Victor Brecheret

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Victor Brecheret
Nascimento 15 de dezembro de 1894
Farnese; Itália
Morte 17 de dezembro de 1955 (61 anos)
São Paulo; Brasil
Nacionalidade Ítalo-brasileiro
Ocupação escultor
Magnum opus Monumento às Bandeiras
Movimento estético Modernismo

Victor Brecheret (Farnese, 15 de dezembro de 1894São Paulo, 17 de dezembro de 1955) foi um escultor ítalo-brasileiro, considerado um dos mais importantes do país.[1] É responsável pela introdução do modernismo na escultura brasileira. Sua figura ficou marcada pela boina que costumava vestir, ressaltando uma imagem tradicional do "artista".

Nasceu (sem a letra 'C' no sobrenome) numa pequena localidade não distante de Roma, filho de Augusto Breheret e Paolina Nanni (vide assento de nascimento mais abaixo)[2], esta última falecida quando o pequeno Vittorio tinha apenas seis anos de idade. Foi abrigado pela família do tio materno, Enrico Nanni, e com sua família emigrou para o Brasil aos dez anos de idade.

No Brasil, tornou-se "Victor Brecheret" e já com mais de trinta anos de idade recorreu à Justiça para inscrever seu registro nascimento tardiamente no Registro Civil do Jardim América (bairro de São Paulo). Assim Brecheret consolidava a sua nacionalidade brasileira, embora tivesse nascido na Itália. Este tipo de "regularização" era muito comum entre imigrantes italianos na primeira metade do século XX no Brasil[3].

Trajetória[editar | editar código-fonte]

"Graça", exposta na Galeria Prestes Maia, em São Paulo.

Ainda moço frequentou as aulas de entalhe em gesso e mármore do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, onde mais tarde viria a utilizar o ateliê e seus aprendizes para moldar suas obras. Amadureceu estudando na Europa, onde entrou em contato com as vanguardas artísticas que ocorriam nas décadas de 1910 e 1920. Trabalhou com o escultor italiano Arturo Dazzi, sendo influenciado pela estética de pós-impressionistas como Ivan Meštrović, croata, e os franceses Auguste Rodin e Émile-Antoine Bourdelle.[1] Ligou-se a Emiliano Di Cavalcanti, Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti del Picchia quando voltou ao Brasil e com eles participou da introdução do pensamento vanguardista no Brasil.

Participou da Semana de Arte Moderna de 1922, expondo vinte esculturas no saguão e nos corredores do Teatro Municipal de São Paulo. A partir daí manteve paralelamente uma carreira na Europa e em seu país. Expôs no Salão dos Independentes de Paris e fundou a Sociedade Pró Arte Moderna.

Em 1920, ganhou um concurso internacional de maquetes para a construção de uma grande escultura em São Paulo (o futuro Monumento às Bandeiras). Em 1923, o governo do Estado de São Paulo encomendou-lhe a execução do Monumento às Bandeiras, projeto a que Brecheret viria a se dedicar nos vinte anos seguintes. O Monumento às Bandeiras foi a maior obra de Brecheret e demorou 33 anos para ser construido (1920—1953).[1] Em 1932, torna-se sócio-fundador da Sociedade Pró-Arte Moderna (Spam).

Em 1951, foi premiado como o melhor escultor nacional na primeira Bienal de Arte de São Paulo.

Obra[editar | editar código-fonte]

Figura feminina, bronze, 1951, coleção Ministério da Educação

Quando estudante do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, Brecheret foi essencialmente um artesão, executando obras de teor clássico e romântico.

Na Europa, ele iniciou uma produção similar a de pós-impressionistas. Ao entrar em contato com as vanguardas em curso naquela época no continente europeu, passou a expressar sua obra com manifestações vindas do construtivismo, expressionismo e cubismo,[1] mas nunca chegando à abstração pura. Em sua fase mais madura, Victor procurou realizar experimentos estéticos que ligavam a escultura vernacular indígena brasileira com as experiências que desenvolveu na Europa.

Em sua produção destacam-se:

  • "Eva" (1920)
  • "Ídolo" (1921)
  • "A Musa Impassível" (1923)
  • "Fauno" (1942)
  • "Depois do Banho" (1945)
  • "O Índio e Sasuapara" (1951)
  • "Monumento às Bandeiras" (1953)
  • "La vida'' (1960)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • PECCININI, Daisy Brecheret - A linguagem das formas. São Paulo: Instituto Vitor Brecheret, 2004, vol. 1, 308p. ISBN 8570608829
  • PECCININI, Daisy. Brecheret e a Escola de Madri; Madrid: Ed. FM Editorial e Instituto Victor Brecheret, 2011.
  • EUGENIA, Maria; 22 por 22: a Semana de Arte Moderna Vista Pelos seus Contemporâneos; São Paulo: Edusp, 2001.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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