Toda Nudez Será Castigada (filme)

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Disambig grey.svg Nota: Se procura peça teatral de Nelson Rodrigues de 1965, veja Toda Nudez Será Castigada.
Toda Nudez Será Castigada
 Brasil
1973 •  cor •  102 min 
Direção Arnaldo Jabor
Roteiro Nelson Rodrigues
Elenco Darlene Glória
Paulo Porto
Género Drama
Idioma português
Página no IMDb (em inglês)

Toda Nudez Será Castigada é um filme brasileiro lançado em dezembro de 1972, dirigido por Arnaldo Jabor, e produzido pela Produções Cinematográficas Roberto Farias,[1] baseado na peça de teatro homônima de Nelson Rodrigues.[2][3][4] O filme teve um público de 1 737 151 espectadores, sendo o quarto filme mais assistido de 1972.[1] Segundo outras fontes, o filme foi lançado em março de 1973.[5] [6] Em novembro de 2015 o filme entrou na lista feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos.[7]

Sinopse[editar | editar código-fonte]

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Herculano é um viúvo conservador, que jura a seu filho Serginho que nunca terá uma outra mulher. No entanto, apaixona-se por uma prostituta, Geni, que conhece através de seu irmão Patrício, interessado em que Herculano volte a sustentar seus vícios de bebida e mulheres. Quando resolve se casar com Geni, gera uma série de conflitos em sua família, entre eles a prisão de Serginho por uma briga de bar. O rapaz é estuprado na prisão e, solto, torna-se amante de Geni, para vingar-se do pai por haver quebrado o juramento. Desesperada, Geni se suicida, deixando uma fita gravada narrando toda a história para Herculano.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Produção e lançamento[editar | editar código-fonte]

Como em toda a obra de Nelson Rodrigues, Toda Nudez Será Castigada fala da hipocrisia das famílias tradicionais.[8][9][10] As filmagens ocorreram em 1972, e a distribuidora solicitou no dia 16 de novembro daquele ano, junto à censura, sua classificação para exibição nos cinemas, porém após diversas revisões, a DCDP expediu um documento no dia 21 de dezembro de 1972,[11] liberando a película, porém impondo cortes (quatro, no total) e determinando a faixa etária mínima para 18 anos.

O filme só estreou em março de 1973[5][6] no Cine Roxy, no Rio de Janeiro, após toda essa tramitação. A censura da época achou o filme imoral e tentou proibir o seu lançamento, que só veio a acontecer em março de 1973,[5][6] porém, no dia 20 de junho daquele ano, o General da Brigada da Polícia Federal Antônio Bandeira expediu um Comunicado de Proibição de Exibição e Ordem de Recolhimento dos Certificados,[12] e assim, com apenas três meses de exibição após sua estreia, soldados da Polícia Federal apreenderam todos os rolos da película nas salas de cinema durante sua exibição, em todo o território nacional.[13]

Simultaneamente, o filme estava sendo exibido no Festival Internacional de Berlim, na Alemanha, e como ganhou o Urso de Prata, prêmio internacional daquele festival, o filme acabou voltando novamente às salas de exibição no Brasil com cortes pouco tempo depois.[14] Durante as primeiras cinco semanas de exibição no Cine Roxy, o filme Toda Nudez Será Castigada arrecadou mais de 500.000 cruzeiros em sua bilheteria, na época considerado como uma consagração popular.[15]

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Festival de Berlim 1973 (Alemanha)

Festival de Gramado 1973 (Brasil)

  • Recebeu dois Kikitos, nas categorias de melhor filme e melhor atriz (Darlene Glória), e menção especial pela trilha sonora, de Astor Piazzolla.

Troféu APCA 1974 (Brasil)

  • Venceu na categoria de melhor cenografia.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Agência Nacional do Cinema, Filmes nacionais com mais de um milhão de espectadores (1970/2010) por ano de lançamento [em linha]
  2. Memória da Censura no Cinema Brasileiro, Toda Nudez Será Castigada: Uma tragédia Burguesa (anexo 1) O Globo: 09/03/73 [em linha]
  3. Memória da Censura no Cinema Brasileiro, Toda Nudez Será Castigada: Uma tragédia Burguesa (anexo 2) O Globo: 09/03/73 [em linha]
  4. Memória da Censura no Cinema Brasileiro, Toda Nudez Será Castigada: Uma tragédia Burguesa (anexo 3) O Globo: 09/03/73 [em linha]
  5. a b c Internet Movie Database, Página do filme Toda Nudez Será Castigada no IMDb. Página visitada em 01/05/2014.
  6. a b c Memória da Censura no Cinema Brasileiro, As Confissões de Nelson Rodrigues: História de um filme (atentar para o parágrafro 16) - O Globo: 08/03/73 [em linha]
  7. André Dib (27 de novembro de 2015). «Abraccine organiza ranking dos 100 melhores filmes brasileiros». Abraccine. abraccine.org. Consultado em 26 de outubro de 2016. 
  8. ( PDF)Última Hora (Memória da Censura no Cinema Brasileiro), 9/3/1973 .
  9. "Crítica do filme" (PDF), Correio da Manhã (Memória da Censura no Cinema Brasileiro), 18/3/1973, http://www.memoriacinebr.com.br/pdfsNovos/0020005I004.pdf .
  10. "Crítica do filme" (PDF), Gente (Memória da Censura no Cinema Brasileiro), 4/1973 .
  11. (PDF) Lista de Cortes nºs 70.695/71.275/71.276 Impostos pela DCDP (Divisão de Censura de Diversões Públicas), Memória da Censura no Cinema Brasileiro, 21/12/1972 .
  12. (PDF) Comunicado de Proibição de Exibição e Ordem de Recolhimento dos Certificados – DCDP, Memória da Censura no Cinema Brasileiro, 20/6/1973, http://www.memoriacinebr.com.br/pdfsNovos/0020005C01101.pdf .
  13. "Toda Nudez Será Castigada foi proibido pela censura" (PDF), O Dia (Memória da Censura no Cinema Brasileiro), 23/6/1973 .
  14. (PDF) [[[Memória da Censura no Cinema Brasileiro]] DCDP (Divisão de Censura de Diversões Públicas) Liberação do fime após sucesso internacional: Parecer 4352/73], 2/7/1973, Memória da Censura no Cinema Brasileiro .
  15. "Cinco semanas de exibição do filme Toda Nudez Será Castigada" (PDF), O Globo (Memória da Censura no Cinema Brasileiro), 23/4/1973 .