulos em LPs e, contra sua vontade, 4 mil CDs, "Sou contra o CD, mas precisamos ter um pouco em estoque".[3] Exportações são feitas para o Japão e países da Europa. Nos anos 70, Raul Seixas era cliente cativo, atrás de alguma peça rara de Jerry Lee Lewis, Chuck Berry ou Elvis Presley.[3]

O filme se passa no bairro de Pinheiros. Um sobrado de uma antiga casa na Rua Alves Guimarães nº 367, foi alugado para se transformar no território de Durval, na frente, sua loja de discos; nos fundos e no segundo piso, as dependências da casa que divide com a mãe. Terminadas as filmagens (e o contrato de locação), o sobrado foi demolido, para dar lugar a um prédio, o edifício Letícia. Muylaert incorporou ao filme a cena em que teto e paredes da antiga construção vêm abaixo.[10]

Muylaert escolheu Ary França para o papel, depois de testar mais de 20 atores para interpretar Durval, quando ele agiu "diferente de todos os outros atores, que respeitavam os apontamentos do roteiro e interpretavam Durval como um cara, além de passivo, calmo e paradão". A diferença é que "[França] trouxe para o filme o nervoso, a ansiedade, uma eletricidade de cão que ladra e não morde".[10] André Abujamra foi finalista na seleção de atores para interpretar Durval, mas uma agenda de shows nos EUA com sua banda Karnak o fez desistir. A participação como Fat Marley o fez gravar e lançar um disco com o nome do personagem pelo selo Outros Discos.[11] Isabela Guasco foi escolhida de cem candidatas, a menina já tinha uma pequena experiência em comerciais.[9]

Grandes planos do filme são filmados em steadicam, como a introdução, filmada na Rua Teodoro Sampaio, famosa em São Paulo pela sua concentração de lojas de instrumentos musicais.

Trilha Sonora[editar | editar código-fonte]

Na trilha sonora, domina o som típico do bairro Pinheiros e as únicas músicas surgem quando Durval decide ouvir algum de seus discos. Com um um repertório típico dos anos 70, escolhido por Anna e o produtor musical Pena Schmidt a partir das lembranças da diretora como Novos Baianos, Jorge Ben, Sá, Rodrix e Guarabyra, Luís Melodia e outros, "São músicas que me lembram a adolescência", contou Muylaert.[9] Quando a história é dominada pela loucura de Carmita, surge a trilha especialmente composta por André Abujamra, que pretende ressaltar a tensão. A relação do músico, que faz uma participação no filme, teve altos e baixos, como revelou Anna no depoimento ao site oficial do filme, "As coisas foram um pouco complicadas no começo, pois ele agiu livremente e eu odiei. Não via sentido para a liberdade dele. Tivemos de sentar e conversar sobre o sentido de cada seqüência e, uma vez que ele colocou a música à serviço da narrativa do filme, nenhuma nota mais foi alterada".[9]

e ainda:

  • Tim Maia - Imunização Racional (Que Beleza) (esta música é tocada duas vezes no filme, apesar de não estar na trilha sonora oficialmente.)
  • Tim Maia - A fim de voltar
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Principais prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Grande Prêmio Cinema Brasil

  • Recebeu duas indicações, nas categorias de Melhor Roteiro Original e Melhor Trilha Sonora.

Festival de Gramado

Cine PE - Festival do Audiovisual

  • Recebeu as premiações de melhor roteiro, melhor atriz (Etty Fraser) e melhor direção de arte. no Cine PE - Festival do Audiovisual, novo nome dado ao antigo Festival de Recife, 2003.[15]

Referências

  1. a b «Durval Discos». África Filmes. Consultado em 30 de novembro de 2019 
  2. «Estréia nesta sexta o surpreendente 'Durval Discos'». Diário do Grande ABC. 27 de março de 2003. Consultado em 12 de fevereiro de 2017 
  3. a b c d e f g «Na tela, a hora e a vez do vinil». O Estado de São Paulo. 20 de agosto de 2002. Consultado em 30 de novembro de 2019 
  4. «Crítica: 'Durval Discos' mostra São Paulo fora do lugar-comum». Folha de São Paulo. 15 de dezembro de 2003. Consultado em 30 de novembro de 2019 
  5. José Geraldo Couto (28 de março de 2003). «Diretora fez opção corajosa e original». Folha de São Paulo. Consultado em 30 de novembro de 2019 
  6. a b «"Durval Discos" aborda a complicada relação entre um hippie quarentão e sua mãe superprotetora». Época. Consultado em 30 de novembro de 2019 
  7. «Diferentes rotações». Folha de São Paulo. 30 de janeiro de 2004. Consultado em 30 de novembro de 2019 
  8. «Festival do Rio». Folha de São Paulo. 26 de setembro de 2003. Consultado em 30 de novembro de 2019 
  9. a b c d e «"Durval Discos", a resistência em forma de vinil». O Estado de São Paulo. 28 de março de 2003. Consultado em 30 de novembro de 2019 
  10. a b Silvana Arantes (28 de março de 2003). «Longa arrisca no cruzamento de gêneros». Folha de São Paulo. Consultado em 30 de novembro de 2019 
  11. «Músico "perde" papel principal e compõe a trilha». Folha de São Paulo. 28 de março de 2003. Consultado em 30 de novembro de 2019 
  12. «Durval Discos ganha melhor filme e mais 6 prêmios em Gramado». Terra Networks. 18 de agosto de 2002. Consultado em 30 de novembro de 2019 
  13. Carlos Eduardo Lourenço (18 de agosto de 2002). «Durval Discos vence em Gramado». Folha de Londrina. Consultado em 30 de novembro de 2019 
  14. «Durval Discos». Cinemateca Brasileira. Consultado em 30 de novembro de 2019 
  15. «Narradores de Javé vence o Festival de Cinema de Recife». Folha de Londrina. 1 de maio de 2003. Consultado em 30 de novembro de 2019 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]