Palácio das Indústrias

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Palácio das Indústrias
Palácio da Agricultura e da Indústria
Tipo Palácio
Estilo dominante Eclético
Modernista
Arquiteto Domiziano Rossi
Início da construção 30 de maio de 1911
Inauguração 29 de abril de 1924
Local Parque Dom Pedro II - São Paulo, SP
 Brasil

O Palácio das Indústrias é uma edificação histórica – faz parte dos patrimônios históricos tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT) –, projetada por Domiziano Rossi em parceria com outros dois arquitetos, Francisco Ramos de Azevedo e Ricardo Severo[1], localizada no Parque Dom Pedro II, centro da cidade de São Paulo, região sudeste do Brasil.[2]

Placa afixada na entrada do antigo Palácio das Indústrias, que abriga, atualmente, o Museu Catavento Cultural.

Com estilo arquitetônico eclético (elementos de diversos estilos contidos em um só), o prédio foi construído com o intuito de abrigar exposições relacionadas à Indústria Paulista, sendo inaugurado em 29 de abril de 1924, como mostra a placa de inauguração afixada na entrada do local, que atualmente abriga o Museu Catavento Cultural.[1]

A escolha do local e a construção do prédio foram iniciativas da Secretaria da Agricultura, Comércio e Obras Públicas do Estado de São Paulo, órgão que estava sob a chefia de Antônio de Pádua Salles. O projeto de construção do Palácio das Indústrias fazia parte do plano de renascimento da capital paulista, esquematizado pelos arquitetos Bouvard e Couchet, com o objetivo de revitalizar a região conhecida como Várzea do Carmo, levando a ela saneamento básico e melhorias.[1]

O Palácio teve sua primeira exposição em 1917, seguindo como centro de exposições até o ano de 1947, quando foi transformado em Assembleia Legislativa, tendo seu nome modificado, em 9 de julho daquele ano, para “Palácio Nove de Julho”, devido à promulgação da Constituição do Estado naquele dia. Entre 1947 e 1968, o edifício serviu de palco para atividades políticas. Posteriormente, na década de 70, abrigou também celas para presos comuns, configurando-se como sede da Secretaria de Segurança Pública.[1]

Passando por restauros projetados pela arquiteta Lina Bo Bardi, a partir de 1992 serviu de sede para a Prefeitura da Cidade de São Paulo, o que perdurou até o ano de 2004. Desde o dia 27 de março de 2009 o edifício abriga o Museu Catavento, museu dedicado às ciências e tecnologia.[2][3]

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Inundação da Várzea do Carmo, quadro de Benedito Calixto.

A cidade de São Paulo começou a surgir na metade do século XVI, com a construção de um colégio, feita por jesuítas, no topo de uma colina entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí[4], sem planejamento adequado. Os rios da cidade, naquela época, configuravam-se como pontos de acesso e interligação entre cidades vizinhas brasileiras. À exemplo disso, a região da Várzea do Carmo, que abrange o rio Tamanduateí, citado acima, é a principal porta de entrada em São Paulo. À princípio, essas regiões cortadas por rios eram extensas planícies que, na época das chuvas (verão), tinham seus leitos transbordados, transformando-se em áreas alagadas. Por causa dessa característica, essas áreas eram bastante utilizadas por escravos para a lavagem de roupas, utensílios, entre outros, e também para se despejar detritos. O pintor Benedito Calixto retratou, em 1892, as enchentes aqui descritas no quadro Inundação da Várzea do Carmo, em exposição no Museu Paulista da Universidade de São Paulo (Museu do Ipiranga). [5][6]

As iniciativas de urbanização da Várzea do Carmo se deram em 1872, quando, por ordem do Presidente da Província de São Paulo, João Teodoro de Mattos, parte da área da várzea foi aterrada e transformada em Jardim Público.[5]

Entre 1885 e 1900, a produção cafeeira começou a se desenvolver no Brasil, trazendo grandes modificações para São Paulo, o que fez com que a cidade passasse a ser um grande centro de exportação e importação, acolhendo, além dos barões de café, imigrantes, algo que impulsionaria a implantação de indústrias devido às facilidades e inovações do desenvolvimento da capital paulista, como o recente abastecimento de água e gás.[5]

A partir de 1910, com a expansão da malha urbana do Centro de São Paulo e por causa da necessidade de urbanização do Vale do Anhangabaú (contando com o Teatro Municipal já em fase de conclusão) são feitas várias propostas para melhorar e modernizar a Cidade de São Paulo, inspirando-se nas tendências europeias da Belle Époque.[7] Neste cenário, em 1911, o arquiteto francês Bouvard, convidado pelo prefeito Raimundo Duprat para participar dessas propostas de melhoria, sugere a implantação de dois grandes parques nos moldes de dois parques parisienses, o Bosque de Boulogne e Bosque de Vincennes: um sobre o Vale do Anhangabaú e outro sobre a Várzea do Carmo.[5][7]

A proposta de Bouvard já incluía o Palácio das Indústrias no local onde se encontra atualmente (Parque Dom Pedro II). O anteprojeto do edifício, com suas características arquitetônicas definitivas, contudo, foi concebido no ano anterior, pelo arquiteto italiano Domiziario Rossi.[5][7]

A utilização do prédio ao longo dos anos[editar | editar código-fonte]

Com o intuito de mostrar o progresso, tanto econômico quanto tecnológico, que a cidade de São Paulo vinha conquistando, e também de acordo com o projeto de revitalização da Várzea do Carmo e seus arredores[1], o Palácio das Indústrias foi construído para abrigar exposições relacionadas à indústria paulista. [5]

1917 a 1947[editar | editar código-fonte]

Em 1917, ainda em construção, o local teve sua primeira exposição (uma exposição de panelas), seguindo até 1947 com esta função, tendo alocado exposições agrícolas e pecuárias, exposições de arte, uma exposição em comemoração ao centenário da Independência do Brasil[1], exposições automobilísticas remetendo à instalação das primeiras montadoras na país e à popularização dos carros, entre outras.[5]

1947 a 1968[editar | editar código-fonte]

Em 1947, com o fim do Estado Novo, o Palácio das Indústrias passa a abrigar a Assembleia Legislativa de São Paulo, tendo seu nome alterado para Palácio 9 de Julho.[5]

A deterioração do edifício começa um pouco antes deste período, sendo que a mudança da Assembleia Legislativa para a região do Ibirapuera piora esta situação, já que, a partir da década de 70, a construção passa a receber usos diversos (delegacia, corpo de bombeiros, repartições de Segurança Pública, entre outros), o que, somado à falta de manutenção e má utilização dos espaços do prédio, agrava a situação do local.[1][5]

Década de 70 e 80[editar | editar código-fonte]

A partir da década de 70, instalam-se no local repartições de Segurança Pública do Estado de São Paulo, como um Distrito Policial, Delegacia de Estrangeiros, Batalhão da Polícia Militar, Instituto de Polícia Técnica, Corpo de Bombeiros, alas de carceragem, além do Instituto Médico Legal (IML).[1][5][8]

1992 a 2004[editar | editar código-fonte]

A partir do ano 1992, o Palácio das Indústrias tornou-se a sede da Prefeitura da cidade de São Paulo, localizada, anteriormente, no Parque do Ibirapuera. Parte de um projeto da gestão da então prefeita Luiza Erundina, a intenção de alocar a prefeitura no centro da cidade focava a aproximação entre a população e a prefeitura, sendo que grande parte dos registros de restauros no edifício do Palácio das Indústrias datam desta gestão. Em 2004, a Prefeitura foi transferida para o Edifício Matarazzo, no Vale do Anhangabaú, onde se situa atualmente.[5][9]

2009 até os dias de hoje[editar | editar código-fonte]

Atualmente, o Palácio das Indústrias abriga o Museu Catavento Cultural

Desde 2009, o edifício está sendo utilizado como Museu de Ciências, o Catavento Cultural.[10]

Características Arquitetônicas[editar | editar código-fonte]

Domiziano Rossi tira sua inspiração para o planejamento do Palácio das Indústrias da construção Castello Mackenzie, de Gino Coppedè[5], e, à primeira vista, podem ser identificadas grandes semelhanças entre o Castello Mackenzie e o Palácio das Indústrias. [11][12]

São mais de 8 mil m²[13], distribuídos em um prédio principal com três pavimentos e um jardim interno; e um prédio anexo. Com estilo eclético, o edifício situado no Brasil possui uma fachada que faz alusão a castelos da época medieval, contendo estátuas embutidas na fachada que possuem estilo renascentista[14]. O anexo lateral nos remete a galpão de fábrica, e seu jardim interior (onde atualmente está situado o Borboletário do Museu Catavento) possui características arquitetônicas religiosas - o claustro.[12]

Arquitetura religiosa, o claustro, jardim interno do Palácio das Indústrias
Obras de Nicola Rollo, artista ítalo-brasileiro, no prédio do Palácio das Indústrias

Algumas figuras marcam a estrutura externa do Palácio, como as estátuas de Nicola Rollo, mencionadas no parágrafo anterior, representando o comércio, a pecuária, a agricultura e a indústria, assim como a estátua do Progresso, contendo um carro de bois no topo de uma das colunas.

Nomes de cidades paulistas em brasões compondo a arquitetura do prédio principal

O relógio, no topo central da fachada principal, é um símbolo do progresso e reflexo da Revolução Industrial, similar à estrutura da Estação da Luz. Além desses elementos, frases em latim esculpidas nas paredes do lado de fora do prédio principal nos remetem ao trabalho e indústria, assim como os nomes de cidades paulistas dentro de brasões localizados ao topo de paredes internas, também compondo a estrutura do patrimônio.[11][12]

Relógio central do Palácio das Indústrias

Internamente, os grandes lustres e vitrais aparecem como símbolo de riqueza da cidade em desenvolvimento, e que lucrava com as indústrias recém-instaladas, algo que também é visto na iluminação das cúpulas externas dos pontos mais altos do prédio principal. [11][14]

A construção, como um todo, mescla o aspecto rígido de fortalezas, ilustrado por alguns símbolos do exterior do prédio como cachorros e uma quimera – teriam a função de proteção –, com elementos delicados de palácios.[5][11][12]

Estátuas de cães no Palácio das Indústrias, que significariam proteção

Significado Histórico e Cultural[editar | editar código-fonte]

A importância do Palácio das Indústrias foi, primeiramente, a de abrigar importantes exposições relacionadas à indústria e posterior desenvolvimento da cidade de São Paulo até a metade do século XX.[1]

Como marco histórico, o local também sediou repartições políticas e de segurança pública do estado, além da prefeitura municipal.[1]

Tombamento[editar | editar código-fonte]

Em 1982 foi feito o tombamento do edifício pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT), reconhecendo-o como um patrimônio que faz parte da histórica econômica, política e cultural de São Paulo.[5]

O primeiro pedido de tombamento data de 1977, feito pela Assembleia Legislativa, com o intuito de que fosse instalado no local um museu sobre a história legislativa do Estado de São Paulo.[15] O segundo pedido de tombamento, mantendo o mesmo intuito do primeiro, foi feito em 1978, e possui alguns anexos. O último pedido de tombamento foi feito no ano de 1979, pelo mesmo orgão, e ainda com a mesma intenção dos anos anteriores.[16][1]

De acordo com os documentos de tombamento[16], o Palácio das Indústrias encontrava-se em mau estado de conservação, perdendo suas características originais e representando um risco aos visitantes devido à falta de manutenção de sua estrutura, o que ocasionava ruídos nas instalações hidráulicas e elétricas, principalmente.[5]

Estado Atual[editar | editar código-fonte]

Atualmente, passando pelo terceiro restauro, o Palácio das Indústrias abriga o Museu Catavento Cultural de Ciência e Tecnologia.

O espaço, que ocupa cerca de 8mil m² do Palácio das Indústrias, foi desenvolvido pelas secretarias estaduais de Cultura e Educação, com o apoio de universidades, como a Universidade de São Paulo (USP). Quando foi inaugurado, o museu contava com 250 instalações divididas em quatro seções, denominadas Universo, Vida, Engenho e Sociedade. Em cada uma dessas seções, os visitantes têm acesso aos mais variados conceitos relacionados ao ambiente, ao funcionamento do corpo humano, à física, etc., sendo que todos os espaços contam com interação via equipamentos multimídia. [13]

Conservação do Bem Cultural[editar | editar código-fonte]

O primeiro restauro, conduzido por Lina Bo Bardi na década de 90, visou restaurar o prédio como um todo para alojar a prefeitura, solucionando falhas elétricas e hidráulicas ocasionadas pelo má-conservação[5][17]; o segundo, conduzido pelo arquiteto Ricardo Pisanelli[14], visou a modernização do relógio e o terceiro, que está ajustando detalhes de um salão, ao lado da sala destinada a explicar o efeito das drogas e entorpecentes no Museu Catavento.

Galeria[editar | editar código-fonte]


Referências

  1. a b c d e f g h i j k «Processo de Tombamento Palácio das Indústrias» (PDF). 1979. p. 2, 5, 12, 18, 19, 20. Consultado em 06 de novembro de 2016  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  2. a b «Secretaria de Estado da Cultura». www.cultura.sp.gov.br. Consultado em 6 de novembro de 2016 
  3. «G1 > Edição São Paulo - NOTÍCIAS - SP ganha museu de ciência interativo voltado ao público jovem». g1.globo.com. Consultado em 6 de novembro de 2016 
  4. AZEVEDO MARQUES, Manuel Eufrásio (1980). Província de São Paulo. [S.l.]: Editora Itatiaia 
  5. a b c d e f g h i j k l m n o p do Município de São Paulo, Prefeitura (1992). Palácio das Indústrias: Memória e cidadania Restauro para a nova prefeitura de São Paulo. [S.l.]: DPH/Método. pp. 15, 24, 25, 36, 37, 38, 39, 46, 58, 76 
  6. «As enchentes na história de São Paulo - Portal da Prefeitura da Cidade de São Paulo». www.prefeitura.sp.gov.br. Consultado em 11 de novembro de 2016 
  7. a b c «Palácio das Indústrias - histórico». www.prodam.sp.gov.br. Consultado em 11 de novembro de 2016 
  8. «Museu Catavento - lugares - Estadao.com.br - Acervo». Estadão - Acervo 
  9. «Palácio das Indústrias». Reclames do Estadão 
  10. Abril. «Museu Catavento, a casa dos curiosos em São Paulo» 
  11. a b c d Magalhães de Lima, Paula Coelho. «A EXPOSIÇÃO DE 1917 NO PALÁCIO DAS INDÚSTRIAS EM SÃO PAULO: representações do industrialismo na metrópole nascente» (PDF). Portal IPHAN, Governo de São Paulo 
  12. a b c d «Palácio das Indústrias - Origem e composição». www.prodam.sp.gov.br. Consultado em 14 de novembro de 2016 
  13. a b «G1 > Ciência e Saúde - NOTÍCIAS - SP ganha museu de ciência interativo voltado ao público jovem». g1.globo.com. Consultado em 14 de novembro de 2016 
  14. a b c «Palácio das Indústrias passa por restauração». TV Gazeta (em inglês). 3 de setembro de 2014 
  15. Arquicultura - FAU USP, CONDEPHAAT/DPH. «Processo 01341-77 - Palácio das Indústrias» (PDF). FAU - USP. p. 2 
  16. a b «Ficha de Identificação». www.arquicultura.fau.usp.br. Consultado em 14 de novembro de 2016 
  17. de Souza Bierrenbach, Ana Carolina. «Os Restauros de Lina Bo Bardi» (PDF). Os Restauros de Lina Bo Bardi: Inspirações para a Preservação da Arquitetura do Movimento Moderno. Docomomo. p. 4,5,6 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Commons
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]