Rita Lee e Roberto de Carvalho (álbum de 1982)

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Rita Lee e Roberto de Carvalho
Álbum de estúdio de Rita Lee e Roberto de Carvalho
Lançamento Último trimestre de 1982[1]
Gravação Estúdios SIGLA, Rio de Janeiro e São Paulo, de 20 de junho a 6 de setembro de 1982.
Gênero(s) Pop rock, disco, Música Pop, New Wave
Duração 35:33[2]
Formato(s) LP, CD (1995)
Gravadora(s) Som Livre (SIGLA)
Produção Rita Lee, Roberto de Carvalho e Max Pierre[1]
Cronologia de Rita Lee e Roberto de Carvalho
Saúde
(1981)
Bombom
(1983)

Rita Lee e Roberto de Carvalho, também conhecido como Flagra,[3] é um álbum de Rita Lee com seu parceiro Roberto de Carvalho lançado em 1982. Trouxe canções que foram grandes hits nas paradas Brasileiras, como "Flagra", uma das músicas mais famosas de Rita, e "Cor-de-Rosa Choque".[4]

Desenvolvimento do álbum[editar | editar código-fonte]

Após a gravação do álbum Baila Conmigo, com versões em espanhol de canções de sucesso, e de um videoclipe no México, Rita Lee e Roberto de Carvalho voltaram ao Brasil para gravar mais um álbum. "Cor-de-rosa Choque" foi composta sob encomenda da Rede Globo, que estrearia o programa diário TV Mulher e desejava, segundo Rita Lee, como música de abertura "algo que expressasse o universo feminino com conhecimento de causa, o definitivo hino das fêmeas planetárias com sotaque brazuquês".[3] Para isso, a cantora utilizou "palavras-chaves como Eva, menstruação, sexto sentido, gato borralheira, dondoca, sexo frágil, culminando com o refrão-ameaça: 'Não provoque, é cor-de-rosa choque'".[3]

A faixa "Flagra", encomendada para a telenovela Final Feliz,[5] foi composta a partir da combinação, segundo a cantora, de "Beach Boys com Tony Campello sugerindo o look bad boys da Juventude transviada".[3] O verso "chupando drops de anis" fez com que inicialmente a canção fosse censurada, mas a faixa acabou sendo liberada.[3] Já "Barriga da Mamãe", que a cantora chamou de "tolinha", estava censurada havia dois anos, sendo liberada em 1982. "Frou-Frou", outra faixa chamada de "tolinha", foi descrita por Rita Lee como uma "viagem na maionese retrô a caminho de lugar algum".[3]

"Barata Tonta", de acordo com a cantora, é uma canção que lhe dá orgulho: "Letra e música caminha juntas na mesma cadência, oferecendo uma baladona romântica bem-feita". "Vote em Mim" quase foi censurada, mas "por um milagre acabou liberada". Para isso, o discurso fictício ao final da canção foi modificado, substituindo a expressão "abaixo a repressão" por "abaixo a depressão".[3] Sobre "Só de Você", com arranjo e piano de Cesar Camargo, Rita Lee disse: "o clima sugeria um filme em branco e preto com Fred Astaire e Ginger Rogers dançando na sincronia perfeita de duas borboletas humanas com traje a rigor".[3]

"Brazil com S", com participação de João Gilberto, teve sua gênese numa viagem de avião entre Portugal e Nova York, em que Rita Lee e Roberto de Carvalho conversavam sobre a grafia de "Brasil". Segundo a cantora, "em cinco minutos escrevemos a letra" da canção. Então, convidaram João Gilberto para a gravação da faixa, que ocorreu rapidamente, em um só dia.[6] A faixa "Pirata Cigano" foi composta a partir da imaginação de uma cena com "Sidney Magal num navio fantasiado de Barba Negra cantando com uma rosa vermelha entre os dentes, tipo Jack Sparrow gay".[3] A última faixa do disco, "O Circo", é "uma melodia quase lírica" que "conta a manjada história do palhaço triste rejeitado pela bailariana, aquela falsa alegria que se nota nos personagens do picadeiro".[3]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Comercialmente, o álbum obteve grande sucesso, superando as vendas de Lança Perfume, de 1980, e vendendo mais de dois milhões de cópias. O disco ganhou um musical para TV, dirigido por Daniel Filho, intitulado O Circo. Segundo Rita Lee, a apresentação era uma "superprodução" da TV Globo, "com palco giratório e figurinos exuberantes". Depois da gravação do programa, a banda saiu em turnê pelo país, com quatro caminhões transportando a estrutura do musical.[3]

Capa[editar | editar código-fonte]

Na capa, Rita Lee e Roberto de Carvalho estão num cenário de plástico azul, à semelhança de um mar. Segundo a cantora, esse cenário foi inspirado no filme E La nave va, do diretor italiano Federico Fellini.[3]

Faixas[editar | editar código-fonte]

Todas as faixas compostas e escritas por Rita Lee e Roberto de Carvalho, exceto onde indicado.[7] Fonte da duração: [2]

Lado A
N.º Título Duração
1. "Flagra"   03:34
2. "Barriga da Mamãe"   04:06
3. "Barata Tonta"   03:50
4. "Frou-Frou"   01:55
5. "Vote em Mim" (Rita Lee/Roberto de Carvalho/Ezequiel Neves) 04:22
N.º Título Duração
6. "Só de Você"   04:13
7. "Brazil com S" (Part. esp.: João Gilberto) 03:14
8. "Cor-de-Rosa Choque"   03:00
9. "Pirata Cigano"   03:53
10. "O Circo"   03:27

Agradecimentos do encarte[editar | editar código-fonte]

Estúdio à vista! Gravação marcada! Contagem regressiva... Oba! Era tudo o que eu queria. Que tesão! Entrar naquele foguete cercado de botões coloridos por todos os lados, efeitos interplanetários, microfones espiões, amplificadores, um entra e sai de "audionautas" ocupadíssimos com cabos, plugs, fones, câmaras de eco, eco, eco, enfim, todos conscientes de que uma criança iria nascer. Os pais estavam tranqüilos, Roberto retocando seus acordes no piano, afinando a guitarra e feliz! Eu, para variar, mudando alguns pedaços de letra, na certeza absoluta de que a censura seria boazinha comigo. O clima era ótimo, já sabíamos que uma equipe de cientistas da pesada seria a companhia das bases, e dessa maneira, a criança já nasceria sorrindo! Eram 6 Doutores com uma Roupa Nova tão branca que até dava gosto de ver e ouvir: Nando, Serginho, Kiko, Cleberson, Paulinho e Ricardo. Fizeram um tamanho "clarear" dentro do estúdio que até os deuses da chuva de Sampa deixaram o sol vir tomar banho com a gente. E a criança já estava quentinha! À medida em que a nave subia, convidávamos estrelas para brincar, como foi o caso de um sanfoneiro arretado chamado Oswaldinho que nos presenteou com o som dos anéis de Saturno, ouro puro! E a criança ficou até rica!

S.O.S. - comunicado urgente da Terra, uma nave estaria trazendo um maestro especialmente para dar um realce naquilo que só ele saberia fazer. César Camargo Mariano sentou-se calmamente na frente do piano e com um toque de mágica nos transportou para a máquina do tempo, e vindo de não sei onde ouvimos Ray Conniff, dançamos com Kim Novak no Pic-nic, enfim, tivemos a ligeira impressão de que antigamente tudo era bem mais chique! E a criança estava sonhando tranqüila! Bomba! Bomba! Bomba! Alerta, todos a bordo da nave, meu Deus, seria esse o nosso fim? Calma pessoal, eis que chega Natan com seu poderoso violão e num solo hipnótico transforma a bomba H num colírio para nossos ouvidos. Ufa! A criança estava salva, o resto que se exploda! Papete, corra aqui no setor das percussões, precisamos de você na cozinha; faça um molho de congas e bongôs, com umas pitadas de tóc tóc, 2 colheres de tamborim, uma xícara de gogo, misture bem, porque a criança está com fome dessas suas iguarias, uhmm! Ele fez a cabeça do meu estômago também! Nosso radar detectou algo. Tentamos estabelecer um contato e foi uma alegria geral. Era o maestro Eduardo Souto Neto e seus metais em brasa! Puxa vida, chegou na hora certa e foi logo dizendo: "- Surpresa meus amigos, escutem só a bandinha da lua!" Não deu outra, a criança entrou no embalo e até começou a engatinhar. Nessas alturas, o comandante de bordo Max Pierre, o universal capitão Célio Martins, os spectramen João Maria, Niltinho e Gordinho, a space sexy Cecília Assef e o famoso Sombra Jones já festejavam o êxito da viagem, missão cumprida. De repente bateu uma saudade do Brasil, e que negócio é esse de escrever Brazil com Z? Que confuzão, essa mizturação... A História oculta do Brazil sempre foi engraçada mesmo, lembra aquela que na hora do grito Dom Pedro deu foi um belo, epa, pera aí, Roberto e eu estamos recebendo uma mensagem telepática numa nota só! Só pode ser dele, João Gilberto, o gênio que canta. 10.000 anos-luz a voz predileta de Deus. E vinha vindo, vinha vindo, ei gente ele cantou a música toda e ainda deu tempo prá chamar Robson e Lincoln para aquela festa. Todos nós ficamos em estado de graça, que bom, a criança ficou feliz. (com Z mesmo).[4]

 
Rita Lee.

Ficha técnica[editar | editar código-fonte]

  • Rita Lee: Efeitos (em "Frou-Frou"), Auto harp (em "Cor-de-Rosa Choque"), percussão com boca (em "Brazil com S"), Popeye Whistle e Korg (em "Pirata Cigano")
  • Roberto de Carvalho: Yamaha (em "Flagra", "Barriga da Mamãe", "Frou-Frou", "Cor-de-Rosa Choque", "Brazil com S" e "O Circo"), Emulator flauta e Rhodes (em "Pirata Cigano"), guitarra (em "Cor-de-Rosa Choque" e "Flagra"), Guitarra solo (em "Vote em Mim")
  • Nando: baixo
  • Serginho Herval: Bateria, trombone (em "Barata Tonta", "Frou-Frou" e "Pirata Cigano")
  • Kiko: Guitarra
  • Paulinho: Pandeiro (em "Flagra" e "Barriga da Mamãe"), Clave (em "Barata Tonta" e "Cor-de-Rosa Choque"), Lyn (em "Frou-Frou"), Cowbell (em "Vote em Mim"), Bongô (em "Cor-de-Rosa Choque")
  • Ricardo Feghali: Guitarra (em "Flagra" e "Cor-de-Rosa Choque"), Violão (em "O Circo"), Rhodes (em "Barata Tonta", "Vote em Mim" e "Só de Você"), Prophet five (em "O Circo")
  • Cleberson Horsth: Yamaha (em "Barata Tonta", "Vote em Mim" e "Pirata Cigano"), Rhodes (em "Flagra", "Barriga da Mamãe", "Frou-Frou", "Cor-de-Rosa Choque" e "O Circo"), Emulador (em "O Circo" e "Barriga da Mamãe")
  • João Gilberto: Violão (em "Brazil com S")
  • Papete: Conga e cabaça (em "Barata Tonta"), Garrafa e berimbau de boca (em "Frou-Frou"), Pandeiro e caixa de filme (em "Cor-de-Rosa Choque"), Tumba (em "Pirata Cigano")
  • Oswaldinho: Acordeon (em "Frou-Frou")
  • Léo Gandelman: Sax alto (em "Barriga da Mamãe", "Barata Tonta", "Frou-Frou" e "Pirata Cigano")
  • Zé Carlos: Sax tenor (em "Barriga da Mamãe", "Barata Tonta", "Frou-Frou" e "Pirata Cigano")
  • Márcio Montarroyos: Trompete (em "Barriga da Mamãe", "Frou-Frou" e "Pirata Cigano"), Flugel (em "Barata Tonta")
  • Guilherme Dias Gomes: Trompete (em "Barriga da Mamãe", "Frou-Frou" e "Pirata Cigano"), Flugel (em "Barata Tonta")
  • Eduardo Souto Neto: Arranjo de metais (em "Barriga da Mamãe", "Barata Tonta", "Frou-Frou" e "Pirata Cigano")
  • Lincoln Olivetti: Oberheim (em "Brazil com S")
  • Robson Jorge: Korg (em "Brazil com S")
  • César Camargo Mariano: Yamaha e Emulator (em "Só de Você")
  • Rubinho Barsotti: Vassourinha (em "Só de Você")
  • Vocais: Rita Lee e Roupa Nova (em "Flagra", "Barriga da Mamãe", "Cor-de-Rosa Choque" e "O Circo"), Rita Lee (em "Barata Tonta", "Frou-Frou", "Vote em Mim" e "Pirata Cigano"), Roupa Nova (em "Só de Você"), João Gilberto e Rita Lee (em "Brazil com S")

Referências

  1. a b http://www.fcfrutoproibido.mus.br/discografia/discografia_detalhes.php?id_disco=44
  2. a b http://www.getacd.es/album_rita_lee_rita_lee-2098844.html
  3. a b c d e f g h i j k l Lee, Rita (2016). Rita Lee: uma autobiografia. São Paulo: Globo Livros. pp. 192–194 
  4. a b Rita Lee e Roberto de Carvalho (encarte). Som Livre. 1982
  5. Rita Lee Novelas (encarte). Som Livre.
  6. Lee, Rita (2016). Rita Lee: uma autobiografia. São Paulo: Globo Livros. 182 páginas 
  7. «RITA LEE E ROBERTO DE CARVALHO - 1982». www.discosdobrasil.com.br. Discos do Brasil. Consultado em 13 de janeiro de 2017 


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